O segundo fôlego do sabão azul e branco


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Condenado à morte quando rebentou a guerra dos detergentes, protagonizada pelo Tide e pelo Omo, passaram-lhe a certidão de óbito com a descoberta  dos "glutões" do Presto.

Resistiu nos lavadouros, enquanto existiram lavadeiras,  mas desapareceu dos cenários domésticos com a entrada em cena da máquina de lavar que destronou os velhos  tanques  de pedra.

O outrora famoso sabão azul e branco  ganhou agora  um novo fôlego, graças à gripe A e à ministra da saúde, Ana Jorge, que o aconselhou para lavagem das mãos, como alternativa aos desinfectantes. Voltou a ser notícia nos jornais.  Fico a saber que continua a ser vendido em Portugal mas que no Norte se vende em versão rosa. Vá lá saber-se porquê…

A  maior fatia da produção (seis mil toneladas) destina-se ao mercado africano,  garantindo 26 postos de trabalho em Portugal.  

Depois do conselho da ministra, a empresa espera aumentar significativamente o volume de vendas em Portugal. É curioso constatar,  no mercado das novas tecnologias, a ressurreição de  “velharias”  com novas potencialidades.

Vamos brincar à democracia?


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Já passaram mais de dois meses desde que Zelaya foi deposto pelos militares hondurenhos porque, alegadamente, preparava um referendo para se perpetuar no poder. Depois de alguma fingida indignação de americanos e europeus, nada se alterou e reina um silêncio ensurdecedor. Tivesse o caso ocorrido na Colômbia, com a deposição de Uribe (que curiosamente também prepara a sua eternização no poder)  e os “democratas” americanos e europeus não deixariam passar um dia sem se insurgirem contra o golpe “comunista”.

Zelaya está, neste momento, na embaixada do Brasil. Lula já tomou uma posição clara e aconselhou os militares hondurenhos  a terem cuidado com aventureirismos. Sei, através de informações de amigos nas Honduras, que a qualquer momento o caldo pode entornar-se. Obama permanece para já em silêncio e a União Europeia à espera que ele fale para depois dizer “ámen”.

Ou muito me engano, ou a brincadeira continua…

 

Quem se lixa é sempre o mexilhão…


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Cavaco Silva só terá percebido que o silêncio sobre o caso das escutas estava a  beneficiar o PSD, quando MFL e  Paulo Rangel tentaram aproveitar-se das suas declarações de sexta-feira para lançar ataques patéticos ao PS e a Sócrates. Com a lhaneza que lhe é habitual, MFL  repisou a tecla da asfixia democrática. Como se estivesse a tomar chá num grupo de amigas, pegou no cardápio das difamações  e desatou a lançar suspeitas. Não querendo ficar isolada, chamou Paulo Rangel e disse-lhe para comparar Sócrates a Chavez. Em MFL já nada me espanta…

Quanto a Cavaco, o seu silêncio é preocupante. Se um PR não consegue perceber o que todos os portugueses perceberam, o que poderemos esperar dele no futuro?

Não suspiro aliviado com a demissão de Fernando Lima, porque ela não encerra o caso. Como disse Paulo Portas, a demissão é clarificadora mas, em minha opinião, fica por esclarecer a responsabilidade  do PR neste caso.

Os portugueses têm o direito de conhecer todos os contornos deste caso escabroso. Exibir em praça pública um culpado, entregando-o ao julgamento do povo, pode ser-lhe favorável neste momento mas, mais tarde ou mais cedo, não deixará de ser emulado. Cavaco resistirá, no máximo, até 2011, e ficará na História como o primeiro PR que não foi reeleito. Por muito que alguns dos seus admiradores se esforcem na tentativa de  branquear a actuação de Cavaco, chamando à liça casos que não podem ser comparados, o futuro do actual PR está traçado.

Só Fernando Lima poderá salvar Cavaco. Assumindo que agiu por iniciativa própria e sem conhecimento do PR. Mas apenas lhe salvará a Honra, não o futuro político.

Claro como água


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O artigo do Provedor do Público de hoje é muito esclarecedor. Se havia dúvidas  sobre os intuitos  da notícia das escutas em Belém, lançada pelo "Público" em Agosto, ficam completamente desfeitas. E  embora as críticas de José Sócrates tenham sido inoportunas, fica também claro que, afinal, tinha alguma razão quando se insurgia contra  JMF.

Vale também a pena ler os artigos de João Marcelino ontem no DN e de José Leite Pereira no JN de hoje (sem links).

Claro que haverá sempre quem prefira os artigos de opinião de colunistas engajados a opçõs partidárias. Pessoalmente, dou mais valor à opinião de jornalistas independentes.

Mais um tiro no porta-aviões


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A notícia de primeira página do "Expresso" sobre os PPR de Louçã  é do mais ridículo que alguma vez li. Quando um semanário "de referência"  faz notícias deste jaez, não faz mais do que confirmar o que venho dizendo há muito: o jornalismo em Portugal está pelas ruas da amargura.

Não terá havido nenhuma cabecinha naquele jornal que percebesse o ridículo da notícia? É evidente que, em vez de denegrir Louçã, apenas legitima a sua posição face aos PPR. Nada melhor do que a experiência, para fundamentar as afirmações. 

Erro ou estratégia de poder?


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Subscrevo o post que o Pedro Correia escreveu  ali em baixo sobre Cavaco. Limito-me a acrescentar que os maus momentos de Cavaco se vêm sucedendo a um ritmo preocupante  e este é apenas um dos muitos a que nos habituou. Creio que as "gaffes" de MFL e os erros de Cavaco fazem parte de uma estratégia combinada entre os dois. Cavaco erra demasiado para um PR.

Como aquele  em que confundiu o 10 de Junho com o Dia da Raça, hoje recordado por dois assumidos cavaquistas numa esplanada aqui do Porto.Ou este. E ainda este.

 

Ui, que medo!


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A  táctica é mais velha que o Gato das Botas, mas MFL decidiu recorrer a ela, para assustar os portugueses. Quando tem a casa a arder, e sobre a sua propagandeada Verdade se levantam as maiores suspeitas, MFL intimida os portugueses, ameaçando-os com "o homem do saco".

Numa tentativa de desviar as atenções da compra de votos e do caso  "Público"/ Presidência da República, a líder laranja vem agora dizer que tem medo de uma aliança entre o PS e o BE. Estou cheio de medo!

No partido da Verdade, vale tudo. A única coisa que por lá não se conhece, desde que MFL chegou à liderança, é seriedade. Era bom que por lá alguém lhe contasse a história de "Pedro e o Lobo".

O poço das virtudes


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Sempre desconfiei dos que se proclamam virtuosos. Quem o é não precisa de andar sempre a apregoar aos sete ventos a sua virtude. Conheci, ao longo da vida, pessoas  que “missavam” e comungavam diariamente mas, na vida real, eram uns trastes.

Lembro-me, por exemplo, de um fulano que condenava os homens que maltratam as mulheres e, mais tarde, vim a saber que tratava a sua legítima como um saco de boxe.

Conheci uma senhora que se benzia a toda a hora, se aspergia com água benta quando lhe falavam de gente que se servia dos dinheiros do Estado para benefício próprio mas, com inusitada frequência, rumava  a hotéis na companhia de  amigo(s), utilizando o carro disponibilizado pelo serviço onde trabalhava, debitando a conta do hotel como despesas de representação.

Numa dessas viagens de trabalho que me obrigam a percorrer o país de lés a lés, soube de  um marido extremoso, que se esfalfava no Caminho de Santiago, pedindo graças para as filhas e mulher, se recolhia em períodos de meditação e, onde quer que estivesse, não faltava à missa de domingo comungando como bom devoto. Há uns meses foi preso, por abusar da própria filha…

É por conhecer muitos casos destes que desconfio quando MFL se apresenta aos portugueses como modelo de virtudes, desancando no PM a quem tem chamado, repetidas vezes, mentiroso. Se a mentira fizesse tanta impressão a MFL, certamente não teria incluído nas suas listas um homem que, para ludibriar a PJ, pediu a um cunhado que lhe engessasse o braço. A inclusão de Preto nas listas do PSD  pode atrasar o julgamento do caso da mala. Se o PSD tiver a maioria, pode mesmo evitá-lo até à prescrição.

O caso de Preto é apenas o mais visível, mas não é o único que demonstra a falta de seriedade política de MFL. Já são tantos, que se tornaria fastidiosos enumerá-los aqui.

É por isso que não acredito em MFL. Perde-se em auto-elogios,  lança suspeições acusações e insídias sobre o adversário, mas sobre uma medida  concreta, credível, que ajude a resolver os problemas do país, não lhe ouvi ainda uma palavra. O único termo de referência que temos para a avaliar é o seu passado desastroso como ministra da educação  e das finanças, (é bom  não esquecer o caso Citibank) e o cargo de administradora do Santander, que ocupou pouco depois de  ter sido ministra das finanças. Para quem enche a  boca de “política de verdade” e de  “cuidar das pessoas”, o seu passado não me parece assim tão recomendável.

 

Adenda: É também engraçado ver pessoas enxofradas com a arrogância de Sócrates na entrevista a  Maria Flor Pedroso, aplaudir a arrogância de MMG . Ou dizerem que Sócrates é mal educado e rir a bandeiras despregadas com o “Fuck them” do AJJ. O amor cega mas, na análise política, é aconselhável menos paixão e um pouco mais de razão. Para evitar o ridículo.

Hoje lembrei-me disto…


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Quando estava nos Estados Unidos, tive um professor que um dia deu um exemplo que me tem servido para a vida. Dizia o professor Lehman:

“Se um dia estiverem indecisos na escolha de um candidato para um lugar de direcção, perguntem-lhe o que faria se ocupasse esse lugar. Se ele disser que apagava tudo o que o antecessor  tinha feito, para começar  tudo de novo, livrem-se dele. Uma pessoa que não sabe aproveitar nada do que está feito, é um idiota”.

Provedor do Público esclarece caso do espião de S. Bento


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O caso do assessor do PR que, refugiando-se no anonimato, lançou a suspeita de o governo andar a escutar Cavaco, deixou de ser notícia mas o Provedor do Público não esqueceu  o assunto e hoje, na sua coluna, começa a desvendar os contornos de uma notícia com 18 meses, mas que o jornal apenas divulgou em Agosto deste ano. Ficam muitas interrogações no ar, mas  Joaquim Vieira promete voltar ao assunto na próxima semana.

Para já, tece duras críticas ao jornal e a um certo tipo de jornalismo e fica-se a saber que o jornal omitiu as informações do jornalista que contrariavam as informações do assessor anónimo. Parece que José Manuel Fernandes privilegia as informações de assessores anónimos à investigação feita pelos seus jornalistas, o que é esclarecedor.

Curioso é também o facto de, confrontado com esta questão pelo Provedor, JMF se ter remetido ao silêncio.

Embora o texto e respectivos anexos sejam longos, vale a pena ler para se ficar com uma ideia dos contornos da telenovela lançada pelo Público. Com sorte, talvez ainda venhamos a saber se  Fernando Lima é, realmente, o assessor anónimo. Francisco Louçã garantiu à SIC que sim mas, estranhamente, a revelação do líder do BE não teve qualquer eco na imprensa.

Ler desenvolvimento aqui

Fujam, vêm aí os espanhóis!


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MFL já criticara os grandes investimentos públicos, alegando que só seriam úteis para os cabo-verdianos e os ucranianos. Ontem atacou os espanhóis e hoje um ministro do país vizinho respondeu-lhe à letra.

Decididamente, MFL não gosta de estrangeiros. Por isso, decidiu armar-se em padeira de Aljubarrota. Foi encontrada hoje, a caminho de Badajoz, com uma pá na mão, mas não chegou a enfrentar os castelhanos. Fica para a próxima.

Rostos do Sul (4)


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Faz hoje 36 anos que os Estados Unidos deram autorização para assassinar Salvador Allende, o presidente chileno eleito democraticamente, para colocar no poder um execrável, cobarde e sanguinário ditador: Augusto Pinochet.

Se no longínquo ano de 1973 os EUA respeitassem os governos eleitos democraticamente, nunca teriam ajudado Pinochet a matar Allende. Para azar dos sul-americanos, os EUA só se preocupam com o governo democrático da Geórgia (no que são seguidos por babados analistas políticos de fraca memória).

Tive a felicidade de trabalhar com um  ex-ministro e um ex-secretário de Estado de Allende, que escaparam à implacável polícia política de Pinochet. Pude, por isso, perceber como o 11 de Setembro de 1973 atrasou o crescimento da América Latina em várias décadas. Hoje compreendo, também, que aquele crime hediondo justifica o aparecimento de Chavez, Morales e outros líderes sul-americanos que querem impor uma nova ordem no sub-continente americano.

Gostava que todos aqueles que atacam os novos líderes sul-americanos com acusações grosseiras e despidas de qualquer contextualização histórica percebessem que os países sul-americanos foram até há bem pouco tempo colonizados pelos EUA, que não se coibiram de intervir naquela zona do Globo para impor ditaduras sanguinárias sempre que a escolha dos povos tendia para a democracia.

Apesar de Uribe e das Honduras, acredito que se acabou o tempo em que a América do Sul era coutada americana. Felizmente o mundo mudou. Para mim, ficará para sempre viva a memória de Salvador Allende. Um mártir assassinado às mãos de uns bárbaros.

 

Em tempo: Hoje assinalam-se, noutro hemisfério,  oito anos de outro 11 de Setembro. Bárbaros vindos de um outro continente fizeram milhares de vítimas em Nova Iorque. Dois momentos para nunca mais esquecer.

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Hoje sim, amanhã talvez…


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Moita Flores critica o PSD. Santana Lopes não comparece a uma reunião de candidatos autárquicos com MFL. Luís Filipe Meneses diz que não quer o apoio da líder. O poder local sente necessidade de se demarcar do centro de decisões laranja.

MFL deu ontem um sinal de pretender aproximar-se. No debate com Jerónimo de Sousa admitiu, pela primeira vez, que o TGV era para avançar, mas não para já. Durão Barroso disse exactamente o mesmo em 2002. Entendo esta nova posição de MFL como uma forma de não hostilizar Rui Rio e outros autarcas do PSD que defendem o TGV. Percebeu, finalmente, que para ganhar as eleições de 27 de Setembro não pode tomar posições definitivas, contrárias aos interesses do  poder autárquico. Não se ganham eleições apenas com o apoio do Jamais e de alguns notáveis reciclados que se desdobram em entrevistas, manifestando o seu apoio a um  governo do Bloco Central. 

O problema de MFL é que tem duas ou três ideias fixas (apoio às PME e redução da TSU) mas, no resto, muda de ideias dia sim dia não.