Portugal, país bizarro


josegomesandre,

“A PT Prime ganhou o concurso público lançado em Setembro de 2009 para fornecer um sistema de televisão corporativa aos centros de emprego do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), com uma proposta de 700.001,10 euros. Curiosamente, o júri do IEFP excluiu quatro concorrentes […] que forneciam o mesmo sistema por um valor mais baixo, o mínimo admitido a concurso (700 mil euros).

 

O júri, no relatório preliminar, justifica a exclusão destas propostas por terem um «preço anormalmente baixo». […] A proposta da PT Prime, colocada 1,10 euros acima, já não foi considerada pelo júri como tendo um «preço anormalmente baixo» e foi admitida a concurso, vencendo também outras propostas admitidas a concurso, que tinham preços mais elevados.”

 

A ver se percebi: instituto público abre concurso e estabelece proposta de valor mínimo. Quatro empresas propõem realizar o serviço por esse valor mínimo. São excluídas porque a sua proposta é demasiado barata, embora dentro dos valores estabelecidos pelo próprio Instituto. Outra empresa faz a mesma proposta, mas junta-lhe duas bicas e ganha o concurso. Este país é extraordinário.

18 comentários em “Portugal, país bizarro”

      1. Sabes dizer-me se o concurso continha obrigações sobre a altura e a cor dos olhos de um administrador, ou de algum assessor especial de corrida? Ou do sucateiro mais próximo?

        1. Parece-me que,na falta de robalos,ao valôr em causa juntou-se 1 jaquinzinho…e dos mais pequeninos…numa fatia de pão. Daí o 1,10€ a mais…

  1. Talvez as bicas sejam Nespresso e tragam o Clooney como brinde. E talvez quem decide no IEFP seja uma mulher. Assim de repente, não vejo outra razão…

  2. O que ainda é mais extraordinário, é o IEFP achar que é normal gastar 700.001 euros num sistema de televisão corporativa…

  3. Já tinha tido conhecimento deste caso. Quanto descaramento.

    Mas sabe, vejo neste escancarar de “casos” a possibilidade de as coisas começarem a mudar. Porque, ninguém se iluda, reduzir as culpas à “cultura” deste momento, reduzir as culpas à cultura de quem está, neste momento, no poder, é não ir ao fundo da questão. O mal é profundo e vem de longe. Um mal que se manifesta em todo o lado. De modos dissimulados, ou às claras, nas grandes e nas pequenas coisas. Um mal com que nunca consegui conviver. Aliás, dei-me bem mal por causa disso. Desde a carta de condução há muito tempo. Recusei-me a pagar. Claro que chumbei a primeira vez. Mal me fizeram exame, tal a decepção por eu não ter pago. Não fez mal, passei à segunda. E lembro-me de ter pensado que nunca pagaria, nem que nunca tirasse a carta. E muito mais, em coisas ainda mais graves. Tanto que às vezes nem dá para imaginar… O mal é mesmo muito fundo.
    Olhe a notícia de hoje n’ O Público e no JN: tese defendida na U Minho, num dia 23 de Dezembro, plagiada por profa do IPPorto. Filha de um ex-director do mesmo. Ora diga-me se (a ser verdade o que vem nos jornais) defender uma tese no dia 23 de Dezembro, quase em segredo, não é como aquele eurozito a mais?
    Uma vergonha isto tudo.

  4. Até parece — honni soit qui mal y pense — que o vencedor já estava escolhido e o concurso foi mera formalidade. Não, não posso crer numa possibilidade dessas. Jamais (en Français). Afinal um euro e tal é muito dinheiro. E há, presumo, a qualidade do serviço proposto para a tal televisão corporativa — que diabo é isso? Até agora, só me venderam o Meo.

  5. Falta saber quem foi o júri e, se não for pedir muito, as ligações destes aos patrões, etc, etc.
    Ainda se descobre aqui uma nova tagus.

  6. é verdade! quem participa em concursos públicos está habituado a essa perversão da regra de afastar os preços “anormalmente baixos” que, sendo, na essência, correcta, pode criar estas situações.
    habitualmente, o preço “anormalmente baixo” tem de ser justificado e tecnicamente fundamentado.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *