Uma ideia para ontem


jmmcc,

José Medeiros Ferreira apelou aqui para que as Redacções dos órgãos de imprensa comecem a assinalar as matérias provenientes das agências de comunicação, do mesmo modo que sempre fizeram com as notícias das agências de informação (Lusa, Reuters, AFP, etc.). Realmente, torna tudo mais claro: a imprensa assume a selecção das matérias e respectivas origens e o público-leitor fica esclarecido.

«É um objectivo saudável para a relação de transparência que deve existir entre a imprensa e público» – defende com razão Medeiros Ferreira. «Portanto acabará por entrar nos costumes, ou nos livros de estilo. Quanto mais depressa melhor.» Só acho estranho que esta ideia (que é uma ideia de princípio) ainda não funcione. E não devia ser para começar já, mas para começar ontem.

18 comentários em “Uma ideia para ontem”

  1. Só tenho de concordar! E ao mesmo tempo lamentar que as agências de comunicação tenham cada vez mais peso no que é noticiado pela comunicação social…

  2. Suponho que, entre outras coisas, estarás a falar de press-releases, uns mais propagandísticos do que outros. Na minha capacidade de jornalista nos idos de 90 este tipo de material (muitas vezes mal redigido) era base para uma larga parcela das notícias do quotidiano. No entanto, raramente surgia transcrito; muitas vezes era alvo de escrutínio, era sempre reescrito e só então aprovado para publicação. No figurino que descrevo (não sei como funcionam as coisas hoje) não vejo qualquer necessidade de se citar a fonte prima.

    Já agora, algo de similar sucedia com as notícias de agência, como a Lusa, a France-Press, Reuters, etc. No entanto, neste caso havia a preocupação de referir o nome do autor acrescentando “com Lusa”, etc, etc; Nos casos em que as peças eram publicadas ipis verbis, o nome do autor era o da fonte, quase sempre “Agência Lusa”.

    ps – já matei a gripe e nem precisei de tomar “benurões”, eheh..

  3. Excelente ideia. As consultoras de comunicação passam assim a ter publicidade de borla nos media. Ainda hei-de ver, inchado, a LPM a ter na Imprensa portuguesa a notoriedade da Reuters. Apoio inteiramente a iniciativa do estimado Medeiros Ferreira. Espero que ele tenha força de lóbingue suficiente para a levar avante. E só tenho pena de não poder ajudar. Já agora: será que, na mesma diligência, poderão os media aceitar pagar às fontes, pelo menos as profissionais, como fazem com a Reuters, a Lusa, etc? As boas ideias não devem ser travadas. O céu é o infinito.

  4. Sou um consumidor final puro e duro. O que nunca entendi foi a necessidade que eu tenho ou o benefício que obtenho da comunicação ter que ser agenciada. A informação entendo, mas que a comunicação me entre porta dentro sem que eu me dê conta que aquilo me está a ser impingido porque alguém pagou muito dinheiro para que isso acontecesse é que acho mais uma aberração desde sistema que nos mantêm neste colete de forças. E depois, os agentes de comunicação são assim umas figuras cinzentas, esquivas, gente estranha. Porque será? Consciência pouco tranquila? Tenho a certeza que se a maioria dos portugueses soubesse que muito do que “papam” não é genuíno mas “agenciado” muita coisa mudaria. Será então por isso que há assim uma espécie de névoa à volta deste negócio, que se imaginarmos que o meio em que se movem é uma “guerra”, eles só podem ser os mercenários.

    1. «Tenho a certeza que se a maioria dos portugueses soubesse que muito do que “papam” não é genuíno mas “agenciado” muita coisa mudaria.» E a falta que faz que muita coisa mude, não é?

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