Pudera!


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O Instituto de Política Familiar da UE apresentou ao Parlamento Europeu um relatório em que se verifica que a população portuguesa é a que envelhece mais depressa, entre os Estados-membros. Parece que um português nascido em 1959, por exemplo, anda agora pelos 50 anos, enquanto um indivíduo nascido na mesma altura no restante espaço europeu ainda tem uma idade que oscila entre os 30 e os 40 anos…

Envelhecemos mais depressa? Pudera! Qual é o espanto? Com tantas consumições…

Sabia que…


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… Martinho, um santo do século IV d.C. que foi cavaleiro romano e apóstolo da Gália, nasceu em território que hoje pertence à Hungria? Celebrado há mais de milénio e meio, ele oferece um pouco de Verão quando o Inverno está à porta.

—♦—

«No dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho.» De preferência, com castanhas, para forrar o estômago. E com os amigos, para espantar a solidão.

Sim, porque um tipo solitário tende a sentir-se isolado. E um tipo isolado ainda acaba por ser ministro – o que é coisa pouco recomendável, nos dias que correm, como se sabe.

Para repensar o TGV: novos dados


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No Cantinho dos Comboios, nosso Blogue da Semana, encontramos um curioso texto com outra origem sobre os novos ventos que estão a afastar o TGV da Europa e do mundo e a que o autor do blogue acrescenta o seu ponto de vista. Vale a pena reproduzir os dois, com a devida vénia.

 

«Já nem a SNCF, a CP francesa, quer mais o TGV. Em Julho alterou a última e antiga encomenda da linha para Nice. No mais, cancelou o TGV, optou por 60 composições tipo light-fast-train, que chega aos 160km/h, e, o que é o mais importante, acelera e trava com rapidez. O que importa numa viagem não é a velocidade máxima mas sim a média. Esta é ditada pela aceleração e pela travagem, pelo número de vezes que o comboio pára e pelas curvas.

A meta não é transportar 220 pessoas de um ponto a outro, o que o avião faz até por menos dinheiro. O objectivo é interligar os recursos de um país, espalhados pelas riquezas naturais e humanas das cidades situadas ao longo da via. É para potenciar estes recursos que se fazem obras púbicas.

Em Espanha, o cidadão que não usa a RAVE paga 1,1 mil milhões em subsídios para manter as linhas. A Inglaterra cancelou os planos do TGV entre Londres e Manchester. A própria Alstom já testou o AGV, similar ao Alfa, substituto do TGV. Desde 1998 o TGV tenta entrar na Austrália e não consegue. O mesmo na Suécia, Argentina, Brasil, EUA. Por que não adoptar o que todos os países estão a fazer? Ferrovias mistas e Light-Alfa, que chega aos 250 km/h, pendular, mais baixo e moderno para passageiros; e carga em carruagens leves em high-strength-steel, nos horários entre os rápidos de passageiros e durante a noite. Se houver algum troço de linha com muitos comboios simultáneos, considerar a terceira via, como já se faz, por exemplo, na Suécia, por uns cinco quilómetros antes e após as grandes estações, para que os rápidos lá possam disparar, enquanto os lentos aceleram ou travam nos carris tradicionais. O moderno sistema de sinalização já o permite. Querem meter goela abaixo o velho TGV em Portugal? É este o preço por termos um português na UE? Ler mais detalhes no livro "Como Sair da Crise".»

(Jack Soifer / jackfer@sapo.pt)

Rame Eurostar en Savoie.JPG«Penso que o TGV constitui a oportunidade de corrigir o erro centenário que consistiu na adopção de uma bitola ibérica diferente da europeia. Uma visão provinciana da vizinha Espanha e o receio da utilização militar do comboio como instrumento de uma possível invasão da Península condicionaram esta escolha. O incómodo de sucessivas gerações de passageiros do Sud Express, que tinham de mudar de comboio em Handaia, representa apenas uma fracção do custo suportado por Portugal e Espanha na ligação aos nossos principais parceiros comerciais. A emergência avassaladora do camião TIR e até do avião como instrumentos privilegiados do transporte de mercadorias são consequência directa de um modelo que penalizou excessivamente o comboio e limitou a sua eficiência. Por isso gosto de ler opiniões contrarias à minha quando são bem estruturadas e documentadas. É uma visão diferente da minha…»

 

Dá que pensar. E repensar.

Os muros e os símbolos


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Fico confuso. Paro para reflectir. O Pedro Correia destaca os vinte anos de liberdade a Leste com uma mão-cheia de verdades terríveis no interior da cortina-de-ferro que o Muro de Berlim tentava ocultar e cai, certeiro, em cima das lágrimas do Avante!, que chora saudosamente a queda do socialismo soviético. O Carlos Barbosa de Oliveira diz que o champagne ainda está no congelador por ainda haver muitos muros, outros muros que se ergueram após a queda do Muro de Berlim, o que impede a celebração.

Afinal, o que é que eu celebro? É difícil. Celebro a resistência contra o extermínio de homens por outros homens, o assassínio de opositores pacíficos pelo poder político, as novas escravaturas, as deslocações tolhidas, as leituras proibidas, os pensamentos julgados, os sonhos desfeitos, as famílias destruídas, os amigos traídos, as expectativas goradas, os desejos pisados. Não quero muros, não. Há 20 anos, ficou menos um. Outros há, outros haverá, mas um deles já caiu.

O que é que eu celebro? Celebro esse símbolo da vitória sobre um "muro da vergonha". Afinal, a opinião não deve ser delito. É isso que eu celebro: o sinal de que os muros caem sem sujarmos as mãos de sangue. Sujas de sangue estão, não raro, as mãos que os erguem.

Blogue da Semana


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Quando tanto se discute se o TGV há-de permitir-nos ir jantar a Madrid ou se deve ligar-nos à Europa sem desvios para mordomias, quando se debate se é importante sairmos de Portugal por via férrea ou se devemos investir numa ferrovia a sério de mercadorias que ainda circulam de modo arcaico, quando se enterram linhas antigas de sonho e se desenham vias de alcatrão cinzentas até mais não – quando, afinal, o País pequeno que temos se torna mentalmente anão, apetece-me voltar à nostalgia do que eram os comboios, antes do estado decrépito a que a desinteligência e falta de estratégia os votou.

O nosso Blogue da Semana, a partir de hoje, tem quase tudo o que há para se ver e conhecer: Cantinho dos Comboios. E faz links de quase tudo o que é importante sobre o assunto. Um passeio completo que recomendo vivamente. «Nos comboios, cabe a vida inteira e ainda sobeja vida» – é a mensagem de boas-vindas a quem chega à porta.

As tradições também se abatem


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Portugal consome 80 mil a 90 mil toneladas de azeite por ano. Quase metade do que consome é azeite importado, mas o nosso país poderá ser auto-suficiente daqui a uns quatro anos, que é quando deverá começar a produção dos novos e vastos olivais que têm sido plantados. Até aqui, tudo bem. Mas há um lado curioso que se prende, uma vez mais, com a nossa incapacidade para darmos conta das nossas necessidades: o azeite que ainda importamos vem de Espanha e o azeite novo que vamos produzir também é espanhol, visto que se trata, em grande parte, de chorudos investimentos em terras e oliveiras vindos dos nossos vizinhos. Tem-se discutido muito se há ou não Estado a mais, mas ainda não vi debater se há ou não Espanha a mais. Se calhar, valia a pena.

Sendo um produto alimentar mediterrânico de qualidade a que estamos habituados por longa tradição, não resisto a assinalar uma quebra da tradição que me parece inexplicável. Refiro-me à possibilidade de distinguir os diferentes tipos de azeite, tanto para o uso em vista como para o paladar de cada um. Tradicionalmente, os nossos azeites eram comercializados com a indicação do grau de acidez na embalagem. Porém, como as directivas europeias não incluem esta indicação, alguns dos nossos produtores têm andado a romper com isso, vá lá saber-se por quê.

Ainda não percebi: Bruxelas não impõe e, portanto, passamos a esconder o indicador que nos orienta? Sempre achei que Portugal aplicava todas as directivas da UE com muita pressa, quando elas serviam interesses destes ou daqueles. Agora, francamente, cumprir directivas pela negativa? Realmente, Portugal deve estar no topo dos países que cumprem as omissões. Se for para abater, estamos aí, não é? País de azeiteiros…

Quem nos escova a alma? (Cine 2)


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Corrupção, escutas, compadrio, processos, descrédito, investigações, inquéritos, suspensões, interrogatórios, detenções, arranjismo, prisões… Notícias atrás de notícias, há qualquer coisa neste país que me recorda A Canção de Lisboa: a zanga entre o Vasco (Vasco Santana) e a Alice (Beatriz Costa) na cozinha, com pratos partidos e massa tenra pelo ar.

– Vou-me embora desta casa, p’ra nunca mais voltar! P’ra nunca mais voltar! Adeus p’ra sempre, mulher ingrata. Adeus. Vou-me embora, p’ra nunca… Que porcaria… P’ra nunca mais voltar! Adeus. Adeus.

– Não faz cá falta nenhuma. Urso!

– … Nunca mais! Nunca mais voltar!… Ó raparigas, lavem-me a cara, limpem-me o casaco, escovem-me a alma…

O quixotismo solitário do PCP


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O PCP deve ser o único partido comunista num regime pluripartidário a assinalar, duas décadas após a queda do Muro de Berlim, que «em todo o mundo, milhões de homens, mulheres e jovens comemoram a Revolução de Outubro, assumindo-a como referência essencial da sua luta de todos os dias pela construção de uma sociedade livre, justa, pacífica, fraterna, solidária, liberta de todas as formas de opressão e de exploração».

É cansativo voltar à contra-argumentação sobre o que é uma sociedade livre, justa, pacífica, fraterna, solidária, etc., que está repisada e estafada há muito. Basta apenas lembrar que os tais milhões de pessoas que o PCP diz que ainda comemoram a Revolução de Outubro já constituem uma sombra do que eram, ou as consequências desse tempo não teriam sido banidas para dar lugar à mudança.

O que pode não ter mudado é outra coisa que o PCP não explica direito: tais comemorações, onde existirem, ainda são feitas à frente de sabres, na mira de canos de armas de fogo e à sombra de tanques como os de Tiananmen. O que não é exactamente um sinal de civilização, mas é um sinal da posição decrépita do PCP, cuja queda é escusamente feita de modo quixotesco. Com uma diferença: aqui, o PCP tomba, mas tomba sozinho. Isto é: sem Sancho Pança, sem cavalo, sem espada e sem moinhos. Sobretudo, sem glória.

PS: as casamenteiras estão de volta


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Mesmo que haja elementos do clero a afirmá-lo, o casamento católico não tem a procriação como finalidade, embora a confusão surja com frequência. O matrimónio tem em vista a consagração de uma família, de um agregado tão sólido quanto possível, para cuidar de quem possa vir ao mundo, consequência natural que não é necessariamente objectivo.

A família é, de resto, tão importante quanto todos nós lamentamos as crianças abandonadas e, por vezes, a morosidade dos processos de adopção. O que é que nos vem à cabeça perante esta realidade? Claro: a falta que faz uma família e as dificuldades a percorrer para que uma família disponível consiga acolher uma criança abandonada.

 

Clarificada de forma aligeirada aquela confusão, deixem-me que passe adiante, para o que realmente me traz aqui: o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não para discutir o tema, mas para estranhar a pressa. Do lado do mundo dito civilizado, quando olhamos os países subdesenvolvidos, o que é que nos ocorre? Por certo, não é lamentar a situação desses povos que, coitados, ainda não legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Portugal está em apuros e os portugueses assistem ao agravamento dos problemas todos os dias. A situação está para durar e transmitir-se às gerações seguintes, enquanto cresce entre nós o mar de gente caída na desgraça. Afinal, o que faz correr o PS com tanta pressa para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

 

O que eu espero de quem nos governa é que trabalhe afincadamente para minorar os males que afligem o país. Mais: espero de quem nos governa que saiba hierarquizar esses males e que atue em conformidade. Neste quadro, confesso: quero lá saber se há umas pessoas a viver paixões amancebadas, enquanto tantas outras aguardam em vão a vez para regressar ao mercado de trabalho e conhecem a fome à medida que perdem todas as expectativas em relação ao futuro, perante uns poucos que enriquecem ilicitamente à custa de todos os outros.

Trabalhem para responder à razão por que foram eleitos e cuidem do que mais se espera. Sejam lúcidos e entendam que, na escala de importância, viver em concubinato está muito longe dos lugares cimeiros das preocupações nacionais. E deixem de se armar em comadres casamenteiras, mais metediças na vida privada de cada um do que solidárias pelo bem-estar de todos.

Voltamos à bacoquice


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A distinção bacoca dos géneros voltou ao Parlamento. José Sócrates deu logo o sinal de partida, ao notar «mais de cem deputados e deputadas» e ao dirigir-se mais a eles e menos a elas sempre que disse «senhoras e senhores deputados». Com este vocativo, dispensou-se simultaneamente da fórmula simples e correcta ("senhores deputados") e da fórmula bacoca e escusada ("senhoras deputadas e senhores deputados"). Ficou-se pelo meio termo incorrecto e deu a ideia de que os senhores são deputados e que as senhoras são qualquer outra coisa indefinida.

Como nota curiosa, merece destaque Sócrates ter dito repetidamente que a promessa de fazer isto «vai de encontro» àquilo. Já começaram os embates?

Uma iniciativa de mestre


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A partir desta legislatura, acabaram-se os desdobramentos dos bilhetes de avião e a acumulação de créditos de milhas aéreas para os deputados, por proposta do presidente da Assembleia da República apresentada em conferência de líderes e aprovada por unanimidade. Quer isto dizer que é posto cobro ao hábito de trocar uma passagem aérea em classe executiva por duas em classe turística, para que o beneficiário que se deslocava em serviço pudesse viajar acompanhado, e que o crédito por milhas percorridas deixa de ser uma mordomia para quem não suporta o custo da deslocação.

Com esta louvável iniciativa, Jaime Gama contribuiu para que o comportamento dos parlamentares se torne mais escorreito, em matéria de utilização de dinheiros públicos, e legitimou o apelo que fez de seguida, ao exortar os restantes órgãos de soberania, todos os serviços da administração pública e as empresas públicas a adoptarem o mesmo procedimento.

De repente, com uma medida simples, aqueles casos lamentáveis das "viagens-fantasmas", dos "deputados-batmen" e coisas assim, passados ainda há poucos anos, ficaram a anos-luz desta nova prática. E a ocasião foi de mestre: no início da legislatura e perante os líderes parlamentares, alguém iria opor-se?

É óbvio… mas falta-lhe cor


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«Ele é uma pessoa de cor. E é óbvio que é uma pessoa de cor.»

(Martim Cabral sobre Barak Obama, no Opinião Pública, na SIC-N)

 

«Não concordo com esse senhor quando falou numa pessoa de cor. Pessoa de cor não existe. Existem brancos e negros – e ele é negro.»

(Telespectadora por telefone, idem, ibidem)

Um ano pacífico…


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O tempo voa: faz hoje um ano que o mundo assistiu à eleição do actual presidente dos EUA. Barack Obama continua a romper com alguns tiques tradicionais da Casa Branca, continua a falar a muitos corações pelo mundo fora e continua a prometer mais ou menos o mesmo que prometia há um ano e ficou em linha de espera. Sobretudo, continua a merecer a confiança de mais de metade dos norte-americanos, que lhe dedicam um invejável índice de popularidade.

Pode concluir-se, portanto, que falta a Obama responder a várias e importantes expectativas, mas este seu primeiro ano marca um exercício que os seus eleitores consideram pacífico. O que deve contribuir para tranquilizar-lhe a consciência relativamente ao Nobel da Paz…

Uma ideia para ontem


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José Medeiros Ferreira apelou aqui para que as Redacções dos órgãos de imprensa comecem a assinalar as matérias provenientes das agências de comunicação, do mesmo modo que sempre fizeram com as notícias das agências de informação (Lusa, Reuters, AFP, etc.). Realmente, torna tudo mais claro: a imprensa assume a selecção das matérias e respectivas origens e o público-leitor fica esclarecido.

«É um objectivo saudável para a relação de transparência que deve existir entre a imprensa e público» – defende com razão Medeiros Ferreira. «Portanto acabará por entrar nos costumes, ou nos livros de estilo. Quanto mais depressa melhor.» Só acho estranho que esta ideia (que é uma ideia de princípio) ainda não funcione. E não devia ser para começar já, mas para começar ontem.