Do you want to know a secret?


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Nunca fui “beatlómano”.  Em termos musicais, há várias bandas e vozes a solo dos anos 60 que marcaram mais a minha juventude. O álbum que mais gosto dos “Beatles” – “The Magical Mistery Tour” –  raras vezes é citado na discografia dos “Fab Four”, mas que diabo… os “Beatles “ são uma marca incontornável da minha geração. Mais pela irreverência e pela postura que ajudou a quebrar vários tabus, do que pela música que produziram.

A reedição da sua obra completa remasterizada, que hoje foi lançada em todo o mundo, é mais a demonstração da força de uma marca poderosa, do que a confirmação de uma genialidade musical que apenas  existiu a espaços.  “The Beatles” entraram, definitivamente, para a lenda dos anos 60. Parece-me por isso justo evocá-los aqui, mas não correrei a comprar esta colectânea. As canções de  que mais gosto guardo-as ainda em vinil. É nesse registo  que os quero recordar.  As capas originais – algumas com dedicatórias de amigos em oferta de aniversário – os discos pretos com um buraquinho no meio, aquele característico  ruído de fundo dos discos já muitas vezes ouvidos, fazem parte da minha memória. Reeditar os “Beatles” em CD pode ser um grande sucesso comercial, mas trai a memória de uma época. Os “Beatles” não são deste tempo. Não há nostalgia que possa alterar essa realidade.

 

(Também aqui, com música…)

20 comentários em “Do you want to know a secret?”

  1. Nem tudo é de primeira categoria, evidentemente, mas sugiro-te que recordes, por exemplo, os álbuns ‘Abbey Road’ e ‘The Beatles’ (o álbum branco). Ouvem-se do princípio ao fim.
    Sendo a maioria das composições da dupla John e Paul, o certo é que as que foram assinadas por George Harrison (letra e música) são todas de primeira.

    1. São dois bons exemplos, João, mas prefiro o Sergeant Peppers. Concordo contigo em relação ao George Harrison. Talvez fosse o “patinho feio” do grupo, mas foi ele a assinar os melhores temas. Mas, claro, Lennon era Lennon!

  2. Ao contrário de si, Carlos, sempre fui um grande “beatleómano” cuja obra sempre considerei de excepção. Tive também toda a discografia dos “Beatles” em vinil e lembro-me que a chegada de mais um LP trazido pelos meus irmãos mais velhos, era sempre um acontecimento lá em casa. É certo que tínhamos muitas outras coisas – ‘Rolling Stones’, ‘Kinks’, ‘Bee Gees’, ‘The Animals’, entre outros, – mas os ‘Beatles’ eram sempre os ‘Beatles’ e tinham sempre um lugar de destaque no meio de uma grande colecção de discos. Quanto a este lançamento de agora, concordo inteiramente consigo, é mais um negócio rentável, concerteza.

    1. Lembro-me bem do que havia em tua casa. Era o resultado de muitos irmãos, a maior parte mais velhos. Boas memórias, as desse tempo, que haviam de levar-nos todos juntos ao Festival de Vilar de Mouros.

  3. Ao contrário de ti, Carlos, sou beatlómano. Desde pequenino. Tenho dois textos que demonstram isso prontos a sair do forno: sairão aqui nos próximos dias. Já agora, satisfaz-me a curiosidade: a que bandas e vozes a solo te referes no início do teu texto?
    Abraço

    1. Também estou curioso, Carlos. Vou arriscar, pelo que conheço de ti. Bandas: The Doors e Crosby, Still, Nash & Young. Vozes a solo: Bob Dylan e Joan Baez. Mas hão-de ser mais.

      1. João e Pedro:
        Eu sempre fui bastante eclético, como se pode ver pelo meu Rochedo de Memórias Musical.
        O João fez o pleno, mas obviamente que há mais… A começar pelos Pink Floyd ( ainda no tempo do Sid Barett) , passando pelos Jefferson Airplane e a terminar nos Shadows e nos Animals .
        Vozes a solo: também Janis Joplin, Elvis, Donovan, ( Leonard Cohen um pouco mais tarde) Elton John e muitos francófonos, como Leo Ferré, Serge Gainsbourg, Jacques Brel … Bem, o melhor é mesmo ficar por aqui ( Não me esqueci da Françoise Hardy, mas isso é uma história à parte) senão nunca mais acabo…
        Satisfeita a vossa curiosidade? Fiquei surpreendido com a perspicácia do João, sim senhor!

        1. Confesso que, se eu tivesse desenvolvido os nomes que arrisquei antes, teria chegado a quase todos os que assinalaste. Fui pelo cheiro, sabendo que és um perigoso esquerdista do tempo da utopia e das flores que se levavam no cabelo para São Francisco…

          1. É verdade, João. Sou do tempo da utopia, tenho imensa pena que ela não se tivesse concretizado, porque assim talvez ficasse a saber que estava enganado. Mas confessa lá… não é melhor ter vivido a acreditar na utopia, do que neste tempo em que já não há espaço para o sonho?

          2. Não tenho a mais pequena dúvida de que era bem melhor, Carlos. E talvez tenha sido bom não se ter concretizado, para não deixar de ser utopia.

  4. Este foi um break muito bem escolhido:))). Também não sou beatlómana ” sem deixar adorar a musica deles cuja qualidade permitiu que fosse interpretada e reinventada por grandes músicos, estou a lembrar-me de ” Help “. Estou de acordo com o João quanto aos álbuns Abbey Road e Beatles. Mas claro, Doors, Crosby , Still , Nash &amp, Young, Bob Dylan, Jane Joplin, Joni Mitchell… eram outro andamento, com os quais tenho outra identificação :)))

    1. Ariel:
      Parece que em termos musicais estamos na mesma onda ( esqueci-me do Joni Mitchell, é verdade!). Como bem diz, são outro andamento. Eu sei que isto pode parecer um bocado despropositado, mas a imagem que me surgiu agora foi esta:
      Enquanto os Beatles são a etiqueta dos anos 60, aqueles que cita – e também alguns dos que eu refiro- são o tecido que realmente construiu essa década. Não sei se me faço entender…

  5. Carlos, para mim, os Beatles fui importantes e fizeram história exactamente pelo panorama musical e não pela “irreverência”. Eles eram uns “betinhos” ao pé dos Doors, dos Rolling Stones , mais tarde – Pink Floyd, e outros como também mencionou mas, destes falamos de Rock. Eu atrevo-me a dizer que a música dos Beatles é intemporal – eu tenho três filhos, o mais velho tem 30, o mais novo 17 anos e uma série de sobrinhos mais ou menos pelas mesmas idades, todos, mas todos gostam dos Beatles e compram cd e dvd – também gostam de Bob Dylan, o meu mais novo o ano passado foi de propósito a Lisboa ao “Oeiras Alive”, se não me engano, ouvi-lo. Veio muito desiludido porque ele se fazia acompanhar de uma banda muito sofisticada, gostava mais ao natural, digo eu;)))
    É muito comum dizer-se que eles revolucionaram a música popular – experimentando outra linguagem melódica (melodias excepcionais) e poética (letras bem urdidas) – outros instrumentos musicais e também por isso, conseguiram protagonismo que até então era quase exclusivo da música norte-americana. Eu também não sou “maníaca” de nada eheh e sou bastante eclética, quanto à música, como já tive oportunidade de o mostrar no “Crónicas do Rochedo”. O que eu gosto, mesmo, é de música (boa).
    Agora, um “segredo” Carlos, já que fala de “etiqueta” e “tecido”, eu digo – estou consigo, gosto mais do “tecido” e também do “andamento” da Ariel ;))

      1. João, não goze, está com erros “fui” em vez de foi, por exemplo, péssima pontuação enfim…um amanho, como se diz aqui na terra, mas esta coisa, de volta e meia se ir abaixo a ligação, fez com que eu enviasse mesmo assim, desculpem e obrigada.

        1. Interessou-me o texto, Maria, que qualquer um entende (e percebi muito bem que está atrapalhada com a ligação, como já tinha dito atrás).
          De qualquer modo, se tivesse sido o caso, eu poderia tentar glosar, mas seria incapaz de gozar.

  6. Gosto tanto tanto dos seus textos, Carlos! Vê- se que é uma pessoa com muita sensibilidade, gostaria de o conhecer pessoalmente e um dia destes se não se importar vou passar pelo seu Rochedo ..

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