Krugman em vão, 1 e 2.


vidabreve,

1: Daqui.

É oficial: Eva Gaspar não sabe ler. No início de janeiro, Eva Gaspar inventou um post onde Krugman teria defendido a tese de que Portugal e Grécia poderiam não ter alternativa a uma política de austeridade. Hoje, Eva Gaspar diz que Krugman terá dado uma entrevista ao Le Monde onde defendeu que os chamados periféricos devem cortar os salários em 20%, uma solução que, assegura a jornalista do Negócios, este economista tem vindo a defender nos últimos dois anos. Qualquer pessoa minimamente familiarizada com o que Krugman escreve sabe que este nunca poderia defender tal coisa. Aliás, basta ler o que Krugman diz na entrevista para se perceber que, em momento algum, Krugman defende a posição que Eva Gaspar lhe atribui:

 

Le problème de compétitivité viendrait donc de salaires trop élevés en Europe du Sud par rapport à l’Allemagne ?


Au final, le problème est celui d’un déséquilibre des balances des paiements. Mais, si on prend l’exemple de l’Espagne, les salaires espagnols n’ont pas toujours été au-dessus de la moyenne. C’est un phénomène récent. Après la création de l’euro, il y a eu des afflux massifs de capitaux dans les pays dits à la périphérie de l’Europe qui ont provoqué une bulle du crédit.

Ainsi, que faut-il faire ?


Le problème de la zone euro, c’est sa construction même. Tout cela n’arrive pas par surprise : il y a vingt ans déjà, cette union monétaire provoquait des débats académiques, on se demandait comment ce système pouvait gérer un choc asymétrique, une récession plus profonde dans un pays que dans un autre. Mais la question a été négligée. Aux Etats-Unis, ces chocs asymétriques sont gérés, pas toujours parfaitement, grâce à un système budgétaire intégré et une mobilité très élevée.

L’Europe n’a aucun de ces deux atouts. II lui faut donc quelque chose d’autre pour donner plus de souplesse au système. Une politique monétaire moins stricte avec une inflation plus élevée – autour de 4 % – offrirait une part de la flexibilité qui manque à la zone euro.

2: Nos comentários, aqui:

(…) o que Portugal tem que fazer é sair do Euro e não perder tempo com esse gajo, esse judeu (…)

14 comentários em “Krugman em vão, 1 e 2.”

  1. Como você não se “familiarizou” com o que Krugman pensa diz coisas destas.

    É melhor ler outra vez :

    Que voulez-vous dire ?
    Pour restaurer la compétitivité en Europe, il faudrait que, disons d’ici les cinq prochaines années, les salaires baissent, dans les pays européens moins compétitifs, de 20 % par rapport à l’Allemagne. Avec un peu d’inflation, cet ajustement est plus facile à réaliser (en laissant filer les prix sans faire grimper les salaires en conséquence).

      1. Então afinal Krugman disse…afinal os salários já baixam 20%…por acaso ele já tinha dito noutras ocasiões 30%.

        Excepto claro os salários de funcionários políticos, das empresas que vivem às custas de contratos políticos .
        O Estado continuará ser “rico” com um deserto cada vez maior à sua volta, além claro da destruição de poupanças das pessoas mais vulneráveis.

        “Mas parece que para isso é preciso uma impressora muito grande.”
        Não é preciso, é o que já o que está acontecer. Olhe para começar para o UK. Mas na Europa Continental a inflação também já aumentou.
        E isto considerando a maneira como as estatísticas de inflação são feitas sem a componente habitação.

        Será curioso verificar se silenciosamente a habitação que foi retirada do índice de inflação mais comum para não se notar a bolha – curiosamente não foi retirada do “crescimento” – quando os preços explodiam agora vai voltar a fazer parte do índice para “ajudá-los” a descer…

    1. O que tu também sabes, Rui, é que essa desvalorização dos salários, segundo o homem, deve ser feita com recurso à inflação e não a cortes nas despesas. O Galamba chega.

        1. Exactamente, Portugal não tem possibilidade de recorrer à da política monetária, apenas possível se saísse do euro.
          Enfim, pensar é complicado.

      1. Não apenas desvalorização, mas também baixa nominal. Escusa é de ser tanto, a outra parte seria feita silenciosamente, através do imposto da inflação:
        «Avec un peu d’inflation, cet ajustement est plus facile à réaliser»

  2. Deus desceu à Terra e eu não sabia…

    As coisas são bastantes simples. Portugal não é um país totalmente independente em termos políticos. «Perdeu» vários instrumentos de acção económica e política para a União Europeia e para »Zona Euro». Esta é controlada pelos alemães, e mais ninguém parece ter alternativas a apresentar. Mudar de política, através da impressão de moeda ou de um aumento do investimento dos «países ricos» (o nosso Cavaco fala nisto há meses), depende da vontade alemã. Esta é nenhuma. A Portugal restam, assim, duas opções: sair do Euro e ter um período de dificuldades com porpoções calamitosas (opção BE e PCP) ou ficar no euro e empreender uma política de austeridade. Aceite este segundo ponto (pelo arco governativo), na minha opinião, a divergência só pode residir na forma de o conseguir. Agora para que tudo faço sentido e valha o sacrifício, a acção do governo não pode ficar por aí. Onde está a democratização da economia? Quando é que acabamos com os regimes de protecção às empresas de regime, a quem pagamos autênticas rendas? E a Justiça, onde está uma reforma que a torne eficaz e elimina a pirâmide de elementos processuais que emperram a máquina? E a moralização dos cargos políticos? E … (a lista continua).

  3. Nem Krugman nem Gaspar. Pelo menos enquanto a economia for essencialmente baseada na livre circulação de capitais (implica necessariamente uma economia baseada na inflação de juros) e no crescimento económico exponencial (crescimento que em biologia equivale ao processo de evolução de um cancro)
    Minha explicação aqui:
    http://oourico.blogs.sapo.pt/82458.html

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