Contraste


Luís Naves,

Existe aquele lugar comum meio irritante segundo o qual as sondagens valem o que valem, que é a maneira da política fugir às perguntas. Também há más interpretações de sondagens: os preguiçosos não se dão ao trabalho de olhar para o mais importante, que são as tendências, e os tendenciosos gostam de confundir a árvore com a floresta. Tendo isto em conta, são curiosas as sondagens em Espanha, embora duvide que em Portugal alguém retire delas lições úteis.

Em Espanha, neste momento, há quatro partidos bem colocados para vencer as eleições autonómicas e legislativas. O bipartidarismo está condenado e os cenários de governo estável parecem complicados, o que levará a coligações. Um partido centrista, Cidadãos, irrompe na política espanhola de maneira espectacular e, em apenas dois meses, passou de menos de 13% das intenções de voto para mais de 19%. Este partido sem  militância nacional teve um resultado notável na Andaluzia e está a absorver uma formação centrista que nunca se afirmou. Entretanto, o Podemos entrou em queda acentuada, talvez vítima do seu apoio demasiado efusivo ao novo governo grego.

Na nossa Imprensa, há escassas hipóteses de ser referido um aspecto importante do cenário espanhol: o centro-direita recuperou 5 pontos percentuais em apenas dois meses e a esquerda tem caído de forma regular, apesar da subida do PSOE. A economia espanhola está a dar a volta, com perspectivas de crescimento que podem rondar 3% em 2015, e essa é a grande mudança.

Portugal e Espanha tendem a imitar-se, mas desta vez é diferente: as movimentações políticas espanholas contrastam fortemente com o cenário de imobilidade em Portugal. As nossas sondagens são eloquentes e nada muda nas perspectivas de voto, excepto em escassas décimas, com os partidos do costume a discutirem os candidatos do costume e a merecerem a falta de entusiasmo do costume. Estamos num impasse, numa modorra.

0 comentários em “Contraste”

  1. Falta lideres que consigam afirmar-se como capazes de executar uma politica que me parece latente na sociedade desde as grandes manifestações dos indignados.
    A corrupção, as mordomias, a indigente retorica esquerda/direita , o desprezo pela eficiencia e o marasmo como as agremiações tratam a apropriação das corporações dos valores públicos , julgo que aguarda uma figura que dê garantias que vai para lá e não é mais do mesmo.
    Se aparecer alguem que consiga fazer sonhar os votos estão ali a espera.

    1. os votos, quais votos ? Talvez alguns ao ps e psd, mas estes partidos, como dizem os numeros destas decadas todas, somados, sao, grosso modo 2 terços dos votantes. Essa treta da indigente retorica, treta é a classificaçao de indigente retorica esquerda / direita, frequentemente esconde mais direita. Um governo nao é um rei, governo governa, governa para o pais, mas a forma, é, formalmente, determinada pelo eleitorado. Nenhum lider de direita terá o meu voto, por mais branco que se apresente. e sobre as ditas grandes manifestaçoes dos indignados, nem perco tempo, tamanho é o equivoco de v/exª. E se nao for equivoco, é manha.

  2. diz o Luis Naves : o Podemos entrou em queda acentuada, talvez vítima do seu apoio demasiado efusivo ao novo governo grego.
    “talvez”. Os partidos do costume, o centrao, alternam-se no poder, aqui e no mundo. As eleiçoes sao livres, mas existem pessoas fartas dos do costume. E, votam simplesmente contra, como uns tantos votaram naquela candidato acho que madeirense, á presidencia da republica, ou precisam de referencias. Depois de mais que desiludidos com a promessa francesa, seguiu-se a energia, a determinaçao grega. Se calhar as pessoas gostam mesmo é de serem enganadas. E tem mais, comprovado pelo exemplo frances e grego, este ainda em curso, governo de 1 partido ou coligaçao com um dos novos partidos, de substancial que alterará, suspeito que os carros vao continuar a andar sobre rodas

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