Uma imagem vale mais que mil palavras


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Como não tenho tempo para fazer a análise da entrevista de Sócrates, recorro a esta imagem. Creio que exemplifica bem a sua nova postura. Reconheço que foi um bom número de contorcionismo, mas  concordo com  esta análise da Sofia.

Se Sócrates se comportar assim nos debates, creio que poderá haver uma surpresa no dia 27. Pessoalmente, não pretendo comprar bilhete para assistir a novo espectáculo de maioria absoluta com quatro anos de duração. Mas há quem goste…

Oh, Yes!


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Concordo com MFL na análise que faz aos comícios. Embora se perca uma das vertentes mais picaresca das campanhas, a verdade é que os comícios – embora sirvam para animar o comércio local, com a venda de couratos e bandeiras –  só atraem os militantes dos partidos que os organizam.  Não creio que sirvam para ganhar votos…

MFL também quer acabar com os outdoors e, mais uma vez, dou-lhe razão. Seria uma obra de caridade começar por retirar o outdoor que pendurou em frente à janela do meu quarto, responsável pelo meu mau humor nos últimos dias.

Embora num momento de crise a distribuição de toda aquela tralha de propaganda partidária ajudasse à sobrevivência de algumas  “piquenas” e médias empresas, também concordo quando a líder laranja diz que aquilo é dinheiro deitado fora.

É certo que as campanhas eleitorais ficam mais tristes, mas a animação está assegurada pelas tiradas de alguns líderes.

MFL não disse que seria melhor acabar com os debates entre os líderes mas, se for eleita, daqui a dois anos estará certamente a  defender a sua extinção, alegando que são uma perda de tempo.

Não digam, pois, que estou sempre a desancar em MFL. Acabo de concordar com ela em três situações. Mas, como não posso concordar com tudo, há um pequeno pormenor em que discordo. É quando ela diz  que «Em funerais, missas de sétimo dia e acções de campanha vai quem quer».

Na verdade, não é bem assim. Não irei de livre vontade ao funeral da democracia que ela preconiza, para fazer as reformas de que o país necessita. Por isso, talvez fosse melhor ressuscitar os comícios, distribuir a tralha panfletária e manter os outdoors, mesmo com o mau gosto patenteado por todos os partidos nos seus slogans. A democracia vale esse sacrifício.

 

E o Porto aqui tão perto?


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Quando, no início de Agosto, tracei aqui no DO os cenários possíveis  resultantes das eleições do próximo dia 27, afastei a hipótese de reedição do Bloco Central e defendi que se o PSD vencesse as eleições, o governo não duraria mais de dois anos.

Nos últimos dias, multiplicaram-se as entrevistas  a “ilustres” do PS e do PSD admitindo a possibilidade de um novo Bloco Central. Não há fumo sem fogo, pelo que esta tentativa de reanimação de um “nado morto” deve estar a ser cozinhada nos bastidores, com a cumplicidade e empenho de alguém interessado nessa solução para o país.

Duvido é que ela  venha a concretizar-se com a dupla Sócrates/ MFL.

Se o PSD vencer as eleições e a única solução governativa for uma aliança com o PS, não acredito que Sócrates renuncie ao cargo de líder dos rosas, para viabilizar um governo presidido por MFL. Tão pouco me parece que MFL, vencendo as eleições, abdique do seu lugar, para entregar a chefia do Governo, por exemplo, a Rui Rio. Logo, se o PSD vencer as eleições, parece-me pouco provável um governo do Bloco Central.

No caso de o PS ser o vencedor, já me parece mais viável. Sócrates manter-se-ia à frente do governo e MFL – para alívio de muitos- iria tratar do netinho, deixando a outra figura do PSD a missão de dirigir a equipa governativa. Neste caso, a figura de Rui Rio poderia voltar a ser falada. Ora, nesse caso, os portuenses correm o risco de eleger no dia 11 de Outubro – por esmagadora maioria- um presidente de câmara que nunca chegará a exercer o seu mandato. Elisa Ferreira irá explorar esta hipótese durante a campanha eleitoral?

Uma coisa é certa: com ou sem  governo de Bloco Central, o Centrão  continuará a governar o país, como faz  há quase 30 anos. Logo, o essencial não muda. Muito por culpa de um Bloco de Esquerda autista, que insiste em manter-se afastado do poder, talvez receoso de vir a esboroar-se, no caso de aceitar responsabilidades governativas. Mas isso fica para outra análise…

Escrever direito, por linhas tortas


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Vasco Pulido Valente escreve um artigo no “Público” de sábado, onde minimiza o interesse dos programas eleitorais e, a partir daí, tira a ilação de que a escolha dos portugueses será feita com base na personalidade de Sócrates e MFL.

VPV escreve a determinada altura:

“MFL estabeleceu uma diferença entre ela e o engº Sócrates. Não se confundem. Nem no estilo, nem no carácter, nem na visão da sociedade, nem no que se propõem fazer.”

Não poderia estar mais de acordo. No entanto, se esses fossem os parâmetros de avaliação dos portugueses, Sócrates já poderia cantar vitória. Apesar de todos os defeitos  que se lhe reconhecem,  está a anos-luz de MFL.

Sócrates é mais consistente. É arrogante, mas não recorre sistematicamente ao insulto, nem passa o tempo a lançar a suspeição sobre os seus adversários políticos. Tem, apesar de tudo, uma visão da sociedade menos intolerante. Preocupa-se (pouco) com os mais desfavorecidos, mas não os despreza. Não enche a boca com declarações farisaicas de verdade e transparência, para  depois incluir nas listas de deputados gente com comportamentos cívicos (não estou a falar de questões judiciais) como o de António Preto. Não é cobarde. Quando vai à Madeira não se deixa humilhar, remetendo-se ao silêncio. Faz propostas para Portugal, não discorre sobre o vazio.

A diferença, objectiva, de carácter e estilo, é francamente favorável a Sócrates. A sua visão da sociedade portuguesa e as propostas que faz para o país são, apesar de tudo, bem mais consentâneas com as necessidades da sociedade portuguesa.

A explicação é simples. Sócrates acredita que está a fazer o melhor para Portugal. MFL quer o poder a qualquer preço e não faz a mínima ideia do que fará se o poder lhe cair nas mãos.

 

Rostos do Sul (3)


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Sempre que vou a Buenos Aires não dispenso uma ida à Plaza de Mayo numa tarde de quinta-feira.

É ali, frente à Casa Rosada (sede do Governo), que todas as semanas se reúnem em vigília as mães e avós de Mayo. São mulheres que envergam xailes e empunham cartazes reclamando a devolução dos cadáveres dos seus filhos e netos assassinados durante a sangrenta ditadura argentina.

Já lá vão quase três décadas mas o ritual repete-se semanalmente, porque aquelas mulheres recusam-se a esquecer ou perdoar os facínoras que delapidaram centenas de vidas, deixando os opositores ao regime morrer nos cárceres ou lançando-os de helicópteros, ainda vivos, nas águas do Atlântico. Eram jovens que lutaram e morreram por uma causa.

Gosto de ir à  Plaza de Mayo  conversar com aquelas mulheres, porque elas acreditam que a sua persistência contribuirá para punir os culpados, impedindo que as atrocidades dos algozes da ditadura sejam esquecidas. Têm razão. A sua vigília semanal tem dado frutos. Vinte anos depois (2003), quando Gustavo Kirchner chegou ao poder, o Senado aprovou uma lei que revogou a amnistia concedida aos acusados de cometer crimes durante a ditadura. Foi também graças a elas que o Padre Christian Von Wernich foi condenado a prisão perpétua.

O antigo capelão da polícia de Buenos Aires foi o primeiro religioso a ser condenado “por crimes contra a humanidade” praticados durante a ditadura militar. Consta da acusação a prática de sete homicídios qualificados, 31 casos de tortura e 42 privações ilegais de liberdade. Nada mau para um "cordeiro de Deus"…

Não será o último verme de batina  a apodrecer nas celas das prisões argentinas. Durante o seu julgamento foi possível estabelecer uma série de relações da Igreja com a ditadura e descobrir vários membros do clero, colaboracionistas, envolvidos nas práticas de tortura e homicídio. Alguns já foram condenados e outros estão a ser julgados. Na principal cadeia da ditadura – a Escola Mecânica da Marinha – deverão ter sido torturados mais de 5 mil opositores ao regime. Só 250 sobreviveram.

Na última vez que lá estive conversei, mais uma vez, com a Patrícia, uma senhora de 83 anos que todas as quintas-feiras marca presença na vigília, na companhia da filha. Nunca esmoreceu. Põe-me sempre a par dos últimos desenvolvimentos. Em Abril, estava mais optimista do que nunca. Fora descoberto o responsável pelo desaparecimento do filho e do marido. No seu rosto havia uma expressão magoada, que escondia um sorriso de alívio. Finalmente ia conhecer um pouco da história que lhe tinham roubado, dos familiares desaparecidos.

Abençoado seja o país cujo povo não perde a memória. Por cá, Cavaco Silva atribuiu pensões a pides pelos serviços prestados ao país. Simultaneamente, recusava uma pensão à viúva de Salgueiro Maia. Cada povo  tem o presidente que merece.

Os partidos e as canções da campanha eleitoral(2)


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A discussão à volta da canção que deverá servir de base à campanha do PSD correu ainda mais animada, do que a elaboração das listas para deputados.

Depois de Passos Coelho ter sido mandado calar, por ter perguntado para que queriam  uma canção de campanha se MFL não ia fazer comícios, Pacheco Pereira avançou com a hipótese de “É mentira, é mentira, é mentira sim senhor…”.  É necessário fazer passar a mensagem do Sócrates Pinóquio, argumentava PP perante o ar pouco convencido de MFL, adepta fervorosa de “Trocas e Baldrocas”.

“Mentiroso já eu lhe chamei várias vezes, precisamos de uma coisa mais forte” – insistia MFL.

Perante o impasse, resolveram pedir a opinião de  Marcelo Rebelo de Sousa.

“Vocês estão doidos?” – perguntou MRS logo que informado sobre a causa do inesperado telefonema. “Qualquer dessas canções se pode virar contra o PSD! Têm de escolher uma coisa menos dúbia, mais soft, que apele à memória dos eleitores. Que tal o “Yesterday” dos Beatles?  Parece-me que essa música pode levar muita gente a recordar os tempos gloriosos  da AD”.

“Parece-me boa ideia. Que acha, Pacheco Pereira?” – perguntou MFL

“Bem, quanto ao passado não estou lá em muito boa condição de opinar. Essa música lembra-me o tempo em que fundei o PCP- ML, ressabiado por não ter sido aceite no Partido Comunista… mas a canção é bonita e tem força, sem dúvida.”

A proposta foi votada e aprovada por aclamação.

Quando MFL entrar nos locais dos comícios, será recebida ao som do “Yesterday”, enquanto imagens da sua juventude na companhia de Cavaco serão exibidas no ecrã.

Quando MFL falar na necessidade de reformas na educação, os presentes não deixarão de recordar  o respeito que ela teve pelos professores e pelas escolas e a forma como bloqueou as escolas de formação profissional. Não faltará, também, quem recorde aquele momento glorioso em que meia dúzia de jovens baixou as calças e mostrou os rabos à então ministra da educação, MFL, como reconhecimento pelo grande trabalho que desenvolveu.

Quando falar de políticas de juventude, muitos jovens serão tentados a sacar dos recibos verdes para agradecerem a MFL. A geração dos recibos verdes estar-lhe-á  eternamente reconhecida pela criatividade. Nada melhor para um jovem do que não ter direitos. Nem sequer a estar doente, porque nem recebia apoio do Estado, nem o seu salário.

Quando MFL falar da necessidade de apoiar as “piquenas” e médias empresas, milhares de pequenos empresários que viram  as suas empresas falir, com a criação do Pagamento Especial por Conta e o aumento da taxa do IVA de 17 para 19%, sonharão com o seu renascimento das cinzas e lembrarão com saudade o tempo em que eram empresários e não recorriam ao subsídio de desemprego.

Quando a líder dos laranjinhas, empolgada, falar no combate ao défice, todos recordarão a forma empenhada como o combateu quando foi ministra das finanças de Durão Barroso. As restrições que aplicou aos portugueses tiveram tanto sucesso que o défice, em tempo de vacas gordas, atingiu quase 7 por cento!

Quando MFL falar da injustiça de que têm sido alvos os funcionários públicos, muitos recordarão com saudade os tempos em que ela congelou os seus salários.

Finalmente, quando MFL aludir à necessidade de devolver  credibilidade e  transparência à política, todos responderão “Amen” diante de uma fotografia do Preto. Nesse preciso momento, uma onda de nevoeiro inundará o recinto e MFL, envergonhada, sairá pela porta dos fundos com a cabeça apoiada no ombro de Pacheco Pereira. À porta, jovens simpatizantes  da JSD, que não ouviram as mensagens de Alexandre Relvas ou Marques Mendes  durante a Universidade de Verão do PSD, gritarão vivas à líder, exibindo  exemplares do Príncipe de  Maquiavel.

Debates na TV: com ou sem caroço?


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Parece que este ano não haverá debates televisivos durante a campanha eleitoral. Estou convencido que a maioria dos portugueses reage com indiferença à notícia, alguns até respirarão de alívio e só uma minoria lamenta não ter oportunidade de assistir aos confrontos entre candidatos. O tema servirá para  troca de acusações mútuas durante a campanha e nenhum dos líderes dos principais partidos deixará de acusar Sócrates de fugir ao debate. Com razão. Embora a posição de Sócrates não seja inovadora (Cavaco também recusou debates quando era PM) não deixa de ser uma prova de  fraqueza e falta de espírito democrático – o que não constitui novidade.

Ao dizer que apenas aceita fazer dois debates com MFL, Sócrates demonstra desrespeito por toda a oposição e procura reforçar a ideia de que a vitória nas eleições se irá discutir apenas entre PS e PSD. Embora seja verdade, a realização dos debates com todos os partidos poderia levar muitos eleitores a optar por outros partidos, retirando a hegemonia ao Centrão. Sócrates sabe que  um confronto directo com os líderes dos  outros partidos  prejudicaria o PS e beneficiaria o PSD.  Compreende-se – mas em democracia não se pode aceitar – esta posição.

A posição de Sócrates traduz, também, a fórmula do seu governo. Apenas vai à luta com quem sabe que é mais fraco. Contrariando as promessas da campanha eleitoral de 2005, Sócrates nada fez para combater os grandes lobbies que gravitam em torno do poder. Bem pelo contrário. Cedeu em quase tudo, como é bem visível no caso das farmácias, dos bancos ou dos juízes. A aprovação do Código do Trabalho, o aumento da idade da reforma e redução da retribuição, a esterilização das entidades reguladoras, a redução de várias regalias sociais ou  a alteração do vínculo dos funcionários públicos são apenas alguns exemplos que permitem ver de que lado está Sócrates. Os debates com líderes dos partidos à esquerda e à direita seriam autênticos massacres, que lhe fariam perder muitos votos.  Ao contrário, dois debates com MFL ser-lhe-iam muito favoráveis. A líder do PSD não consegue articular duas frases sem se contradizer, não tem estaleca para o confronto, porque não tem bases que sustentem a vacuidade das suas ideias. Sócrates poderia ainda invocar, durante os debates, os elogios que MFL  fez ao seu governo antes de ser presidente do PSD e não perderia a oportunidade de lembrar aos portugueses o seu desempenho enquanto ministra das finanças de Durão Barroso. No final, com duas vitórias KO, talvez até pudesse aspirar à renovação da maioria absoluta.

Compreende-se, por isso, a posição de Sócrates. Mas não se aceita. Como também não se aceita a posição de MFL. Fingindo ser democrata, diz que só debaterá com Sócrates se ele aceitar debates com os líderes dos outros partidos. Fá-lo porque sabe que do debate entre Sócrates e os outros partidos o PSD pode recolher dividendos que compensem as perdas resultantes dos debates que ela própria travaria com Sócrates. Ou seja: MFL, incapaz de enfrentar Sócrates  em termos programáticos e obrigada a recorrer constantemente ao insulto, não desdenharia chegar ao poder à custa do esforço dos outros partidos, inaugurando assim o vampirismo como novo método para ganhar eleições.

MFL e Sócrates estão bem um para o outro. Caberá aos eleitores dizer se estão fartos destes figurões ou pretendem entregar o seu voto a novos figurantes. No meio de tudo isto, os debates televisivos acabam por ser apenas um pormenor.

Jornalismo de sarjeta*


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“As explicações com a aparente cumplicidade de fontes anónimas da PSP, que se apressaram a dar uma versão benevolente dos factos, tentam fazer o controlo de danos. Mas olhando para o curriculum de Pinto da Costa, é muito difícil conceder benefícios de dúvida…”

Isto não foi escrito no Jornal do Benfica, nem na sua sucursal que se vende a 80 cêntimos e se apelida de jornal desportivo. Foi escrito no “Público”, um jornal que pretende ser credível, por um jornalista que assina P.F.  mas presumo sofra de dislexia.

Um jornal que criou uma novela de Verão com base em fontes anónimas,não tem legitimidade para fazer juízos de valor  sobre outras fontes.

Um jornalista não pode escrever na última página uma série de atoardas tendenciosas, pondo em causa fontes anónimas da polícia, quando a notícia do mesmo jornal, ( página 9) fala de “fonte oficial da PSP”.

Nenhum jornalista, mesmo só com meio neurónio,  invocaria o curriculum de PC para colocar em causa a versão oficial da polícia sobre um acidente provocado pelo motorista do presidente do FC. Porto. Isso não é jornalismo, é má fé!

Nenhum jornal que se serviu de um assessor cobardolas do PR, para incendiar as relações entre PR e PM e vender mais alguns exemplares, tem o direito de fazer as insinuações que este P.F. faz, nem de escrever uma notícia sobre um atropelamento que não existiu ( saberá AAM o significado de atropelar?) como se pode ler na própria notícia que AAM redigiu: “ sendo atingido ( o repórter) pelo espelho retrovisor do lado direito, que lhe provocou a queda”.

Quando se escreve em jornais é preciso ter a noção do rigor. Um jornalista não pode escrever atoardas, só porque lhe dá jeito e, quando escreve uma notícia, deve evitar contradições, para evitar cair no ridículo. Já agora, devia saber que ao associar por três vezes  –  numa notícia de meia dúzia de linhas – o nome de Pinto da Costa ao “atropelamento”, só porque ele ia na mesma viatura,  está a ser insidioso e a prestar um mau serviço ao jornalismo. Se quer emitir opiniões, ou fazer juízos de valor sobre um acontecimento em vez de escrever notícias, o melhor é criar um blog.

*Não  utilizo a expressão “jornalismo de cano de esgoto” para não  ofender alguns leitores mais puritanos.

 

Férias na Jamaica


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– Então que tal as tuas férias na Jamaica?

– Ai, querida, foram óptimas! Uma semana fantástica, longe daqui, desta pasmaceira

– Não apanhaste o tufão?

– Oh querida, ali não há tufões! Só furacões como nos Estados Unidos!

– Está bem, mas não estavas na Jamaica quando passou lá um furacão?

– Estava, estava. O Dean por acaso foi um bocado chato…

– ?….

– Imagina tu que no dia a seguir a lá chegarmos estávamos cansados da viagem e só estivemos para aí meia hora na piscina. Depois, no dia seguinte, estava um dia óptimo e tomámos uns banhos que nem imaginas (ai aquelas águas!) que maravilha. E à noite o “reggae”? Oh querida só visto! Aquilo é Bob Marleys por toda a parte…

– Não estás muito queimada, acho que andaste mais nas noites do “reggae” do que a gozar a praia.

– Pois… logo no terceiro dia disseram-nos que vinha um furacão e já nem pudemos ir à praia porque nos avisaram que a qualquer momento nos iam transportar para um hotel mais seguro. Só deu mesmo para comprar umas bugigangas numas tendinhas ao pé do hotel, porque à tarde levaram-nos para outro. Fantástico, minha querida, nem te passa pela cabeça aquela loucura. Só piscinas eram quatro e restaurantes contei pelo menos sete.

– Bem, pelo menos gozaste as piscinas, deixa lá…

– Não… não pudemos ir à piscina por causa do tempo. Estivemos dois dias quase sem sair do quarto e no dia em que o Dean passou por lá só comemos umas rações que os hotéis lá já estão habituados a preparar para os turistas em dias assim. No dia seguinte voltámos de manhã para o nosso hotel, mas o tempo ainda estava muito mau e o hotel tinha ficado muito afectado. E ao fim da tarde do outro dia viemos embora. Olha lá e tu onde passaste as férias ?

– Bem, eu não saí de Lisboa. Fui um dia ou outro com os miúdos até à praia, mas esteve sempre bastante vento…

– Ó querida, coitada! Ficar em Lisboa de férias com este tempo horrível que tem estado. Não consegues convencer o teu marido a oferecer-te umas férias decentes, num país com bom tempo e praias maravilhosas?

– Num país com esse tempo maravilhoso como estava na Jamaica, é?

 

( Em jeito de homenagem à fabulosa prestação dos jamaicanos nos Mundiais de Atletismo e a todos os que, como eu, ficaram por Lisboa em Agosto. Post repescado daqui)

Os postulados de Manuela


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MFL disse ontem na entrevista à Judite:

“Não quero saber se há escutas ou não. As pessoas sentem que há”.

Se o raciocínio de MFL tivesse alguma coerência, poderiam inferir-se os seguintes postulados:

1) Não queremos saber se os envolvidos no caso BPN são culpados. Sentimos que eles são.

2) Não queremos saber se Preto é ou não culpado. Os portugueses sabem  que no dia em que foi chamado à PJ, para a perícia de caligrafia, pediu ao cunhado para lhe engessar o braço. Por isso sentimos que MFL está a proteger quem não devia.

3) Não queremos saber se MFL é uma pessoa intelectualmente séria. Sentimos, depois da entrevista de ontem, que, intelectualmente, não é…

4) Não  queremos saber se MFL é alternativa. Sentimos que não é mais do que uma versão envelhecida de Sócrates. Infelizmente, sem as qualidades de um "Vintage" ou uma boa "reserva"

Os exemplos poderiam multiplicar-se. Ao longo da entrevista, toda a gente percebeu que por ali não há ideias. Não há propostas. Não há sequer fogo de vista. O Zero absoluto em política esteve durante 40 minutos perante as câmaras. Os velhos separadores de “Pedimos desculpa por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos" teriam sido de extrema utilidade. 

 

Nota: Os comentadores anónimos – e heterónimos equiparados – escusam de perder tempo a comentar, porque vou estar a 300 quilómetros de Lisboa, sem acesso à Internet, até segunda-feira.

Rostos do Sul (2)


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  Violeta Parra

 

A história de Violeta Parra poderia ter sido igual à de muitos outros campesinos da América Latina. Condenada a trabalhar em condições miseráveis nas fazendas de colonos, lutando pela sobrevivência no amanho de pequenas leiras de terra – migalhas que os latifundiários desprezavam, por não serem rentáveis – ou dedicando-se ao fabrico de pequenas peças de artesanato, vendidas aos intermediários por uma côdea de pão.

Cedo, porém, Violeta Parra combateu o destino. Nascida numa pequena aldeia do sul do Chile, sem recursos para prosseguir os estudos, formou aos nove anos, com alguns irmãos, uma pequena trupe que cantava em circos, cafés e na rua, depois de ajudarem a mãe nos trabalhos do campo.

Aos 12 anos começou a compor as primeiras canções e aos 17 já era uma autodidacta. Até  1952 (com 35 anos, um casamento e duas filhas), ganha a vida a cantar. Sozinha, com os irmãos e mais tarde com as duas filhas. No entanto, já fazia tapeçarias, cerâmica e pintura, expressando em cada peça as tradições populares chilenas. Nesse ano começa a percorrer o Chile, recolhendo elementos  do folclore nos meios rurais.

É no entanto a música que a traz até à Europa, onde viveu vários anos. A estadia em Paris foi um momento fulcral na sua vida. Aí  gravou o primeiro disco e teve oportunidade de divulgar a sua obra de ceramista, pintora e tapetista. Com tal sucesso que em 1964 se tornava na primeira sul-americana a expor no Museu do Louvre (em 1997, uma outra exposição teria lugar no mesmo local, com grande sucesso).

Quando regressa ao Chile, depois de uma curta estada na Argentina, leva um projecto em mente: criar um Museu do Folclore. O falhanço da iniciativa ter-lhe-á provocado um profundo desgosto. Mulher de amores conturbados, com uma extraordinária sensibilidade, suicidou-se em 1967. Uns dizem que foi por amor, outros que foi o desgosto provocado pelo insucesso do Museu de Folclore. Morreu na maior indiferença, mas o seu legado tornou-se um símbolo da resistência. As suas canções foram cantadas pelos principais nomes da música latino-americana, como Victor Jara ou Mercedes Sosa.

Embora nunca tenha tido grande intervenção política, as letras das suas canções denunciavam as injustiças sociais na América Latina, o  que, a par da sua obra artística multifacetada, contribuiu para a transformar num ícone das lutas contra as ditaduras que os EUA semearam pela América Latina nas décadas de 60 e 70 do século passado.

Quando os americanos derrubaram Allende e colocaram no poder  Pinochet , o Chile entrou num período conturbado da sua história. Nos estádios da execrável ditadura chilena, onde eram detidos os oposicionistas, as canções de Violeta Parra ecoavam daquelas vozes sofridas, sabedoras de que o seu destino eram as masmorras da ditadura ou a morte.

Soube-se, por alguns testemunhos recentes, que durante a ditadura argentina os carrascos ao serviço do regime de Videla obrigavam os presos a acompanhar as canções de Violeta Parra que punham a tocar em altos berros, enquanto os interrogavam e torturavam.

A morte de Violeta Parra foi alvo da maior indiferença  no Chile mas,  40 anos depois, é um símbolo da perseverança dos povos latino-americanos. Apenas mais uma prova de que o Chile é o país da América Latina mais parecido com Portugal.

 

Em tempo: Correspondendo à sugestão do Pedro, aqui ficam os links para as três canções de Violeta Parra de que mais gosto.

Gracias a la vida ; La carta; Volver a los 17

Já agora vejam também este video musical "Que dira el Santo Padre" Aviso desde já que as imagens são violentas. Porque são reais…

Os partidos e as canções da campanha eleitoral(1)


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José Sócrates propôs que um dos debates entre os líderes dos principais partidos decorresse  no Porto. A Casa da Música manifestou logo interesse em ser anfitriã do evento. Creio que o lugar é apropriado pois o que maioria dos partidos faz durante as campanhas é dar-nos música.

Esta notícia despertou-me a curiosidade. Quais serão as músicas escolhidas pelos diferentes partidos para animar as suas campanhas?

Depois de aturadas investigações, consegui descobrir que os diferentes partidos escolheram canções muito apropriadas à personalidade dos líderes para  anunciar a sua chegada  aos comícios que vão animar a campanha.

Começando da direita para esquerda, aqui vai a revelação do hino do CDS/PP.

Antes de Paulo Portas iniciar os seus discursos, será ouvido o “Yellow Submarine”. Com aquele ar desengonçado de político no desemprego, mas escoltado pela honra do dever cumprido, no tempo em que foi acólito de Durão Barroso e Santana Lopes, PP, esforçando-se para reter uma lágrima furtiva, recordará entre dois beijinhos a uma vendedora de fruta e uma peixeira de Matosinhos os tempos gloriosos de ministro da defesa. Orgulhar-se-á da compra de uns submarinos que foram um negócio ruinoso para o Estado e subirá ao palanque para desancar no excessivo intervencionismo do Estado. Nem por um segundo perpassará, pela sua mente prenhe de recordações gloriosas, que contribuiu – com o negócio que animou os militares – para o aumento do défice de 2010 em 0,6%.

Usando uns binóculos em forma de “Trident”, PP varrerá a sala cheia de bandeiras azuis e amarelas e imaginar-se-á ao comando de um desses submarinos, patrulhando as costas portuguesas. Encherá então o peito de ar e, com ar triunfante, começará o discurso:

“Se o PS ganhar as eleições e formar governo, irá aumentar a despesa pública pelo menos em 0,6%. O Estado gasta mal, não sabe utilizar o dinheiro dos contribuintes. Em vez de apoiar os idosos e as pequenas, médias e micro-empresas… (Neste momento engole a cassette, mas os apoiantes saem em seu socorro, tributando-lhe uma calorosa salva de palmas. PP respira de alívio e aproveita para mudar o rumo do seu discurso. Centrar-se-á, a partir daí, no combate ao desemprego).

Informação adicional: Estou em condições de vos assegurar que havia uma corrente dentro do CDS/PP apostada em escolher para música da campanha “Portugal no Coração”. A proposta foi abandonada, quando alguém lembrou que a canção poderia trazer à memória dos eleitores o caso “Portucale”.

Há rosas em Belém?


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Não será motivo para indignação que o “Público” tenha  decidido criar uma novela destinada a captar e  fidelizar leitores e manifestar quem apoia nas próximas eleições. O seu director está nesse direito (desde que o patrão Belmiro  não se oponha) e o apoio ao PSD nem sequer é novidade, pois já tomara idêntica opção com Durão Barroso.

De gosto mais duvidoso é incluir a novela  na secção “Política” e, intolerável, é ter escolhido para personagem principal um actor anónimo que aparece sempre de rosto tapado. Como escrevia  Ferreira Fernandes ontem no DN, “assessor da Presidência que insinua um crime contra um símbolo da Nação e não dá a cara não é homem nem é nada”. Concordo. Se não serve para assessor do PR também não serve para actor de novela.

O título “Há rosas em Belém?”  parecia-me  mais apropriado do que aquela  lenga-lenga da primeira página, com Cavaco em pano de fundo. Mas, quanto a títulos, o “Público”  não anda a fazer escolhas muito felizes. É legítimo, porém, pedir um pouco mais de cuidado. Não só em relação a títulos que induzem conclusões que a leitura da notícia depois desmente, mas também ao uso do português.

Escrever “Karzai é o favorito mas vencedor pode ser só decidido na segunda volta” , não dignifica muito aquele que já foi o melhor jornal diário publicado em Portugal e até tem um Livro de Estilo onde explica qual deve ser o lugar das preposições numa frase.  

Ficções


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"Defendemos uma Política de Verdade e estamos convictos de que só assim combateremos eficazmente a crise e transformaremos Portugal."

 

Isto é o que está escrito nas linhas gerais do programa do PSD.

 

Só que no site também está isto que Eduardo Catroga desmentiu desta forma:

 

"Não colaborei no programa, não fiz parte de qualquer grupo de trabalho, não sou assessor ou consultor de Belém. É tudo uma inventona política" (DN de hoje)

 

Quando a Política de Verdade do PSD não se pratica dentro de portas, como poderemos acreditar que a ponha em prática no país?

 

 

Mais leitura(s) por menos dinheiro


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Os índices de leitura aumentaram em Portugal na última década, mas o preço dos livros continua a ser, para muitos, um travão à sua compra.

Provavelmente,  o novo conceito no mercado dos livros que acaba de aparecer em Portugal teve em consideração  esse aspecto.

A possibilidade de alugar um livro, seja para entretenimento ou apenas para fazer uma investigação sobre determinado tema, parece-me uma boa ideia. Principalmente para quem   não dispõe de orçamento para comprar os livros que desejaria ler, ou já não tem espaço em casa para os arrumar. E há ainda aqueles que, depois de lerem o livro, simplesmente o deitam fora.

 O Clube de Leituraoferece várias modalidades de aluguer de livros a preços bastante acessíveis e ainda disponibiliza alguns e-books, uma modalidade de leitura que começa a dar os primeiros passos e parece cativar as camadas mais jovens .

Ainda não tive oportunidade de ver o catálogo com atenção mas, numa primeira leitura, encontrei por lá alguns bons títulos.

Para mais informações, aceda ao site aqui.

Ventríloquo?


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"Como é que os dirigentes do PS sabem o que fazem ou não fazem os assessores do Presidente? Será que estão a ser observados, vigiados? Estamos sob escuta ou há alguém na Presidência a passar informações? Será que Belém está sob vigilância?"

 

Em qualquer altura, esta pergunta formulada por um membro da Casa Civil do Presidente da República seria de muito mau gosto, mas em período de pré-campanha eleitoral é, no mínimo, inoportuna. Dá a impressão que Belém pretende mesmo tomar partido na campanha eleitoral, levantando suspeitas inaceitáveis sobre o governo.

Como não acredito que Cavaco Silva ande a treinar para ventríloquo, falando pela boca dos seus assessores, fico com a sensação que na sua Casa Civil há quem queira atear fogos.

De qualquer modo dou uma ajuda para responder à pergunta. Talvez fosse melhor alguns assessores de Cavaco serem mais recatados quando têm certas conversas e porem sob vigilância alguns familiares que anunciam, em círculos de amigos, os lugares para que já foram convidados, no caso de o PSD ganhar as eleições.