A separação de poderes é um dos embustes sob os quais vivemos – escreve hoje Baptista Bastos no DN numa crónica onde se fala de corrupção, do afastamento de João Cravinho e se questiona a nossa cultura de cidadania. A não perder.
A face oculta das avestruzes que somos nós
Teresa Ribeiro,

Esse Batista Bastos que fala de corrupção e de cultura de cidadania não é, por acaso, aquele que em tempos pediu à Câmara Municipal de Lisboa que lhe cedesse uma habitação a preço de amigo, e que. segundo julgo, ainda hoje continua a habitar essa casa?
Bem, essa coisa da casinha da Câmara – paga por todos nós, munícipes lisboetas, claro – é assunto à parte. Trata-se de uma ninharia de que não cura o grande BB, pedagogo da democracia…
Em suma, como diz o povo, para quem não tem vergonha todo o mundo é seu.
Pronto, e lá tinha de vir a história da casa…
História? Como assim? Não continua? Ou BB já entregou a casinha à Câmara de Lisboa e foi viver para a de Constância, que comprou na altura em que, como carenciado, o dr. Sampaio o socorreu?
Usufrui de uma situação de favor, sim. Era melhor que não tivesse cedido à tentação? Pois era. Não deixa por este motivo de ser um excelente cronista tanto na forma como no conteúdo do que expõe. E aquilo que ele afirma neste texto, repito, merece a nossa reflexão.
Não há, portanto, sombra de hipocrisia no que ele escreve, é isso?
Não sonharia concordar com BB. Mas é verdade que o princípio da separação de poderes é mais um dos ‘patrimónios’ políticos traídos na sociedade portuguesa. Digo isso muitas vezes. E se é óbvio que todos percebemos isso, óbvio é que a muitos (e não só ao governo, o “executor”) convenha disfarçar.
Parece que fingimos todos acreditar que o morto não morreu mesmo e está em câmara ardente à espera da ressurreição…
Portanto, ninguém dobra os sinos. Aliás, qualquer dia nem os sinos teremos para tocar a rebate ou a finados (e isso e que é o pior de tudo).
Muito bem visto, este seu comentário, Chloé.