José Sócrates:
Teixeira dos Santos:
Vítor Constâncio:
José Sócrates:
Teixeira dos Santos:
Vítor Constâncio:

O prometido é devido: dia 12 de Outubro, eu avisei os meus caros sportinguistas…
“[Ricardo Rodrigues] apropriou-se dos gravadores dos repórteres da revista Sábado. E daí?”
“Em número de mandatos, os conservadores estão, de certo modo, empatados com os trabalhistas.”
Pérolas de um dos ex-melhores bloggers portugueses, Eduardo Pitta.
1. Ninguém pode festejar. Os conservadores falham a almejada maioria absoluta. Os trabalhistas perdem quase cem lugares. Os liberais-democratas não crescem em número de deputados, ao contrário do que se previa.
2. O cenário de “hung parliament” (parlamento dividido) deixa várias opções em aberto (incluindo a manutenção de Gordon Brown como primeiro-ministro). Politicamente, contudo, parecem existir apenas três cenários lógicos de governação: a) conservadores em minoria; b) conservadores em coligação com liberais-democratas; c) conservadores em coligação com partidos unionistas da Irlanda do Norte/Escócia.
3. O primeiro cenário aponta para um cenário de instabilidade política num país onde não se governa sem maioria parlamentar clara. Os conservadores dificilmente poderiam implementar as medidas mais duras que constam no seu programa e o mais provável era termos eleições antecipadas no próximo ano.
4. O segundo cenário seria eventualmente o mais estável, mas tem contornos anti-natura. É difícil imaginar que tipo de acordo poderá haver entre conservadores e liberais-democratas na “questão europeia” ou na imigração (onde os dois partidos defendem posições antagónicas), ou mesmo noutros temas como a reforma eleitoral ou o peso da administração pública.
5. O terceiro cenário teria um pesado custo político – um mais que provável reforço da autonomia regional, relativamente à qual os conservadores franzem o sobrolho. Já para não falar de que seria uma coligação no fio da navalha, face à dimensão tangencial da mesma (320-325 votos, dependendo da coligação, num parlamento de 650 onde o Sinn Fein – cinco deputados – e o Speaker tradicionalmente não votam).
6. Apesar destas indefinições, há duas certezas gerais: os Trabalhistas caíram em desgraça (a Esquerda europeia passa por dificuldades – sinal de que os cidadãos preferem uma solução conservadora ou liberal para a superação da crise?) e o sistema eleitoral britânico revelou as insuficiências do modelo uninominal quando este não é acompanhado de devidas compensações (os liberais-democratas têm apenas 8,7% dos deputados, apesar de terem somado 23% dos votos, por exemplo).
Poucas coisas me irritam mais do que tentarem vender-me coelho por lebre. Pois foi o que sucedeu na Feira do Livro de Lisboa. Fiquei desconfiado à partida quando li o anúncio da criação de uma “happy-hour” no evento, de 2ª a 5ª feira (entre as 22h30 e as 23h30), durante a qual os livros estariam à venda por metade do preço. Em todo o caso, as notícias falavam de uma “garantia” expressa, pelo que fui na cantiga. Sem surpresas, pude confirmar que se trata de uma verdadeira banhada.
Em primeiro lugar, uma série de editoras optaram por não aderir à “iniciativa”, preferindo aparentemente guilhotinar os seus livros a vendê-los por um preço apetecível. Entre elas (mais de metade das presentes na Feira) contam-se editoras como a Assírio & Alvim, Gradiva, Piaget, Edições 70 e Livros do Brasil. A Relógio D’Água e a Bertrand, que no site oficial surgem como “aderentes”, voltaram atrás com a palavra, talvez assustadas com a perspectiva de terem demasiadas vendas. De um modo geral, as editoras de livros técnicos e de não-ficção também ficaram de fora.
Em segundo lugar, mesmo entre várias editoras “aderentes” existe uma triagem não prevista inicialmente, estando a 50% apenas alguns dos livros seleccionados pela própria editora. Não será difícil adivinhar que, na maioria dos casos, se trata de obras menores, fundos de catálogo e semelhantes. A Kalandraka esteve particularmente a alto nível, dizendo-se “aderente” à iniciativa e cumprindo rigorosamente o prometido, tendo colocado um (leram bem, “um”) livro à venda a 50%…
Mas chega a haver “happy-hour” em algum lado? Sim. Nos pavilhões da Leya, todos os livros publicados há mais de dezoito meses estão a 50%. Tal como em dois ou três stands de editoras corajosas (recordo a Presença, a Aletheia e a Europa-América, pelo menos). E também na maioria das editoras de livros infanto-juvenis. Não por acaso, havia uma notável concentração de almas em redor destes pavilhões ontem à noite. Os outros? Queixam-se da “crise no sector”. É muito mais fácil e possivelmente ainda acabam a receber uns subsídios estatais…
O Governo recusa-se a cancelar os projectos faraónicos do TGV e do novo aeroporto. No momento actual, esta atitude deve-se a pura teimosia: não só seria demasiado custoso ao PS dar a mão à palmatória, como quase humilhante explicar ao eleitorado o porquê de mais uma traição ao seu programa eleitoral. Nesta contabilidade, o Governo socialista volta a colocar as suas prioridades político-eleitorais à frente dos interesses do país. Que se registe, para memória futura.
A ver se percebi: instituto público abre concurso e estabelece proposta de valor mínimo. Quatro empresas propõem realizar o serviço por esse valor mínimo. São excluídas porque a sua proposta é demasiado barata, embora dentro dos valores estabelecidos pelo próprio Instituto. Outra empresa faz a mesma proposta, mas junta-lhe duas bicas e ganha o concurso. Este país é extraordinário.
Um vulcão islandês entra em erupção e as cinzas bloqueiam o tráfego aéreo. Conclusões a tirar? É preciso apostar no TGV. Isto faz tanto sentido como dizer que é necessário construir mais aeroportos quando cai uma ponte rodoviária ou dois comboios chocam um contra o outro. O TGV pode e deve ser discutido, no âmbito da relação custo-preço, dos modelos de mobilidade futura, das possibilidades de investimento, da pertinência económica e social, da necessidade do mesmo no quadro da política de transportes de um determinado país. Agora, fazer depender uma decisão tão relevante e dispendiosa de uma análise meramente circunstancial (ainda por cima baseada num evento tão raro quanto impossível de determinar) configura um manifesto disparate e soa a oportunismo saloio.
Nem a concordância em género resiste ao espírito reformador da “Esquerda Moderna”!
Talvez não seja pior algumas pessoas meterem água na fervura. Com tanta indignação à solta, não tarda nada insurgem-se contra o descanso ao Domingo e feriados religiosos.
“[…] os estímulos da sensibilidade aumentam em progressão geométrica, enquanto que a própria sensibilidade aumenta numa lenta progressão aritmética. A sensibilidade é a fonte de toda a criação. Embora varie, é normalmente constante na vida de um indivíduo, fazendo-se a progressão da sensibilidade humana através das gerações. Contudo, a criação do indivíduo não depende da sua herança geracional, mas da sua interacção com as sensibilidades dos outros, gerando ciclos de sensibilidades exponenciais.
Nesta dessintonia matemática, a sensibilidade individual está a ficar cada vez mais lenta e divergente da explosiva sensibilidade do meio. Este movimento dissonante dará origem a uma ruptura e acelera a necessidade de fazer uma transfusão de princípios do colectivo para o indivíduo. Aplicado às marcas, este sensível tema, implica abolir os dogmas da personalidade sintética e perseguir a criação de unidades compostas, espelhos do colectivo múltiplo, onde uma marca não seja uma média da opinião dos indivíduos, mas um agrupamento de géneros, de semelhanças e contradições em pura progressão geométrica.”
Carlos Coelho, aqui, procurando conciliar “O Segredo” com os escritos de Hegel e a famosa publicidade do “Isto é Impulse!”.
São posts como este, do socialista José Reis Santos, que reforçam a minha oposição à existência de “quotas de género” na vida política. Em primeiro lugar, porque na base desta ideia reside uma negação do próprio conceito de indivíduo. Como o post do JRS mostra, o pensamento, integridade, sentimentos, valores, ideias ou currículo das pessoas em causas é totalmente preterido em função de uma mera identificação da pessoa pelo seu género. Os indivíduos em causa são expurgados de tudo aquilo que os define como cidadãos e políticos para se tornarem num simples “homem” ou “mulher”.
Por outro lado, define-se a questão das “quotas” como uma condição decisiva da “modernidade”. Releve-se o que subjaz a este discurso tão vazio quanto perigoso: a ideia de que o aumento da participação das mulheres da política não é necessário por ser mais justo, por dinamizar o debate político ou ser benéfico para a sociedade em geral, mas tão-só porque com mais mulheres na política somos mais “modernos”. Eu propunha um outro termo: “modernaços”. Pois é esse o conceito ideal para aplicar a um modelo de sociedade que subalterniza as qualidades cívicas, políticas e intelectuais de um cidadão às características dos seus órgãos sexuais.
O “Miguel Abrantes” criticar Pedro Passos Coelho por este ter como assessor alguém que colabora num blogue.
Mais curioso do que os factos relatados propriamente ditos, é observar a atitude de Sócrates perante a notícia do “Público” sobre as alegadas falcatruas na Guarda. O primeiro-ministro pouco interesse tem em esclarecer, explicar ou até mesmo negar as notícias, concentrando-se, pelo contrário, na crítica ao simples facto de as mesmas terem sido transmitidas. É um truque com barbas: quando a mensagem é incómoda, bate-se no mensageiro.
Depois de um dia muito feliz, continuo a receber notícias cuja simpatia me desarma. Ontem, foi o Pedro Correia a fazer-me esta “maldade”. E hoje, foi a vez do Professor João Carlos Espada escrever no jornal “i” um artigo sobre James Madison, que toma como ponto de partida a minha tese de Doutoramento. O meu muito obrigado aos dois.
Junto-me naturalmente ao Pedro Correia (subscrevendo também o Nuno Gouveia) na condenação da ridícula "lei da rolha" aprovada no Congresso do PSD. Trata-se de um disparate duplo. No plano teórico, implica uma limitação clara de um direito inalienável e primordial – a liberdade de expressão de cada indivíduo (o facto de ser militante é neste caso completamente secundário). E no plano prático, é um verdadeiro tiro no pé, pois transmite para a sociedade portuguesa a ideia de um partido fechado sobre si próprio, intolerante e inimigo do debate público (ainda por cima num momento em que se vem acusando o PS de atentar contra a liberdade de expressão).
Sobre a mais recente sondagem da Católica – e embora considere muito significativo o resultado favorável ao PS – gostaria de sublinhar um facto até agora pouco comentado, mas que me parece relevante: percentagem de indecisos, 21%; percentagem de pessoas que "não respondem", 9%.
Bem lembrado pelo Pedro Magalhães: "Aqui há uns anos, o Primeiro Ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsány, foi apanhado numa gravação a admitir a outros membros do partido que "temos andando a mentir nos últimos dois anos". Seguiram-se motins.".
Por estas bandas? Uma deputada (!?) afirma que "se Sócrates mentiu, nem acho que seja muito grave". Estamos a falar de uma mentira proferida no Parlamento, na casa da democracia, perante os representantes do povo, sobre uma matéria relativa à relação entre o Estado e órgãos de comunicação social. Pobre civilização, na qual a mentira de um agente político se transformou numa coisa sem importância.
"Isto é money for the boys."
Teixeira dos Santos, referindo-se a uma proposta para aumentar as transferências financeiras para as Juntas de Freguesia
Se me é permitido um P.S. (post-scriptum, atenção! – nada de confusões): eis uma declaração ignominiosa, que revela uma leitura muito, mas mesmo muito deturpada da democracia.