Concordo com MFL na análise que faz aos comícios. Embora se perca uma das vertentes mais picaresca das campanhas, a verdade é que os comícios – embora sirvam para animar o comércio local, com a venda de couratos e bandeiras – só atraem os militantes dos partidos que os organizam. Não creio que sirvam para ganhar votos…
MFL também quer acabar com os outdoors e, mais uma vez, dou-lhe razão. Seria uma obra de caridade começar por retirar o outdoor que pendurou em frente à janela do meu quarto, responsável pelo meu mau humor nos últimos dias.
Embora num momento de crise a distribuição de toda aquela tralha de propaganda partidária ajudasse à sobrevivência de algumas “piquenas” e médias empresas, também concordo quando a líder laranja diz que aquilo é dinheiro deitado fora.
É certo que as campanhas eleitorais ficam mais tristes, mas a animação está assegurada pelas tiradas de alguns líderes.
MFL não disse que seria melhor acabar com os debates entre os líderes mas, se for eleita, daqui a dois anos estará certamente a defender a sua extinção, alegando que são uma perda de tempo.
Não digam, pois, que estou sempre a desancar em MFL. Acabo de concordar com ela em três situações. Mas, como não posso concordar com tudo, há um pequeno pormenor em que discordo. É quando ela diz que «Em funerais, missas de sétimo dia e acções de campanha vai quem quer».
Na verdade, não é bem assim. Não irei de livre vontade ao funeral da democracia que ela preconiza, para fazer as reformas de que o país necessita. Por isso, talvez fosse melhor ressuscitar os comícios, distribuir a tralha panfletária e manter os outdoors, mesmo com o mau gosto patenteado por todos os partidos nos seus slogans. A democracia vale esse sacrifício.

Continuas mauzinho. Claro que o folclore não interessa a ninguém, mas era a única coisa que ia animando as campanhas, sim. Porém, não consta que a democracia esteja ferida de morte nem a senhora o preconizou. E, mais a mais, aquele ‘outdoor’ em frente à tua janela matinal fica-te a matar. Hehe…
Eu sei que a senhora apenas pretende susender a democracia, mas como tenho sempre pesente a história do “Aprendiz de Feiticeiro” fico com dúvidas que ela consiga ressuscitá-la, prefiro não arriscar
Sibilino, tu… 🙂
Mas eu também concordo com MFL: a tralha eleitoral é um atentado ao bom gosto, pura poluição estética sonora e visual.
Por mim, dispenso a animação quando é do calibre que temos visto ultimamente. Abro uma excepção para os outdoors das autárquicas, verdadeiras peças de antologia humorística. Pelo menos divertem-nos, o que, nos tempos que vão correndo, é uma medida de pura sanidade mental.
Sibilino eu? Oh Ana, sou apenas realista…
Boa, Carlos! Também acho que é preciso refrescar as manifestações de afecto pelas políticas preconizadas pelos partidos e que os comícios representam, e para as quais ainda não foi encontrada uma nova fórmula de comunicação. O Obama trouxe alguma inovação mas, ou se faz melhor, ou não vale a pena imitar mal. Os outdoors são, muitas das vezes, autênticos tiros no pé (ou na cara) dos candidatos. Há um pequeno cartaz do António Costa, na Praça do Saldanha, quase imperceptível quanto à origem, o que é pena pela estratégia do local. Parece que tudo (se) passa pelas televisões, o que me parece redutor quando se trata de escolher o destino da nação para os próximos anos.
É a teledemocracia no seu melhor, mas felizmente que o João Carvalho tem razão quanto ao enterro da dita. Mas fazes bem – mais vale prevenir, e a ironia é sempre uma boa arma.
Um abraço
Rui Daniel
Olá, Rui!
Trabalho no Saldanha e ainda não me apercebi da existência desse cartaz. É aquele do coração? Acho-o de muito mau gosto. E tenho pena, porque nas autárquicas não tenho hesitações em relação ao meu sentido de voto.
Quanto ao funeral da democracia, nunca fiando…
Abraço
Concordo que a tralha é inestética, poluente de todos os pontos de vista e eventualmente só funcionará em meios muito restritos.
Uma pergunta: também se considera tralha da campanha as animações que antecedem os comícios e que normalmente são feitas por uns cantores assim a modos que…?
As animações de que fala, MdSol, são aquelas coisas que costumam actuar na Praça da Alegria e similares?
Gostava de ver a MFL a dançar o vira, em vez de esatr sentadinha numa esplanada a beber um refresco.
Que maldade.
:)))
Carlos estou solidária, até me apetece dizer: podia eu viver com um outdoor de MFL em frente à janela do meu quatro? podia, mas não era a mesma coisa :)))
Nem sabe a alegria que tive hoje ao chegara casa, Ariel! Penso que S. Pedro é meu amigo, porque o cartaz foi derrubado pelo vento e a “sinhora” está agora de cabeça para baixo e já não a vejo!
será que o S. Pedro lê o DO?
Quem sabe? ahahahah .:)))
Carlos, um “outdoor” com a MFL em frente à sua janela,
no mínimo, dá insónias:))
A senhora mostra ter boa vontade , gesto de se enaltecer, em mudar essa forma de campanha mas, para mim, será missão, quase, impossível – seremos uma minoria (?) os que não gostam dessas manifestações – conheço muito boa gente que faz colecção desses objectos, inúteis/fúteis e alguns poluentes como os sacos de plástico e não só, enfim, tudo tralha distribuída por todos os partidos, sem excepção.
Pois, sim, façamos o sacrifico se for esse o preço a pagar pele democracia:))
Há sacrifícios que valem a pena. Aliás, devo-lhe dizer, que uma coisa que gostava era fazer a cobertura da campanha. Já fiz e diverti-me imenso
Gostei desta sua ironia.