O caso Pedro Rosa Mendes, a partir do minuto 29.
vidabreve,
1: Daqui.
É oficial: Eva Gaspar não sabe ler. No início de janeiro, Eva Gaspar inventou um post onde Krugman teria defendido a tese de que Portugal e Grécia poderiam não ter alternativa a uma política de austeridade. Hoje, Eva Gaspar diz que Krugman terá dado uma entrevista ao Le Monde onde defendeu que os chamados periféricos devem cortar os salários em 20%, uma solução que, assegura a jornalista do Negócios, este economista tem vindo a defender nos últimos dois anos. Qualquer pessoa minimamente familiarizada com o que Krugman escreve sabe que este nunca poderia defender tal coisa. Aliás, basta ler o que Krugman diz na entrevista para se perceber que, em momento algum, Krugman defende a posição que Eva Gaspar lhe atribui:
Le problème de compétitivité viendrait donc de salaires trop élevés en Europe du Sud par rapport à l’Allemagne ?
Au final, le problème est celui d’un déséquilibre des balances des paiements. Mais, si on prend l’exemple de l’Espagne, les salaires espagnols n’ont pas toujours été au-dessus de la moyenne. C’est un phénomène récent. Après la création de l’euro, il y a eu des afflux massifs de capitaux dans les pays dits à la périphérie de l’Europe qui ont provoqué une bulle du crédit.
Ainsi, que faut-il faire ?
Le problème de la zone euro, c’est sa construction même. Tout cela n’arrive pas par surprise : il y a vingt ans déjà, cette union monétaire provoquait des débats académiques, on se demandait comment ce système pouvait gérer un choc asymétrique, une récession plus profonde dans un pays que dans un autre. Mais la question a été négligée. Aux Etats-Unis, ces chocs asymétriques sont gérés, pas toujours parfaitement, grâce à un système budgétaire intégré et une mobilité très élevée.
L’Europe n’a aucun de ces deux atouts. II lui faut donc quelque chose d’autre pour donner plus de souplesse au système. Une politique monétaire moins stricte avec une inflation plus élevée – autour de 4 % – offrirait une part de la flexibilité qui manque à la zone euro.
2: Nos comentários, aqui:
(…) o que Portugal tem que fazer é sair do Euro e não perder tempo com esse gajo, esse judeu (…)
Correndo o risco de maçar a poetisa Elisabete, o doutor Amorim e outros vultos tormentosos do liberalismo e da moral, aqui deixo o envio para um artigo recente de Paul Krugman no New York Times. Chama-se “O Fiasco da Austeridade“. E como sei que a sabedoria, principalmente a que nos chega dos sãos princípios da escola da vida, nem sempre é acompanhada por um conhecimento profundo de línguas estrangeiras, eis um bom resumo em português.
A Deco informa que um terço dos jovens com mais de 18 e menos de 34 anos pensou em matar-se. Está mal. Numa altura destas, não me parece recomendável que as associações para a defesa dos consumidores andem por aí a dar ideias ao Governo.
Ontem divulguei este assunto com alguma cautela, porque nem queria acreditar que fosse possível. Hoje sei que é:
O jornalista Pedro Rosa Mendes confirmou, em declarações ao PÚBLICO, ter sido informado, por telefone, que a sua próxima crónica, a emitir na quarta-feira, será a última da sua autoria. “Foi-me dito que a próxima seria a última porque a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola”, diz o jornalista, por telefone, a partir de Paris.
“A ser verdade, esta atitude é um acto de censura pura e dura”, sustenta o jornalista, que aborda nessa crónica a emissão especial que a RTP pôs no ar na segunda-feira, 16 de Janeiro, em directo a partir de Angola. A chamada telefónica que serviu para anunciar-lhe o fim deste espaço de opinião foi feita por “um dos responsáveis da Informação” da Antena 1, continua o jornalista, que não quis especificar quem daquele departamento lhe comunicou aquela decisão.
Rosa Mendes critica a emissão do programa televisivo Prós e Contras da RTP feita a partir de Angola, com a participação do ministro português que tutela a comunicação social, o ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. Porém, o jornalista entende que “com tudo o que está em causa, foi uma crónica contida”. Aliás – prossegue –, a ser verdade que tenha sido dispensado por causa do teor desta crónica, essa decisão seria “muito estranha”, porque ele não foi “a única pessoa a ficar desagradada com a natureza e o conteúdo da emissão da RTP”.
“Houve outras opiniões negativas nestes últimos dias”, aponta.
Contactado pelo PÚBLICO, o gabinete do ministro, Miguel Relvas declinou comentar o assunto, limitando-se a dizer que “é uma decisão exclusivamente do foro editorial da RDP”.
O PÚBLICO também questionou a administração da RTP, mas ainda não obteve resposta.
A RTP e o Ministro dos Assuntos Parlamentares não podem refugiar-se no silêncio ou na alusão sonsa ao foro editorial dos serviçais. Por menos que isto, a anterior oposição fez manifestações contra contra Sócrates. Espero agora o mesmo ardor na defesa da liberdade.
Ouvi dizer que o jornalista Pedro Rosa Mendes que fez esta peça terá sido despedido pouco depois do sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares ter regressado de Angola. Se assim foi nem sei o que diga.
Para quem não saiba o referido jornalista é um profundo conhecedor da realidade angolana, apesar de para o caso em questão isso pouco importar.
Aqui. Actualizo o post quando souber mais coisas.
Coisas boas: ajudou-nos a escorraçar Sócrates — embora com anos de atraso. Um patriota teria resolvido o problema em 2008.
Pequenos gestos: este desejo recente de incentivar o crescimento. É inútil para debelar a loucura do Governo, mas ornamentará com brio a tese de mestrado de um historiador do futuro.
De resto: o desastre absoluto, que nem a direita que o elegeu se atreve a defender. As suas confissões sobre economia doméstica levam-me a concluir que o homem não está bem.
Alzheimer? Há muito disso no PSD.
Seguem dois avisos à piolheira, que não servirão para coisa alguma excepto para serem recordados no futuro por quem dirá, segundo o exemplo do professor Cavaco, que nos preveniu. Nessa altura será tarde, como de costume.
É muito triste vivermos entre fanáticos.
A Wikipédia fechou durante 24 horas em protesto contra as propostas de lei PIPA e SOPA que aguardavam a votação do Senado e da Câmara de Representantes. Responsáveis da Google, Facebook, Yahoo e Twitter já tinham reunido para coordenarem um blackout do mesmo tipo. Estas ameaças resultaram no adiamento da votação para as calendas gregas após o recuo de alguns senadores e congressistas do Partido Republicano.
Seth Godin recorda-nos que a tentativa de defender a propriedade cerceando as liberdades não se materializou por geração espontânea: é um produto da corrupção, da ganância e da estranheza dos eleitos perante a internet. Quase metade dos congressistas, afirma, é composta por milionários. Para esses a opção é clara.
Mas Godin não acrescenta algo que me parece interessante: o combate às duas propostas de lei é organizado por gente não menos abastada, vinda da tecnologia e dos new media. Ou seja, a América é suficientemente vasta para albergar dois tipos de milionários: os progressistas e os outros. A isso chama-se sorte.
Nós só temos dos outros — e sempre rodeados por uma corte de anõezinhos de bóina nas mãos.
Ainda se lembram do “trabalho notável”? O escândalo, o opróbrio, as profundezas da miséria socialista? Parece que chegou a continuação.
A concertação social faz cá muita falta. Empobrecer e emigrar com a ajuda dos sindicatos sempre era outra loiça.
Álvaro Santos Pereira foi parar ao Governo porque tinha um blog e morava no Canadá. O método de recrutamento, embora singelo, foi bem intencionado: se ele tinha um blog sabia do que falava, certo? Certo. E se morava no Canadá, com certeza não devia ser ladrão.
Não ser ladrão é uma qualidade estimável em Portugal, suficientemente rara para justificar a importação de um estrangeirado que se comova — e ninguém se comovia tanto como o Álvaro — com as dores da pátria.
Erguido o blogger a super-ministro, resta-nos ajudar o Álvaro a substituir as postas por decisões de alcance estratégico, e as perguntas retóricas sobre frango assado e pastelaria lisboeta por um calendário enxuto de medidas avulsas. Para já, Álvaro, o que me dava jeito era isto:
Semana 1: um site dedicado à exportação. As leis e os regulamentos, os formulários, as implicações fiscais. Algo como isto, mas que não seja uma merda.
Semana 2: uma lista de contactos de funcionários públicos especializados em comércio externo. Gente a quem eu, cidadão anónimo, impreparado e cheio de dúvidas, possa fazer um telefonema sem passar meia hora a ouvir o Mantovani.
Semana 3: Uma base de dados com acesso livre em tempo real (nada de ficheiros Excel faz favor), de PME portuguesas interessadas em colocar os seus produtos em mercados internacionais. Nomes, telefones, emails, produtos, áreas de actividade — tu sabes, Álvaro.
Por agora é tudo. Daqui a um mês voltamos a falar.
Os vates lamentam o apagamento do PS, como se um grande silêncio tivesse descido sobre a terra e numa perversão do um-dó-li-tá colasse por capricho as ventas dos cíceros e quintilianos socialistas. Enquanto o país tagarela, dezenas de almas aflitas perguntam ao vento: porque não falas, Seguro — e no dia seguinte, tendo Seguro falado lamentam, oh, porque não te calaste?
Porquê? Porquê? Porquê? Em suma: por luto, por vergonha, por interesse. O PS falará com a voz do costume daqui a dois anos, e numa década talvez diga qualquer coisa de jeito.
É a confissão da semana nos blogs liberais. De um dia para o outro a direita portuguesa encheu-se de cheerleaders loiras e alheadas. Mas não faz mal, meninas, porque a Carla Quevedo explica:
(…) Sobre as nomeações recentes para a EDP, etc., António Lobo Xavier mostrou incómodo com aquilo que disse ser um problema de percepção. Ora, isto subentende que os factos estão bem, obrigada, o que estraga tudo é a altura em que as coisas se fazem. Lobo Xavier é mais inteligente do que isto. O problema real é haver gente a não fazer a mínima intenção de passar pela ‘necessidade de sacrifícios’ que leva a vida a pregar aos outros. Não é um problema de inveja. E a ganância é o menos, francamente. Sempre houve e sempre haverá. Só um louco é que se dedica à tarefa de mudar a natureza humana. O pior é ter de ouvir os pregadores na televisão, ter de lhes aturar o discurso do que os outros devem fazer, como devem viver. É assim que o cidadão mais pacífico dá por si a defender a revolução francesa. Há, contudo, um aspecto positivo nisto tudo. Por estranho que pareça, vejo o momento que estamos a viver como uma oportunidade de o País mudar para melhor. O tempo não está a nosso favor, mas também acontecem coisas boas quando as pessoas se fartam (…).
Haja paciência.
Dezembro:
Helena Matos indigna-se com o lixo da quadra festiva.
Helena Matos indigna-se com as greves da CP.
Helena Matos indigna-se por não sabermos quantos ciganos existem em Portugal.
Helena Matos indigna-se com o número de espectadores dos filmes portugueses.
Helena Matos indigna-se com a barrigas de aluguer.
Helena Matos indigna-se com o socialismo.
Helena Matos indigna-se com a comemoração da separação entre Goa e Portugal.
Helena Matos indigna-se com o jornalismo de causas.
Helena Matos indigna-se com os apocalípticos.
Helena Matos indigna-se com o Teodorico e as Mães Cegonhas.
Helena Matos indigna-se com esta mania de combater as desigualdades.
Helena Matos indigna-se com o Património da Humanidade.
Hoje:
Helena Matos indigna-se com os indignados.
A principal nota que retiro deste caso é o facto dele poder acumular esse vencimento com uma pensão de mais de 9 mil euros. O próprio conceito de reforma é aqui colocado em causa, pois supostamente estaria retirado da vida activa. Ora, se não está, não a deveria receber.
Manuela Ferreira Leite voltou a exibir o seu tacto diplomático na televisão. Com a internet em chamas (é um déjà vu), temo que nos afastemos da pergunta que ontem fazia a mim próprio e hoje gostaria de fazer a alguém: que motivos existem para que um programa de análise política convide o proprietário do canal em que é transmitido, o partner de uma grande sociedade de advogados lisboeta, o presidente de uma fundação da Jerónimo Martins e uma senhora que ainda há pouco criticava os ”ataques àqueles de acumulam vencimentos” para discutirem, vejam bem, os sacrifícios que é preciso impor ao país?
Há aqui uma resistência à vergonha de que os nossos jornalistas aparentemente não suspeitam, enquanto promovem mandarins a senadores.