Se percebi bem, apesar do alarido, a posição da Igreja em matéria de preservativo continua a ser… a do missionário. Ao que parece, o uso foi admitido pelo Papa apenas para determinadas finalidades muito restritas. Imagino que estarão incluídas as gastronómicas (dizem-me que os há com sabor a morango e a pau de canela), as decorativas (em 2011 estarão na moda as cores do Vaticano?), as lúdicas (tal e qual os balões, os sacanas dos látexes!) e as de agasalho (dá muito jeito, com o frio que está). Agora, quando se trata de amandar o gato às filhoses… o bichano que encolha os bigodes: ah, coiso e tal que não pode ser. É isto, não é?
PS (sem ofensa aos eleitores portugueses): tendo em conta que a (o)posição não é muito clara, talvez fosse inspiração do Altíssimo criar um serviço de helpdesk no Vaticano com atendimento 24/24 horas. Não vá dar-se o caso de andar por aí alguma mocidade em pecado por desconhecimento ou dúvida na interpretação da doutrina da Santa Madre Igreja.

Não entendo esta obsessão com a posição da igreja católica. Não acredito que as suas recomendações ou proibições na matéria influenciem quem quer que seja, menos ainda em Portugal, país de catolicismo peculiar, pelo menos se comparado com o polaco ou o irlandês. Não acredito que o remédio para a doença esteja no preservativo (que detesto), embora as multinacionais do ramo tenham obviamente posição diferente. É preciso agir contra a sida? Sem dúvida. As políticas seguidas têm resultado? Duvido, pelo menos no caso português. Que fazer? “Mudem de rumo, mudem de rumo”.
Caro José Catarino,
deixe-me dizer-lhe que percebo bem o que diz. Na minha opinião, é a Igreja Católica quem se presta ao empolamento da questão do preservativo. Entendo que a Igreja Católica assuma uma posição sobre o amor e a família. Devo dizer-lhe que, nesse aspecto, a minha visão é até muito próxima. Dito isto, não vejo qualquer necessidade (ou utilidade prática) em a Igreja Católica ter uma posição concreta sobre o preservativo.
Nunca entendi esta teimosia da Igreja Católica contra o uso do preservativo, nem porque se deixou enrolar nesta polémica com essa atitude. Entendo, porque faz todo o sentido à luz dos preceitos católicos, que se condene um meio de contracepção abortivo. Mas isso não é o caso do preservativo, que é um mero anti-concepcional tal como outros que a Igreja permite, como o método das temperaturas ou a simples abstinência sexual. Ambos impedem também a procriação, se é esse o argumento.
Dito isto, sempre gostava de ver os chefes espirituais do Islão a mudar um milímetro que fosse das suas posições radicais ou a permitir, sequer, que elas fossem criticadas na praça pública.
Sem dúvida, Ana.