Uma história por contar


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«In the fall semester of 2010, Manuel Pinho, former Portuguese minister of the economy and innovation, will serve as visiting professor at Columbia’s School of International and Public Affairs (SIPA).  In this role, Pinho will help oversee lectures and other new programming to advance education about non-traditional sources of energy.  (…) Pinho “largely masterminded the transition” Portugal has made to renewable energy.

SIPA is developing the programming, to launch this fall and to be announced soon, with the support of a gift from Energias de Portugal, S.A. (EDP)», etc., etc., conforme se lê no site da SIPA/Universidade de Columbia.

O facto é que há quem diga que Manuel Pinho está a dar aulas na Universidade de Columbia sobre energias renováveis por um período de quatro anos e que não é a universidade que lhe paga: é a EDP (fala-se em três milhões de euros). A confirmar-se, esta é mais uma história que ainda ninguém quis contar e em que só o ex-ministro pode (já pôde) manifestar-se muito satisfeito. Espera-se que não seja bem assim e que aquele site não seja uma pista.

 

Adenda — «A cadeira que Manuel Pinho vai dar na Universidade de Columbia está integrada num projecto a quatro anos financiado pela EDP. A eléctrica portuguesa fez uma doação à School of International and Public Affairs (SIPA), num montante que pediu à Universidade nova-iorquina para não divulgar (…)»

O sexo e a idade


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O PS entrou naquela velhice decadente em que já não se disfarçam os sinais característicos. Crise internacional? Concentra-se no caso dos homossexuais. Crise nacional? Cuida do problema dos transexuais. Qualquer diagnóstico confirmará que estamos a lidar com outra crise sintomática típica: a crise de terceira idade do PS com a sua obsessão sexual impulsiva, caracterizada por um automatismo neurótico que se insere na psicologia patológica. O que não teria qualquer importância se o PS não fosse governo ou se Portugal fosse um reduto de dramas em torno da sexualidade.

Tiques


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«Fala-se cada vez mais na possibilidade da Irlanda ter de recorrer ao fundo europeu de estabilização. Se tal acontecer, vai ser fascinante ver como é que a Comissão Europeia, o Ecofin, o BCE, os Duques, os Medinas, os Cantigas… vão arranjar maneira de explicar a queda do Tigre Celta mantendo as suas teorias económicas tradicionais. O malabarismo promete.» Com esta nota estapafúrdia, vê-se que João Galamba estava com vontade de escrever qualquer coisa — só não sabia o quê. Dou-lhe uma dica para um próximo ensaio sobre ilusionismo: por onde anda toda aquela gente de quem tanto gosta e que jurava há poucos meses que a situação de Portugal era muito diferente da situação da Grécia?

Se há algo que me enfastia é esse tique nacional de tentar a todo o custo encontrar quem consiga estar quase tão mal quanto nós. Pior que isso, só esse tique popular de seguir alegremente os que tentam a todo o custo encontrar quem consiga estar quase tão mal quanto nós.

Investigar e informar


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O grupo empresarial público Águas de Portugal tem uma frota de cerca de 1200 veículos, incluindo quase 400 automóveis de gama alta, 34 dos quais foram trocados este ano por carros também de alta cilindrada e cuja utilização (pelos quilómetros percorridos e consumos de gasolina apresentados) levanta dúvidas.

Ao mesmo tempo, a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos propõe aumentos de tarifa entre os 19 e os 42 por cento, coisa que as câmaras municipais recusam aceitar, como está bom de ver.

De momento, o Governo decidiu suspender a plano de renovação da frota de automóveis da Águas de Portugal e deu a esta um prazo para que dê conta dos respectivos impactos financeiros, critérios de atribuição de viaturas e regulamentação sobre o assunto.

A Águas de Portugal vai ter umas semanas para estudar e apresentar a resposta ao Governo, mas não perdeu tempo a adiantar-se com uma nota dirigida à comunicação social para dizer patati-patatá.

Independentemente da continuação e desfecho deste folhetim, duas conclusões podem já tirar-se e nenhuma delas é novidade:

— mal estará o país em que a comunicação social não puder investigar por sua conta e substituir-se às autoridades que não tomarem a iniciativa;

— a comunicação social não pode andar de lupa a cobrir todo o território nacional e é bom reflectirmos e termos isso presente.

Em suma: a justiça há-de ser sempre necessária e precisa de funcionar para podermos acreditar que não será tudo eternamente mau, mas é essencial que a seriedade, a correcção, a verticalidade, a moral, a palavra, a responsabilidade e todos esses valores em torno da coisa pública regressem ao ponto de partida. A ética, enfim, não pode continuar a ser excepção, ou não há sociedade que resista muito mais.

Água na Wikipédia: aprendam a nadar


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A entrada Águas de Portugal na Wikipédia diz coisas extraordinárias, como algumas que registei.

— «A Águas de Portugal (ADP) é um dos grandes grupos empresariais do sector do Ambiente em Portugal e tem por missão contribuir para a resolução dos problemas nacionais», tendo também em vista contribuir para o agravamento dos problemas nacionais de natureza financeira e económica.

— «Trabalha com o objectivo de proteger e valorizar o ambiente natural e humano», mas descurando os problemas ambientais a favor de uma certa minoria de seres humanos.

— «A actividade das empresas do grupo engloba a captação, o tratamento e a distribuição de água para consumo público», dando particular atenção à agua consumida pelos radiadores da sua frota automóvel.

— «A ADP controla a EPAL – Empresa Portuguesa de Águas Livres, que é a maior empresa no sector da água em Portugal e que opera serviços de abastecimento», designadamente, a centenas de automóveis luxuosos de alta cilindrada utilizados no chamado “trabalho de contraste”: vistoriam o ambiente e poluem as vistorias.

Em Portugal, tem-se andado a confundir águas livres com empresas públicas livres, águas soltas com empresas públicas à rédea solta, águas para consumo com empresas públicas consumistas. Agora é tarde para criar empresas públicas canalizadas e grupos empresariais públicos engarrafados. Aprendam a nadar, porque a água que corre já cobre as pontes e inunda o país. Salve-se à tona quem puder.

Sabia que… (53)


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… a Bentley mandou recolher 1500 carros já vendidos para lhes trocar o célebre emblema do B-alado? É verdade: tarde embora, concluiu que o emblema colocado nesses automóveis não obedecia aos padrões de segurança convenientes.

Recorde-se que muitas marcas de automóveis cultivaram durante décadas a ostentação dos seus emblemas no capot dos veículos que produziam, até que isso foi abolido, já na segunda metade adiantada do século XX, por as ligas metálicas e as formas angulosas constituírem um perigo para os peões, em caso de choque. Com a aplicação do crómio no plástico, apenas algumas marcas de maior prestígio continuam a manter essa tradição, mas os emblemas passaram a ser flexíveis e escamoteáveis, em si mesmo e na base que os segura.

Este caso, relativo a automóveis de grande classe e muito exclusivos como é a gama da Bentley, apenas vem confirmar que “no melhor pano cai a nódoa”.

Por cá e até ver, dos 400 carros de alta cilindrada entre a frota de 1200 veículos da empresa pública Águas de Portugal, não se confirma que haja algum Bentley. Mas, como este ano a empresa já trocou 34 carros topo-de-gama e portanto ainda falta trocar (pelo menos) 366, nunca se sabe se não haverá já algum (ou alguns) Bentley em vista. Sempre é bom saber que o B-alado será legal.

TGV: o ridículo


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O ministro Mendonça foi ao Parlamento e disse: «Queria aqui reafirmar que o Governo mantém a sua firme intenção de construir a linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, incluindo, obviamente, o troço entre Lisboa e o Poceirão.» Portanto, é para este circo que serve o aumento de impostos, a redução das comparticipações, a descida do poder de compra e todas as medidas de austeridade.

Claro que muitos portugueses já não pagariam a obra, se ela viesse a avançar com este Governo, por uma simples razão: muitos portugueses há e muitos mais haverá sem ter com que pagar. Perdida assim a noção do ridículo, o ministro precisa que lhe façam um desenho.

Estamos todos a adorar


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O ex-ministro Manuel Pinho diz: «Foi importante ter sido ministro cinco anos, mas agora estou a adorar a minha vida em Nova Iorque.» Nós não achamos que tenha sido tão importante o que fez por cá, mas também estamos a adorar sabê-lo noutras arenas lá longe. Especialmente, desde aquele dia em que ele garantiu: «a crise acabou totalmente» e «há sinais extremamente positivos». Foi num dia de Outubro de 2006.

Frases do ano (61b)


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“(…) não haverá nenhuma outra ocasião no futuro em que o líder do PSD volte a conversar em privado com o primeiro-ministro sem que existam outras pessoas que possam testemunhar a conversa.”

Passos Coelho aos repórteres

Sabia que… (52)


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… anda a ser ensaiado o primeiro carro voador capaz de vir a ser comercializado daqui a não muito tempo? Sim, chama-se Terrafugia Transition e está a ser testado nos EUA: tem dois lugares a par, transforma-se em 30 segundos com a abertura ou recolha das asas e levanta do chão num minuto. Mais: o Terrafugia apenas requer uma licença de voo do tipo dos ultraligeiros, visto que não é mais do que um veículo de transição entre o automóvel e a avioneta.

Parece que a liderança mundial dos carros eléctricos anunciada pelo nosso governo — e que o primeiro-ministro ontem descreveu na Universidade de Columbia (Nova Iorque) em inglês técnico — corre o risco de ser ultrapassada antes mesmo de começar a mexer. No mínimo, ultrapassada pelo ar.

 

O costume


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Passos Coelho diz que recusou voltar a sentar-se à mesa com José Sócrates porque este quis impor-lhe condições à partida. Silva Pereira, em nome de Sócrates, diz que é falso, que não foram exigidas condições prévias a Passos Coelho. Sei — sabemos todos — que o costume de mentir por tudo e por nada cresceu, está institucionalizado e parece que já muito poucos — cada vez menos — se importam com isso. Eu importo-me. Neste caso, perante duas versões tão contraditórias, é indiscutível que uma das partes mente. É apenas mais uma mentira e não sei — não posso saber — qual das partes é que mente. Não sei, mas sei qual delas costuma mentir.

Emigrante


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e vivem desgostosos esse impedimento. Inconsolável, Vara está em vias de emigrar para Angola. Aguarda-se que embarque e que mande de lá saudades, que é coisa que cá não deixa. Excepção feita ao Robalo.