
A discussão à volta da canção que deverá servir de base à campanha do PSD correu ainda mais animada, do que a elaboração das listas para deputados.
Depois de Passos Coelho ter sido mandado calar, por ter perguntado para que queriam uma canção de campanha se MFL não ia fazer comícios, Pacheco Pereira avançou com a hipótese de “É mentira, é mentira, é mentira sim senhor…”. É necessário fazer passar a mensagem do Sócrates Pinóquio, argumentava PP perante o ar pouco convencido de MFL, adepta fervorosa de “Trocas e Baldrocas”.
“Mentiroso já eu lhe chamei várias vezes, precisamos de uma coisa mais forte” – insistia MFL.
Perante o impasse, resolveram pedir a opinião de Marcelo Rebelo de Sousa.
“Vocês estão doidos?” – perguntou MRS logo que informado sobre a causa do inesperado telefonema. “Qualquer dessas canções se pode virar contra o PSD! Têm de escolher uma coisa menos dúbia, mais soft, que apele à memória dos eleitores. Que tal o “Yesterday” dos Beatles? Parece-me que essa música pode levar muita gente a recordar os tempos gloriosos da AD”.
“Parece-me boa ideia. Que acha, Pacheco Pereira?” – perguntou MFL
“Bem, quanto ao passado não estou lá em muito boa condição de opinar. Essa música lembra-me o tempo em que fundei o PCP- ML, ressabiado por não ter sido aceite no Partido Comunista… mas a canção é bonita e tem força, sem dúvida.”
A proposta foi votada e aprovada por aclamação.
Quando MFL entrar nos locais dos comícios, será recebida ao som do “Yesterday”, enquanto imagens da sua juventude na companhia de Cavaco serão exibidas no ecrã.
Quando MFL falar na necessidade de reformas na educação, os presentes não deixarão de recordar o respeito que ela teve pelos professores e pelas escolas e a forma como bloqueou as escolas de formação profissional. Não faltará, também, quem recorde aquele momento glorioso em que meia dúzia de jovens baixou as calças e mostrou os rabos à então ministra da educação, MFL, como reconhecimento pelo grande trabalho que desenvolveu.
Quando falar de políticas de juventude, muitos jovens serão tentados a sacar dos recibos verdes para agradecerem a MFL. A geração dos recibos verdes estar-lhe-á eternamente reconhecida pela criatividade. Nada melhor para um jovem do que não ter direitos. Nem sequer a estar doente, porque nem recebia apoio do Estado, nem o seu salário.
Quando MFL falar da necessidade de apoiar as “piquenas” e médias empresas, milhares de pequenos empresários que viram as suas empresas falir, com a criação do Pagamento Especial por Conta e o aumento da taxa do IVA de 17 para 19%, sonharão com o seu renascimento das cinzas e lembrarão com saudade o tempo em que eram empresários e não recorriam ao subsídio de desemprego.
Quando a líder dos laranjinhas, empolgada, falar no combate ao défice, todos recordarão a forma empenhada como o combateu quando foi ministra das finanças de Durão Barroso. As restrições que aplicou aos portugueses tiveram tanto sucesso que o défice, em tempo de vacas gordas, atingiu quase 7 por cento!
Quando MFL falar da injustiça de que têm sido alvos os funcionários públicos, muitos recordarão com saudade os tempos em que ela congelou os seus salários.
Finalmente, quando MFL aludir à necessidade de devolver credibilidade e transparência à política, todos responderão “Amen” diante de uma fotografia do Preto. Nesse preciso momento, uma onda de nevoeiro inundará o recinto e MFL, envergonhada, sairá pela porta dos fundos com a cabeça apoiada no ombro de Pacheco Pereira. À porta, jovens simpatizantes da JSD, que não ouviram as mensagens de Alexandre Relvas ou Marques Mendes durante a Universidade de Verão do PSD, gritarão vivas à líder, exibindo exemplares do Príncipe de Maquiavel.