Quando a casa começa a arder, vai tudo à procura do culpado. E quem procura culpados acaba sempre por encontrá-los.
Do mesmo modo, quem procura a verdade já sabe de que verdade anda à procura. Assim, mesmo que lhe passem diante dos olhos outras verdades, muito transparentes apesar das evasivas, não as consegue ver, porque não são as verdades ou os culpados que procura.
E no fim toda a gente diz que já percebeu, precisamente porque não percebeu nada.

Esquecendo o título, passaria por manifesto nihilista.
Tivesse valor de reflexão, e o texto proclamaria a sua verdade e os seus culpados, ilustrando o perfeito absurdo do nihilismo, que nunca resiste a releitura.
Porém, o título evidencia que se trata de mera observação, e como tal remeter-se-à apenas a verdades e culpados de um particular fait-divers, e de facto não se percebe.
Nada nihilista meu caro. Sei do que falo, quem resistir ao coro unânime de indignações de bolso e ao escárnio colectivo, e quiser ver de outra maneira, também percebe. E não é preciso saber mais do que está à vista.
Isso eu percebo, e por isso abundar tanto, sobre tantas matérias, é que não faço ideia do que lhe mereceu mais a atenção, para tal generalização apressada.
Merece o Costa tal atenção?
Não, meu caro, o post não é acerca de António Costa.