Voltamos à bacoquice


jmmcc,

A distinção bacoca dos géneros voltou ao Parlamento. José Sócrates deu logo o sinal de partida, ao notar «mais de cem deputados e deputadas» e ao dirigir-se mais a eles e menos a elas sempre que disse «senhoras e senhores deputados». Com este vocativo, dispensou-se simultaneamente da fórmula simples e correcta ("senhores deputados") e da fórmula bacoca e escusada ("senhoras deputadas e senhores deputados"). Ficou-se pelo meio termo incorrecto e deu a ideia de que os senhores são deputados e que as senhoras são qualquer outra coisa indefinida.

Como nota curiosa, merece destaque Sócrates ter dito repetidamente que a promessa de fazer isto «vai de encontro» àquilo. Já começaram os embates?

8 comentários em “Voltamos à bacoquice”

  1. Num deserto de convicções
    inundado de inautenticidade
    emergem as vis aberrações
    convictas da sua falsidade.

    De espinhas curvadas
    e olhares periclitantes,
    são posturas avivadas
    por prosápias irritantes.

    De um regime polvilhado
    por negociatas imorais,
    emerge um país retalhado
    de verborreias viscerais.

  2. É uma das manifestações do politicamente correcto que mais me irritam. Se cuidassem de uma forma séria da igualdade de oportunidades em vez de perderem tempo com essas mesuras é que faziam bem.

  3. Cito, com a devida vénia, a voz autorizada do professor Vital Moreira:

    «Há erros de expressão grosseiros que se vão banalizando, mesmo entre pessoas que tinham obrigação de os não dar. Este fim de semana dei conta de dois dos mais comuns.
    O presidente de uma junta de freguesia festejou uma decisão judicial que suspendeu o processo de co-incineração na cimenteira local declarando que ela veio «de encontro aos interesses da freguesia». Obviamente, ele queria dizer o contrário, ou seja, “ao encontro dos (…)”.
    Numa crónica de um semanário, um jornalista da casa escreveu esta pérola: «uma coisa nada tem a haver com a outra». Evidentemente, ele queria dizer: ” (…) nada tem a ver com a outra”.
    Se pessoas destas falam e escrevem assim, como nos poderemos surpreender com a generalização destes e de outros erros?!»
    In Causa Nossa, 16 de Fevereiro de 2009

  4. Haja paciência.. se o homem tivesse dito ‘senhores e senhoras deputados’ já não discriminava ninguém. Se não tivesse dito nada era mal-educado. Se tivesse dito outra coisa era porque dizia outra coisa.. Bacoco, bacoco é escrever um post sobre isto…

    1. A sua conclusão, meu caro, é brilhante. A sua afirmação de que “senhores e senhoras deputados” não discriminaria ninguém é de grande perspicácia.

      Releia o que eu escrevi e aproveite para acrescentar uma poeira aos seus conhecimentos profundos, já que não aprendeu nada.

      Só não escrevo mais ‘posts’ sobre isto porque é trabalho gratuito. Mas já escrevi alguns e outros hão-de vir. Fique atento, pois.

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