Passamos o tempo em querelas estéreis. Ontem, nem sequer percebi as notícias sobre as advertências da Comissão Europeia ao governo português, que me pareceram muito semelhantes às que surgiram no ano passado, já depois de terminado o memorando da troika. Tive de ler o jornal Le Monde para compreender que o alvo de Bruxelas era a França: Paris pedira para abrandar o ritmo de cumprimento das metas orçamentais, mas a Comissão recusou, pois havia países com números semelhantes aos franceses a cumprir calendários apertados. Um deles era Portugal. No editorial do jornal francês referia-se que Portugal, Espanha e Irlanda fizeram “esforços consideráveis” que custaram “dolorosos sacrifícios à sua população e classe política”. A França não podia deixar de ser “chamada à ordem” e não poderia beneficiar de “novos adiamentos”, acrescentou o editorialista.
A análise das críticas de Bruxelas ao governo português permite perceber que a comissão contesta o valor governamental do défice deste ano, considerando que a meta de 2,7% é optimista e prevendo um valor mais elevado, de 3,2%. Se o governo português estiver errado, haverá portanto medidas adicionais, mas a notícia foi transformada num psicodrama, com reacções histéricas e explicações que envolviam catástrofes iminentes. O facto é que a Comissão mantém críticas que já fez antes e a novidade era que Paris tem apenas dois anos para trazer o défice orçamental (4,1% em 2015) abaixo dos 3% do PIB, o que obriga a medidas difíceis no período anterior às presidenciais de 2017. O calendário político foi ignorado e os países tiveram tratamento semelhante.

Não pensa que essa explicação deva vir directamente de Bruxelas? Pois se o governo sempre se escudou com as imposições é normal que deixe ser eles a justificar.
Mas Passos reagiu, confirmando que as imposições vêm de Bruxelas. Apesar de Passos as poder contrariar.
Mas a questão da pobreza não vem só do passado. Agravaram-se também com este governo.
Também aceito as explicações de Teresa Caeiro sobre o que foi feito. Mas o que está em causa é o que não foi feito nesta matéria.
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.asp x?fid=25&did=179820
Já em tempos o fmi falava a várias vozes,aconselhando alívios sem se saber para quem e logo a seguir outra voz garantia que os apertos eram para continuar.Nos tempos da Teresa TerMinassien não havia nada disso.Com as muitas cabeças falantes na Europa sucede o mesmo.lembra-me a lenda da tal Torre da Antiguidade em que se multiplicavam as mais desvairadas línguas sem que tal aproveitasse a alguém.Aquilo acabou mal e deveria servir de aviso.
Sim. Não pareceu nada diferente do puxão de orelhas que já tinha sido feito
“dolorosos sacrifícios à sua população e classe política”
Nunca tinha lido uma coisa assim, com a classe política equiparada à população nos dolorosos sacrifícios.
Estamos mesmo no estatismo mais feroz.
Mas é o Jornal Le Monde é um jornal Político Socilista que existe para promover a Política como único poder e única moral.
Por isso é considerado pelos narcisos da Política como “de referência”.