O que não conta


escafandro,

Verificar o nível de respeito que tantas almas, partidárias ou comentaristas, exigem pela decisão do Tribunal Constitucional, bem como as formas reclamadas, implícita ou explicitamente, para que tal respeito se manifeste (concordância, silêncio), gera em mim uma imensa ternura ou o mais profundo asco, consoante tenha acabado de ouvir uma bela música ou entalado o dedo numa gaveta. Neste país onde o sistema de Justiça merece integralmente a imagem que tem e, na sua acepção mais negativa, o próprio qualificativo de «sistema», apenas um tribunal me suscita verdadeiro respeito. Previsivelmente, levando em conta quem sou e o país onde me encontro, trata-se do mais irrelevante de todos, daquele cujas decisões podem ser e quase sempre foram ignoradas: o de Contas. Pelo menos lutou durante anos, contra tudo e contra todos, para evitar que falíssemos.

6 comentários em “O que não conta”

  1. Que inconveniente estás a ser, Jaa. Falar do tribunal de contas? Mas que ideia a tua. Isso, como diz a outra, não interessa nada.
    E mais uma vez estou de acordo com as tuas linhas e sobretudo as entrelinhas. Ai, ai, não sei onde isto me leva
    Grande posta.

  2. JAA “… o mais profundo asco …”
    Ando há semanas com esse termo, asco, exactamente sobre esta triste realidade transfigurada em ópera bufa por “…tantas almas, partidárias ou comentaristas…”.
    jaa é telepata?.
    Música?. Ex: Kempff plays Schubert Impromptu op.142 (D 935) no.1 , OK.
    TdeContas, Hhhaaaennn…!
    Quanto ao dedo na gaveta, não conte comigo. 🙂

  3. Num país que não produz há uma década e que mesmo assim imaginou que éramos a Suécia ou a Alemanha (veja-se legislação da família, menores, penal…), esquecendo-se que o litigio do crédito aumentava nos tribunais, para além das estrangeirices legislativas intrometidas nestes, com o Mesmo Povo, ACHA-SE que a culpa é destes, que não merecem isto e aquilo…; a tal ponto chegou a bancarrota nacional.
    Num país a sério , com assunto, substantivo, os tribunais aparecem nas vidas dos cidadãos, solucionam litígios, não andam … com os restos da sociedade que vive do Estado, do investimento do Estado, dos comentadores do Estado, das tretas dos azelhas do Estado, e muito menos com as contas…do Estado porque são POUCAS.

  4. Vendo bem aqueles que exigem respeito pela decisão do Tribunal Constitucional são precisamente os mesmos que mais se esforçam por ignorar as decisões do Tribunal de Contas .

    E é lógico : são os que ganham com isso dos dois lados , os que vivem do desperdício de meios em que estamos enredados .

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