Esta juventude nova de agora…


Rui Rocha,

A Juventude do PSOE publicitou um vídeo em que, numa homilia, a hóstia é substituída por um preservativo. O nome do vídeo, que entretanto deixou de estar disponível , é ‘Bendito el condón que quita el pecado del mundo’.

A Igreja Católica, entretanto, ripostou com este:

Percebo que a Igreja Católica tenha uma mensagem em relação ao amor e à família. Pessoalmente, embora seja crítico da Igreja Católica, até me sinto próximo dessa mensagem. Não percebo, todavia, que a Igreja Católica tenha uma posição concreta sobre o uso de preservativo. E que a posição seja a que é, mesmo depois do entreabrir de portas timidamente admitido recentemente por Bento XVI.

Entretanto, é justo realçar que a resposta de outros credos e religiões a posições que questionam os seus dogmas é, em muitos casos, muito mais agressiva do que a mera publicação de um contra-vídeo. Talvez por isso, a corajosa Juventude Socialista tenha mantido a abstinência no que diz respeito a figuras de estilo com Burqas.

Pode ser Millôr, mas não está em Portugal


Rui Rocha,

Millôr Fernandes diz que 

“toda regra tem exceção. E se toda regra tem exceção, então, esta regra também tem exceção e deve haver, perdida por aí, uma regra absolutamente sem exceção”.

Nunca me atreveria a questionar a imensa sabedoria de Millôr. Mas, de uma coisa tenho a certeza: quem quiser encontrar a tal regra que não tem excepções escusa de procurar em Portugal.

 

A coragem de Sócrates


Rui Rocha,

O Primeiro-Ministro pretende que os contratos de trabalho incluam uma cláusula que faz depender o salário da produtividade. Atendendo ao desempenho de José Sócrates e restantes membros do Governo é uma medida corajosa. Vão todos passar a receber o rendimento social de inserção (sim, que isto é um Estado Social e não queremos ninguém na indigência). Agora, se o Sr. Primeiro-Ministro conseguisse aprovar a medida com efeitozinhos retroactivos é que era serviço público…

 

Eu acredito no Pai Natal


Rui Rocha,

 

Ando muito angustiado. Suspeito que os meus filhos já não acreditam no Pai Natal. É claro que os indiozinhos não se descaem. Não acreditam no Pai Natal, mas acreditam que o Pai Natal lhes pode dar prendas. Por interposta pessoa. Ora, isto é tanto mais dramático quanto é certo que a maior parte dos adultos acredita sinceramente no Pai Natal. E dá-lhes muito jeito. É verdade. Vejam bem:

  • muitos acreditam que é possível gastar mais do que aquilo que se produz;
  • milhares acreditam que as energias renováveis são economicamente viáveis;
  • uns tantos acreditam que querem ser eleitos para cargos públicos para promover a igualdade e a redistribuição;
  • alguns acreditam que os mercados são o Adamastor (já eu acredito que por trás dos mercados está a minha sogra);
  • não falta quem acredite que o rendimento mínimo vai durar sempre;
  • tantos acreditam em Novas Oportunidades;
  • um pequeno grupo acredita no José Eduardo Bettencourt;
  • Sócrates acredita em Teixeira dos Santos;
  • Teixeira dos Santos acredita que não pode desobedecer a Sócrates;
  • O Emídio Rangel acredita que alguém acredita nele;
  • O Tozé acredita que está Seguro;
  • O Eurogrupo acredita que Portugal está a fazer uma notável consolidação orçamental;
  • Ricardo Salgado acredita que as suas lágrimas são o sal do mar de Portugal;
  • D. Duarte de Bragança acredita que é bom ter nacionalidade timorense porque ouviu dizer que o país tem um fundo soberano;
  • Jorge Jesus acredita no acordo ortográfico (argumento de autoridade);
  • 30% dos portugueses ainda acreditam em Sócrates (este mesmo grupo acredita também no Professor Bambo e na Mulher Elástica).

Toda esta gente, porque acredita nestas coisas, acredita certamente no Pai Natal. E eu também acredito (aquilo da minha sogra e dos mercados é mesmo a sério e até estou convencido que o Sporting este ano ainda vai lá). Aliás, vou já a seguir escrever-lhe uma cartinha. E o caro leitor, em que é que (não) acredita?

Mohammed Emídio al-Sarraf


Rui Rocha,

Pelo visto, Rui Pedro Soares e Emídio Rangel vão lançar um novo tempo de antena, digo, semanário, antes das eleições, digo, no início do próximo ano. Aqui no DO desejamos os maiores sucessos a esta parceria público-privada, digo, projecto jornalístico. E, para demonstrar o nosso apoio, atrevemo-nos a sugerir, com a subtileza que nos caracteriza, o perfil ideal para  Chefe de Redacção.

Cantona está farto de estar no Banco


Rui Rocha,

 

Eric Cantona, por amor a certos ideais, lançou uma campanha que tinha como objectivo promover o levantamento maciço de depósitos. A ideia era fazer implodir o sistema bancário, a quem Cantona imputa a responsabilidade pela crise económica e social que vivemos. Como é óbvio, a iniciativa está completamente votada ao fracasso. Em matéria de dinheiro, o que move o mundo não é o amor, nem são os ideais (sejam eles quais forem e certo é que não se sabe bem quais são os de Cantona). A única coisa que daria origem a uma corrida aos Bancos seria o pânico. O medo de perder o dinheiro. Cantona que l’ amour, l’ argent reste à la Banque!

Mario Vargas Llosa: o novo Nobel da Literatura em discurso directo


Rui Rocha,

 

Mario Vargas Llosa recebeu ontem o Prémio Nobel da Literatura/2010. De acordo  com os relatos,  respondeu a todas  as perguntas de forma acessível, directa e sem rodeios. Alguns exemplos:

China: “é preciso não esquecer que continua a ser uma ditadura!”;

Wikileaks: “um pouco de luz dá confiança aos cidadãos; demasiada luz impede o Estado de funcionar”;

A mensagem da sua obra: “não escrevo para mandar mensagens, mas para contar uma história”;

A sua raiz neo-liberal:” neo para quê? Liberal basta”;

O futuro da cultura: “se continuarmos a confundir entretenimento com cultura, a profundidade desaparecerá”.

Sobre a atribuição do Prémio Nobel: “continuo a perguntar-me se não terá sido um grande mal entendido internacional”.

 

Felizmente, o reconhecimento da qualidade literária nem sempre tem que estar  subordinado a uma certa agenda política.

As desvantagens de uma liga ibérica


Rui Rocha,

Na ressaca da candidatura conjunta de Portugal e Espanha ao Mundial de 2018, regressaram algumas vozes que sugerem que a parceria poderia ser aprofundada, deixando entrever uma eventual fusão dos Campeonatos dos dois países. A proposta não é nova. Do lado de cá, há um par de anos, Dias Ferreira defendeu que este é um caminho inevitável. Do lado de lá, o então Presidente do Barcelona, Joan Laporta, sugeriu também, com evidente alfinetada política, um campeonato de Espanha, Catalunha e Portugal.

As razões invocadas para esta proposta são, em geral, a falta de competitividade da Liga Portuguesa e a sua inviabilidade económica, a prazo.

Se virmos bem, estes são também os argumentos utilizados para acenar o fantasma da perda de independência de Portugal enquanto país e de uma possível integração política numa união ibérica.

Procurando analisar os méritos de uma eventual proposta de fusão futebolística, diria:

  • um Campeonato Ibérico teria, quando muito, 5 equipas portuguesas na 1ª Liga.
  • mesmo as melhores equipas portuguesas só poderiam aspirar a ganhar a competição ocasionalmente.
  • a prazo, e tendo em conta o maior poderio económico das equipas espanholas, o equilíbrio relativo tenderia a deteriorar-se em favor daquelas.
  • as equipas portuguesas estariam longe de ter garantido o acesso às competições europeias, podendo bem as vagas que lhes cabem ser ocupadas pelas equipas espanholas com a consequente perda de competitividade e receitas.
  • os adeptos portugueses teriam muita dificuldade em acompanhar as equipas portuguesas em grandes deslocações, diminuindo assim o apoio nos jogos fora.
  • as equipas de segunda linha portuguesa seriam completamente arrasadas atendendo à fragilidade das suas estruturas.

Deste modo, e mesmo que dos dois lados existisse consenso (e isso não é claro do lado português e, sobretudo, do espanhol) não vejo qualquer vantagem na situação. Ainda mais se tivermos em conta o modo como foi feita a repartição da candidatura ao Mundial 2018 e que bem poderia repetir-se.

Assim, tal como acontece no que diz respeito à garantia de independência do próprio país, o foco deveria colocar-se em

  • lideranças credíveis
  • modelos de gestão eficientes e profissionais
  • sistemas de regulação independentes
  • aproveitamento de recursos e das oportunidades
  • aposta na inovação, na produtividade e em novos mercados (Angola, por exemplo, com uma fortíssima relação emocional com as equipas portuguesas e uma classe média em formação, poderá constituir uma boa aposta em termos de merchandising e direitos televisivos).

Na economia, na política ou no futebol, não há almoços grátis. É preferível fazer o trabalho de casa para podermos continuar a comprar os ingredientes e a confeccionar o prato.

O último a sair que feche a porta


Rui Rocha,

 

Na imagem, pode ver-se aquele que será um dos poucos elementos que se mantém em funções no Ministério da Justiça. Primeiro, foi a demissão do Secretário de Estado João Correia. Depois a de José António Rodrigues da Cunha que liderava a Direcção Geral de Administração de Justiça. Agora, é a vez de Fernando Marques, Sub-director da mesma DGAJ. O motivo invocado por este último é a decisão de contratar o denvolvimento das aplicações informáticas da Justiça em regime de outsourcing. É urgente esclarecer se estamos perante uma guerra de facções no interior do Ministério ou se este está aprisionado por interesses, económicos ou de outra natureza, estranhos ao da correcta administração da Justiça. Uma coisa é certa: a Justiça portuguesa, que já se encontrava em estado comatoso, sofre agora de uma virose demissionária que não augura nada de bom para a indispensável recuperação do doente.

 

À atenção de Rui Santos


Rui Rocha,

Esta imagem tem sido apresentada como uma grande jogada de Lula da Silva. Depois de fintar vários obstáculos, terá finalizado com um pontapé de bicicleta. Não concordo. Olhando bem, estou capaz de jurar que as mãos de Sócrates e Cavaco não se tocaram. A bola não entrou! Acho que este tipo de jogadas duvidosas só se vai resolver com a introdução de novas tecnologias na política.

 

A greve dos controladores aéreos espanhóis vista do país das excepções


Rui Rocha,

  

A, assim chamada, greve dos controladores aéreos espanhóis foi uma vergonha. Para melhor entender a questão, importa fazer uma breve cronologia dos factos:

• ao princípio da tarde do dia 3 de Dezembro, o Governo espanhol anunciou a aprovação de um decreto que altera a fórmula de contagem de tempos anuais máximos;

• um par de horas depois, a União dos Sindicatos dos Controladores Aéreos convocou uma conferência de imprensa em que anunciou a sua oposição ao decreto;

• a partir das 17h00, os controladores aéreos em serviço começaram a suspender a sua actividade, provocando o caos aéreo que se conhece e que levou à declaração do estado de ‘alarme’ em Espanha e à mobilização dos controladores aéreos.

 

Esta paralisação foi decidida completamente à margem do direito, sem cumprimento das mais elementares regras de exercício do direito à greve e à reivindicação. Os controladores aéreos espanhóis abusaram de um poder de facto que possuem. Comportaram-se como o funcionário que aceita receber um suborno para abrir uma porta de que só ele tem a chave. Só que, sendo um acto igualmente criticável em si mesmo, o dos controladores tem consequências avassaladoras. É preciso dizê-lo: o que aconteceu em Espanha é, sem grande preocupação de rigor jurídico, do domínio da extorsão e da chantagem. Sem temor de acusações de demagogia, importa perceber que estamos a falar de uma classe com cerca de 2.500 elementos, cuja remuneração base anual rondará os 175.000€. Tendo em conta os valores que auferem por trabalho suplementar, os controladores espanhóis receberão, em média, mais de 300.000€ anuais. Leram bem! E, se dúvidas houvesse sobre a “qualidade” moral desta atitude, o facto de uma boa parte do grupo ter regressado ao local físico onde deveriam exercer funções e ter invocado não ter condições médicas para trabalhar diz tudo. Neste contexto, a decisão do Governo espanhol de decretar o estado de ‘alarme’ é justa e inatacável. Qualquer outra decisão implicaria a implosão do Estado de Direito às mãos de uma classe profissional que optou pelo caminho da marginalidade.

 

Aqui chegados, creio que importa reflectir sobre esta situação no contexto mais vasto das relações de poder na sociedade. O jogo social faz-se de equilíbrios e balanços. O espaço que um dos actores sociais deixe livre, é ocupado por outro actor social. Em Espanha, o espaço foi deixado livre por um Governo fraco que tem uma relação difícil com a verdade e com a realidade. O Governo espanhol não tem neste momento qualquer autoridade ou credibilidade. A posição de força dos controladores aéreos é o reverso da fraqueza de Zapatero.

 

Por isso, é muito importante que outros Governos das redondezas percebam a gravidade de certas situações que toleram ou admitem. Refiro-me, por exemplo, à aprovação de regras sobre cortes de salários e despesas que são sucessivamente excepcionadas até se tornarem injustas e imorais. São estes sinais de fraqueza ou irresponsabilidade que, não tarda, poderão dar origem no nosso país a agitação social de proporções que não podemos adivinhar.

 

 

Contributo para um Governo de Salvação Nacional


Rui Rocha,

 

Primeiro-Ministro: Padre Fontes. Isto  não  foi  lá  com  mentiras.  Talvez se  arranje  com  mezinhas. É homem para fazer o esconjuro da dívida.

Ministro das Finanças: Anthímio de Azevedo. Uma revolução nas contas públicas: vamos acertar uma previsão de vez em quando.

Ministro das Obras Públicas: José Malhoa. Apitó Comboio / Lá vai apitar… 

Ministro da Economia: Galopim de Carvalho. Vai ser preciso escavar muito até encontrar o caminho do crescimento.

Ministro da Educação: Jorge Jesus. As coisas ‘vão melhorarem’ no ensino.

Ministro dos Negócios Estrangeiros: Zezé Camarinha. A chave disto tudo é a Merkel. O ZeZé tem muita experiência em diplomacia com as bifas. E sabe falar inglês: “Want you ZeZé to massajate your back, Angela”? Carrega, Zezé!

Ministro do Emprego: Quim Barreiros. Um gajo que ganha dinheiro a cantar o Mestre da Culinária e a Garagem da Vizinha também é homem para criar 500.000 empregos. Digo eu.

Ministra da Agricultura: Rita Pereira. Uma nova reforma agrária! Aposta nos leitifúndios e na  monocultura intensiva da meloa lusitana.

Ministra da Saúde: Rita Pereira. Sim, vai ficar com um par de ministérios. E daí? Alguma coisa contra? Quem preferir a Ana Jorge que escreva um post.

Ministro da Cultura: José Sócrates. Depois de rebentar com o Estado Social, acabar com os subsídio-dependentes das artes e dos espectáculos vai ser uma brincadeira de meninos. Ficamos todos a ganhar.

Ministro da Defesa: Padre Vítor Melícias. Tem um nome para-militar e sempre se poupava na pensão de reforma. Nada de acumular seu maroto!

Para racionalizar custos, o Conselho de Ministros passará a reunir no salão paroquial de Vilar de Perdizes que, diz quem conhece, é um espaço com alguma dignidade e não será pesado ao erário público.

O Buchmann, os Josés e os Antónios


Rui Rocha,

O prémio para o melhor livro estrangeiro publicado em França foi atribuído há uns dias a Aprender a Rezar na Era da Técnica de Gonçalo M. Tavares (foto). No livro, a personagem principal, Lenz Buchmann (literalmente, “o homem do livro”) é um ser sem qualidades. Um homem que surge na capa de um cirurgião competente, mas desprovido das mais nobres características humanas (bondade ou compaixão). Buchmann é também o arauto de um projecto político que tem como objectivo afirmar a técnica enquanto única questão filosófica e social.

Quando li, recordei-me imediatamente de uns quantos que acreditam que é possível preparar uma geração para o futuro atirando para cima das mesas umas centenas de Magalhães resistentes ao choque. Isto, enquanto vão minando, pelo exemplo e pela incompetência, valores sociais básicos como a ética e a solidariedade.

Infelizmente, não podemos fazer como o Autor que não atribui “nomes comuns às suas personagens para melhor se distanciar delas”. Estamos condenados a conviver de perto com certos “Josés” e “Antónios”.

 

Parabéns Gonçalo, pela merecidíssima distinção!

As 101 (o)posições da Igreja Católica em matéria de uso de preservativo


Rui Rocha,

Se percebi bem, apesar do alarido, a posição da Igreja em matéria de preservativo continua a ser… a do missionário. Ao que parece, o uso foi admitido pelo Papa apenas para determinadas finalidades muito restritas. Imagino que estarão incluídas as gastronómicas (dizem-me que os há com sabor a morango e a pau de canela), as decorativas (em 2011 estarão na moda as cores do Vaticano?), as lúdicas (tal e qual os balões, os sacanas dos látexes!) e as de agasalho (dá muito jeito, com o frio que está). Agora, quando se trata de amandar o gato às filhoses… o bichano que encolha os bigodes: ah, coiso e tal que não pode ser. É isto, não é?

 

PS (sem ofensa aos eleitores portugueses): tendo em conta que a (o)posição não é muito clara, talvez fosse inspiração do Altíssimo criar um serviço de helpdesk no Vaticano com atendimento 24/24 horas. Não vá dar-se o caso de andar por aí alguma mocidade em pecado por desconhecimento ou dúvida na interpretação da doutrina da Santa Madre Igreja.

Pode ter a certeza que não, Dr. Mário Soares


Rui Rocha,

 

Em artigo publicado no DN da passada 3ª feira, Mário Soares defendeu:

(i) a remodelação do governo; (ii) que o governo diga a ‘verdade inteira aos portugueses’; (iii) que ‘o primeiro-ministro fale aos portugueses, a todos, olhos nos olhos, sem intermediários, pelas televisões e pelas rádios’.

Soares, antes de mais, constatou o óbvio: o primeiro-ministro não tem dito a verdade ao país. Posto isto, parece estar convencido de que é possível repor uma relação de confiança entre José Sócrates e os portugueses. Está enganado. Sócrates ocultou-nos  intencionalmente a verdade. Em proveito próprio e em nome de desígnios estranhos ao interesse nacional (a sanha do TGV é só um exemplo). O problema não está na composição do governo, nem a solução na alteração da mensagem. A questão essencial está no abuso de confiança que foi perpetrado por Sócrates. Agora, os portugueses não acreditam numa única palavra do primeiro-ministro. Pior, qualquer afirmação de Sócrates e, por arrasto, dos membros do seu governo, é objecto de galhofa. Parafraseando Eça de Queirós, o governo fala do TGV, gargalhada; Teixeira dos Santos apresenta o orçamento, gargalhada. Desgraçadamente, o país precisa de políticos sérios e não de canastrões em tirocínio para uma carreira na stand up comedy. Pode governar-se contra a contestação social. É impossível governar contra a pilhéria.  A pilhéria alimenta a bloga, a conversa de café e os jornais. Mas, também mina irremediavelmente a credibilidade da governação. E a falta de credibilidade é a razão directa da Bancarrota. Por isso, o problema, pessoal e intransmissível, é Sócrates. Não se trata de lhe comprar ou não um carro em 2ª mão. Trata-se de chegar à única conclusão possível: a de que Sócrates é um veículo político em fim de vida.  A solução é o abate. Assim, respondendo a Mário Soares, acredito que milhões de portugueses estarão disponíveis para baixarem a vista até ao nível dos olhos do Engº. Sócrates. Com um único objectivo. O de o ouvirem dizer, cara a cara, ‘Desculpem’ e ‘Demito-me’.