O derrotado


lauraramos,

Pois eu, que nem sou gulosa, também não me conformo com esta derrota!

Bem sei que o leitão – quantas vezes superior ao cochinillo – já levou a sua quota ao centro.

Mas esta iguaria, senhores? Como é possível compará-la ao pastel de Belém? Que  afinal não é de Belém, nem da Ribeira, nem  do Choupal porque é uma nata, em qualquer ponto do país. Uma nata! E uma nata, convenhamos, é uma simples nata, mesmo na China.

Estes aqui desfazem-se na boca, são um refinamento de paladar, um artesanato exquis, velho de séculos.
Decoram com honra e fidalguia qualquer prato de barro ou travessa em cantão, são um deleite inimitável dos sentidos, uma ourivesaria em triliões de folhas, crestadas, esbranquiçadas, escondendo aquele conteúdo divinal e nunca excessivamente doce.

Consolem-se com o prémio, belenenses.

Mas nem sabem o que perdem…

23 comentários em “O derrotado”

  1. Não gosto de pessoas que dizem que um Pastel de Belém é um simples nata. Não gosto, pronto. A Laura que me perdoe, mas é uma afirmação que revela uma falta de refinamento do paladar que não consigo compaginar com a sua eloquente apologia desse ex-libris da doçaria conventual. Nem parecem coisas ditas pela mesma pessoa…Não tem acaso um heterónimo gastronómico, não?

      1. Oh Laura, então eu que me diverti tanto a ler o seu post e ainda lhe escrevi um comentário a fazer pirraça!? Olhe que, por princípio, o melhor é nunca me levar a sério. Mais não seja porque, graças a Deus, ainda não tenho idade para isso!

      1. São claramente mais ricos no recheio, mas, para mim, demasiado enjoativos. Já agora, há um “nicho” produtivo do pastel de Tentúgal que pouco tem a ver com o mais conhecido. Trata-se do pastel confeccionado de acordo com a tradição secular: em formato de meia lua e com amêndoa. É a imagem que aparece repetida na foto.

    1. Então não há? E mesmo em Portugal praticam-se versões adaptadas. O ‘cochinillo’, que comi pela 1ª vez num ‘méson’ em Madrid em plena Plaza Mayor, não se compara. Aquilo não é um pinto (leitão inocente e rosado) é um frango… Desde aí, desforro-me nas deliciosas tapas e passei a ignorar 🙂

      1. É que o cochinillo há que ir “descobri-lo” a Segóvia, ao “Candido” ou então que seja em Madrid no “Botín” mas não fica a dever nada ao nosso leitão, mas pronto é espanhol e tal e de má raça, nem bom vento …

        (Antolin, NÃO é eslovaco, ou servo-croata…)

    1. Ó Ivone, não me perguntes demais;) Mas trata-se de uma eleição para as ‘7 maravilhas’ nacionais da gastronomia, que se deu recentemente. E este post é pura brincadeira…

        1. Ivone… não havia a categoria de aperitivos, senão o ‘pâté’ de orégãos, que me disseram ser típico de Odemira, seria um sério candidato a vencedor. Divino!

  2. “Derrotado”, segundo a treta do cliché popular (às vezes dito por eruditos) é quem não foi à luta!
    Dito isto, houve uma vitória de pódio em função da projecção geográfica de ambos os contendores. O pastel de Belém está internacionalizado e tem mais público, o pastel de Tentúgal é segundo, apenas, pela geografia. São ambos deliciosos e equivalem-se aquando do “sacrifício” nas nossas papilas gustativas .

  3. Tb não me conformo. Adoro-os, e tenho quem mos traga com frequência, uma perdição. Cá em casa somos todos fãs. De qq forma, tb gosto dos de Belém. Mas dispensava o caldo verde, e a sardinha, confesso. Muito bem entregue foi a do queijo. E faltou-me ainda o ensopado de borrego. Aquele, mesmo à séria.

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