Don’t ever confuse having a life with having a career


lauraramos,

«É muito importante que se tenha vida para além da vida política».

(Miguel Relvas, hoje, no Prós&Contras)

E com isto fica tanta coisa dita…

Em rigor, fica quase tudo dito.

 

É por aí, Sr. Ministro, é por aí. 

 

Gostei da calma determinação.

Enfrenta um poderoso lobby, coeso, da esquerda à direita: o do poder local.

Muitos fazem, e fizeram, obras notáveis. Mas outros tantos líderes tornaram-se, passada a frescura inicial, numa das forças mais conservadoras deste país. Como se a bandeira de eleitos lhes desse uma virtude original e lhes outorgasse o direito de passar ao lado do estatuto de administradores nacionais e das urgentes reformas que se nos impõem.

… E lá vimos nós alguns velhos do Restelo, em todo o seu esplendor: antevendo desgraças, exortando a cautelas, profetizando dilúvios.

 

You know them.

Quase um poema de amor


lauraramos,
 


 

Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
— Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.

Million dollars, baby…


lauraramos,

A Irlanda, através da NAMA (Agência de Gestão de Activos) está a resolver os problemas financeiros da sua banca recorrendo à venda de obras de arte e de outros bens penhorados durante a crise do sector imobiliário.

Naturalmente, o filão não se alimenta exactamente do património do cidadão comum, mas sim dos valores acumulados pelos especuladores, a quem fugiu o pé quando a receita da fortuna fácil se converteu na fórmula da bancarrota, arrastando vítimas.

Entre os bens colocados à venda, encontram-se helicópteros, jactos privados e hotéis de cinco estrelas.

 

E que tal lembrarem-se do mesmo por cá, nos casos do BPN e do BPP?
O que foi feito deste património bancário?

E deste aqui?

E deste?

 

Vão-se os anéis, está bem.

Mas ide aos deles, primeiro.

Gostei


lauraramos,

 

Gostei da entrevista de Pedro Passos Coelho à RTP1.

Vi muito disto, vai para três décadas, e por isso estou calejada. Em rigor, com a epiderme ainda ligeiramente contusa pelas lesões sofridas nos últimos seis anos de delírio mediático, provocadas por aquele outro, o que agia sem saber das coisas.

 

Hoje vi novidades: a transparência no olhar, a serenidade enérgica, a rectidão do discurso. E a franqueza de quem não escolhe atalhos, mesmo que seja, invariavelmente, para desenvolver temas onde não há como pegar de maneira a manter-nos em altitudes róseas e promissores solstícios.

Não… assim, desta maneira, já ninguém voa do sofá ao firmamento, em arroubos de realidade imaginada. O tempo, agora, é mais para sentir-lhe as molas e poupar-lhe o estofo por uns tempos largos.

 

Tem de o fazer mais vezes, senhor primeiro-ministro: precisamos muito deste follow-up.

Entenda quanto isso é importante em tempos de privação.

Um tempo de equinócios a que o senhor não foge.

Back on the road


lauraramos,

 

Depois de dada como tecnicamente falida e com um decreto de encerramento iminente, em 2009, a Fábrica Bordalo Pinheiro está, finalmente, em franca recuperação.

Um facto para ser lido à luz da recessão actual, o que significa que nós, portugueses, não podemos descansar.

Nenhuma unidade de produção é descartável.
Mas esta, em especial, merece em absoluto a nossa protecção, porque a identidade cultural de todos nós devia confundir-se com ela.
Sou suspeita, é verdade: esta é uma das minhas paixões no ‘artesanato’ português.

Longa vida a quem já perfez 125 anos.

Finalmente


lauraramos,

É apenas um princípio. Mas sim, há muito tempo que os casos de enriquecimento ilícito dos políticos deviam estar qualificadamente criminalizados.

Pena é que se fique pelos titulares de cargos políticos ou de altos cargos públicos. 

Santa aliança.

O derrotado


lauraramos,

Pois eu, que nem sou gulosa, também não me conformo com esta derrota!

Bem sei que o leitão – quantas vezes superior ao cochinillo – já levou a sua quota ao centro.

Mas esta iguaria, senhores? Como é possível compará-la ao pastel de Belém? Que  afinal não é de Belém, nem da Ribeira, nem  do Choupal porque é uma nata, em qualquer ponto do país. Uma nata! E uma nata, convenhamos, é uma simples nata, mesmo na China.

Estes aqui desfazem-se na boca, são um refinamento de paladar, um artesanato exquis, velho de séculos.
Decoram com honra e fidalguia qualquer prato de barro ou travessa em cantão, são um deleite inimitável dos sentidos, uma ourivesaria em triliões de folhas, crestadas, esbranquiçadas, escondendo aquele conteúdo divinal e nunca excessivamente doce.

Consolem-se com o prémio, belenenses.

Mas nem sabem o que perdem…

Sulfúricas


lauraramos,

A pobreza está muito mais ligada à falta de transparência, de regras e instituições endógenas, de organizações fortes, de um sistema claro de recompensas e castigos, do que propriamente à ausência de políticas forçadas de distribuição de rendimentos como forma de resolução das desigualdades. A solução para a criação de riqueza não passa, assim, por “distribuição de sacrifícios”, imposição de impostos, ou limitação da meritocracia, mas sim pela exigência de regras de jogo claras, de incentivos correctos, e da promoção de mecanismos de recompensa que correspondam ao esforço desenvolvido por cada um dos agentes.

 

Uma economia cresce se for capaz de libertar as suas melhores energias, de explorar a fibra dos seus cidadãos, tornando-os mais resilientes, autónomos e criativos. Fora deste quadro de valores, vamos definhar nas mãos dos credores.

 

Rodrigo Adão da Fonseca

aqui

SNS vs Privada: decidam-se!


lauraramos,

Pois eu, que defendo o direito dos cidadãos a um Serviço Nacional de Saúde, vejo as coisas assim:

Tem de haver uma divisão de águas e – mais do que isso – uma clarificação de ideias e de opções por parte da cidadania crítica.

 

A propósito desta medida, e exercendo um amigável contraditório com alguém que muito prezo, proponho-me  adivinhar as razões por que muitos médicos se “manifestam preocupados” e outros – que não se encontram claramente entre as fileiras eleitorais deste Governo – aplaudem a estratégia adoptada, antevendo, contudo, os efeitos erosivos da desinformação junto da opinião pública.

 

Vejamos: a pílula deixará de ser comparticipada, mas continuará a ser distribuída nos centros de saúde e nas consultas regulares de planeamento familiar dos hospitais públicos.

– Medida maquiavélica? – Concorrência desleal entre medicina pública e medicina privada?

Não, rigorosamente, não.

De facto, fica mais barato ao Estado dar do que comparticipar.

– Porquê? Porque os medicamentos comprados em grandes quantidades envolvem custos inferiores aos dispendidos na fracção da comparticipação. Assim sendo, o Estado, via SNS, pode oferecer a pílula e, deixando de a comparticipar, estará mesmo em condições de aumentar os stocks reservados para distribuição gratuita.

 

Resultados desta medida:

– Quem quer ir à “privada”, vai. Ou, rigorosamente, continua a ir, porque forçosamente já o fazia antes, para obter a necessária receita médica que titulava o direito à comparticipação. Convenhamos, com toda a razoabilidade, que quem está apto a pagar uma consulta privada pode bem pagar a pílula a preço integral. Ou não?

– Quem não quer, ou não pode ir aos privados (atenção aos termos, que não são sinónimos), vai à consulta do SNS e obtém a pílula gratuitamente, aproveitando, se calhar, para fazer, também a custo zero, a citologia, as análises clínicas e outros inomináveis exames regulares de rastreio que não preciso de enunciar, porque todas as mulheres os conhecem: os tais de que ninguém gosta e poucas de nós cumprem com a regularidade devida (falo por mim).

 

Pontos fortes e pontos fracos:

– Nós, os contribuintes, deixaremos de dar tanto a ganhar aos farmacêuticos.

-Nós, os contribuintes, deixaremos de sustentar uma via verde para a medicina privada, porque esta medida impede que os consultórios  já não sejam tão facilmente procurados para, por acréscimo, garantirem o receituário e o competente desconto, suportado por todos nós.

 

Em conclusão:

Não percebo tanta animosidade contra uma reforma que, numa lógica distributiva de recursos escassos, me parece inteligente e inteiramente justa. Democrática, para sermos exactos.

Uma reforma que combate o desperdício.

E que desagrada, é verdade, à maioria dos médicos que exercem medicina privada.

Nem todos, diga-se: porque, na verdade, não há monopólio moral de pecados na privada, nem monopólo de virtudes na medicina pública. Muitos profissionais acumulam, e acumulam, eticamente, muito bem.

 

Só que, quanto a isto – e outras coisas  – convém reunir ideias:

 

– Afinal de contas, queremos exactamente o quê?

 

Separem-se as águas.

 

E sim, definitivamente, reforce-se o SNS.

 

Precisamente desta maneira.

Um conflito sem fim


lauraramos,

Andamos tão ocupados com as últimas da  Primavera árabe e as tristes figuras de Kadhaffi  e Bashar Assad, que quase nos esquecemos das tensões noutros lugares massacrados e, aliás, bem próximos.

 

Um sofrimento já gasto, de tão falado?

 

Nem de propósito, este documentário regista os acontecimentos do dia 1 de Setembro passado, no Royal Albert Hall, em Londres. por altura da primeira actuação da  ‘Orquestra Filarmónica de Israel’.

Cá fora, numa manifestação pacífica, bandeiras e cartazes empunhados por manifestantes de ambos os lados: Fim à ocupação de Israel. Palestina livre.  Israel: estamos convosco. Filarmónica de Israel: o tapa-vergonhas?

Mas lá dentro, prepara-se o happening.

No final da primeira actuação da orquestra convidada, o grupo coral  Beethovians for boycotting Israel atravessou-se, da plateia, cantando em simultâneo a “Ode à Alegria”, com letra adaptada às palavras de ordem palestinianas.

 

É a confusão total pelo meio da assistência, dividida entre os dois pólos da contenda (diz o vídeo, claro, dedicado aos músicos palestinianos).

 

 

Triste Palestina.

Triste e condenada Israel.