Ilha Terceira, Açores, 2005.
Fotografias tiradas por aí (128)
escafandro,
Segunda-feira, 22 de Abril
De manhã, aproveitando uma conferência de imprensa de outro modo inútil, o ministro Poiares Maduro fartou-se de mencionar a palavra «consenso». António José Seguro, sempre iludido acerca da sua própria importância no grand scheme of things, resmungou ser tarde para consensos. Assumindo que merece a reputação de inteligência que tanta gente lhe atribuiu no último par de semanas, o ministro Poiares Maduro não terá ficado nem surpreendido nem demasiado incomodado: como se comprovaria três dias mais tarde, a pessoa que devia ouvir e apreciar os apelos ao consenso, ouvira-os e apreciara-os (ver quinta-feira, 25).
À tarde, o ministro Santos Pereira, revelando estar finalmente a conseguir agir como ministro, apresentou um plano inútil repleto de clichés e intenções grandiosas. Foi severamente criticado por ter demorado uma eternidade a apresentá-lo e por as intenções nele expressas não serem suficientemente grandiosas.
Terça-Feira, 23 de Abril
É estranho, até um pouco assustador, mas não me lembro de um único pormenor deste dia. Tê-lo-ei passado a dormir? Tê-lo-ei eliminado da memória em resultado de uma experiência traumatizante? Mas, neste caso, que experiência poderia levar-me a uma reacção tão definitiva? Um assassinato? Um sonho húmido com a Ana Gomes? Uma tentativa para ler um livro do José Rodrigues dos Santos?
Quarta-Feira, 24 de Abril
Estive presente numa reunião com pessoas simpáticas e faladoras. Foi tão produtiva como os últimos conselhos de ministros.
Quinta-feira, 25 de Abril
O presidente Cavaco Silva mostrou que: (1) ouvira os apelos ao consenso que o ministro Poiares Maduro, por ordem/sugestão (riscar a que parecer menos adequada) do presidente Cavaco Silva, lançara na direcção do PS; (2) não gostara da resposta do PS. Fez tudo isto nas comemorações do 25 de Abril, através de um discurso inesperadamente inteligente e sensato. Esqueceu-se, porém, de que o 25 de Abril, não obstante todos os seus pontos positivos, é muito mais acerca de fervor revolucionário e grandes quimeras do que acerca de sensatez. A oposição reagiu com a ferocidade e demagogia que lhe competiam. Ainda assim, António José Seguro não exigiu a realização de eleições antecipadas para a Presidência da República.
Sexta-Feira, 26 de Abril
Acordar para o mundo real no dia 26 de Abril é sempre difícil.
A secretária de Estado Maria Luís Albuquerque explicou que o governo conseguira reduzir em 170 milhões de euros (uau) as perdas potenciais de 3000 milhões de euros (17,6 vezes uau) a que as empresas públicas se haviam arriscado, na sequência da contratação de instrumentos financeiros que os seus gestores, mais habituados a calcular prémios de desempenho, estariam longe de compreender. Evidentemente, nada disto significa que as empresas públicas devam ser fechadas, privatizadas ou concessionadas. Não significa sequer que os seus custos operacionais devam ser reduzidos, excepto se puderem ser reduzidos sem custos. Significa antes que coisas assim são uma vergonha e que os envolvidos deviam ser presos e que é preciso garantir que, sem mudar o que quer que seja, no futuro tudo se passará de forma diferente, o que talvez recomende a constituição de um grupo de trabalho incumbido de apresentar um «plano», e que… bla bla bla ad nauseum. Pelo menos – feliz o país em que, por levar o epíteto de evolução, isto merece registo – o caso fez perder o lugar a dois secretários de Estado.
Sábado, 27 de Abril
Ouvi algures (seria o televisor da vizinha?) que decorria um congresso do Partido Socialista mas resolvi prestar-lhe atenção apenas depois de esgotadas todas as opções televisivas mais excitantes, como as televendas, os programas do canal BabyTV e as receitas do chef Hélio Loureiro.
Domingo, 28 de Abril
Continuei sem ver uma imagem do congresso do Partido Socialista mas, pelo final da tarde, ouvi dizer (tenho mesmo de ter uma conversa com a vizinha) que o plano de António José Seguro para resolver os problemas do país é tão infalível que se encontra apenas dependente da boa vontade de terceiros. Uma das alíneas passará pela redução dos rácios de solvabilidade dos bancos nacionais. Tsk, tsk. Esvaíram-se depressa, os desejos de mais regulamentação.
Para evitar pensar no Seguro ou na vizinha, pus-me a rever A Noite da Iguana, em DVD. Quando o filme terminou passei para a televisão de forma imperdoavelmente displicente (estaria ainda sob os efeitos da Ava Gardner) e José Sócrates encheu-me o ecrã. Atarantado, carreguei no botão mais ao dedo e Richard Burton sobrepôs-se-lhe. Suspirei de alívio. As personagens de Tenessee Williams podem ser problemáticas e até desagradáveis mas pelo menos mantêm uma possibilidade de redenção.
Segunda-Feira, 29 de Abril
Vesti um pólo de manga curta mas a manhã esteve fresca. Toda a gente se meteu comigo.
O ministro Vítor Gaspar entrou no jogo dos apelos ao consenso. Fê-lo alertando para a inevitabilidade de o consenso ter de se formar em torno da reestruturação e do redimensionamento do Estado. É nestes pormenores que se detecta que o ministro Vítor Gaspar não é muito bom a acompanhar o sentido dos tempos. O consenso na sociedade portuguesa já é outro.
Terça-Feira, 30 de Abril (hoje)
Ocorre mais um (interminável?) conselho de ministros na interminável série de intermináveis conselhos de ministros em que, desde a sapientíssima decisão dos treze vultos mais insignes da nação, o governo anda embrenhado, sem conseguir chegar a decisões sobre onde e como cortar num Estado que ainda representa quase metade do PIB. Cambada de neoliberais.
Quarta-Feira, 1 de Maio (amanhã)
Não é altura de lhe mudar o nome para dia do trabalhador e da trabalhadora?
Patrícia Reis movimenta as suas personagens com pinças num trabalho de escrita rigoroso onde nunca há emoção a mais ou lá se iria a emoção. Esse é um dos grandes méritos deste romance. A calma e a suavidade da exposição dos afectos. São muitos os espaços em branco, os parêntesis que se abrem e que cada um dos que lêem preenche como sabe ou pode, como os que narram. O silêncio deles é também o de cada um que lê e nunca chega a ser insuportável. Apenas incómodo. Contracorpo é essa luta, a maior e mais violenta: a de dois corpos, da mãe e do seu filho, que desaprenderam de se conhecer. Contracorpo é também o melhor dos livros de Patrícia Reis.
Isabel Lucas, no suplemento Ípsilon do Público de hoje.
Nota: por decisão da Patrícia (clap, clap, clap), Contracorpo usa a ortografia pré-AO.

Vila Nova de Gaia, circa 1999.
O PSD não teve coragem para assumir que a lei de limitação dos mandatos constituía um acto de marketing político e nada mais. É por isso bem feito que os tribunais, obrigados a pronunciarem-se sobre um assunto que não lhes devia ter chegado, estejam a decidir contra as pretensões dos candidatos sociais-democratas. Veremos, todavia, se no jogo da interpretação do corpo e do espírito da lei, instâncias judiciais superiores não acabarão validando a intenção escondida (mas real) do legislador em vez da sua intenção declarada (mas falsa).
Mais abaixo, a Patrícia Reis aconselha a série televisiva House of Cards. Ainda não vi qualquer episódio mas acredito que seja uma boa série: afinal, inspira-se noutra, excelente, que a BBC produziu há cerca de vinte anos, tem Kevin Spacey, que vale quase sempre a pena, e David Fincher, que raramente falha. Ainda assim, suscita-me reservas. Num artigo surgido na Salon em Fevereiro, explicava-se como ela nasceu. A Netflix é um serviço de fornecimento de conteúdos televisivos, por cabo e internet (um pouco como o videoclube dos operadores portugueses), que também produz conteúdo próprio. Parece ter como modelo e alvo a HBO, o que, reconheça-se, é apontar ao sítio certo. Os seus canais de distribuição permitem-lhe recolher estatísticas detalhadas do que os espectadores consomem (evitei propositadamente o verbo “ver”) e da forma como o consomem. Nada de novo, dir-se-á: estudos de mercado e focus groups são realidades antigas. Correcto. Mas a Netflix obtém muito mais do que é possível obter através desses processos que em breve serão arcaicos: obtém o que as pessoas vêem, a que horas o vêem (por exemplo, nos EUA os espectadores do cabo gostam de ver séries aos sábados à tarde, em pacotes de vários episódios), em que cenas desistem, fazem pausa ou primem o botão de avanço rápido, que cenas revêem, que actores as mantêm a assistir, e por aí fora.
Recorrendo ao artigo da Salon (mantive os links no texto): The scope of the data collected by Netflix from its 29 million streaming video subscribers is staggering. Every search you make, every positive or negative rating you give to what you just watched, is piped in along with ratings data from third-party providers like Nielsen. Location data, device data, social media references, bookmarks. Every time a viewer logs on he or she needs to be authenticated. Every movie or TV show also has its own associated licensing data. The logistics involved with handling every bit of information generated by Netflix viewers — and making sense of it — are pure geek wizardry.
Netflix doesn’t just know that you are more likely to be watching a thriller on Saturday night than on Monday afternoon, but it also knows what you are more likely to be watching on your tablet as compared to your phone or laptop; or what people in a particular ZIP code like to watch on their tablets on a Sunday afternoon. Netflix even tracks how many people start tuning out when the credits start to roll.
E depois, claro, quando os números recolhidos formam uma tendência, a Netflix sabe o que fazer:
For almost a year, Netflix executives have told us that their detailed knowledge of Netflix subscriber viewing preferences clinched their decision to license a remake of the popular and critically well regarded 1990 BBC miniseries. Netflix’s data indicated that the same subscribers who loved the original BBC production also gobbled down movies starring Kevin Spacey or directed by David Fincher. Therefore, concluded Netflix executives, a remake of the BBC drama with Spacey and Fincher attached was a no-brainer, to the point that the company committed $100 million for two 13-episode seasons.
Bem-vindos pois à versão moderna de House of Cards. Mas qual o problema, se de tudo isto resultou uma excelente série? O problema é a tendência para se formar um círculo vicioso, em que cada vez mais é fornecido às pessoas aquilo de que elas já gostam, sendo escritores, realizadores, actores, editores, etc, obrigados a trabalhar de acordo com guias bem estabelecidos. Onde fica a criatividade de quem faz e os prazeres inesperados de quem vê? Onde fica o risco de quem produz e o alargar de horizontes de quem assiste? Não sei. De qualquer modo, sejamos francos: há uma parte da população que há muito (talvez desde sempre) recusa qualquer esforço no consumo de televisão, alimentando-se de novelas, todas iguais, todas recheadas de clichés, de concursos e de talk shows básicos. Nesse sentido, que as estatísticas da Netflix a tenham conduzido a House of Cards, a Spacey e a Fincher até pode ser considerado um sinal positivo do nível de exigência médio dos espectadores dos serviços de TV por subscrição. E em muitas séries da HBO também existem, de forma nada inocente, temas recorrentes: a nudez, a violência. Mas nada disto elimina o risco de uniformização excessiva, de formatação. E depois há outros riscos: desde logo, o de manipulação – e não somente por parte de canais televisivos:
The Obama campaign used the same kind of number crunching to target voters with more accuracy than any political campaign had ever accomplished before. Online advertisers are also gathering vast amounts of detailed information about us from our smartphones, our Facebook likes and our Google searches.
[…]
The companies that figure out how to generate intelligence from that data will know more about us than we know ourselves, and will be able to craft techniques that push us toward where they want us to go, rather than where we would go by ourselves if left to our own devices. I’m guessing this will be good for Netflix’s bottom line, but at what point do we go from being happy subscribers, to mindless puppets?
É um receio antigo e talvez infundado. É possível que não sejamos mais iludidos e condicionados no futuro próximo do que já hoje somos. Mas apetece-me terminar com um rumor sobre a nova consola XBox, a lançar no final do ano: que será um media hub com o dispositivo Kinect integrado, o qual permitirá analisar as acções dos utilizadores ao ponto de poder colocar a emissão em pausa se eles desviarem os olhos do ecrã. O admirável mundo novo chegou e é fascinante.
Há uns meses, uma tal Wendy Jones deixava comentários como este nas páginas da Amazon britânica: «This is just not literature! It’s a good attempt, undoubtedly, and on the right track, and had the author have lived longer he may well have written something of lasting value.» Apesar de todos sabermos que na internet se encontram as opiniões mais absurdas que é possível imaginar expressas da forma mais convicta em que é possível exprimi-las, quando se levava em conta que o objecto da crítica era o livro Crime e Castigo, de Fiódor Dostoievski, generosamente agraciado por Wendy com uma estrelinha, era inevitável pensar: não pode ser a sério. Não era. Pesquisavam-se outros comentários de Wendy (por incrível que pareça, eu até tenho uma vida – não é é muito boa) e concluía-se que ela sabotava o sistema de recomendações da Amazon conscientemente e com indisfarçado gozo. Por exemplo:
– Justificava a atribuição de uma estrela a Where’s Wally com a circunstância de não ter conseguido encontrar Wally;
– Escrevia sobre Calmer, Easier, Happier Parenting: The Revolutionary Programme That Transforms Family Life: «Great book, but doesn’t recommend Valium. I would have thought Valium was the obvious answer» (para ser sincero, eu também) e sobre Short-Term Couples Therapy: The Imago Model in Action (seja lá isso o que for): «not particularly helpful for one night stands»;
– Admitia ter comprado um determinado livro por a capa combinar com a decoração da sala;
– Afirmava ter adorado Emma, de Jane Austen, porque a personagem principal lhe lembrara a apresentadora de um reality show britânico;
– Propunha-se fazer uma viagem ao Egipto com o filho, parando em todas as tabernas mencionadas no livro Asterix e Cleópatra, esperançada de vir a encontrar o nariz da Esfinge (partido por Obélix, como é do conhecimento geral);
– Confessava que o juízo negativo que faz de Beloved, de Toni Morrison, está afectado pela inveja: Morrison ganhou o Nobel, Wendy ainda não;
– Escrevia sobre Tess of the d’Ubervilles, de Thomas Hardy: «I was disappointed. I was very disappointed. Lo, I lay down on the carpet and cried, yeah, I wailed. I took a pillow unto myself and let out a moan that fair shook the walls. There was a torment of disappointment that came over me, and I was lost.»
Entretanto, nos meses decorridos desde que coligi estes excertos (há posts meus com períodos de gestação tão longos como o da salamandra alpina*), a maioria dos comentários de Wendy desapareceu. A Amazon, de moto-próprio ou na sequência de queixas, que afinal vagueiam pela internet várias dúzias de criaturas sem pinga de sentido de humor, terá decidido apagar os mais abertamente irónicos, deixando apenas aqueles que talvez sejam a sério (caso em que a sobrevivência do referente a Asterix e Cleópatra diz muito sobre o discernimento dos funcionários da Amazon) ou então Wendy, quiçá na sequência de críticas de amigos e familiares, arrependeu-se e apagou-os ela mesma, uma hipótese que prefiro não encarar porque significaria que desistira, que o seu espírito fora quebrado, e a mim, sendo-me difícil explicar porquê, atraem-me à brava pessoas que dedicam orgulhosamente horas e horas do seu tempo a efectuar bem actos um bocadinho tontos. De resto, é a esperança de um dia atingir esse patamar que me faz escrever posts como este.
* Pesquisem, pesquisem, que afinal eu também o fiz.**
** Não, apesar do elefante africano (ou, para acomodar espíritos progressistas, da elefanta africana) ser o mamífero terrestre com período de gestação mais longo, este apenas ronda os 22 meses;***
*** Não, as princesas e as actrizes de Hollywood têm gravidezes que a intensidade da cobertura mediática faz parecer longas mas, na verdade, são de duração normal;****
**** OK, pronto, são trinta e oito meses.
Mário Soares acha possível «um entendimento bastante grande» entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda. Por uma vez, concordo com ele. A deriva do PS para a esquerda, adoptando posições cada vez mais parecidas com as do Bloco, pode permiti-lo. O problema seria após formarem governo, quando o realismo voltasse a entrar no Largo do Rato. O realismo que forçou o mestre da fantasia que o liderou antes a apresentar, de mão estendida em Bruxelas, PEC após PEC com medidas de austeridade. O realismo que leva Hollande a nada de essencial ter mudado em França desde que foi eleito. O realismo que o pessoal do BE adoraria.
Verificar o nível de respeito que tantas almas, partidárias ou comentaristas, exigem pela decisão do Tribunal Constitucional, bem como as formas reclamadas, implícita ou explicitamente, para que tal respeito se manifeste (concordância, silêncio), gera em mim uma imensa ternura ou o mais profundo asco, consoante tenha acabado de ouvir uma bela música ou entalado o dedo numa gaveta. Neste país onde o sistema de Justiça merece integralmente a imagem que tem e, na sua acepção mais negativa, o próprio qualificativo de «sistema», apenas um tribunal me suscita verdadeiro respeito. Previsivelmente, levando em conta quem sou e o país onde me encontro, trata-se do mais irrelevante de todos, daquele cujas decisões podem ser e quase sempre foram ignoradas: o de Contas. Pelo menos lutou durante anos, contra tudo e contra todos, para evitar que falíssemos.
Princípio da igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Com base neste artigo, o Tribunal Constitucional determinou que os trabalhadores do Estado não podem ver o seu rendimento diminuído sem que tal suceda igualmente aos trabalhadores de entidades privadas. Pergunto: o inverso também se aplica?
Tabacaria do piso superior do Centro Comercial Cidade do Porto, hora de almoço. Quatro homens folheiam jornais desportivos. Dois homens (reprimo a vontade de colocar aqui um ponto de exclamação) e duas mulheres folheiam revistas como a Vip e a Nova Gente. Um homem paga ao balcão um exemplar do Jornal de Notícias. Uma mulher olha para a zona do expositor onde se encontram as revistas de viagens, literatura, música e história. E um homem olha para as outras pessoas e pensa que estatísticas apressadas só podem mesmo conduzir à obtenção de imagens distorcidas do país.
The consolidation is underpinned by a mixture of revenue increases, which account for 80 percent of the total adjustment, and expenditure cuts.
[…]
With the tax-to-GDP ratio already in line with peers and the 2013 budget set to push this ratio even higher, a large part of the medium-term fiscal adjustment will need to come from expenditure restraint. This would help bring the adjustment mix closer to the original program objective—one third revenue, two thirds expenditure. And given that Portugal’s spending is heavily concentrated on pensions and public wages—accounting for about two-thirds of total spending, these outlays will have to be at the center of spending reforms.
Do relatório da sexta avaliação, Dezembro de 2012 (páginas 55 e 56).
Claramente, estes tipos não contavam com a nossa augusta Constituição. Vai-se a ver e estão mais habituados a países com Constituições que permitem gráficos assim:
Do relatório da nona avaliação ao programa irlandês, Abril de 2013 (página 36).