«Fala-se cada vez mais na possibilidade da Irlanda ter de recorrer ao fundo europeu de estabilização. Se tal acontecer, vai ser fascinante ver como é que a Comissão Europeia, o Ecofin, o BCE, os Duques, os Medinas, os Cantigas… vão arranjar maneira de explicar a queda do Tigre Celta mantendo as suas teorias económicas tradicionais. O malabarismo promete.» Com esta nota estapafúrdia, vê-se que João Galamba estava com vontade de escrever qualquer coisa — só não sabia o quê. Dou-lhe uma dica para um próximo ensaio sobre ilusionismo: por onde anda toda aquela gente de quem tanto gosta e que jurava há poucos meses que a situação de Portugal era muito diferente da situação da Grécia?
Se há algo que me enfastia é esse tique nacional de tentar a todo o custo encontrar quem consiga estar quase tão mal quanto nós. Pior que isso, só esse tique popular de seguir alegremente os que tentam a todo o custo encontrar quem consiga estar quase tão mal quanto nós.

O malabarismo promete, diz o João Galamba. Ele que há menos de seis meses aplaudia o “investimento público” e agora aplaude o adiamento do TGV.
Exactamente.
Custa-me a perceber por que motivo ainda há quem dê atenção ao que diz ou escreve esse sujeito.
Aqui na minha aldeia, por exemplo, há muitos anos que ninguém liga ao que diz ou faz o Joãozinho das Couves…
Aí na cidade, pelos vistos, toda a gente sabe das Couves mas continua a fazer de conta que não.
Aqui, Álvaro, no meio pequeno em que me encontro, é costume entender-se que muita gente não pensa como nós. Apenas rebatemos.
E fazem muito bem, não vou contra isso.
Apenas me parece que, a certa gente como o Joãozinho das Couves da minha aldeia, não vale a pena dar importância.
Admito que sim.