Ao contrário do que afirmou Cavaco Silva, a disputa eleitoral ainda não terminou. A campanha autárquica já começou na segunda-feira, mas não se nota nada.
Não sei se já repararam…
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Ao contrário do que afirmou Cavaco Silva, a disputa eleitoral ainda não terminou. A campanha autárquica já começou na segunda-feira, mas não se nota nada.

“De seringueira a presidente do Brasil”. Este pode ser o título de alguns jornais em todo o mundo se, em 2010, Marina Silva suceder a Lula da Silva, no palácio do Planalto. Se esta mulher for eleita presidente do Brasil, não será apenas mais uma mulher sul americana a torpedear o destino. Será o rosto de uma mudança radical no modelo de desenvolvimento do Brasil e de uma grande parte do globo.
Filha de seringueiros, nasceu em 1958 num seringal, no coração do Brasil verde. Teve uma infância igual à da maioria das crianças da região. O seu único direito era trabalhar, ajudando os pais no sustento da família. Condenada a ser analfabeta, o seu destino mudou aos 15 anos. Uma hepatite levou-a para Rio Branco, onde foi acolhida numa missão católica. Queria ser freira e aprender a ler. Aos 16 anos iniciou a sua alfabetização e nunca mais parou, até concluir uma licenciatura em História e tornar-se professora.
Foi através da Igreja Católica que deu os primeiros passos na política, mas o activismo nas organizações populares de base levou-a a perceber que o seu caminho passaria por outras vias: a luta contra o regime militar que governava o Brasil.
O teatro amador proporcionou-lhe os primeiros contactos com o Partido Revolucionário Comunista – que integrava o PT. Rapidamente entrou nas lutas do movimento sindical fundando em 1985, com Chico Mendes, a central Única dos Trabalhadores, na província de Acre.
A sua ascensão política foi rápida. Em 1988 foi eleita vereadora em Rio Branco e, em 1995, senadora pelo PT. Em 2003, Lula escolhe-a para ministra do ambiente.
Conhecedora da realidade amazónica e das implicações ambientais resultantes da sua destruição, desenvolveu um trabalho notável. Perseverante, proibiu a comercialização e cultivo de organismos geneticamente modificados e tomou medidas arrojadas em diversas áreas, contrariando interesses económicos e criminalizando as empresas que, na cadeia produtiva, se comportavam como predadoras. Cerca de 1500 empresas foram obrigadas a alterar os seus procedimentos.
Contrária à visão passadista que vê nas políticas ambientais um entrave ao desenvolvimento, procurou tomar medidas estruturantes que se reflectissem num modelo de desenvolvimento sustentável. Confrontada com as contradições de desenvolvimento seguidas pelo governo e com os entraves colocados às suas medidas de protecção ambiental, terá entrado em ruptura com Lula, optando por abandonar o governo em 2008 e o PT já em 2009.
Numa entrevista recente a Jô Soares, reiterou a sua fidelidade ao PT, onde militou durante mais de 20 anos e construiu a sua consciência de cidadania. Na mesma entrevista afirmou que não saiu do governo para combater o PT. Fê-lo para provocar um maior debate sobre as questões ambientais. Aparentemente, conseguiu o objectivo. Mobilizou os media brasileiros em torno do debate sobre a temática ambiental.
A luta que tem travado na defesa das questões ambientais não teve apenas repercussão no Brasil. Em 2007 recebeu o prémio “Champions of the Earth” – o mais importante atribuído pelas Nações Unidas na área do ambiente. Em 2008, a WWF entregou-lhe, em Londres, o mais prestigiado prémio da organização, como reconhecimento pelo seu trabalho em defesa da Amazónia. Já este ano deslocou-se a Oslo para receber o prémio da fundação Sophie, criada pelo autor de “O mundo de Sofia”. O reconhecimento internacional da relevância do seu trabalho em questões de desenvolvimento sustentável está bem patente na distinção que lhe foi atribuída pelo “The Guardian” que a considerou uma das 50 pessoas com melhores condições para salvar o planeta.
Tornar-se presidente do Brasil, pode ser um forte contributo mas, por agora, Marina Silva recusa-se a confirmar se avança com a candidatura, apoiada pelo Partido Verde. “Quero provocar o encontro entre as políticas de desenvolvimento e as medidas ambientais, não quero provocar o confronto” – disse recentemente numa entrevista.
Este ano foram as escutas. No ano passado foi a interdição do espaço aéreo à volta da casa do Algarve. O mês de Agosto exacerba os medos do PR em relação à sua segurança?
José Carlos Vasconcelos, Vicente Jorge Silva e o juiz Eurico Reis vão estar hoje no programa do Clube de Jornalistas (RTP 2, 23h30m) para um debate sobre o tratamento jornalístico do caso das alegadas escutas.
Desta vez não acertei em cheio, mas andei lá perto. O PR falou das escutas, mas não disse nada de relevante. Lançou suspeições, fez insinuações, mas em substância, Zero! Pior: escamoteou o essencial da história, como se não tivesse qualquer importância, fazendo os portugueses passar por idiotas. Criou um clima de conflitualidade institucional, que o país dispensava e deixou ficar no ar a ideia de que queria proteger JMF. Em vez de estabilizar, desestablizou. O ataque ao partido que venceu as eleições, no tom em que foi feito, é de enorme gravidade e demonstra que Cavaco anda à deriva e tem a sua credibilidade feita em cacos, porque nenhum partido (nem o PSD) deixou de lhe tecer críticas.
Vejamos os factos:
1- O PR iniciou as suas alegações acusando membros do PS de o pretenderem encostar ao PSD.
2- Curiosamente, preocupou-se com a notícia sobre a intervenção de membros da sua Casa Civil na elaboração do programa do PSD, mas não se deverá ter preocupado com as notícias do “Público” de 18 e 19 de Agosto que foram o rastilho para o que se seguiu. Preferiu remeter-se ao silêncio e continuar a fingir que a notícia não existiu.
3- Já quanto ao e-mail publicado pelo DN, a sua atitude foi diferente. Indignou-se contra a publicação, mas não desmentiu a sua veracidade. Manifestou as suas dúvidas quanto à possibilidade de alguém ter falado ao Público em seu nome, mas achou normal que alguém da sua Casa Civil, enquanto cidadão, o tenha feito.
4- Não apresentou uma única justificação para ter demitido Fernando Lima das suas funções e o ter mantido em Belém.
5- Cavaco descobriu que o seu computador era vulnerável. Pena que só tenha pedido essa prova hoje, se já tinha essa desconfiança há 18 meses.
6- Cavaco enganou-se quando disse que tinha acabado a disputa eleitoral. Terá esquecido que estamos em plena campanha autárquica, ou para o PR as eleições autárquicas são de segunda e não valem um caracol?
7- Cavaco prestou mais um péssimo serviço ao país, lançando acusações não fundamentadas sobre um partido que venceu as eleições, mas não dando nenhuma prova de que não foi por sua iniciativa que um assessor se dirigiu ao “Público”, invocando o seu nome. Contornou a questão, deixando que continue a especulação.
8- Reconheceu que prejudicou o seu partido, mas não admitiu que, com o seu silêncio, após a publicação da notícia do “Público”, estava a prejudicar o PS.
Ao contrário do que avançam certos analistas, não acredito que Cavaco se recuse a indigitar Sócrates. Estaria a fazer batota e lançaria o país num caos, em período de crise.
O PS, como seria de esperar, acaba de responder à letra, lembrando ao PR os factos que ele omitiu e são os mais relevantes em toda esta história. Fê-lo de forma igualmente agressiva e pouco recomendável no diálogo entre instituições.
O PR perdeu a pouca credibilidade que já tinha. Nem os blogs da direita racional saíram em sua defesa. Mais cedo do que esperava, Marcelo Rebelo de Sousa viu chegar a sua hora de se candidatar às presidenciais. Será em 2011, salvo se for obrigado a candidatar-se à liderança do PSD para devolver a credibilidade ao partido. Cavaco sairá sem glória, criticado por todos os partidos, por ter desestablizado a vida politica portuguesa.
Hoje, volto a fazer a minha previsão. O PR irá falar sobre os resultados das legislativas e fazer um apelo velado ao Bloco Central.
Sobre as escutas ficaremos a saber o mesmo. A única surpresa seria o PR anunciar que, terminada a campanha para as legislativas, Fernando Lima voltará a ocupar o seu lugar. Como não me parece, acredito que sobre um puxão de orelhas para alguns jornalistas. Lembrem-se que a nota do PR diz que vai falar à comunicação social.
Continua a hipocrisia internacional. Perante o silêncio da UE e dos EUA, Micheletti faz o que lhe apetece. Embora não passe de um golpista, ameaça o Brasil e lança um ultimato: se até dia 6 de Outubro não esclarecer qual o estatuto de Zelaya – o presidente eleito pelos hondurenhos que se encontra na embaixada brasileira – retira o direito do Brasil à sua missão diplomática. Não informou com que direito o faz, mas todo o mundo sabe – embora a comunicação social portuguesa finja não saber – que o faz respaldado nos milhões de dólares que os EUA estão a enviar para as Honduras, através do FMI, apoiando assim os golpistas.
É verdade que, hoje mesmo, Micheletti recuou nas suas intenções e afirmou que não atacará a embaixada brasileira, mas isso aconteceu porque Zelaya falou à Assembleia Geral da ONU, através de telemóvel, pedindo “o fim da ditadura fascista de Micheletti” , o que causou algum embaraço
Perante o silêncio da comunidade internacional, alguns pensarão que Zelaya é mais um daqueles “perigosos comunistas” democraticamente eleitos, que pretendem defender o seu povo, libertá-lo do jugo americano e restituir-lhe a dignidade a que tem direito. Mas não. Como escreve Maurice Lemoine no “Le Monde Diplomathique” , Zelaya é um fazendeiro eleito pelo centro-direita que cometeu dois pecados: aumentou o salário mínimo e fez algumas reformas com o objectivo de retirar da miséria as classes mais desfavorecidas. Bem, é verdade que cometeu um terceiro pecado, mais relevante. Aliou-se aos países sul-americanos que pretendem libertar-se do jugo político e militar dos EUA. Ora Obama, tal como Bush, não admite que lhe estraguem o recreio onde gosta de brincar às guerras.
Entretanto, Micheletti declarou o recolher obrigatório, suspendeu as liberdades cívicas e políticas e autorizou a prisão de qualquer pessoa que seja considerada “suspeita”. Não satisfeito, encerrou uma estação de rádio e um canal de televisão, supostamente apoiantes de Zelaya, ou seja, da legalidade democrática. Como não é Chavez, nem Morales, tudo bem cá pela urbe de idiotas encartados. Desde que apoie os EUA, permita a instalação de bases militares americanas, coarcte as liberdades cívicas em nome do superior interesse americano, passa de perigoso comunista a democrata num ápice.
Há uma coisa que não percebo de todo. Por que razão é que a direita europeia tem tanto medo da democracia na América Latina? O país pode estar à beira de uma guerra civil, graças à hipocrisia de um grupo de néscios, para quem o mercado é o único bem sagrado. Mas se a guerra eclodir, todos se vão armar em carpideiras. Só me apetece recordar aquela canção do Zeca :
“(…) Os pretos, os comunistas
Os Índios, os turcomanos
Morram todos os hirsutos!
Fiquem só os arianos!"
Compreendo bem a euforia de Sócrates. Em termos políticos e pessoais.
A vitória, sem maioria absoluta, foi folgada e acaba por ser conseguida num contexto que lhe é favorável. Não ficando refém do BE, podendo negociar à direita e à esquerda (obrigando BE e CDU a entenderem-se), Sócrates terá conseguido uma vitória mais confortável do que pode parecer à primeira vista. Poderá governar sozinho e só uma aliança entre esquerda e direita o poderá derrubar. Se isso vier a acontecer, não deixará de capitalizar votos para o PS, como aconteceu com Cavaco em 87.
O reforço do CDS/PP e a derrota clamorosa do PSD também lhe são favoráveis. Um novo líder do PSD terá sempre que se confrontar com um grupo parlamentar que apoia MFL e onde pululam alguns deputados que podem causar instabilidade interna. A paz do PSD não será conseguida apenas com um novo líder, porque MFL deixou o terreno armadilhado a quem lhe suceder. Demorará por isso, muito tempo, até que o PSD se recomponha deste desastre.
Resta saber se Sócrates é capaz de governar sem a arrogância que lhe é característica e terá capacidade negocial para estabelecer acordos pontuais, levando a legislatura até ao fim. A muito breve prazo terá uma prova de fogo: a escolha do candidato do PS às presidenciais de 2011. Se a sua opção for Jaime Gama, perderá a esquerda e uma significativa franja do eleitorado do PS.
Em termos pessoais, Sócrates tem ainda mais razões para estar satisfeito. Não me lembro de nenhum primeiro-ministro que tenha sido tão atacado na sua dignidade, vilipendiado e acusado de corrupto, ao longo do seu mandato, como Sócrates. Apesar de ninguém ter conseguido provar nada, as condenações da opinião pública sucederam-se. O caso Freeport, a licenciatura e mais recentemente as escutas em Belém teriam sido suficientes para liquidar qualquer líder político. Sócrates resistiu. Mesmo quando alguma opinião pública confundiu a vítima com o algoz, saindo a defender MMG, num processo onde o jornalismo esteve ausente e o ajuste de contas sempre presente, o PM resistiu. Como também não se deixou abalar no caso das escutas, urdido entre intrigas palacianas, num conluio entre assessores e jornalistas. Sócrates resistiu ao confronto institucional para onde o quiseram atirar e terá assistido, com algum gozo, à reacção pateta e patética do principal partido da oposição que, ao pretender tirar dividendos da situação, acabou por sair chamuscado.
No plano pessoal os ataques a Sócrates também foram do mais baixo calibre. Começaram por insinuar que Sócrates seria homossexual, depois passaram a explorar a sua relação com uma jornalista. Chegaram à baixeza moral de levar o assunto à Assembleia da República, o que demonstra o nível rasteiro de alcoviteiras de bairro de lata de alguns deputados. MFL alinhou sempre com os ataques, produzindo afirmações indignas de uma líder da oposição. Como foi este caso num encontro com os “jotinhas”. Ou as repetidas acusações de mentiroso.
Sócrates tem, por isso, razões para estar satisfeito. Os portugueses também porque, dando a possibilidade a Sócrates de governar sem maioria, disseram que estavam fartos da sua arrogância, mas preferiam dar-lhe uma segunda oportunidade, a entregar o poder a uma pessoa cujo único projecto para o país era o retrocesso .
Sócrates devia agora demonstrar que é um cavalheiro e enviar um ramo de flores a MFL. Seria uma forma simpática de agradecer o forte contributo de MFL para a sua vitória.
Finalmente, quando tomar posse, seria bom que não esquecesse que foi o Partido Socialista que o elegeu. Caso contrário, os socialistas não lhe darão nova oportunidade.
Deixarei para mais tarde uma análise mais pormenorizada sobre o futuro que antevejo face ao panorama resultante das escolhas eleitorais dos portugueses. Por agora, apenas uma leitura aos resultados de cada partido.
PS – Foi o vencedor das eleições. Razão suficiente para cantar vitória. Na perspectiva de Sócrates, o facto de não ter ficado refém do BE para uma eventual maioria parlamentar justifica o seu rasgado sorriso, mas não vai ter vida fácil. A vitória desta noite pode significar a sua derrota a breve prazo. Precisará de gerir com pinças os acordos que vier a estabelecer à direita e à esquerda, até que uma moção de censura determine a sua queda.
PSD – O grande derrotado. Quando o maior partido da oposição sobe apenas 0,4%, num momento em que o governo é criticado à direita e à esquerda, demonstra a inabilidade da líder e o falhanço rotundo da sua estratégia. Não se derrota um governo sem propostas concretas e sem credibilidade.
CDS – O grande vencedor. Não tanto pelo crescimento em número de votação (o BE subiu mais), mas por ter conseguido fazer o pleno dos seus objectivos. Reforço significativo da representação parlamentar e único partido com possibilidade de fazer um entendimento com o PS para a formação de um governo de coligação.
BE – O partido que mais subiu e único a duplicar a sua representação parlamentar, falhou o seu grande objectivo: obrigar o PS a entender-se com ele. Nem o significativo aumento da votação e o facto de ter eleito deputados em nove distritos evitam algum amargo de boca na hora do balanço final. Foi um dos grandes vencedores, mas a vitória de nada lhe servirá se continuar a cometer os erros em que a esquerda europeia persiste. O PS estará à espreita de recuperar muitos dos votos que o BE agora lhe roubou, nas próximas legislativas. Corre o risco de se esvaziar se continuar a persistir nos mesmos erros. Os eleitores não deixarão de perguntar para que servem 16 deputados se o BE não conseguir fazer passar algumas das suas propostas.
CDU – Conseguiu eleger mais um deputado que em 2005 e, apesar de ter passado a ser a quinta força política, continua a ser a formiguinha laboriosa que vai levando a água ao seu moinho. Já muitos lhe decretaram a morte, mas resiste.
MRPP – Como é que um partido com 0,9% pode cantar vitória? Simples… Ultrapassou os 50 mil votos e passa a ter direito a uma subvenção anual de 3,33€ por voto. Basta fazer as contas para se perceber o sorriso de Garcia Pereira
Afinal, a grande dúvida desta noite é saber se MFL vai ter um resultado melhor ou pior do que Santana Lopes. Bem, pode haver ainda outra… saber se MFL tem vergonha e se demite ou vai continuar a proclamar a Verdade e anunciar que os portugueses votaram no PS por terem medo.
A que horas aparece o tric?
Depois de ouvir os números da abstenção, ouvir Pedro Magalhães e ver Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino, já não preciso de ouvir as projecções.
Dentro de momentos, vamos perceber que as sondagens falharam uma vez mais.
Era uma vez uma aldeia onde viviam dois homens que tinham o mesmo nome: Joaquim Gonçalves. Um era sacerdote e o outro taxista. Quis o destino que ambos morressem no mesmo dia.
Quando chegaram ao céu, São Pedro esperava-os.
– O teu nome?
– Joaquim Gonçalves.
– És o sacerdote?
– Não, sou o taxista.
São Pedro consulta as suas notas e diz:
– Bom, ganhaste o paraíso. Levas esta túnica com fios de ouro e este ceptro de platina com incrustações de rubis. Podes entrar.
Então, perguntou ao outro:
– O teu nome?
– Joaquim Gonçalves.
– És o sacerdote?
– Sim, sou eu mesmo.
– Muito bem, meu filho, ganhaste o paraíso. Levas esta bata de linho e este ceptro de ferro.
O sacerdote, atónito, diz:
– Desculpe, mas deve haver engano. Eu sou o Joaquim Gonçalves, o sacerdote!
– Sim, meu filho, ganhaste o paraíso. Levas esta bata de linho e…
– Não pode ser! Eu conheço o outro senhor. Era taxista, vivia na minha aldeia e era um desastre! Subia os passeios, batia com o carro todos os dias, conduzia pessimamente e assustava as pessoas. Nunca mudou, apesar das multas e repreensões policiais. E quanto a mim, passei 75 anos pregando todos os domingos na paróquia. Como é que ele recebe a túnica com fios de ouro e eu… isto?
– Não é nenhum engano – responde São Pedro. Aqui no céu, estamos a fazer uma gestão mais profissional, como a que vocês fazem lá na Terra.
– Não entendo!
– Eu explico. Agora orientamo-nos por objectivos. É assim: durante os últimos anos, cada vez que tu pregavas, as pessoas dormiam. E cada vez que ele conduzia o táxi, as pessoas começavam a rezar. Resultados! Percebeste? Gestão por objectivos! O que interessa são os resultados, a forma de lá chegar é completamente secundária.
Terminou a campanha eleitoral. Espero que este dia de reflexão contribua para desfazer as dúvidas daquelas eleitoras que, perante as câmaras da RTP, manifestaram a sua indecisão entre Portas e Louçã.
"Com a ajuda da SIC, que o confirmou, Paulo Rangel e o Vice Presidente do P(P)SD, José Pedro Aguiar Branco, vieram afirmar que a nota do Juiz Rui Teixeira tinha sido suspensa pelos três Juizes nomeados pelo PS, mas a verdade veio à tona e a verdade é que "foi Laborinho Lúcio, nomeado pelo Presidente da República para o Conselho Superior da Magistratura, que propôs que a avaliação do juiz Rui Teixeira fosse suspensa", segundo o Diário Económico apurou. Segundo a acta a que aquele Diário teve acesso, a proposta "foi apresentada ao Plenário antes das férias judiciais, e foi aprovada com nove votos a favor, dois contra e uma abstenção".
Em noites eleitorais, há sempre quatro partidos que se proclamam vencedores e um que serve de patinho feio, por não ter argumentos para cantar vitória. Normalmente esse papel cabe ao CDS ou à CDU.
Deixo aqui a minha opinião sobre o que será uma vitória para cada um dos partidos:
PS – Vencer as eleições com mais de 35% e com possibilidade de fazer coligação, ou estabelecer acordos, à esquerda e à direita.
PSD – Vencer as eleições.
CDU – Manter a votação das últimas legislativas e garantir, no mínimo, o mesmo número de deputados.
BE – Aumentar a votação em relação às últimas legislativas e conquistar mais lugares de deputados
CDS – Aumentar a votação e conquistar mais deputados do que em 2005.
À hora do almoço, em Sintra, MFL manifestou a sus desconfiança na fiabilidade das sondagens, porque as pessoas evitam responder "por receio".
Depois, enquanto fazia a digestão, durante uma "arruada" no Chiado,a Brites ouviu-a dizer que se o PSD não vencer as eleições de domingo, será o fim do país.
Felizmente, não correremos o perigo de acordar espanhóis no dia 28, porque Miguel Veiga já encontrou o Salvador da Pátria.
Durante a minha estadia no Norte fiz duas apostas:
1- Que o tema das escutas voltaria às primeiras páginas da imprensa na quinta-feira, logo que fossem conhecidos os resultados das sondagens
2 – Que, no caso de vencer as eleições, o PS governará sozinho para tentar capitalizar os efeitos de um mais que provável derrube do seu governo em 2011.
(isto aplica-se igualmente ao PSD, como é óbvio, embora admita a possibilidade de uma coligação PSD/CDS)
A primeira aposta já está ganha. Há notícias tão previsíveis, que nem dá gozo apostar.
Houve quem se espantasse com o facto de MFL ter considerado a Madeira um exemplo de democracia. A líder do PSD não é, no entanto, a única a não ver a realidade na ilha de Jardim. Já em tempos, a primeira dama se recusara a ver isto, apesar das evidências…
Um professor de Leiria decidiu lançar um apelo aos colegas, pedindo que votem contra o PS. O dito professor, porém, não se limitou a apelar ao voto contra o PS. Fez um “estudo” (nem imaginam como me divirto com estes estudos) para determinar, distrito a distrito, qual é o partido melhor posicionado para roubar deputados aos socialistas.
Até aqui, tudo bem. Eu já escrevi aqui que se os professores e funcionários públicos não votassem no PS – e têm boas razões para isso – a derrota de Sócrates estaria garantida.
O senhor professor esqueceu-se, porém, de um pormenor importante. Apesar dos erros sucessivos cometidos pelo governo em matéria de educação, há muitos professores satisfeitos com o novo regime de concursos, que lhes permite definir a sua vida por um prazo de quatro anos, sem serem obrigados a andar com as malas às costas no fim de cada ano lectivo. E muitos desses votarão PS, precisamente por essa razão.
Não precisei de fazer nenhum estudo para chegar a esta conclusão. Foi suficiente conversar com centenas de professores nas muitas escolas do país por onde passo durante o ano lectivo.

Porsche em bom estado.
Motivo: consome demais e anda de menos, deixando-se ultrapassar por uma bicicleta e por um comboio que pára em todas as estações, numa corrida entre o Campo Grande e o Rossio.
Aceita-se, em troca, um lugar sentado vitalício numa carruagem de metro. Válido em qualquer hora do dia e em todas as linhas.
A senhora não está incluída.