Sulfúricas


lauraramos,

A pobreza está muito mais ligada à falta de transparência, de regras e instituições endógenas, de organizações fortes, de um sistema claro de recompensas e castigos, do que propriamente à ausência de políticas forçadas de distribuição de rendimentos como forma de resolução das desigualdades. A solução para a criação de riqueza não passa, assim, por “distribuição de sacrifícios”, imposição de impostos, ou limitação da meritocracia, mas sim pela exigência de regras de jogo claras, de incentivos correctos, e da promoção de mecanismos de recompensa que correspondam ao esforço desenvolvido por cada um dos agentes.

 

Uma economia cresce se for capaz de libertar as suas melhores energias, de explorar a fibra dos seus cidadãos, tornando-os mais resilientes, autónomos e criativos. Fora deste quadro de valores, vamos definhar nas mãos dos credores.

 

Rodrigo Adão da Fonseca

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10 comentários em “Sulfúricas”

  1. A pobreza está muito mais ligada à falta de transparência, de regras e instituições endógenas, de organizações fortes, de um sistema claro de recompensas e castigos

    Isto não é, pura e simplesmente, verdade em termos históricos. Por exemplo, no século 19 os EUA eram um dos países mais ricos, e certamente o país mais próspero, do mundo, porém tinham um sistema político altamente corrupto (vendas de lugares públicos, etc), com tudo menos regras claras e organizações fortes.

      1. Sim, mas não foi por terem eliminado a corrupção que se tornaram menos pobres. Tal como eu disse, no (final do) século 19, os EUA estavam a enriquecer rapidamente apesar de serem um dos países mais corruptos do planeta, nomeadamente ao nível da política.

        Não há, de facto, muita razão para que um país corrupto não possa enriquecer. O Brasil, por exemplo, é um país com uma política notoriamente corrupta mas que tem vindo a enriquecer muito. A corrupção apenas faz o dinheiro mudar de mãos dentro do país, o que não é necessariamente mau para o progresso económico. Se, por exemplo, um empresário que deseja abrir um cabeleireiro tem que para isso corromper um político local, e se acontecer que o político corrompido, além de político, é também proprietário de uma siderurgia (uma situação que não é atípica em países subdesenvolvidos), então o dinheiro da corrupção acaba por sair de um negócio de merda para um negócio com grandes ganhos de produtividade. Ou seja, o dinheiro da corrupção não é necessariamente mal empregue.

    1. É verdade, Luís Lavoura. Mas qualquer afirmação neste domínio tem de ser forçosamente datada. Falamos das ‘wealthy nations’ actuais, pós modernas, em democracias consolidadas e maduras, que erigiram o estado providência e se debatem com o se lhe há-de seguir. Remeto-o para o Jefferson, o ideário está lá.

      1. Mau. Na frase citada fala-se da “pobreza” e agora Você vem-me dizer que se referia às “wealthy nations”. Que confusão.

        Jefferson tinha um excelente ideário. Era também um grande proprietário de escravos.

  2. Um “sistema claro de recompensas e castigos”. Soa mal, sugere um sistema repressivo, mas a natureza humana é o que é e se não existirem regras claras, assim como incentivos e punições que obriguem as pessoas a cumpri-las, nada funciona. Concordo plenamente com esta reflexão. Para a democracia funcionar tem de haver disciplina.

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