Ventríloquo?


imagenscomhistoria,

"Como é que os dirigentes do PS sabem o que fazem ou não fazem os assessores do Presidente? Será que estão a ser observados, vigiados? Estamos sob escuta ou há alguém na Presidência a passar informações? Será que Belém está sob vigilância?"

 

Em qualquer altura, esta pergunta formulada por um membro da Casa Civil do Presidente da República seria de muito mau gosto, mas em período de pré-campanha eleitoral é, no mínimo, inoportuna. Dá a impressão que Belém pretende mesmo tomar partido na campanha eleitoral, levantando suspeitas inaceitáveis sobre o governo.

Como não acredito que Cavaco Silva ande a treinar para ventríloquo, falando pela boca dos seus assessores, fico com a sensação que na sua Casa Civil há quem queira atear fogos.

De qualquer modo dou uma ajuda para responder à pergunta. Talvez fosse melhor alguns assessores de Cavaco serem mais recatados quando têm certas conversas e porem sob vigilância alguns familiares que anunciam, em círculos de amigos, os lugares para que já foram convidados, no caso de o PSD ganhar as eleições.

12 comentários em “Ventríloquo?”

  1. Pensei que estava morta e enterrada esta moda de lançar achas para a fogueira da ‘descooperação’ estratégica Belém-São Bento através dos jornais, que teve o seu período áureo quando Soares era PR e Cavaco era PM. De fonte anónima em fonte anónima, parece que estamos a recuar duas décadas. Esta do ‘Público’ não parece ser das mais inteligentes: ao admitir a hipótese de os telefones de Belém estarem sob (‘sobre’?!!) escuta, confessa implicitamente ter havido participação de gente ligada ao PR na elaboração do programa do PSD. Nem com esta suposta ajuda, no entanto, o PSD divulga o seu programa, o que tornaria tudo isto ainda mais ridículo se não fosse grave.

    1. Bem observado, Pedro.
      Felizmente não estava em Portugal no período que referes. Sei que essa tensão existia, mas não posso aquilatar da sua dimensão e qual a influência que terá eventualmente tido nos resultados eleitorais.
      Apesar de tudo, o que mais me desagrada neste episódio é a conivência do “Público”. Ocupar 2/3 da primeira página com uma notícia assente em fontes não identificadas, sobre um caso tão melindroso, não é jornalismo. É piromania!

  2. Carlos:

    Eu, como deves calcular respeito a tua opinião aqui expressa e é por aí que começo antes de explicar a minha.
    No entanto vais permitir que discorde em absoluto do que afirmas colocando a questão ao contrário ou seja serão os acessores do PR que estão a atear fogos?
    Ora bem tanto quanto se sabe e sabe-se pouco ou nada, a acusação que havias acessores do PR a participar na elaboração do programa eleitoral do PSD partiu do PS (José Junqueiro) portanto é porque tem provas de tal situação o que a ser verdade no minimo é curioso por um lado anda bem informado sobre o que se passa na Presidência da República por outro e a ser verdade também tenta limitar a actividade pessoal dos ditos acessores, que pelos vistos são pessoas como nós e julgo poderem ter vida própria, aliás não nos podemos esquecer dos acessores de J. Sampaio e M. soares que participaram na feitura dos programas eleitorais do PS na altura, daí não entender este ataque agora mas tudo bem é só mais uma curiosidade deste regime socrático.
    Parece-me a mim que não sou politico profissional (graças a Deus, mas gosto da politica) que tudo isto não passa de mais uma manobra de diversão do PS na tentativa de condicionar a Dra M. Ferreira Leite e em último caso o próprio PR, vendo ainda que o desespero começou a atingir o Largo do Rato e começa a valer tudo.
    Nas Europeias tivemos a “roubalheira” agora iremos ter o quê?
    Eu não quero é acreditar que ao fim de 35 anos após o 25 de Abril, possamos ter a PIDE de volta, mas tens que concordar que em alguns episódios que têm ocorrido por vezes a sensação que fica é que andam a tentar ressuscitar, pois navegam por aí alguns “bufos”.
    Considero o PS um partido democrático e defensor das liberdades mas últimamente algumas atitudes denotam alguns tiques ditatoriais, mas quero crer que são tiques de uma minoria que acha que maioria absoluta é poder absoluto.
    A alternância é uma marca da democracia e ainda bem e este governo tem de se convencer que em 27 de Setembro o que vai estar em apreciação é o trabalho dele nos últimos 4 anos e não o que fez a oposição.
    A decisão dos Portugueses será soberana e é a que conta tudo o resto são divagações que fazemos e opiniões que emitimos, bem ou mal intencionadas ao serviço ou não de interesses partidários ou pessoais.
    Tenho de dizer aqui a bem da verdade que não aprecio a maneira de fazer politica do sr José Sócrates como também acho que merecemos melhor para PM mas claro sou eu a emitir a minha opinião.

    1. A acusação que havia acessores do PR a participar na elaboração do programa eleitoral do PSD foi, segundo o jornal Sol, cito:
      “Mas a colaboração entre assessores de Cavaco e a direcção de Manuela Ferreira Leite já era sugerida antes de sábado passado, num artigo do Semanário, de 7 de Agosto, intitulado «Ferreira Leite faz o programa com Catroga e assessores de Belém».
      A teoria era aparentemente aceite pelo próprio PSD, que publicou o artigo no site de campanha Política de Verdade, onde as notícias referentes à polémica em torno das listas de Ferreira Leite são omitidas.
      O artigo do Semanário dava conta que «Belém está a apoiar com assessores a elaboração do programa do PSD», indicando a existência de reuniões entre os asessores de Cavaco, Manuela Ferreira Leite e Eduardo Catroga. em 7 de Agosto. “

      Como se vê, notícia requentada, portanto.

      Único comentário: se um tipo que é dono de um jornal destes não faz nada, eu deixei de ter confiança nas medições e pesos dos supermercados que o homem tem, de hoje em diante ninguém me apanha nas lojas dele. Se há aldrabice no jornal mais facilmente as há no peso do feijão.

  3. Carlos:
    Não me parece muito ajuizado lançar achas para a fogueira neste período. Sejam os assessores do PR, seja o jornal que as veicula.
    A suspeição que se pretende levantar é grave e , quanto a mim, indigna de um assessor da PR
    Por outro lado, há conversas que não deviam sair do recato familiar ou dos gabinetes de Belém, que são travadas em locais públicos. Resta-me saber se são descuidos, ou propositadas.
    Percebe-se que há , em Belém, quem queira fazer batota e influenciar o resultado de um jogo onde o seu papel é o de árbitro.
    Acredito que não seja estratégia do PR, mas nas próximas horas ficaremos a saber. Se o PR se calar, então é porque é conivente. E isso, concordarás, não dignifica nem o PR, nem a democracia.
    Finalmente: como já dise, desconheço se houve assessores de M Soares que participaram na elaboração do programa do PS. Não vivia em Portugal nessa altura. No entanto, se o fizeram, teria igualmente criticado a sua conduta. Nas rodas de amigos e não na blogosfera que, na altura ainda não existia..
    Abraço

  4. “Se o PR se calar, então é porque é conivente”

    Carlos, por mim acho que vou esperar sentada, já tenho uma cadeirinha de baloiço reservada.

  5. O Sr. Barbosa bem podia deixar-se de insinuações e pôr preto no branco quem é que anda a dizer que recebeu convites para lugares no caso de o PSD vencer.
    É que, assim, não passa de mais uma boca foleira.

    1. Quer mais pormenores? Recomendo-lhe a leitura deste textinho do Vítor Matos. Fica mais elucidado, garanto:

      elevadordabica.blogspot.com/2009/08/duas-conspiracoes-e-uma-noticia.html

    2. Mude de estratégia, porque essa comigo não cola. Posso mandar bocas foleiras – a verdade por vezes é mesmo tão foleira como as pessoas que se insinuam junto dos seus círculos- na expectativa de ganharem influência- mas não sou tão foleiro que me ponha aqui a desvendar nomes a uma pessoa que não conheço de lado nenhum, nem dá a cara. O tempo dos bufos já era e eu não tenho saudades.

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