Os partidos discutem envelhecimento do País e a baixa natalidade e logo o debate produz argumentos que explicam o fenómeno com a crise financeira. A tese é de que as pessoas querem ter filhos, mas não há condições: faltam creches e empregos, habitação, educação de qualidade, transportes e prestações sociais.
A baixa fertilidade tem certamente motivos ligados à qualidade de vida, mas isso não explica que o indicador tenha caído ao longo de 40 anos. As mudanças sociais em Portugal foram talvez demasiado rápidas, pelo que o seu impacto é mais visível do que em outros países: as famílias são exigentes em relação à educação dos filhos, as pessoas casam tarde e os casamentos duram menos tempo (apesar desta crise ter aumentado o tempo médio de duração dos casamentos). Em resumo, há factores sociais poderosos que não se resolvem com medidas fiscais, subsídios ou novas infra-estruturas. Não digo que isso não seja feito, mas não há leis que convençam as mulheres a casar mais cedo ou que convençam as famílias a ter outro filho.
Os portugueses de hoje têm mais instrução do que em 1970, mas a natalidade continua a cair. Eles são muito mais ricos do que os pais e avós, têm qualidade de vida superior, mas a natalidade continua a baixar. O desemprego dos jovens só aumentará o problema, mas mesmo que a falta de perspectivas da nova geração se resolva, haverá mesmo assim uma crise de fertilidade, pois muitas mulheres quererão optar pelas carreiras e os casais continuarão a achar que a família ideal é pequena. Enfim, assistimos a discussões sobre medidas que podem aumentar em algumas décimas a taxa de fertilidade, mas nenhum político confessa que é necessário discutir outra abordagem, tratando o envelhecimento das sociedades como um fenómeno natural. Por isso, precisamos de aceitar a emigração, mesmo que mude substancialmente a nossa cultura. Portugal teve a vantagem da coesão linguística, étnica e religiosa, mas esse pensamento tornou-se uma desvantagem.
As sociedades adaptam-se às mudanças naturais. No futuro, o País terá menos estudantes e mais idosos, as despesas de saúde serão diferentes e, com o actual sistema de pensões, as pessoas vão trabalhar durante mais tempo, o que por sua vez exige das empresas uma mentalidade que valorize a experiência. Quando era rara, a velhice foi associada à sabedoria. Agora, que se tornou comum, é vista como um problema. No entanto, os países envelhecidos deviam ser vistos como potencialmente mais sábios, pacíficos e prósperos.
















