Os partidos e as canções da campanha eleitoral(2)


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A discussão à volta da canção que deverá servir de base à campanha do PSD correu ainda mais animada, do que a elaboração das listas para deputados.

Depois de Passos Coelho ter sido mandado calar, por ter perguntado para que queriam  uma canção de campanha se MFL não ia fazer comícios, Pacheco Pereira avançou com a hipótese de “É mentira, é mentira, é mentira sim senhor…”.  É necessário fazer passar a mensagem do Sócrates Pinóquio, argumentava PP perante o ar pouco convencido de MFL, adepta fervorosa de “Trocas e Baldrocas”.

“Mentiroso já eu lhe chamei várias vezes, precisamos de uma coisa mais forte” – insistia MFL.

Perante o impasse, resolveram pedir a opinião de  Marcelo Rebelo de Sousa.

“Vocês estão doidos?” – perguntou MRS logo que informado sobre a causa do inesperado telefonema. “Qualquer dessas canções se pode virar contra o PSD! Têm de escolher uma coisa menos dúbia, mais soft, que apele à memória dos eleitores. Que tal o “Yesterday” dos Beatles?  Parece-me que essa música pode levar muita gente a recordar os tempos gloriosos  da AD”.

“Parece-me boa ideia. Que acha, Pacheco Pereira?” – perguntou MFL

“Bem, quanto ao passado não estou lá em muito boa condição de opinar. Essa música lembra-me o tempo em que fundei o PCP- ML, ressabiado por não ter sido aceite no Partido Comunista… mas a canção é bonita e tem força, sem dúvida.”

A proposta foi votada e aprovada por aclamação.

Quando MFL entrar nos locais dos comícios, será recebida ao som do “Yesterday”, enquanto imagens da sua juventude na companhia de Cavaco serão exibidas no ecrã.

Quando MFL falar na necessidade de reformas na educação, os presentes não deixarão de recordar  o respeito que ela teve pelos professores e pelas escolas e a forma como bloqueou as escolas de formação profissional. Não faltará, também, quem recorde aquele momento glorioso em que meia dúzia de jovens baixou as calças e mostrou os rabos à então ministra da educação, MFL, como reconhecimento pelo grande trabalho que desenvolveu.

Quando falar de políticas de juventude, muitos jovens serão tentados a sacar dos recibos verdes para agradecerem a MFL. A geração dos recibos verdes estar-lhe-á  eternamente reconhecida pela criatividade. Nada melhor para um jovem do que não ter direitos. Nem sequer a estar doente, porque nem recebia apoio do Estado, nem o seu salário.

Quando MFL falar da necessidade de apoiar as “piquenas” e médias empresas, milhares de pequenos empresários que viram  as suas empresas falir, com a criação do Pagamento Especial por Conta e o aumento da taxa do IVA de 17 para 19%, sonharão com o seu renascimento das cinzas e lembrarão com saudade o tempo em que eram empresários e não recorriam ao subsídio de desemprego.

Quando a líder dos laranjinhas, empolgada, falar no combate ao défice, todos recordarão a forma empenhada como o combateu quando foi ministra das finanças de Durão Barroso. As restrições que aplicou aos portugueses tiveram tanto sucesso que o défice, em tempo de vacas gordas, atingiu quase 7 por cento!

Quando MFL falar da injustiça de que têm sido alvos os funcionários públicos, muitos recordarão com saudade os tempos em que ela congelou os seus salários.

Finalmente, quando MFL aludir à necessidade de devolver  credibilidade e  transparência à política, todos responderão “Amen” diante de uma fotografia do Preto. Nesse preciso momento, uma onda de nevoeiro inundará o recinto e MFL, envergonhada, sairá pela porta dos fundos com a cabeça apoiada no ombro de Pacheco Pereira. À porta, jovens simpatizantes  da JSD, que não ouviram as mensagens de Alexandre Relvas ou Marques Mendes  durante a Universidade de Verão do PSD, gritarão vivas à líder, exibindo  exemplares do Príncipe de  Maquiavel.

24 comentários em “Os partidos e as canções da campanha eleitoral(2)”

  1. A sua capacidade de efabulação vai de para com um jeito para a má língua próprio das vivandeiras.
    Acho que não destoaria no Eixo do Mal, se tivesse idade e cara para isso.

    1. O seu estilo é inconfundível, não precisa de se esconder atrás de uma Lista, Ana! Sabe o que é o Sitemeter?
      Congratulo-me por já ter adoptado o estilo de linguagem da sua amada líder. Grosseiro e com uma notável falta de chá. Prova de que as Jotas envelhecem rapidamente alguns espíritos mais permeáveis. É pena, porque a juventude é um período exaltante das nossas vidas. Fico feliz por ter vivido o meu em pleno.
      Quanto à efabulação tenho algum jeito, reconheço, mas neste post não precisei de recorrer a ela. O passado governativo da sua amada líder é transparente.
      Não sei se esse Eixo do Mal ainda existe, mas não estou interessado em participar. Poderia começar a escrever frases sem nexo como “A sua capacidade de efabulação vai de para com…”
      Isso foi passagem administrativa, ou foi mesmo “cunha”?
      Ah… só lhe volto a responder quando tirar a Lista. Não gosto de zebras.

          1. É disparate atrás de disparate.
            Até o leitor menos atento chega rapidamente à conclusão de que você não se distingue pela perspicácia.

  2. Mas… De que se trata? MFL? Tadinha da senhora, acho que lhe chegam a roupa ao pêlo em demasia, se me perdoarem o vernáculo; ela é excelente: vai perder as eleições nos debates, sem margem para dúvida e, isso sim, é algo que me tranquiliza.

  3. É importante que não esqueçamos que, quando não estamos convictos do nosso voto, devemos comparecer na urna de voto votando em branco.
    Só assim aquela percentagem de abstenções que ocorre sempre ( 40% a 60% ) se revela muito útil em contagem real.
    E assim podemos expressar de forma legalmente VÁLIDA a nossa opinião, que deverá contribuir para mudar a nossa sociedade se assim o quisermos.

  4. Caro Carlos, creio que o episódio das calças em baixo e os cus ao léu foi ainda com Couto dos Santos. Penso que eu ainda não teria entrado na Universidade (foi em 1993) e quando entrei Couto dos Santos ainda por lá andava.

    Com Manuela Ferreria Leite terá sido o episódio das calças em baixo do estudante do secundário, durante uma manifestação (mostrando uma outra parte do corpo e que levou à expressão “Geração Rasca de Vicente Jorge Silva”).

  5. Parabéns por este texto tão esclarecedor.
    “Yesterday” dos Beatles é, sem dúvida uma bela canção mas… é passado.
    Quanto às imagens que vão ser mostradas, dos tempos remotos da juventude de MFL com CS… o que é que isso contribui para a felicidade dos portugueses?!
    “Tomorrow, tomorrow” do filme Annie, era uma optima canção, de esperança, para a entrada em cena de MFL.

  6. Carlos:
    Texto? Qual texto? Tenho os olhos presos na foto e não consigo…
    Quem é o senhor? O que faz, há horas, agarrado ao pescoço da moçoila? Um chupão?
    E a expressão dela é de felicidade ou de condoída?

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