Vale a pena perguntar se o Pingo Doce ganhou algo com os descontos de 1 de Maio. A resposta não é simples. Em geral os cortes nos preços dos produtos alteram a percepção do seu valor pelos consumidores, o que prejudica as respectivas marcas a longo prazo. Mas neste caso o corte foi universal, e é de supor que essa desvalorização psicológica não se verifique.
Por outro lado, os cortes costumam servir objectivos tácticos muito concretos: conduzir à experimentação (o que neste caso não se aplica), criar fidelidade (mas tinha de ser uma acção mais prolongada, como está a fazer a Cervejaria Portugália actualmente), dinamizar um novo canal (por exemplo a internet), gerar rotação de stocks (o que vale para produtos sazonais ou de duração limitada), ganhar quota de mercado (com efeito muito discutível) ou provocar uma alta notoriedade em marcas que estão um pouco apagadas, o que neste caso também não era verdade.
Restam portanto os objectivos políticos. Dizer que a Jerónimo Martins afrontou os sindicatos não chega, porque há muito que o poder das centrais sindicais não era um problema para a empresa. Já combater as criticas recentes da esquerda a Soares dos Santos, demonstrando que a empresa tem “o povo do seu lado”, parece-me um motivo mais verosímil.
Mas isto revela alguma irracionalidade da gestão, que talvez esteja disposta a sacrificar margens para ganhar uma conversa de café.

A mim custa-se a ver o que terá a Jerónimo Martins ganhado, mas é para mim evidente o que perdeu.
(1) Supermercados sujos e semi-vandalizados, que será preciso pôr em ordem.
(2) Produtos em rutura de stock, que será preciso encomendar e que durante algum tempo não haverá para vender.
(3) Roubos de produtos, que certamente ontem terá havido em grande número no meio da confusão.
(4) Produtos vendidos abaixo do preço, que certamente os terá havido.
(5) Abandalhamento da marca Pingo Doce.
Não vejo bem como podem estes prejuízos concretos ser compensados por quaisquer eventuais ganhos políticos.
Concordo.
A Jerónimo Martins perdeu também ontem consumidores honestos, que não sabiam nada da promoção e que lá foram para comprar produtos anódinos. Por exemplo, uma conhecida minha disse-me que foi ontem a um Pingo Doce comprar pão, chegada lá viu uma confusão incrível, não percebeu do que se tratava e teve que se vir embora.
Luís, não é com irracionalidades na gestão que se constrói um império como a Jerónimo Martins. Não te iludas.
Pelo contrário Ana, a expansão da empresa no Brasil foi um desastre. Muita gente boa farta-se de fazer asneiras por motivos pueris.
Mas aceito explicações para o que se passou ontem, porque tirando uma guerrinha de egos não compreendo.
Também acho que houve disso, mas não só.
Sim, é verdade. Mas não pode fazê-las muitas vezes se quiser construir o tal império. Um erro estratégico acontece, mas esse não foi por motivos pueris.
É verdade.
A irracionalidade é contagiosa!
E o oportunismo da esquerda, que para se pôr em bicos de pés, massacra um homem que se sabe e quer ser útil à sociedade, não tem resposta racional que a atinja.
Mas ontem, o que a esquerda disse, entre bandeiras e de cima de palanques, apagou-se pelo eco de um gesto largo de quem reclama o reconhecimento da obra de um homem que quer bem aos portugueses!
Que tolice pegada, santo deus. Ainda há muito bimbo em Portugal.
Prefiro-me com bimbos do que com cegos!
Cegos pela pior maleita, pois desde a inveja à presunção tudo serve para fundar um qualquer sonho em que se vêm grandes e aos outros pequenos!
Tadinho.
Nem por isso!LOL
Hipótese: o que fez o Pingo Doce, foi racionalíssimo, eu é que não percebendo nada do mercado da grande distribuição alimentar ainda não percebi. E que tal pedir para dar uma espreitadela às folhas de excel que a gestão de marketing e a de stock, mostraram à CE da Jerónimo Martins quando propuseram o evento de ontem?
José, com 50 % eles estão a comer as margens, disso não há duvidas. Pode ter sido feito por razoes de longo prazo, mas não vejo quais.
Não sei como é que eles fazem a imputação de custos dos stocks, como desagregam e agregam esses custos, se o custo do stock é contabilizada na caixa ou no armazém, na venda ou na compra, à entrada ou à saída, se diferenciam stocks de obrigações, como são calculadas as margens, etc… Só tenho a certeza que deverão ter uma contabilidade muito sofisticada, bem para além das minhas modestas capacidades analíticas.
… ah e se a liquidez brutal conseguida ontem vis a vis o diferimento nos pagamentos aos fornecedores, nunca inferiores a 120 dias, posta render numa praça com boas taxas de juro (Holanda?) não trará uma margem interessante.
José, mesmo com contabilidade sofisticada este tipo de acção tem um objectivo táctico: qual era? Essa é a minha pergunta.
O departamento de markting do Pingo Doce não inventou nada de novo, isto faz-se há dezenas da anos noutras paragens. O que é que esta promoção teve de diferente? foi ter sido feita no 1º de Maio. E porque é que o Pingo Doce escolheu o 1º de maio? Porque desde que o governo Socrates autorizou a abertura das grandes superficies aos domingos e feriados, que a Inter andava a ameaçar com uma grave.
A Jeronimo Martins respondeu desta maneira, e a esquerda não tem feito outra coisa senão carpir as magoas, e insultar o chairman da empresa. No futuro quando os parasitas que dirigem a CGTP quiserem fazer uma greve nos supermercados no 1º de Maio, já sabe qual vai ser a resposta. Eu até sou capaz de apostar que a partir de agora muitos milhares(milhões) de portugueses, em vez de irem à manif, e depois terem que levar com o discurso dos camaradas que é igual há quase 40 anos, vão aproveitar as promoções do Pingo Doce, e dos outros que não vão querer ficar atrás.
PS: Realmente a SONAE já não é o que era, para se deixar comer assim desta maneira.
Milhares de milhões, pá. Tudo a eito a saquear as lojas.
De uma coisa estão a esquecer-se. Quantos daqueles que ontem povoaram as ditas lojas não estão, há muito, a passar tremendas necessidades alimentares e/ou outras? Aproveitaram. Que há de errado?
E gastam mais de cem euros por cabeça com tremendas necessidades alimentares?
Se você consegue gastar menos que isso em géneros alimentícios, é um gestor de primeira.
Além de que, os produtos não se confinavam a uns determinados e sim a todos.
Que diferença há entre ir passear ou ir às compras baratas?
O que é facto objectivo e concreto, foi que muitas famílias carenciadas ficaram com a despensa recheada por metade do preço.
O resto não passa de demagogia, para a qual estou-me nas tintas
Sim, passavam muita fome e gastaram num dia aquilo que não tinham para comprar pãozinho nos dias anteriores.
Luís, primeiro, acho uma tristeza que um país fique durante um dia inteiro suspenso numa acção promocional de uma cadeia de supermercados… e mais não digo porque o assunto já me me repugna; ei=5308);
segundo, embora isto de malta à tareia por causa de géneros pareça coisa de “terceiro mundo”, o facto é que ainda sobrarão algumas regras, e não só as que se aplicam a ajuntamentos de duas pessoas
(cf. aqui, por favor: http://www.iapmei.pt/iapmei-leg-03.php?l
terceiro, desconhecendo por completo o que vai na cabeça dos gestores do grupo (embora possa especular mas não me apetece) o facto é este: as acções da Jerónimo Martins hoje desvalorizaram 1,5%. Eu não tenho acções mas se tivesse era capaz de ficar um bocado chateada
Ana, isso é interessante. Aparentemente os investidores também não compreendem a extraordinária contabilidade da Jerónimo Martins.
As acções da Jeronimo martins têm andado a oscilar bastante nos ultimos tempos, mas podemos aceitar que os investidores penalizaram as acções por aquilo que se passou ontem.
Mas se levarmos em linha de conta o preço do tempo de televisão, ou o preço do espaço nos jornais, e contabilizarmos as horas de tv e as paginas dos jornais ocupadas com este assunto durante varios dias, provavelmente a Jeronimo martins acaba por fazer um optimo negocio, com a propaganda de borla. Acredite que o valor em publicidade gratis é bastante consideravel.
O valor da publicidade grátis é considerável? Nunca tinha pensado nisso. Mesmo se for publicidade negativa?
Publicitar descontos de 50% é publicidade negativa? Aonde?
Em média não tenho nenhuma dúvida de que tiveram lucro. Mas há ainda outra hipótese em que ficam todos a ganhar (à excepção dos fornecedores que não ganham nem perdem): se eu vendo tudo o que tenho nas prateleiras e ainda tenho 90 dias para pagar aos meus fornecedores, tenho praticamente 3 meses para aplicar uma quantidade enorme de dinheiro num outro negócio bem mais lucrativo do que andar a vender shampô, frango cru e comida para gatos.
Até me espanta que ainda se dediquem à venda de shampos em vez de se especializarem na especulação financeira.
Têm de ir buscar o dinheiro a qualquer lado. Nos dias que correm quem tem (muito) dinheiro em caixa tem um poder negocial enorme.
🙂