Um conflito sem fim


lauraramos,

Andamos tão ocupados com as últimas da  Primavera árabe e as tristes figuras de Kadhaffi  e Bashar Assad, que quase nos esquecemos das tensões noutros lugares massacrados e, aliás, bem próximos.

 

Um sofrimento já gasto, de tão falado?

 

Nem de propósito, este documentário regista os acontecimentos do dia 1 de Setembro passado, no Royal Albert Hall, em Londres. por altura da primeira actuação da  ‘Orquestra Filarmónica de Israel’.

Cá fora, numa manifestação pacífica, bandeiras e cartazes empunhados por manifestantes de ambos os lados: Fim à ocupação de Israel. Palestina livre.  Israel: estamos convosco. Filarmónica de Israel: o tapa-vergonhas?

Mas lá dentro, prepara-se o happening.

No final da primeira actuação da orquestra convidada, o grupo coral  Beethovians for boycotting Israel atravessou-se, da plateia, cantando em simultâneo a “Ode à Alegria”, com letra adaptada às palavras de ordem palestinianas.

 

É a confusão total pelo meio da assistência, dividida entre os dois pólos da contenda (diz o vídeo, claro, dedicado aos músicos palestinianos).

 

 

Triste Palestina.

Triste e condenada Israel.

10 comentários em “Um conflito sem fim”

  1. Os apelos a boicote a artistas, universitários ou quaisquer outros profissionais israelitas, agora muito em voga, são de um racismo sem limites. Como se um artista israelita ou um professor israelita ou um mecânico israelita devessem ser privados da sua profissão (é disso que se trata, também) apenas porque são… israelitas.

    1. Foi a primeira coisa que me tocou no video. Bem sei que são formas de luta, mas aquela orquestra pateticamente desamparada põe precisamente isso em questão: é a sobrevivência funcional dos israelitas, agora. Uma perseguição sofisticada.

    1. Mas para quê protestar se os alemães… “agiram”?
      A Europa tem uma responsabilidade tremenda sobre o destino de Israel. Não sei porquê, preferimos fazer de conta que aquela é uma guerra igual a qualquer outra, entre 2 povos iguais.
      Para nós, não é. Ou não devia ser.

  2. Concordo com o Adolfo. E mais: mesmo sabendo que as manifestações artísticas espelham e replicam a vida – e sempre foram, por isso, veículos lógicos de mensagens – gosto de acreditar que a Arte está acima de todas as diferenças, políticas e não só. E essa independência é importantíssima para que possa ser um ponto de encontro e de união entre toda a gente, por mais diferente que seja.

  3. É isso, Ana: a Arte devia ser um feudo voluntário e intocável. O artista até pode ser ‘engagé’, mas se o seu produto for muito bom, a mensagem sobrepõe-se a qualquer facciosismo. E aí ficamos no tal patamar agregador em que devíamos sofrer muitas recaídas.

    1. Oproblema é que neste caso, como em muitos outros sempre que se trata de Israel, os artistas não são engagés. Limitam-se a ser israelitas e, por isso, boicotados. Eisto está a passar-se em muitas áreas, em que o pensamento político dos envolvidos não é sequer tido em conta. Basta a nacionalidade.

      1. Eu sei disso, Adolfo, estava só a falar no geral. Neste caso concreto é diferente, porque há mesmo um estigma associado à nacionalidade. Isto tem um nome que não precisa de tantas palavras e que tu já usaste: racismo.

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