Pois eu, que nem sou gulosa, também não me conformo com esta derrota!
Bem sei que o leitão – quantas vezes superior ao cochinillo – já levou a sua quota ao centro.
Mas esta iguaria, senhores? Como é possível compará-la ao pastel de Belém? Que afinal não é de Belém, nem da Ribeira, nem do Choupal porque é uma nata, em qualquer ponto do país. Uma nata! E uma nata, convenhamos, é uma simples nata, mesmo na China.
Estes aqui desfazem-se na boca, são um refinamento de paladar, um artesanato exquis, velho de séculos.
Decoram com honra e fidalguia qualquer prato de barro ou travessa em cantão, são um deleite inimitável dos sentidos, uma ourivesaria em triliões de folhas, crestadas, esbranquiçadas, escondendo aquele conteúdo divinal e nunca excessivamente doce.
Decoram com honra e fidalguia qualquer prato de barro ou travessa em cantão, são um deleite inimitável dos sentidos, uma ourivesaria em triliões de folhas, crestadas, esbranquiçadas, escondendo aquele conteúdo divinal e nunca excessivamente doce.
Consolem-se com o prémio, belenenses.
Mas nem sabem o que perdem…


Não gosto de pessoas que dizem que um Pastel de Belém é um simples nata. Não gosto, pronto. A Laura que me perdoe, mas é uma afirmação que revela uma falta de refinamento do paladar que não consigo compaginar com a sua eloquente apologia desse ex-libris da doçaria conventual. Nem parecem coisas ditas pela mesma pessoa…Não tem acaso um heterónimo gastronómico, não?
Não perdoo, Hugo, não senhor. A sua falta de sentido de humor…
Oh Laura, então eu que me diverti tanto a ler o seu post e ainda lhe escrevi um comentário a fazer pirraça!? Olhe que, por princípio, o melhor é nunca me levar a sério. Mais não seja porque, graças a Deus, ainda não tenho idade para isso!
Por mim, estou como o Hugo: a sardinha só pode ser um exagero fruto da maldita crise.
Sardinha? Ah… De Trancoso, está bem.
Bons, bons, são os de Vouzela!
Dizem os gulosos que sim. Para mim, doces demais 🙂
Subscrevo inteiramente, os de Vouzela são bem melhores do que os de Tentúgal, mas são gostos claro.
São claramente mais ricos no recheio, mas, para mim, demasiado enjoativos. Já agora, há um “nicho” produtivo do pastel de Tentúgal que pouco tem a ver com o mais conhecido. Trata-se do pastel confeccionado de acordo com a tradição secular: em formato de meia lua e com amêndoa. É a imagem que aparece repetida na foto.
Isso do leitao tambem tem que se lhe diga: ha muito outro pais a fazer leitao assado. Mesmo que com sabor ligeiramente diferente…
Então não há? E mesmo em Portugal praticam-se versões adaptadas. O ‘cochinillo’, que comi pela 1ª vez num ‘méson’ em Madrid em plena Plaza Mayor, não se compara. Aquilo não é um pinto (leitão inocente e rosado) é um frango… Desde aí, desforro-me nas deliciosas tapas e passei a ignorar 🙂
É que o cochinillo há que ir “descobri-lo” a Segóvia, ao “Candido” ou então que seja em Madrid no “Botín” mas não fica a dever nada ao nosso leitão, mas pronto é espanhol e tal e de má raça, nem bom vento …
(Antolin, NÃO é eslovaco, ou servo-croata…)
Já anotei, Fernando! Botín. Aprendo sempre consigo. 😉
Desculpem lá, mas por que razão andam todos a falar de preciosidades de há uns dia para cá. E de leitão e de pastéis de Tentúgal e disso tudo?
Que prémio, Laura?
Ó Ivone, não me perguntes demais;) Mas trata-se de uma eleição para as ‘7 maravilhas’ nacionais da gastronomia, que se deu recentemente. E este post é pura brincadeira…
Ok. Sabes, eu ando sempre a leste destas coisas e depois faço figuras. Mas já fiz a minha pesquisa. 🙂
Ivone… não havia a categoria de aperitivos, senão o ‘pâté’ de orégãos, que me disseram ser típico de Odemira, seria um sério candidato a vencedor. Divino!
Nunca provei. Deve ser de concepção recente e eu não vou lá para baixo há imenso tempo.
Estas coisas são todas muito boas. Demasiado.
“Derrotado”, segundo a treta do cliché popular (às vezes dito por eruditos) é quem não foi à luta!
Dito isto, houve uma vitória de pódio em função da projecção geográfica de ambos os contendores. O pastel de Belém está internacionalizado e tem mais público, o pastel de Tentúgal é segundo, apenas, pela geografia. São ambos deliciosos e equivalem-se aquando do “sacrifício” nas nossas papilas gustativas .
Pois é, e para se ir buscar este à origem lá tem de se torcer para a EN 111…
Tb não me conformo. Adoro-os, e tenho quem mos traga com frequência, uma perdição. Cá em casa somos todos fãs. De qq forma, tb gosto dos de Belém. Mas dispensava o caldo verde, e a sardinha, confesso. Muito bem entregue foi a do queijo. E faltou-me ainda o ensopado de borrego. Aquele, mesmo à séria.
Mmmm, Carla, o queijo da Serra… merecidíssimo. E a alheira? Adorei, sou fã: inteira, rebentada, com migas, sem migas… 😉