Parece que os investidores são burros.
As acções da Jerónimo Martins caíram 1.51%.
vidabreve,
Parece que os investidores são burros.
Vale a pena perguntar se o Pingo Doce ganhou algo com os descontos de 1 de Maio. A resposta não é simples. Em geral os cortes nos preços dos produtos alteram a percepção do seu valor pelos consumidores, o que prejudica as respectivas marcas a longo prazo. Mas neste caso o corte foi universal, e é de supor que essa desvalorização psicológica não se verifique.
Por outro lado, os cortes costumam servir objectivos tácticos muito concretos: conduzir à experimentação (o que neste caso não se aplica), criar fidelidade (mas tinha de ser uma acção mais prolongada, como está a fazer a Cervejaria Portugália actualmente), dinamizar um novo canal (por exemplo a internet), gerar rotação de stocks (o que vale para produtos sazonais ou de duração limitada), ganhar quota de mercado (com efeito muito discutível) ou provocar uma alta notoriedade em marcas que estão um pouco apagadas, o que neste caso também não era verdade.
Restam portanto os objectivos políticos. Dizer que a Jerónimo Martins afrontou os sindicatos não chega, porque há muito que o poder das centrais sindicais não era um problema para a empresa. Já combater as criticas recentes da esquerda a Soares dos Santos, demonstrando que a empresa tem “o povo do seu lado”, parece-me um motivo mais verosímil.
Mas isto revela alguma irracionalidade da gestão, que talvez esteja disposta a sacrificar margens para ganhar uma conversa de café.
O endividamento das famílias, das empresas e dos Estados tem servido para discursos simplistas (…). Hoje, toda a economia e toda a sociedade vive para financiar a banca e os mercados financeiros em vez de acontecer o oposto. O que tem de acontecer para voltar a pôr as instituições financeiras no lugar que lhes tem de caber é global e exige uma extraordinária coragem política – aquela que nem aos islandeses está a chegar. A dividocracia (…) é, depois das ideologias totalitárias dos anos 30, o mais poderoso instrumento de subjugação dos cidadãos e dos Estados a poderes não eleitos. Vencer a chantagem do poder financeiro – que alimenta a dívida e se alimenta da dívida – é, neste momento, a primeira de todas as batalhas de quem se considere democrata. É aqui que se fará a trincheira de todos os combates políticos deste início de século.
Dois comentários: 1) isto não se resolve com o mesmo vocabulário altermundialista do costume. Nunca se muda o mundo sem mudar primeiro a retórica. 2) Isto também não se faz sem valores de direita: autonomia, patriotismo, respeito pelo dinheiro.
Chegar aos 87 anos a exasperar sonsos e filisteus. Eis uma velhice dourada.
Mário Soares, Manuel Alegre e os militares de Abril faltarão às comemorações do dia da liberdade. Não faz mal: vai lá estar o José Manuel Fernandes.
Há cerca de dois anos os socialistas escolheram o deputado Ricardo Rodrigues (do gangue) para liderar um combate sem tréguas à corrupção. A estratégia deve ter dado frutos, porque este mês o PS já homenageou Paulo Campos nas jornadas parlamentares e propôs Conde Rodrigues para juiz do Tribunal Constitucional. Em marketing chama-se a isto um posicionamento: o PS procura diferenciar-se como o partido dos bandidos na opinião pública portuguesa.
Isto já se chama uma derrota ideológica ou, como dizem os marxistas, a ideologia é boa mas as suas manifestações históricas é que precisam de refinamento?
Está farto de aturar auxiliares de limpeza da Escola de Chicago? Então só há duas estratégias para si:
1. Emigre. Ganhe mais do que eles. Dispare à distância sobre a manada. Recolha as carcaças. Repita.
2. Organize-se. Participe em sindicatos, crie associações de interesses locais, inscreva-se num partido. Faça barulho. Nunca negoceie.
Esta gente não se combate com argumentos.
“Se vivesse hoje em Portugal o George Orwell acrescentaria aos 3 slogans “Guerra é Paz”, “Liberdade é Escravidão” e “Ignorância é Força” mais estes três: “Pobreza é Riqueza”, Despedimento é Emprego”, “Despejo é Habitação”.” j.j. Amarante, no comentário a este post do jaa:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4309097.html#comentarios
(Não consigo fazer links porque o Sapo decidiu que no iPad só posso usá-los se escrevinhar em html, coisa que anunciou com pompa no portal como se fosse uma grande vantagem, em mais um exemplo de como o mau marketing julga que pode fazer as pessoas passarem por parvas).
Enquanto o FMI nos tenta meter na cabeça os perigos da austeridade e vai empurrando a retoma portuguesa para 2017 (mas o que são cinco anos?), os nossos Massamá Boys reduzem as indemnizações por despedimento (porque o desemprego não é problema) e esperam que o leitor entregue parte da sua reforma futura aos bons préstimos da banca privada (deu excelentes resultados na crise de 2008). Como se isso não bastasse, a senhora Merkel, encorajada pela performance da economia europeia, vai defender a continuação daquilo-que-nós-sabemos e rejeitar programas de apoio à conjuntura, no próximo fim de semana em Washington. É de prever que a chanceler alemã aproveite o ensejo para dar conselhos de beleza e toilette a Michelle Obama. A América precisa tanto da sofisticação e elegância luteranas como das suas recomendações económicas.
Porque a vida está cheia de surpresas .
– Não, filho. Agora chama-se liberdade respeitosa.
A avaliação dos danos provocados pela acção do Governo no conforto dos portugueses é clara: vivemos pior com Passos Coelho do que vivíamos no tempo de Sócrates. No entanto, a opinião pública que urrava contra o filósofo do XVIème parece conformada com todos os dislates do fadista de Massamá. Porquê?
É fácil encontrar razões, mas só com optimismo podemos supor que estas expliquem alguma coisa.
1. Estado de graça: fraco argumento. O estado de graça devia ter acabado quando o Governo, contrariando as promessas, confiscou dois ordenados a um milhão e tal de portugueses.
2. O programa da troika: foi assinado pelo PS. Na altura, isso não convenceu ninguém de que estávamos no bom caminho.
3. A situação internacional: treta. Nos Estados Unidos, país de origem da crise financeira, a economia aguenta-se e o desemprego diminui.
4. O Governo domina a comunicação social para impôr a austeridade como inevitável: tardio. A austeridade era descrita como inevitável há dois anos, sem gerar simpatias. Além disso as incursões do PS nos media não resultaram, porque resultariam as do PSD?
5. Falta de oposição: não é uma causa, mas uma consequência. Se os eleitores estivessem insatisfeitos haveria oposição.
6. A pressão da Europa: mera táctica negocial. A crise do euro está a ser conduzida para servir a Alemanha. Um poder egoísta não cria adesões entre as vítimas.
7. Tom de comunicação: Passos é mais simpático que Sócrates. Pois. E Sócrates era mais determinado e mais esperto do que Passos Coelho. A súbita anomia dos portugueses é um grande mistério.
Fazia-te cá falta um Gnomo do Mal, José André? Estás farto de ver fadistas e carros a vapor? O jaa exauriu-te com argumentos de austeridade ad terrorem? (“É o fim dos tempos, continuamos a viver acima das possibilidades, a América finge que encontrou outro caminho mas é tudo mentira – a Sra. Merkell tem sempre razão, vocês vão ver, etc”). Está bem, pronto. Logo cá venho. Mas só escrevo em acordês, claro.
Mais bons exemplos vindos da Alemanha.
Adenda: o jaa chamou-me a atenção para um comentário a esta notícia (está na caixa) que devia envergonhar o jornal e torna este post enganador. Leiam-no.
O leitor julgava que o serviço público de rádio e televisão servia para formar uma opinião pública mais crítica, com mais consciência do que ocorre no mundo? Nada disso. A Antena 1 e a RTP servem para nos aproximar das ditaduras que dão jeito ao Governo. Não se discute a liberdade de imprensa,acrescenta ele. Pois claro que não.
Não tenho grande amor à velha ortografia, nem percebo que tantas almas se perturbem por escreverem fato em vez de facto, como se nas décadas em que escreveram de cor indefinida e saber de cor tivessem confundido o cinzento com a tabuada.
As intervenções públicas sobre o Acordo não me estimularam. Tudo me parecia um Prós e Contras entre conservadores ultramontanos, mulheres de xaile e bigodaça de crucifixo à ilharga, por um lado, e uns vanguardistas muito neófitos que desprezavam os efeitos perversos das alterações que estas merdas sempre provocam. No fundo a coisa resumiu-se a ser contra ou a favor do 25 de Abril, ou seja, ao grau zero da competência retórica.
Entretanto, os atrasadinhos das caixas de comentários fizeram deste tema uma cruzada pessoal. Não se pode escrever uma rima sobre a Primavera sem que salte logo um palerma a invectivar a primavera.
O Acordo Ortográfico é agora designado por Aborto Ortográfico. E isto angustia-me, por temer que os mesmos que desejam o incumprimento do Acordo procurem também repor a penalização da IVG. Num país varrido pela demagogia mais trambiqueira podemos esperar tudo e o seu contrário.
Sobram, finalmente, os argumentos em economês dos que imaginam ser possível confundir os naturais de Portugal e do Brasil em frases tão torneadas como a meleca da bebeca era superlegal. Um minuto disto e arrumam-se os motivos de quem defende o comércio internacional.
Haverá pessoas razoáveis assomando entre a balbúrdia? Haverá sim, galera. Ide ler a Ana Cristina Leonardo, que ontem descobriu uma delas.
Em Novembro, assim que Papandreou manifestou o seu desejo de referendar o programa de austeridade imposto à Grécia, ergueu-se o carmo e a trindade entre Bona e Portugal. Que era irresponsável, diziam, permitir ao povo discutir — e aprovar ou não — os sacrifícios necessários para permanecer no euro. Três meses depois os gregos fazem manguito ao tal programa que não discutiram nem aprovaram. Vai ser pior para eles — afirma, com o altruísmo do costume, quem sabe que vai ser também pior para nós. Ah, o referendo: até parecia uma boa ideia. Onde ela já vai.
A Literary Review deu justa fama aos Bad Sex in Fiction Awards, que testam anualmente a benevolência dos notáveis — em 2010 Jonathan Franzen integrava a shortlist, e em 2009 o prémio foi concedido a Jonathan Littell. Não sei se algum deles reconheceu com brio a ambígua distinção.
Até hoje não vi explicado porque é que os bons escritores enchem parágrafos atrás de parágrafos com falos erectos e entumescidos. Arrisco pensar que talvez os homens se concentrem demais na mecânica do acto sexual. Ou talvez o seu talento seja perturbado por uma rejeição ansiosa da pornografia. Ou então existe uma incompatibilidade entre os centros nervosos responsáveis pela estética e os que se encarregam de desembaraçar a líbido.
Agora, por um motivo desconhecido, pensei noutra coisa: que o mau sexo, na literatura, provém de um conhecimento prático mas irreflectido do desejo. Qualquer palerma se deixa seduzir por uma adolescente de mamas grandes, e nenhuma cabeleireira resiste a um macho alfa com boa estrutura óssea. Mas Anita Brookner descreve-nos, num dos seus livros, uma mulher que olha para o espelho e se espanta por ter ainda admiradores. A imagem que ela vê é a de um corpo desmaiado, que ficaria melhor numa revista de medicina do que num boudoir. Eppur si muove.
Ou seja, o que falta à má literatura sobre sexo não é estilo, é insight e reflexão.
Em resposta a esta porcaria. O PSD está uma vergonha. (Via feed de Carlos Azevedo).