… a Bentley mandou recolher 1500 carros já vendidos para lhes trocar o célebre emblema do B-alado? É verdade: tarde embora, concluiu que o emblema colocado nesses automóveis não obedecia aos padrões de segurança convenientes.
Recorde-se que muitas marcas de automóveis cultivaram durante décadas a ostentação dos seus emblemas no capot dos veículos que produziam, até que isso foi abolido, já na segunda metade adiantada do século XX, por as ligas metálicas e as formas angulosas constituírem um perigo para os peões, em caso de choque. Com a aplicação do crómio no plástico, apenas algumas marcas de maior prestígio continuam a manter essa tradição, mas os emblemas passaram a ser flexíveis e escamoteáveis, em si mesmo e na base que os segura.
Este caso, relativo a automóveis de grande classe e muito exclusivos como é a gama da Bentley, apenas vem confirmar que “no melhor pano cai a nódoa”.
Por cá e até ver, dos 400 carros de alta cilindrada entre a frota de 1200 veículos da empresa pública Águas de Portugal, não se confirma que haja algum Bentley. Mas, como este ano a empresa já trocou 34 carros topo-de-gama e portanto ainda falta trocar (pelo menos) 366, nunca se sabe se não haverá já algum (ou alguns) Bentley em vista. Sempre é bom saber que o B-alado será legal.





Há poucos dias, conversando com dois ingleses sobre diversas coisas, veio à baila o tema dos automóveis e, como apaixonado que sou por carros, confessei então o meu especial apreço por carros de desporto britânicos. Registaram isso com agrado e perguntaram-me se por cá os Jaguar ainda continuavam a ter os “gatos” em cima do capot. Informei-os que os modelos mais recentes já não, (porque já são produzidos sem eles), mas que os mais antigos, sim, obviamente os tinham. Contaram-me então que em Inglaterra, mesmo nos modelos clássicos e já com décadas, os seus proprietários foram obrigados a retirar os bichinhos dos capots, exactamente pelos perigos que podem potenciar em caso de atropelamento de peões, o que me parece uma ideia perfeitamente idiota e nada de acordo com o o habitual respeito dos ingleses pelo rigor, pelo pormenor e pelas tradições a que nos habituaram. Como se fosse admissível, além do mais, que alguém no seu perfeito juízo, ande a conduzir um “Jag” clássico, a valer largas dezenas de milhar de libras, a atropelar peões!
Enfim, resta-nos concluir que nem só em Portugal há gente a pensar em coisas que não lembram sequer ao diabo…
Tens razão. Essa não lembrava ao diabo. E, como não lembrava ao diabo… qualquer dia serve de modelo a mais uma directiva europeia. Sim, que os proprietários de clássicos são loucos com aquela mania de andar de acelerador no fundo e a atropelar toda a gente de cada vez que tiram o carro da garagem para sacudir as teis-de-aranha.