Um vulcão islandês entra em erupção e as cinzas bloqueiam o tráfego aéreo. Conclusões a tirar? É preciso apostar no TGV. Isto faz tanto sentido como dizer que é necessário construir mais aeroportos quando cai uma ponte rodoviária ou dois comboios chocam um contra o outro. O TGV pode e deve ser discutido, no âmbito da relação custo-preço, dos modelos de mobilidade futura, das possibilidades de investimento, da pertinência económica e social, da necessidade do mesmo no quadro da política de transportes de um determinado país. Agora, fazer depender uma decisão tão relevante e dispendiosa de uma análise meramente circunstancial (ainda por cima baseada num evento tão raro quanto impossível de determinar) configura um manifesto disparate e soa a oportunismo saloio.
Apita o comboio
josegomesandre,

É óbvio que estou inteiramente de acordo contigo, José.
José,
Se posso concordar que o timing para dizer que é preciso apostar no TGV é errado, por outro lado, O TGV seria uma alternativa que se poderia utilizar nestas situações.
A nossa sociedade depende em muito da mobilidade e da capacidade de transportar pessoas e mercadorias – desde os alimentos até à electrónica, desde os medicamentos até vestuário, desde …
E, portanto, se a opção do TGV pode ser ou não a melhor, a verdade é que precisamos de alternativas viáveis aos aviões, sejam elas para ser utilizadas regularmente apenas por uma pequena parte da população, ou para as viagens mais curtas (Lisboa-Madrid e Madrid-Paris, por contra-partida com Lisboa-Berlim), mas que poderemos utilizar quando algum problema de grande escala coloca todos os aviões no chão.
Neste momento, o TGV parece a escolha mais razoável para a Europa, e Portugal precisa de fazer parte da rede, quanto mais não seja com as ligações internacionais (Lisboa-Madrid e, talvez, Porto-Vigo – não me verão defender Lisboa-Porto com paragem em todas as vilas, aldeias e casas isoladas no meio do mato).
A questão, verdadeiramente, é que neste momento, corremos o risco que de que uma parte demasiado importante da economia europeia pare porque um vulcão entrou em erupção.
mpneves
Pense no mapa de Portugal e nas respectivas distâncias. Já imaginou quantos minutos de diferença poderá haver entre atravessar o nosso país transversalmente em alta velocidade (mais de 250km/h) ou em média velocidade (como no Alfa-Pendular, a 230km/h)?
Se me permite, sugiro-lhe que clique no ‘tag’ TGV e que leia o que for encontrando.
Porto-Vigo em TGV ? Uma distância daquelas nem dá para o dito acelerar ou será para irmos aos percebes ainda quentinhos ? Sim e Lisboa-Porto parando em Rio Maior (!!!!!),Leiria,Coimbra,Aveiro e talvez Gaia(!!) dá que TGV significará TransporteGeralmenteVagaroso, lembra-me o ” pára-em-todas ” Cais do Sodré – Oeiras !!
Obrigado pelo comentário. Eu não disse que dispensamos os comboios. É claro que os aviões não podem ser o único meio de transporte. Outra coisa é sugerir que precisamos do TGV porque um vulcão pode entrar em erupção…
Pelo que tenho lido de ti, já o esperava, meu caro 🙂
Já tardava na blogosfera um comentário racional sobre o comboio de alta velocidade, sublinho, se me permite, o que acho importante: “o âmbito da relação custo-preço, dos modelos de mobilidade futura, das possibilidades de investimento, da pertinência económica e social, da necessidade do mesmo no quadro da política de transportes de um determinado país.”. Por vezes dá a sensação que modernização é sinónimo de evolução, quando muitas vezes leva ao contrário. Recomendo uma visão mais profunda, para quem estiver interessado: http://caminhosferroaltavelocidade.plane taclix.pt/
«Já tardava na blogosfera um comentário racional sobre o comboio de alta velocidade»? Não tardava, meu caro. Também lhe recomendo que clique no ‘tag’ TGV e verá como não tardava.
Peço desculpa pelo lapso, sou um leitor recente e você, de facto, já explorou essa via várias vezes. É sempre bom ler opiniões formadas num aprofundamento pois têm menos probabilidades de estar erradas. Continue.
Grato. Não sou um especialista, meu caro Henrique, mas tento ser mais um cidadão atento.
Nem mais. Os disparates que têm sido ditos para defender o TGV e a louvar a diminuição na emissão de gases…
Obrigado Joana. Sou um leitor atento do seu blogue, gostei de saber que também é fã do Delito 🙂
O Entre as Brumas da Memória está há muito na nossa barra lateral, José, o que significa que há reciprocidade. Também gosto de ler a nossa amiga Joana.
As grandes decisões não podem ser tomadas mediante contingências que surgem drasticamente.
Porque tanto podem servir para o bem e para o mal!
De acordo, companheiro…
Existe muito mundo além da economia.
Quando sou questionado sobre planos de emergência por princípio verifico se existem soluções alternativas para o caso de uma deixar de funcionar.
Claro, pensar o TGV apenas por uma nuvem pode ser uma análise pouco profunda.
Já não o é se pensarmos que a situação não é tão rara assim, nem tão improvável.
A segunda metade do século XX foi calma em termos de vulcanismo e antes foi o período pre-aviação, onde a maioria das nuvens passariam despercebidas (excepto a do sec XVIII que tanta frio trouxe à Europa)
Este continente está cercado de vulcões activos que podem fechar os céus europeus por meses, há pelo menos 5 nos Açores, 2 nas Canárias, 3 na Itália, 1 na Grécia e 3 na Islândia. Devem haver mais são so que conheço.
Diga-se que nem os economistas, nem a Europa tem analisou plenamente este risco em termos de frequência e duração deste fenómenos, se o fizesse a ideia de recusar a alternativa não eram tão simples
Pense no mapa de Portugal e nas respectivas distâncias. Já imaginou quantos minutos de diferença poderá haver entre atravessar o nosso país transversalmente em alta velocidade (mais de 250km/h) ou em média velocidade (como no Alfa-Pendular, a 230km/h)?
Sugiro-lhe que clique no ‘tag’ TGV e que leia o que for encontrando.
@João Carvalho
Primeiro queria esclarecer que o meu comentário não era pró ou contra o TGV, é um assunto que para o qual não tenho uma posição já assente, pretendia apenas introduzir a ideia que este tipo de interrupções podem não ser assim tão circunstanciais e que nas decisões deveria ser mais ponderada a componente de riscos naturais e não apenas as económicas e políticas.
Mas confesso que tive o cuidado de ler a tagTGV até ao fim e o que mais me chocou foi ter ficado com a ideia de que o TGV será só para passageiros. (Só mesmo?)
Quando lancei a ideia de reflexão de alternativa pensei em cargas e passageiros.
Já agora fico com uma outra questão: Se o TGV for alternativa concorrencial ao avião, como se justifica ainda a construção simultânea do TGV e de um novo aeroporto?
É que sobre este tenho uma ideia definida: Sou contra e nunca percebi as vantagens de mais um aeroporto no sul de Portugal (mesmo sendo açoriano)
Sobre o aeroporto (estou a morar nos Açores, curiosamente) estamos de acordo, meu caro.
Quanto ao TGV, parece que também partilhamos algumas angústias. Posso garantir-lhe que tudo foi pensado (?) sem mercadorias. Em torno das mercadorias a nossa oficialidade fez sempre um enorme silêncio. Mas isso mesmo confirmou-se quando, ainda há poucos meses, o governo declarou estar a pensar em alterar um dos projectos para incluir o transporte de mercadorias!
Como se vê, Carlos, têm andado todos noutro planeta, o que justifica por si só os resultados frustrantes de cada megaprojecto que é posto em prática. Ou seja: para ponderar é preciso saber pensar, o que não costuma suceder muito entre os decisores que temos.
Precisa de ser mais atento, cidadão. 😉
Oficialmente (preto no branco no site da RAVE, por exemplo) a linha de TGV Lisboa/Madrid foi pensada para mercadorias (não me refiro à 3ª via convencional).
A questão é se aquela linha, pensada para a circulação de comboios a 350 km/h, alguma vez verá comboios de mercadorias.
Igualmente, a linha Porto/Vigo também sempre foi anunciada como sendo também para mercadorias. Infelizmente, nos tempos recentes parece equacionar-se a possibilidade de a reduzir apenas para passageiros.
Só a linha Lisboa/Porto é que foi planeada, à partida, para ser apenas de passageiros.
Carlos, aproveito para lhe dizer que o DO retribui com gosto, colocando o seu Mente Livre na nossa barra lateral.
Um abraço.
Obrigado
Concordo que são precisas alternativas aos aviões. Elas existem e chamam-se redes viárias e ferroviárias. Agora esta ideia de que só o TGV nos poderia salvar é um nadinha bizarra…
Claro como água.
Simpatia tua, Ana 🙂
Ainda bem que o Sérgio não se lembrou de defender uma ponte para Marrocos, ou um túnel a atravessar o Atlântico até Nova Iorque.
Tem piada: aquando da loucura argumentativa a favor do TGV (que incluía o já célebre “não podemos ficar parados”), sugeri uma mistura dessa combinação – uma ponte Lisboa-Nova Iorque. Pareceu-me uma ideia “moderna”, “estruturante”, “a pensar no futuro”. E que nos “ligaria às américas”. Mas ainda ninguém pegou nisso, para minha pena.
Com uma vantagem: podíamos atarrachar vários “espreitadores” pelo túnel fora e dispensávamos a porcaria dos submarinos.
Se calhar chego tarde para vos propor uma mudança de paradigma, mas cá vai. Se o vulcãozito de meia tigela serviu para demonstrar as vulnerabilidades dos sistemas de transporte? Serviu! Se os transportes estão sobre a pressão do “pico petrolífero “? Estão! Então porque não pensar aproveitar a lição do vulcão para enfrentar a questão da mobilidade? Com ou sem TGV? Com ou sem novo aeroporto?
Bom, se se repetirem garotices da mãe-natureza , lá teremos todos de ir cavar as próprias batatas…
Nunca é tarde para lhe responder, meu caro.
«Se os transportes estão sobre a pressão do “pico petrolífero “» (e não sob essa pressão), então é esse seu “pico petrolífero” que está sob pressão dos transportes. O que significa (sempre do seu ponto de vista) que os transportes ficam e o tal “pico petrolífero” é que vai ter de se haver, Rogério.
Espero ter-me feito entender…