Não assisti ao debate de ontem no parlamento, mas baseada na notícia que leio hoje no Público, o ponto quente chegou quando José Pacheco Pereira questionou José Sócrates acerca da responsabilidade política na nomeação de administradores e gestores de empresas públicas a propósito do caso Face Oculta.
Este processo, sublinhou Pacheco Pereira, revela uma rede tentacular em empresas públicas, que em última instância são responsabilidade de ministros e secretários de Estado.
Como é que Sócrates lhe respondeu? Atacando JPP pelo flanco mais vulnerável, o da sua notória e tão criticada arrogância. Brincando com o seu passado maoísta, chamou-lhe grande educador da classe política e mais: acusou-o de ressentimento político devido à derrota sofrida pelo PSD.
Ressentimento, aí está o outro grande ponto fraco do conhecido político e comentador. Não estava lá para ver, mas se até a leitura deste artigo me levou a sorrir, imagino os sorrisos que terá despertado em todo o hemiciclo. Sócrates, há que admiti-lo, é exímio a cobrir de ridículo os seus oponentes.
Quanto ao que interessa, escusou-se a mais delongas com o blá blá do costume sobre a separação do poder executivo e judicial. Mais detalhes aqui.


Eu assisti, Teresa, e posso dizer-lhe que o princípio da separação de poderes foi um excelente argumento. Pena que só tenha servido para Sócrates não responder; basta que se queira para não se confundir responsabilidade criminal com responsabilidade política.
Pois. Não está em causa o princípio da separação de poderes. Só é pena que também sirva para sistematicamente, como salientas, fugir aos assuntos incómodos que se relacionam e contextualizam os processos judiciais. Esses sim, podem e devem ser discutidos.
Precisamente. Dizes muito bem. São dois planos distintos e, como é óbvio, ambos passíveis de discussão. Apenas são discussões distintas.
Eu por acaso vi em direto essas intervenções, enquanto almoçava.
Pacheco Pereira esteve odioso, verrinente, ressabiado, a vomitar fel pela boca, inclinado para a frente da sua bancada no hemiciclo.
Não gostei nada da “resposta” de Sócrates, que não respondeu a nada, antes se dedicou a brincar com Pacheco Pereira. Mas pelo menos Sócrates estava numa desportista. Pacheco Pereira, pelo contrário, está cheio de ódio. Ódio que lhe tolda a razão.
Um primeiro-ministro pode ir ao Parlamento “numa desportista” e assim dispensar-se de responder às perguntas que lhe fazem os deputados?
Perguntar coisas ao Governo não é um direito dos deputados, independentemente de estarem ou não “cheios de ódio”? (Também vi a cena e não me pareceu isso, mas enfim…).
O PSD parecia ontem não ter direcção do grupo parlamentar ao confiar o ‘soundbite’ da tarde, em São Bento, a um deputado da última fila.
Não gosto do JPP, mas também não achei nada elegante a resposta que JS lhe deu…
🙂
Se me permitem a opinião quem começou a “coisa” foi o rei do achincalhanço Pacheco Pereira.
Não só pelo que disse na Assembleia da República mas e tambem por todos os escritos que espalha por aí fora (merecia ser designado o grafiteiro de serviço do PSD ) o Senhor Pacheco Pereira julga que ainda existe alguem que o leva a sério?
Querer pôr pose de palhaço ( com o devido respeito para os verdadeiros da pofissão ) já está a dar garantia de que a coisa na Assembleia vai ser divertida e de certeza pelos piores motivos.
Acho que o Grupo Parlamentar do PSD devia dar-lhe mais tempo de “antena” para serem evitadas sessões monótonas.
Quase apetece dizer que ( se é verdade ) cada um nasce para o que estava destinado.