Uma iniciativa de mestre


jmmcc,

A partir desta legislatura, acabaram-se os desdobramentos dos bilhetes de avião e a acumulação de créditos de milhas aéreas para os deputados, por proposta do presidente da Assembleia da República apresentada em conferência de líderes e aprovada por unanimidade. Quer isto dizer que é posto cobro ao hábito de trocar uma passagem aérea em classe executiva por duas em classe turística, para que o beneficiário que se deslocava em serviço pudesse viajar acompanhado, e que o crédito por milhas percorridas deixa de ser uma mordomia para quem não suporta o custo da deslocação.

Com esta louvável iniciativa, Jaime Gama contribuiu para que o comportamento dos parlamentares se torne mais escorreito, em matéria de utilização de dinheiros públicos, e legitimou o apelo que fez de seguida, ao exortar os restantes órgãos de soberania, todos os serviços da administração pública e as empresas públicas a adoptarem o mesmo procedimento.

De repente, com uma medida simples, aqueles casos lamentáveis das "viagens-fantasmas", dos "deputados-batmen" e coisas assim, passados ainda há poucos anos, ficaram a anos-luz desta nova prática. E a ocasião foi de mestre: no início da legislatura e perante os líderes parlamentares, alguém iria opor-se?

14 comentários em “Uma iniciativa de mestre”

  1. Puxa, que estava difícil. Confesso, João, que nunca acreditei que isso fosse possível. Parece-me que começa a haver alguma vergonha e esse poderá ser um bom começo de legislatura. Espero que o apelo de Jaime Gama seja ouvido e que igual princípio seja aplicado aos demais membros de órgãos de soberania e das empresas públicas e participadas pelo Estado. Já não seria mau.

  2. João, o meu argumento é só este: dentro do sistema lasso português de policiar o político, a coisa sai tardia e denota outras leituras como o arzinho de colapso económico iminente que vai por aí além da escandaleira das corrupções políticas somada aos desesperos pessoais e familiares que se avolumam em desemprego e fome “alegre”.

    Começaram as proclamações bem intencionadas.

  3. Confesso que não vejo qualquer mal em desdobrar um bilhete em classe executiva em dois em classe turística. Se isso não causar prejuízo aos cofres do Estado, qual é o mal?

    Aliás, muito possivelmente os deputados também pernoitam em quartos duplos no hotel. E nada impede que ponham na segunda cama do quarto uma pessoa amiga qualquer. E essa segunda pessoa, então, estará implicitamente a permoitar no hotel a expensas do Estado. Mas sem qualquer despesa extra para o Estado. Qual é o mal, então?

    1. É simples, Luís. Tem todo o mal que V. diz não ver.

      Repare: um deputado viaja em classe executiva por estar consagrado que isso corresponde à dignidade do cargo. Se vai em serviço, não faz sentido passar para a classe turística só para ter acompanhante. Com ou sem acompanhante, mantém-se na classe executiva que ele próprio exigiria se lhe fosse dada uma passagem aérea em classe turística. Serviço não é turismo. É tempo de sermos todos sérios.

      Viu como é simples, Luís?

  4. Boa medida, sim senhor, que mais não seja pelo seu “sentido pedagógico” – chamo assim – à vontade, implícita , de acabar com o facilitismo que resultava em mordomias – já que, muitos, acham que o anterior “aproveitamento” não era nada demais…Também gostaria de ver os deputados a viajarem, pelo menos, em percursos pequenos em classe económica – não vejo qual a necessidade dos deputados Açorianos e membros do Governo Regional irem dos Açores paraLisboa
    em classe executiva – uma viagem que dura 2 horas, com uma diferença de custo de , no mínimo, 130,00 euros.
    Neste caso, se as tais milhas servissem para custear a diferença e a pedido do pagador, talvez fosse de considerar…

  5. O país precisa urgentemente que sejam tomadas medidas exemplares deste tipo, que são mínimos de decoro, bom senso e de respeito pelos próprios cargos públicos. A prazo espero que possa também levar à moralização de certas práticas nas empresas publicas e também privadas.

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