As relações entre Estados não se baseiam em juízos de culpa, moralismos ou piedade. Baseiam-se em encontrar hipóteses de acordo que permitam chegar a um ponto de equilíbrio. E quanto aos tratados, eles não são imutáveis, podendo e devendo ser rapidamente modificados se as circunstâncias se alteram. Hoje já ninguém se lembra de quando a Senhora Thatcher descobriu que o Reino Unido estava a ser o maior contribuinte líquido para a então CEE. Chegou ao Conselho Europeu e disse apenas as seguintes palavras: “I want my money back“. Os restantes membros do Conselho deram-lhe razão e o Reino Unido passou a receber anualmente uma devolução das suas contribuições, o famoso cheque britânico. Na altura ninguém falou em tratados e compromissos e se tivesse falado, já se sabe a resposta que teria da Dama de Ferro.
Hoje a situação é similar: a Alemanha é o único país que está a ganhar com o euro, estando todos os outros a perder. Tem por isso toda a lógica que a Alemanha pague em contrapartida dos benefícios que está a ter. Caso contrário os outros países terão que sair do euro, tornando a moeda insustentável. Hoje é a Grécia, amanhã será Chipre, e depois virão os outros. Pode levar décadas, mas depois de um sair, o dominó será implacável.
É por isso que não vale a pena esperar por um acordo em relação à Grécia. Tsipras e Varoufakis preferem sair do euro, a continuar com estes resgates disparatados, como bem aqui se salienta. E Schäuble não prescinde da sua irredutibilidade, preferindo acusar os eleitores gregos de irresponsabilidade. Por aqui se vê como a União Europeia não passa afinal de um gigante com pés de barro.

Se os alemães fossem pessoas de bem, mas não são, seriam os únicos que nunca, mas nunca, deviam abrir a boca, mas abrem-na e aqui, mostram ser aquilo que sempre foram. Frios, insensíveis desumanos que põem os números à frente dos humanos.
Há pontos de vista para todos os gostos, e diabolizar os alemães resolve muitos problemas existenciais. Mas convém pôr as coisas no seu devido lugar, porque no que me toca, prefiro quem me ajude e ajude a criar (bons) postos de trabalho para os meus filhos, do que os que me pedem emprestado e não me querem pagar.
http://blasfemias.net/2015/02/16/os-saca noides-dos-alemaes/#more-62356
“a Alemanha é o único país que está a ganhar com o euro, estando todos os outros a perder.”
Que absurdo.
É hoje que Portugal está mais a ganhar com o Euro, não há 5 , 10 anos.
A nossa classe política está impedida de transformar-nos numa Venezuela, pois não tem poder para imprimir Escudos. É essa a vantagem do Euro.
Infelizmente não impediu, antes pelo contrário, a primeira impressão de dinheiro.
Via Dívida.
Ainda não percebeu que o nosso endividamento foi impressão de dinheiro?
Hoje somos forçados a lidar com os problemas de competitividade. A descobrir alternativas. A inventar, a mudar.
Não a atirar problemas ainda mais graves para o futuro com endividar ou imprimir, duas faces da mesma moeda.
A inflação está estável, as pessoas que pouparam não são prejudicadas e existe muito mais previsibilidade que se tivéssemos Escudos nas mãos da cultura Socialista-Populista do vício do dinheiro que o autor faz parte.
Foi essa cultura que nos trouxe aqui e quer repetir.
“A inflação está estável”. Qual inflação?
É um verdadeiro serviço público dar espaço aqui para os meus colegas trolls poderem explanar narrativas formidáveis ignorar ou ofender o escriba e o que disse e ainda terem audiência cordata que normalmente como não discorda é por que comeu.
Espero que não lebve a mal se disser que aqui os trolls por vezes têm uma imaginação mais refinada que a sua; mas não deixe de escrever que o seu escrito é o núcleo indispensavel de tanta estratégia delirante.
Schauble está a defender a UE… ou seja, o reforço da UE com capital em Berlim, porque a Alemanha é a região mais produtiva do “império europeu”.
Os gregos estão basicamente a fazer o mesmo que qualquer região autónoma faria… exigir compensações por serem remetidos a periferia.
Alberto João faz bem a comparação.
Se Lisboa quer as ilhas, tem que fazer compensações regionais.
Se Berlim quer as ilhas gregas na UE, também.
Os líderes regionais transmontanos, beirões, etc… nunca se impuseram para pedir compensações no sentido de evitar a desertificação do seu território.
Aceitaram o centralismo na faixa litoral, e viram os seus territórios ser progressivamente abandonados, num êxodo irreversível.
As oportunidades que a Alemanha dá são as mesmas que Lisboa deu – quem quiser estar melhor que emigre para o seu centro económico. Pior, não há propriamente uma língua comum, nem estatuto de cidadania igual.
A certa altura estes fenómenos seguem um ritmo imparável – o interesse da UE, como um todo, é concentrar o melhor do império no centro do império… e cada vez mais as regiões periféricas ficam mais periféricas.
Portanto, se os países não quiserem ver o seu destino igual ao de um interior português, envelhecido e abandonado, que serve apenas para turismo ocasional, têm que impor um custo dessa periferia.
Os gregos fazem isso sem qualquer pudor, porque têm uma cultura insular que impõe um pragmatismo diferente. Se fizessem como os portugueses fizeram com o seu interior, teriam as suas múltiplas ilhas desertas.
Aos gregos não passa pela cabeça exigir que cada ilha tenha uma economia equilibrada, entre o que gasta e o que consome, isso seria uma monumental estupidez. Se a Alemanha viesse a gerir directamente as ilhas gregas, teria que fazer exactamente o mesmo, como aliás já o fez na gestão dos desequilíbrios entre as suas regiões…
É questão de os gregos chegarem lá e dizerem “We want our money back” – em grego, claro.
Não percebo porque é que o Luís Menezes Leitão não fala de coisas de que sabe e domina bem (e que eu sei quais são, são do domínio público os assuntos em que é perito) e insiste em falar destas coisas.
Não se falou já aqui que no mundo globalizado de hoje a situação não fecha a zeros na Europa como se o resto do mundo não existisse para continuar a insistir na mesma tecla?
Acha mesmo que, acabado o euro, os grandes clientes europeus da Alemanha que são a Holanda, a França, a Itália, a Grã-Bretanha e os países nórdicos (estes mesmo sem euro) e até certo ponto a Espanha vão deixar de comprar lá?
Acha mesmo que aqui o portuguesinho teso e com uns escudos manhosos vai deixar de comprar produtos alemães para comprar de outras origens (é que as “outras origens” vão continuar com a paridade que já têm)?.
Já tentou pensar nos resultados de um apelo ao boicote dos produtos alemães em Portugal que, tirando alguns comentadores do DO, pouca gente seguíria ?
Qual é o problema dos outros países saírem do euro levando décadas?
Daqui a uma simples década já este mundo deu mais uma série maluca de voltas e porventura o mais lógico será estarmos todos no euro ou não estar ninguém, sei lá.
Basta a Alemanha manter por uns tempos as limitações actuais ao “fracking” e continuar a comprar gás e petróleo à Rússia para que todas as suas teorias sobre os perigos deste ou daquele caírem nos braços russos fazerm “pum” (que foi disso que eles falaram quando se encontraram, a Ucrânia deve ter sido o 2º tema…).
A Alemnha avança, com o apoio da Holanda que é o maior importador de produtos russos e então temos muitos “puns”.
É no entanto lamentável que neste post chame estúpidos a milhões de europeus, porque é isso que está claramente implícito no seu último parágrafo.
Que eu saiba os governos que se opõem às ideias da Grécia foram eleitos pela população dos respectivos países a qual se propuseram defender e, também que eu saiba, essas populações não têm saído à rua em massa nem se têm organizado de qualquer forma que seja para contestar as políticas dos seus governantes neste particular.
Mais ainda: já foi ver o que é que a Grécia propõe de facto?
É que a Grécia já disse o que propunha mas só um (insuspeito) jornal português falou sobre isso e o explicou.
Se não foi ver é normal, a grande maioria das pessoas que falam sobre o assunto também não foram ver.
Portanto dizer que a União Europeia é um gigante com pés de barro é uma crítica fácil e talvez justa aos governantes mas não é de todo simpático (no mínimo) para os que democráticamente os elegeram e não vêem razões para saír à rua e apeá-los.
Mais ainda, tirando aqui um ou dois partidos que já não representam ninguém, o “Podemos” está muito caladinho sobre isto tudo a ver no que dá (o que é sintomático).
Aconselho-o assim a perder uns minutos do seu precioso tempo a ler jornais franceses, espanhóis e italianos de todos os quadrantes e verificar que este passou a ser um assunto mais que secundário nas prioridades noticiosas dos mesmos.
No dia em que o Sr. Varoufakis disse que a Itália e Portugal íam a seguir os jornais italianos mal falaram nisso (até o Beppe Grillo fugiu ao assunto) e por cá era uma excitação do camandro.
Eu aconselhava-o a andar de autocarro com mais frequência senão nunca mais vai perceber o que pensam as pessoas todas que, azar dos azares para os que se acham superiores intelectualmente, têm o mesmo direito ao voto que eles e acabam a votar nos tipos errados tanto cá como por esta Europa toda …
É o que eu faço todos os dias apesar de ter carro e poder andar com ele.
Nada como utilizar transportes públicos por opção, não sendo um sacrifício deixa-nos o espírito livre para absorver o que nos cerca.
Eu também não gosto do governo que temos mas evito que isso me torne anti-democrático quando me convém…
Evito assim dizer coisas que decerto agradariam à rapaziada reformada que passa aqui o dia mas que não fazem qualquer sentido para a maioria dos que têem que lutar todos os dias pelo (ou por um) emprego.
Cumprimentos
Caro rmg,
somos todos peritos nos cenários de futuro, especialmente quando todos se estão nas tintas para cruzar o relevo de um comentário num blog. Portanto, pode até aqui antever uma guerra nuclear para sexta-feira, que ninguém lhe dará mérito por isso, se ocorrer, nem tão pouco o censurá, por não ocorrer. Simplesmente é ignorado.
Parece-me um pouco diferente subir num balão estratosférico, e questionar a legitimidade e relevância de opiniões que divirjam da sua. Não lhe fica bem, e não é porque isso lhe interesse, é apenas porque é triste.
Digo isto, é claro, porque prezo bastante as pertinentes crónicas do LML, e não tenho tido ultimamente nenhum interesse especial em ler os seus comentários. Como não gosto de perder tempo com conversas-discussões que não levam a lado nenhum, este comentário não é dirigido ao RMG, é simplesmente um contraponto de apreço ao LML, para que continue com as suas análises, que muito me agradam.
Mais que isso, são uma voz diferente, que sai fora de uma monotonia do discurso da inevitabilidade e da aceitação.
O RMG tem todo o direito de questionar a pertinência do LML nestas matérias, e com igual pertinência qualquer um poderia descrever as suas competências com mais ou menos adjectivos.
Como nem todos apreciamos as chibatas das Sombras de Grey, numa união, seja ela a UE ou outra, convém perceber se é só um que está a gozar, ou se há reciprocidade.
Pelos vistos na UE há muitos sado-masoquistas, que não se importam de apanhar com mais chibatadas (ainda que caiam nas costas doutros), para gozo e benefício do cabeça de casal.
No entanto, a menos que regressemos ao tempo do “casamento para a vida”, as uniões podem dissolver-se. A doméstica não tem que ser humilhada pelo marido, com o pretexto de que ele é o único que traz dinheiro para casa, nem tem que ser censurada pelo dinheiro que gastou no cabeleireiro, só porque ele foi para o casino e arruinou uma parte das suas finanças.
É verdade que para uma doméstica, que se habituou à dependência marital, a saída de uma união pode não ser fácil. No entanto, convém não desprezar a motivação que se sente pela independência, pelo partir para uma nova fase da vida. É claro que há quem não se importe de apanhar, e mantenha a união apesar dos maus tratos.
No entanto, não é de censurar quem questione a distribuição desigual de rendimentos numa união, e ainda que baixe momentaneamente o seu rendimento pode ter direito a um descanso nas costas, e procurar novos parceiros, para outras relações comerciais.
O caro RMG não vai levar a mal, mas aviso que provavelmente não lhe irei responder, porque este comentário não lhe é dirigido, apesar de poder ter todas as razões para crer que sim.
Muito obrigado pelas suas amáveis palavras.
Li-o.
É verdadeiramente inaudito como se pode “cultivar” uma “narrativa” sobre a Alemanha como se confabula neste (e em outros…) textos.
Para começar, Schäuble não acusa os eleitores gregos de coisíssima nenhuma, tão pouco essa boçalidade ou enviesado ‘spin’ que recita.
Refere antes que os actuais governantes Gregos, neste momento, se estão a comportar como irresponsáveis (“Mir tun die Griechen leid. Sie haben eine Regierung gewählt, die sich im Augenblick ziemlich unverantwortlich verhält.”)- e este comentário vem na sequência de uma pergunta da jornalista sobre se não se enervava quando o Sr. Dr. Prof. da Teoria de Jogos e afins Varoufakis falava de ” fiscalidade ‘waterboarding'” ou “holocausto social” ou ainda quando o representavam no jornal do Partido Syriza como um capataz Nazi deleitado com destruição!
E depois, sinceramente, Schäuble menciona que o que o Governo Syriza tem de dizer – e ainda não o disse – é como entende assegurar o financiamento ao seu País – o que, inclusive, pode contemplar novas politicas que substituem aquelas do ND ou do PASOK e atendem ao seu eleitorado e as promessas feitas.
Note-se que tal ocorre num quadro onde os encargos com a divida Grega são mínimos – a Grécia beneficia, no quadro do ajustamento, de juros muito mais baixos que. e.g. Portugal, e tem uma moratoria ou periodo de carência até 2022-25, onde não tem que amortizar nenhum capital em préstimo.
Mesmo a nível técnico, quando lhes perguntaram com que parte da medidas dos actuais programas não estavam de acordo – Varoufakis tinha dito que seriam cerca de 30%-, não responderam! Limitam-se a pedir mais dinheiro e exigindo uma ausência de “accountability” que a Troika ia tentando assegurar, á mistura com a conversa éliptica de uma ‘politica social’ acoplada á nojice das invocações Nazis e outras ‘moralidades’ da treta contra a Alemanha – porque é ai que cheiram dinheiro acessivel (mais ninguém lhes dá crédito). Andar a alimentar esta conversa da treta, de gente que adopta comportamentos irresponsáveis, e se arroga de ditar que financiamento e tal é por conta do ‘parente’ que é rico* é que traz barro para os pés do “Europeu Gigante”ao legitimar o “chorar para mamar”.
E se a Europa realiza-se um referendo sobre a manutenção ou saída da Grécia?
Eu estou inclinado para a ideia de que votava na sua saída, e tenho empenho em dizer porque me sinto assim.
Em primeiro lugar não conheço a Grécia, tudo o que sei é como se fosse uma manta de retalhos que eu vou construindo com o que a mim chega e com aquilo que eu vou procurar para a montar, portanto vale o que vale. Não acho bem eles terem mais isto e mais aquilo e mais não sei o quê e querem andar sempre a exigir que querem mais, pois se estão famintos e pedintes estão bastante exigentes, tal maneira que fico entre se são malucos ou estão com as costas quentes.
Creio que o Capitalismo totalmente solto e livre é mais destruidor do que construtor, pois não há limites para a vaidade nem para o egoísmo do Homem, logo o Homem acaba sendo o predador do Homem e daí vai andar às voltas até destruir tudo. Os governos com a mão da Justiça devem ser os reguladores e os juízes dos excessos da humanidade, em todos os seus aspectos – a liberdade tem limites, tudo tem limites.
Acho que o problema da Grécia passa pelo culto de uma liberdade autoritária que está acima de rodas normas e regulamentos estabelecidos pela dita cultura ocidental, mas como desta querem as suas coisas boas, então há que saber meter um pé num lado e o outro no outro. O outro lado é um modo próprio de viverem sem aceitarem mandos de ninguém, nem mesmo entre eles.
Finalmente, também acho que outros povos do mundo andam a acalentar estas rebeliões, pois interessa-lhes uma pseudo União para poderem explorar os seus filões de interesses.
Se a Europa quer mesmo existir e durar, vai ter de arrumar essa ideia de expansão numa gaveta, pelo menos até toda esta gente europeia aprender a viver como estas transformações. Até lá, talvez o melhor a fazer com parceiros destes, como a Grécia, seria convidá-los a saírem do grupo.