O quixotismo solitário do PCP


jmmcc,

O PCP deve ser o único partido comunista num regime pluripartidário a assinalar, duas décadas após a queda do Muro de Berlim, que «em todo o mundo, milhões de homens, mulheres e jovens comemoram a Revolução de Outubro, assumindo-a como referência essencial da sua luta de todos os dias pela construção de uma sociedade livre, justa, pacífica, fraterna, solidária, liberta de todas as formas de opressão e de exploração».

É cansativo voltar à contra-argumentação sobre o que é uma sociedade livre, justa, pacífica, fraterna, solidária, etc., que está repisada e estafada há muito. Basta apenas lembrar que os tais milhões de pessoas que o PCP diz que ainda comemoram a Revolução de Outubro já constituem uma sombra do que eram, ou as consequências desse tempo não teriam sido banidas para dar lugar à mudança.

O que pode não ter mudado é outra coisa que o PCP não explica direito: tais comemorações, onde existirem, ainda são feitas à frente de sabres, na mira de canos de armas de fogo e à sombra de tanques como os de Tiananmen. O que não é exactamente um sinal de civilização, mas é um sinal da posição decrépita do PCP, cuja queda é escusamente feita de modo quixotesco. Com uma diferença: aqui, o PCP tomba, mas tomba sozinho. Isto é: sem Sancho Pança, sem cavalo, sem espada e sem moinhos. Sobretudo, sem glória.

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4 comentários em “O quixotismo solitário do PCP”

  1. O PCP celebra um regime de partido único, que oprimiu as liberdades essenciais – incluindo o direito à greve, a liberdade de circulação e a liberdade sindical. Um regime que não permitia uma imprensa livre, que instituiu uma severa censura a todas as formas de expressão artística. Um regime que instituiu uma espécie de tutela neocolonial sobre outros países e outros povos, esmagando-os (Berlim Leste, 1953; Budapeste, 1956; Praga, 1968; Varsóvia, 1981). Um regime que tinha inúmeros prisioneiros de consciência, cujo único delito era o de esboçarem críticas ao Governo ou ao partido. Um regime que decapitou a própria estrutura central do partido, nos anos de terror (1936-38).
    O PCP insulta a memória de milhões de pessoas ao celebrar um regime desses.

      1. Mais curiosamente ainda, trata-se de alguém licenciadas em Ciência Política e Relações Internacionais. O que diz tudo sobre a qualidade do ensino que temos. E dos ‘cientistas políticos’ formados cá na terra.

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