Do you want to know a secret?


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Nunca fui “beatlómano”.  Em termos musicais, há várias bandas e vozes a solo dos anos 60 que marcaram mais a minha juventude. O álbum que mais gosto dos “Beatles” – “The Magical Mistery Tour” –  raras vezes é citado na discografia dos “Fab Four”, mas que diabo… os “Beatles “ são uma marca incontornável da minha geração. Mais pela irreverência e pela postura que ajudou a quebrar vários tabus, do que pela música que produziram.

A reedição da sua obra completa remasterizada, que hoje foi lançada em todo o mundo, é mais a demonstração da força de uma marca poderosa, do que a confirmação de uma genialidade musical que apenas  existiu a espaços.  “The Beatles” entraram, definitivamente, para a lenda dos anos 60. Parece-me por isso justo evocá-los aqui, mas não correrei a comprar esta colectânea. As canções de  que mais gosto guardo-as ainda em vinil. É nesse registo  que os quero recordar.  As capas originais – algumas com dedicatórias de amigos em oferta de aniversário – os discos pretos com um buraquinho no meio, aquele característico  ruído de fundo dos discos já muitas vezes ouvidos, fazem parte da minha memória. Reeditar os “Beatles” em CD pode ser um grande sucesso comercial, mas trai a memória de uma época. Os “Beatles” não são deste tempo. Não há nostalgia que possa alterar essa realidade.

 

(Também aqui, com música…)

Afinal havia outra


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Incensada pela imprensa dita desportiva como a Santa da Ladeira que havia de destruir Pinto da Costa, Carolina Salgado acaba de terminar com o mito da testemunha credível que fez Maria José Morgado vibrar de emoção.

Ontem, em Tribunal, confessou que tinha sido intermediária nas agressões a Ricardo Bexiga e que recebeu a contribuição de Leonor Pinhão para escrever o seu "best seller".

Assim se perde uma escritora e se desmascara uma "ghost writer". Forte revés para a equipa-maravilha coordenada por MJM.

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Toto-debates


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O Pedro já disse tudo sobre o debate e concordo com a análise que faz. Foi sem dúvida um bom debate que, surpreendentemente, Sócrates ganhou de forma clara.

Foi, no entanto, Louçã que entrou ao ataque e conseguiu desmontar a política errática deste governo. Mas Sócrates levava a lição bem estudada e surpreendeu Louçã. Sem ser muito convincente em matéria de nacionalizações, foi demolidor quando acusou o líder bloquista de penalizar a classe média, (qual classe média? O governo de Durão Barroso iniciou a sua extinção, Sócrates prosseguiu a tarefa e agora só falta vir MFL para acabar com ela definitivamente) acabando com as isenções fiscais dos PPR e as deduções na área da saúde.

Louçã tentou explicar o alcance das suas propostas, mas não conseguiu ser suficientemente claro. Deixou-se enredar na táctica de Sócrates, perdeu a sua habitual agressividade e, perante uma moderadora que deixou correr o marfim, Sócrates foi dando corda ao realejo.

Foi, como já disse, um debate esclarecedor onde estiveram em discussão dois modelos de sociedade, duas propostas muito diversas e não faltou a componente ideológica. Os dois jogaram ao ataque, mas ficaram por discutir temas onde Louçã poderia ter obtido vantagem, como a educação ou a justiça. Reconheça-se o mérito de Sócrates em ter impedido que o debate se virasse para áreas que não lhe convinha debater.

Parece claro que Sócrates ganhou pontos e roubou votos ao adversário. Mas não só… ao afirmar-se social democrata – o que não é novidade para ninguém – piscou o olho aos eleitores do PSD que não se revêem em MFL e sabem que se ela ganhar teremos um governo que fará todos os portugueses sentirem saudades de Sócrates.

Convém, no entanto, não esquecer que estas eleições podem vir a ser decididas pelo voto de cerca de 400 mil eleitores com menos de 25 anos, cuja maioria não terá assistido ao debate. Ficou mais uma vez provado que estes debates podem ser úteis, desde que os intervenientes estejam dispostos a esclarecer os eleitores. Ontem e hoje tivemos dois bons exemplos de que isso é possível.

Pela boca morre o peixe…


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Depois de o  comunista “arrependido”, Pina Moura, ter vindo enaltecer o programa do PSD, na defesa dos seus legítimos interesses pessoais, algumas figuras do PSD entraram em transe e, esquecendo as críticas outrora formuladas, apressaram-se a apontar o exemplo de uma pessoa com pouca credibilidade política e nula convicção democrática como exemplo de um socialista (num ápice o PSD de MFL transforma gente imprestável em heróis) defensor da política económica do PSD. Aconselharia o bom senso que esta aproximação de Pina Moura fosse silenciada, mas como esse predicado está, hoje em dia, ausente das práticas dos laranjinhas, abriram as garrafas de champagne e propagandearam a missiva do ex-comunista  convertido às delícias do neo-liberalismo. Fizeram mal. Estas declarações de Paulo Mendo, ex-ministro da saúde de Cavaco, devem ter refreado os ânimos laranjas e retirado um trunfo a MFL, para o seu confronto com Sócrates no próximo sábado.
Aguardo, com alguma curiosidade, as declarações  de  Marcelo Rebelo de Sousa.

O elogio de Jerónimo de Sousa


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A SIC decidiu  mostrar-nos a faceta dos líderes partidários no seu dia a dia e dar-nos a conhecer o seu lado “humano”. Foi uma boa ideia.

Não tive oportunidade de ver, de início, o programa  com o “retrato” de Jerónimo de Sousa. Quando cheguei já estava Luís Delgado a fazer o seu comentário. Abri a boca de espanto quando ouvi o tom elogioso, quase embevecido, com que ele se referiu a Jerónimo de Sousa e ao PCP.

Não é que discorde do que ele disse. Na verdade também  simpatizo com Jerónimo de Sousa e não vejo no Partido Comunista aqueles papões com que é normalmente catalogado por Sócrates e pela direita em geral. Mas que diabo… o PC também não mudou assim tanto, para justificar a afirmação de Luís Delgado de que já não há militantes com passado de luta contra a ditadura. E deu mesmo o exemplo de Jerónimo de Sousa que, na sua opinião, nunca viveu em ditadura. Ora Jerónimo de Sousa nasceu em 1947, não foi em 1974! E já agora, Luís Delgado podia ler os editoriais do Avante! Percebia que, afinal, ainda há alguns tipos por lá que se mantêm fiéis ao passado estalinista, ajudando a alimentar algumas ficções sobre a História e a denegrir a imagem  actual PCP.

Que diferença entre este Luís Delgado e aquele que sempre foi fanático admirador de Bush e acólito de Santana Lopes. Serão gémeos dizigóticos?

 

Toto-debates


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O debate entre Jerónimo de Sousa e Paulo Portas foi, até ao momento, o mais esclarecedor. Dois partidos cujas políticas se demarcam claramente do Centrão, com propostas diferentes para resolver os problemas da saúde e da agricultura, por exemplo, mas com políticas claramente alternativas às que têm sido protagonizadas pelo Bloco Central de interesses.

Não tenhamos, porém, grandes ilusões. Na área da saúde, como na justiça, não teremos políticas muito diferentes enquanto não tivermos médicos mais disponíveis (eu sei que os há, mas infelizmente são uma minoria) e agentes da justiça menos enquistados em dogmas e com menos apetência mediática. É positiva a proposta de PP de contratualização do Estado com as Misericórdias, mas Jerónimo referiu, bem, a sua insuficiência e salientou a gula do sector privado para “ficar com o lombo” e deixar os restos ao sector público. Traduzindo por miúdos, o que Jerónimo quis salientar foi a apetência do sector privado para aquilo que dá dinheiro: nomeadamente, intervenções cirúrgicas.

O escândalo da política agrícola e de pesca foi salientado pelos dois candidatos, que distribuíram culpas pelo PS e PSD. Paulo Portas acusou, com razão, o ministro da agricultura de desprezar os agricultores e ter perdido 240 milhões de euros de fundos comunitários. Jerónimo de Sousa concordou, mas pôs o dedo na ferida: e aqueles fundos comunitários destinados à agricultura que foram transformados em jipes e casas com piscina?

Na área económica, ambos apostam no apoio às PME, mas JS referiu também a necessidade de apoiar o sector cooperativo, injustamente abandonado pelos sucessivos governos.

No debate ficou bem claro que a fatalidade de sermos governados por  PS ou PSD, naquela espécie de sociedade em comandita onde, à vez, um está no poder e o outro domina o sector económico, pode ser combatida com os votos dos portugueses.

Jerónimo esteve neste debate mais solto do que nos anteriores e PP substituiu o ar rezingão utilizado com Sócrates por um sorriso que muitas vezes pareceu irónico e condescendente para o adversário. Não sei se conseguiu, mas pretendeu transmitir a sensação de que nunca teve responsabilidades governativas, sendo as mais recentes no governo do fugitivo Barroso/ Santana Lopes.

Como referi no início, foi o melhor de todos os debates e  ficou bem patente que Clara de Sousa é, entre as três moderadoras, a única com estaleca para a função.

PP venceu o debate, mas foi uma vitória mais assente na sua capacidade oratória do que na força das suas ideias.

Haja pudor!


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Que MFL tinha uma noção muito peculiar de “Verdade” já todos sabíamos. Agora que a sua falta de pudor chegue a este ponto, faz-me suspeitar que há ali um problema patológico grave.

Será que Sócrates não foi eleito com os votos dos portugueses, ou estará a insinuar que houve fraude eleitoral?

Porquê 7, Gabriele?


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Gabriele Pauli (na foto) é uma política alemã  do CSU – partido social-cristão da Baviera -, que ousou propôr a revisão dos contratos de casamento ao fim de sete anos e que estes se considerem caducados caso os intervenientes não manifestem interesse na sua renovação. Embora isto se passe na Alemanha, um país de ideias avançadas, não faltou quem, de imediato, a aconselhasse a consultar um psiquiatra. Estes alemães, quando se trata de tocar nas instituições não têm "fair play" e reagem logo com medidas drásticas, na tentativa de cortar o mal pela raiz…

Devo dizer que, para além de considerar inexequível esta medida em Portugal, não estou de acordo com a proposta, mas por razões diferentes.

Porquê 7 anos? Os contratos de garantia dos produtos não vão além de dois. A garantia de uma casa com defeitos de construção não ultrapassa os 10. Nos serviços (onde julgo que o contrato de casamento se deve inserir, dadas as suas características e objectivos), os contratos renovam-se anualmente. Então porquê 7? Por ser um número mítico? Está bem, mas o 3 ainda encerra mais exoterismo e é um prazo que eu considero pouco razoável para a duração de um contrato de casamento. Os contratos são para se rasgar como no futebol! Quando um jogador se liga contratualmente a um clube, jurando amor e fidelidade por 4 anos, quer isso dizer que vai manter o contrato por esse período? Claro que não… Basta um clube vizinho oferecer mais dinheiro e uma indemnização e logo o jogador se transfere, afirmando que o novo clube sempre foi o amor da sua vida. Quanto melhor for o jogador, mais amores tem e mais juras de fidelidade quebra, aumentando o seu pecúlio e o do clube de quem se desliga.

Não vejo por isso qualquer inconveniente em que se apliquem as mesmas regras aos contratos de casamento!

Além do mais, não vejo qualquer justificação para termos em Portugal essa preocupação de respeitar contratos. Veja-se, por exemplo, o caso dos funcionários públicos… Assinaram um contrato com o Estado em que se comprometiam a trabalhar durante 36 anos e, ao fim desse tempo, poderiam ir para casa e receber uma reforma. O actual governo considerou que havia cláusulas que não podia respeitar e, como qualquer bom patrão, disse “aqui mando eu, e os funcionários públicos ficam a trabalhar enquanto eu quiser e não há mais conversas”. É claro que havia alguns funcionários que estavam a um ou dois anos de cumprir o contrato e ficaram a chuchar no dedo, mas a verdade é que toda a gente achou muito bem e aplaudiu a decisão, porque considerou que um dos consortes (o funcionário público) é um canastrão e por isso deve ficar sujeito às regras que lhe são impostas pelo outro, que é sempre considerado como “pessoa de bem”. Não sei bem o que isto significa, mas penso que deve querer dizer que, se o Estado obrigar os funcionários públicos a trabalhar até à morte, como no tempo das galés, tem toda a legitimidade em fazê-lo.

Tudo isto para dizer que, sendo Portugal um país com características peculiares, onde os batoteiros abundam, o contrato de casamento tem que se adaptar a essas características.

Creio que a proposta mais justa e adequada deve apontar no sentido de o contrato de casamento ser vitalício, mas com uma “nuance”. O homem poderá a qualquer momento rescindir o contrato, caso a mulher deixe de lhe agradar por razões que não estará obrigado a especificar. A mulher pode igualmente rescindir o contrato a qualquer momento, desde que o marido autorize e esteja de acordo. À guisa de exemplo, é uma espécie de contrato como o que os comuns dos mortais fazem com os bancos e as seguradoras…

Sete anos de contrato de casamento? Francamente, isso só poderia ter saído mesmo da cabeça de uma alemã a precisar de tratamento psiquiátrico!

Toto-debates


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Tantas foram as vezes que MFL disse que concordava com Louçã, que ao fim de 10 minutos de debate comecei a pensar que no final se iria inscrever no BE.

Louçã deve ter tido a mesma sensação, por isso lançou-lhe uma casca de banana com a Taxa Social Única. Argumentou o líder bloquista que o programa do PSD previa a redução da TSU, o que significa a redução dos fundos da segurança social. MFL  negou e disse que a diferença entre essa redução e a TSU actual seria suportada pelo Orçamento de Estado. Conclusão: serão os contribuintes a pagar essa diferença. Não disse é a que rubrica do orçamento irá buscar esse dinheiro. Significará isso um agravamento dos impostos sobre o trabalho? Louçã não pediu esclarecimentos e foi pena, porque esta é uma matéria de grande importância.

Em matéria de saúde, MFL defende a entrega a privados, enquanto o Estado não for capaz de dar resposta ao sistema. Louçã defende os hospitais públicos e explicou bem as suas razões. Quem já teve necessidade de recorrer aos hospitais públicos e privados conhece bem a diferença e reconhecerá que o tratamento nos hospitais públicos é mais eficiente.

Em matéria de privatizações, as posições dos candidatos são antagónicas. Já se sabia. Lamentavelmente não foi aprofundada a questão da privatização dos serviços públicos essenciais. MFL – tal como já tem feito Sócrates – não se manifestou contra, o que é preocupante. Privatizar os serviços essenciais, como a água, entregando-os a monopólios, significará a breve prazo um encargo insustentável para as finanças dos portugueses. Os portugueses estão a pagar a água abaixo do custo real, pelo que a privatização implicará um acentuado agravamento de custos. Que até já deveria ter ocorrido, mas os governos não têm tido coragem de o assumir.

Na privatização da saúde, MFL contraria o que defendia há um ano. Diz que nunca falou de privatização da saúde, mas não é verdade. Poderá não ter defendido a privatização da segurança social é certo, mas a verdade é que essa medida está contemplada no programa do PSD. E não lhe ficou nada bem utilizar como argumento, para rebater  Louçã, a expressão que ficou célebre no guterrismo: “É a vida!”

MFL aprendeu com PP a sacralizar as “piquenas” e médias empresas e a desvalorizar o papel das grandes empresas na economia e no emprego. Quando MFL foi ministra das finanças, ficou bem visível o apoio dado às “piquenas” empresas. Vale a pena lembrar quantas faliram, na sequência do PEC criado por MFL.

Por várias vezes MFL negou que algumas medidas do programa do PSD, criticadas por Louçã, estivessem no seu programa. Curioso que nem MFL tenha lido o programa do partido que dirige.

Quando a moderadora introduziu o tema das questões fracturantes, com uma introdução que a classifica (mal), ficamos a saber que MFL já não considera o casamento entre homossexuais um tabu, mas continua a defender que deve ser para procriar. Um pequeno passo para Humanidade, mas um grande passo na evolução de MFL.

Termino como comecei. A líder do PSD jogou bastante à defesa, evitando o confronto de posições que lhe seria desfavorável. Salvou-se do KO, mas não evitou a derrota aos pontos.

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A vitória de Sócrates no debate era o resultado mais previsível e desta vez não houve surpresa. Jerónimo de Sousa é uma figura simpática, mas sente-se pouco à vontade em debates, como já se tinha visto na campanha eleitoral de 2005.

Não esperava, porém, a sua falta de firmeza. Teve momentos em que me deu a sensação de querer evitar o confronto com Sócrates, para evitar mais danos ao PS.

Esteve bem no caso TVI. Mostrando a mesma responsabilidade de Louçã, recusou-se a acusar Sócrates de interferência e fazer condenações sem provas. Demonstrou que a esquerda tem mais ética do que a direita trauliteira, agora comandada por MFL. Para a líder laranja- que ainda não entrou em cena- é que a forma de julgamento é dúbia. Defende Preto, que já é arguido por crimes graves, alegando que sem haver decisão dos tribunais, não se deve julgar ninguém, mas não se coíbe de acusar Sócrates, mesmo sem provas.

Sócrates também esteve mal. Inexplicavelmente tenso, glosou os temas do costume. Insiste em falar de algumas boas medidas de alcance social que o seu governo tomou, mas continua incapaz de explicar, de forma plausível, a  aprovação do Código de Trabalho, a política da educação ou  a política fiscal  – que no tempo de Luís Filipe Meneses, presidente do PSD,  MFL até apoiou. Como já acontecera no debate com Portas e, seguramente, sucederá nos próximos, Sócrates fala de um país que não existe.

No caso TVI mostrou a sua incapacidade de refrear os impulsos e t. Se a pergunta, infeliz, de Judite de Sousa  era dirigida a Jerónimo de Sousa, não tinha nada que interpelar a moderadora. 

Concluindo: mais um debate que em nada contribuiu para o esclarecimento dos portugueses. Morno, insípido, quase cerimonioso. Como comer arroz de cabidela sem vinagre.

 

Eu também não


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"Eu não percebo como é que andam pessoas a chorar lágrimas de crocodilo por ter terminado um espaço que violava as leis, violava os códigos, violava as regras do jornalismo,que envergonhava os jornalistas em Portugal".

(Emídio Rangel na TSF cit "P2)

Talvez valha a pena pensar um pouco sobre o assunto


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Não entro em histerias. Não faço acusações sem provas inequívocas. Não elejo alvos para desferir ataques pessoais ou fazer auto promoção. Cultivo o rigor e a isenção.

Estas são as regras que utilizo enquanto jornalista mas, obviamente,  que não são aplicáveis nos blogs onde escrevo, porque nestes espaços não me sinto vinculado a essas regras. O blog é um espaço de opinião. A que me sinto com direito como cidadão, que não está desligado da vida social e política do país.

Vou tentar, porém, analisar – na pele de jornalista – o caso do momento. Nessa perspectiva, penso que ainda não é o momento de tirar conclusões do caso MMG.

Aguardo serenamente pelas 20 horas. Se a TVI divulgar INTEGRALMENTE as investigações feitas pela equipa de MMG, fico com a (quase) certeza de que não houve mãozinha do governo. Se, pelo contrário, optar por esconder as investigações, fico com uma dúvida: atendendo a que a decisão foi tomada em Espanha, será  que as peças revelariam alguma coisa inconveniente para o governo de Zapatero e as suas relações com o PS? Penso que não. É  já conhecido o corte de relações entre a PRISA e o PSOE, pelo que alguma ligação do caso com acontecimentos em Espanha não estará relacionada com quem está actualmente no governo. Para bom entendedor…

Vejamos então a hipótese de a investigação ter encontrado mais provas contra Sócrates e aí, sim, pode levantar-se a possibilidade de ter havido intervenção do governo. Fico, no entanto, sem encontrar respostas para as razões que terão levado o governo a manobrar no sentido de suspender o Jornal de MMG. E aí entra outra hipótese, que só MMG pode ajudar a deslindar: que razões a  levaram  a dar uma entrevista ao “Público” no dia em que foi conhecida a suspensão do seu jornal?  Por que razão lembrou, nessa entrevista, que “seriam estúpidos” se acabassem com o Jornal dela? E, ,já agora, seria interessante que ela desvendasse as conclusões a que chegou porque, se não o fizer, é legítimo levantar a hipótese de a peça não existir, ou não trazer nada de novo.

Não creio que a TVI deixe de divulgar a peça. A razão é simples. Apesar de demissionária, a direcção de informação  continua a exercer funções, pelo que só não divulgará a investigação se não quiser. E se a opção for não divulgar, a solidariedade manifestada pela direcção de informação com MMG terá de ser posta em causa. Ou, então, a direcção de informação abandona de imediato as suas funções e denuncia que foi proibida de exibir a investigação e voltamos ao princípio.

Finalmente, se a investigação for divulgada, conclui-se que o objectivo da PRISA foi  apenas afastar – não despedir – MMG (tem toda a legitimidade para o fazer) e, eventualmente, alguns dos elementos do “inner circle” de José Eduardo Moniz. O que também é legítimo. Normal na Administração Pública e nas empresas.

Este post é um mero exercício especulativo. Mas é com todos os pressupostos colocados  em cima da mesa que um jornalista deve trabalhar. Depois deve comparar informações, confrontar fontes, pesquisar, ligar as pontas e tentar tirar as conclusões. Só nessa altura estará em condições de produzir a notícia.

Dir-me-ão que o jornalismo, hoje em dia, não se compadece com este tipo de jornalismo, por ser muito moroso. É uma verdade apenas parcial. Trabalhei em Inglaterra e nos Estados Unidos e lá é frequente um jornal destacar um ou dois jornalistas para, durante um  ano, investigarem  determinado assunto. Por aqui, há mais preocupação em vender jornais e andar atrás do mediatismo das notícias, do que em ser rigoroso. O caso Freeport surgiu em 2005. Durante quatro anos, ninguém se interessou pelo assunto. Foi um tempo perdido, que poderia ter sido muito bem aproveitado para fazer investigação. Agora, para recuperar esse tempo, fazem-se notícias à pressa.

Claro que lá fora também existe este tipo de jornalismo. Como bem demonstram os casos Aznar/PP em relação ao 11 de Março (rapidamente desmascarado) ou a tragicomédia da invasão do Iraque. No entanto, se queremos jornalismo sério, em Portugal ou em qualquer parte do mundo, é obrigatório que a comunicação social invista na investigação. Sem deixar cair determinados casos no esquecimento e ressuscitá-los quando dá mais jeito a interesses que nada têm a ver com jornalismo. É que, ao contrário do que muitos defendem, nem sempre as notícias mais importantes são as que se relacionam com o presente. São, sim, aquelas que influenciam o nosso futuro.

É bonita a Festa, pá!


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Fui  à  primeira Festa do “Avante”, em 1976,  com um grupo de amigos. Entre eles estava um dirigente do CDS que não se cansou de tecer elogios  à organização da Festa, à capacidade de mobilização dos comunistas e ao seu espírito solidário. Eu sei que os anos 70 eram outros tempos. As pessoas  ainda não se tinham enquistado nos seus redutos partidários, a política não se resumia a discussões patetas e patéticas que fazem lembrar as conversas  sobre futebol, os valores eram outros e os dirigentes políticos tinham outra qualidade e abertura. Não era a sua discordância com o Partido Comunista, que os impedia de ir até lá, usufruir e apreciar o ambiente que por lá se respirava.

Trinta anos depois, a Festa do “Avante” continua fiel ao seu espírito  e, goste-se ou não, é  uma festa incontornável no calendário de festividades lusas, sendo injusto reduzi-la à expressão de festa partidária. É certo que já teve melhores dias e agora já não é o palco privilegiado para ver e ouvir grandes nomes da música internacional, mas uma visita à Atalaia, num fim de semana quente como o que se anuncia, nunca será tempo perdido. Por lá vão passar vozes do fado como Aldina Duarte e Teresa Salgueiro, mas também David Fonseca, Maria João e Mário Laginha, ou as bandas Blind Zero e Peste & Sida.

Não perderei, certamente, a oportunidade de ver e ouvir as “Voces del Sur”, sem medo de ser “contagiado pela propaganda comunista”. Não poderei, no entanto, estar lá muito tempo, porque serei,  durante este fim de semana, o anfitrião desta FESTA do Blogobairro, para a qual estão desde já todos convidados.

 

Claro como água


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BE, PCP, PSD e PP comentaram o caso MMG. Vale a pena comparar a forma cuidada  como reagiram os partidos de esquerda e a forma desabrida como reagiram os de direita, para se perceber a quem aproveita e a quem interessa empolar este caso.

Gostei especialmente da reacção inflamada de Paulo Portas. Um homem que alcançou notoriedade na política fabricando primeiras páginas no "Independente", vem agora falar de liberdade de imprensa? Curioso… PP lançou calúnias sobre Cavaco, destruiu uma ministra acima de qualquer suspeita (Leonor Beleza)  e agora vem defender a liberdade de imprensa?

A liberdade de imprensa não pode servir para sustentar projectos pessoais, nem para fabricar notícias e destruir pessoas. Por causa desses abusos de liberdade de imprensa é que a nossa comunicação social está tão descredibilizada hoje em dia. Por isso e pelo recurso ao fabrico de fontes anónimas que só existem na cabecinha perversa de quem pretende protagonismo, ou influir na decisão dos portugueses. Eu já vi esse filme noutro lado.

Toto-debates


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Fiz, com um grupo de amigos, um toto-debates. O primeiro vaticínio foi mau. No debate Sócrates-Portas tinha posto um 2 e afinal o resultado foi um X.
Esperava que Portas enervasse Sócrates (como aconteceu),  mas não esperava que  PP perdesse o seu sorriso tão facilmente e desse provas de um inesperado nervosimo. Assim que Sócrates lhe avivou a memória, lembrando  várias  medidas que aprovou durante o seu governo, mas agora critica, PP perdeu o sorriso e nunca mais se encontrou. Quantas vezes remexeu nervosamente nos papéis, sem (aparentemente) encontrar o que procurava?
PP tinha muito por onde atacar Sócrates, nomeadamente na área do emprego e  da educação, mas ficou um pouco desorientado e fartou-se de falhar estocadas. E não me venham dizer, por favor, que não vale a pena  lembrar o passado de Portas e MFL. Bem pelo contrário, pois ambos governaram em tempo de vacas gordas e conseguiram a proeza de fazer disparar o défice. Sócrates – temos de reconhecê-lo – governou numa conjuntura de crise. Poderia e devia ter feito melhor, mas não quis. Só que a alternativa também já conhecemos. Se o problema é escolher entre dois males, vale a pena saber qual foi o pior, para sabermos o que nos espera no futuro.
O ainda PM, repito,  também esteve mal. Continua a tentar impingir-nos o País das Maravilhas, mas a verdade é que vivemos há demasiado tempo no reino dos Irmãos Metralha.
Como escreve aqui abaixo o Pedro Correia, nem um nem outro terão conseguido pescar votos em adeptos de outras áreas. No entanto, como o objectivo de Sócrates era não perder, talvez tenha mais razões para se sentir satisfeito. PP não arriscou, perdeu-se muito em rodriguinhos e raras vezes rematou à baliza.
Quanto ao árbitro? Fraquinho, muito fraquinho, mesmo.