Só para saberem


escafandro,

Patrícia Reis movimenta as suas personagens com pinças num trabalho de escrita rigoroso onde nunca há emoção a mais ou lá se iria a emoção. Esse é um dos grandes méritos deste romance. A calma e a suavidade da exposição dos afectos. São muitos os espaços em branco, os parêntesis que se abrem e que cada um dos que lêem preenche como sabe ou pode, como os que narram. O silêncio deles é também o de cada um que lê e nunca chega a ser insuportável. Apenas incómodo. Contracorpo é essa luta, a maior e mais violenta: a de dois corpos, da mãe e do seu filho, que desaprenderam de se conhecer. Contracorpo é também o melhor dos livros de Patrícia Reis.

Isabel Lucas, no suplemento Ípsilon do Público de hoje.

 

Nota: por decisão da Patrícia (clap, clap, clap), Contracorpo usa a ortografia pré-AO.

9 comentários em “Só para saberem”

  1. Não precisava de recomendação para querer ler. Mas recomendado pela Isabel Lucas merece ainda mais a minha atenção. E o facto de a Patrícia continuar a recusar o acordortografiquês também.

    (parabéns à editora pela capa: gostei)

  2. Parabéns, Patrícia, vou ler. Gosto muito do título, pelo que sugere. E também porque o ar do tempo é de ‘contras’. Às vezes esta desafinação chega ao corpo 😉

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