Ando muito angustiado. Suspeito que os meus filhos já não acreditam no Pai Natal. É claro que os indiozinhos não se descaem. Não acreditam no Pai Natal, mas acreditam que o Pai Natal lhes pode dar prendas. Por interposta pessoa. Ora, isto é tanto mais dramático quanto é certo que a maior parte dos adultos acredita sinceramente no Pai Natal. E dá-lhes muito jeito. É verdade. Vejam bem:
- muitos acreditam que é possível gastar mais do que aquilo que se produz;
- milhares acreditam que as energias renováveis são economicamente viáveis;
- uns tantos acreditam que querem ser eleitos para cargos públicos para promover a igualdade e a redistribuição;
- alguns acreditam que os mercados são o Adamastor (já eu acredito que por trás dos mercados está a minha sogra);
- não falta quem acredite que o rendimento mínimo vai durar sempre;
- tantos acreditam em Novas Oportunidades;
- um pequeno grupo acredita no José Eduardo Bettencourt;
- Sócrates acredita em Teixeira dos Santos;
- Teixeira dos Santos acredita que não pode desobedecer a Sócrates;
- O Emídio Rangel acredita que alguém acredita nele;
- O Tozé acredita que está Seguro;
- O Eurogrupo acredita que Portugal está a fazer uma notável consolidação orçamental;
- Ricardo Salgado acredita que as suas lágrimas são o sal do mar de Portugal;
- D. Duarte de Bragança acredita que é bom ter nacionalidade timorense porque ouviu dizer que o país tem um fundo soberano;
- Jorge Jesus acredita no acordo ortográfico (argumento de autoridade);
- 30% dos portugueses ainda acreditam em Sócrates (este mesmo grupo acredita também no Professor Bambo e na Mulher Elástica).
Toda esta gente, porque acredita nestas coisas, acredita certamente no Pai Natal. E eu também acredito (aquilo da minha sogra e dos mercados é mesmo a sério e até estou convencido que o Sporting este ano ainda vai lá). Aliás, vou já a seguir escrever-lhe uma cartinha. E o caro leitor, em que é que (não) acredita?


Não acredito que você acredite no que escreve…
Pronto, João. Apanhou-me. Naquela parte do Sporting… Mas, no resto, acredite.
Muito bom. A partir de agora, também passei a acreditar no Pai Natal.
E faz bem, Hugo. Vai ver que a partir de agora vão ser só vantagens.
Faz bem em acreditar. Afinal alguém alguma vez viu o ‘não acreditar no Pai Natal’ criar empregos?
Olhando para esta frase parece que o Pai Natal é o líder de uma distrital do Partido Socialista…
Está bem visto, Paulo.
Custa-me a acreditar neste teu fôlego de bloguista!
🙂
São os efeitos, não sei se positivos, da Sopa do Mar, Ana.
Em Angra?
Antes fosse, João. Tive que me contentar com um sucedâneo ali para os lados de Matosinhos.