Esta juventude nova de agora…


Rui Rocha,

A Juventude do PSOE publicitou um vídeo em que, numa homilia, a hóstia é substituída por um preservativo. O nome do vídeo, que entretanto deixou de estar disponível , é ‘Bendito el condón que quita el pecado del mundo’.

A Igreja Católica, entretanto, ripostou com este:

Percebo que a Igreja Católica tenha uma mensagem em relação ao amor e à família. Pessoalmente, embora seja crítico da Igreja Católica, até me sinto próximo dessa mensagem. Não percebo, todavia, que a Igreja Católica tenha uma posição concreta sobre o uso de preservativo. E que a posição seja a que é, mesmo depois do entreabrir de portas timidamente admitido recentemente por Bento XVI.

Entretanto, é justo realçar que a resposta de outros credos e religiões a posições que questionam os seus dogmas é, em muitos casos, muito mais agressiva do que a mera publicação de um contra-vídeo. Talvez por isso, a corajosa Juventude Socialista tenha mantido a abstinência no que diz respeito a figuras de estilo com Burqas.

23 comentários em “Esta juventude nova de agora…”

  1. A JSOE (?) no seu corajoso frenesim denunciador prefere fazer piadas sobre a Igreja do que sobre o Islão por saber que assim não se arrisca a levar com uma bomba no metropolitano.
    Do leque de religiões disponíveis, e sem que tenham consciência disso, é por medo que escolhem os seus alvos.

  2. Tens razão, Rui, quando não percebes que a Igreja Católica tem uma posição concreta sobre o uso de preservativo e que a posição seja a que é, mesmo depois do entreabrir de portas timidamente admitido, e continuas a ter quando realças que a resposta de outros credos e religiões a posições que questionam os seus dogmas é, em muitos casos, muito mais agressiva do que a mera publicação de um contra-vídeo.

    Mas as coisas são simples: ou se aceita, porque é de fé que se trata, ou não se aceita. A Igreja católica sabe o mesmo que nós e a resposta em geral que prega é sobre uma linha de conduta. Porque é que pouco ligamos a isso e depois queremos comodamente que a Igreja venha atrás de nós?

    Na verdade, a Igreja vem a nós, mas sem alterar os princípios básicos. Não só vem como constitui a maior instituição assistencial do mundo, exercida com abnegação e espírito missionário, nos lugares mais recônditos e sem olhar a credos, da educação à orfandade e da saúde à velhice, passando por acções e iniciativas que os Estados deste lado dito civilizado do mundo se dispensaram, por saber que a Igreja os substitui na garantia de princípios por vezes até constitucionais que nunca cumprem.

    Ao fim e ao cabo, tem pouca agressividade e é pouco questionada no seu seio em relação aos seus princípios básicos? É possível. Como dizes, outras religiões são muito mais firmes na defesa de princípios (no Médio Oriente são até muito convincentes; sei que não é disso que falas, mas isso também existe) e muito mais abertas a algumas mundanices (apesar de as inúmeras crenças ditas cristãs que me ocorrem e proliferam só saberem ler o Testamento com um olho).

    A Igreja conduzida, afinal, por homens merece ser questionada e nem sempre parece estar à altura? Sem dúvida. Julgo até que não falta quem o faça, do lado de dentro. Mas é como te disse: torna-se mais simples, sem que o todo deixe de ser complexo, entender que coexistimos com gente de fé, por imperfeita que seja. Perante isso, a tolerância passa a ser uma consequência pacífica e não casa com a pergunta habitual: por que é que não é assim como eu queria que fosse?

    Em suma: uns aceitam e seguem, outros não e afastam-se. O que, mesmo assim, não tem impedido que a Igreja seja um alvo muito mais fácil e apetecível, até para caricaturarmos, do que as religiões que se vingam dos seus detractores.

    Isto dá que pensar, Rui, porque sempre me pareceu muito mais importante denunciar crenças desviadas dos princípios humanistas mais primários do que achincalhar uma religião que está na base da nossa cultura e em cujos valores nos revemos generica e facilmente. Certo?

    1. Estou completamente de acordo. Quanto ao preservativo, já me pronunciei num comentário anterior. Em suma, não percebo como é que uma qualquer pessoa pode desprezar as indicações da igreja católica em matéria de conduta moral e segui-las no que concerne à (não) utilização do preservativo. Se não liga a uma coisa, não fará caso da outra, parece-me.
      Parabéns pelo post (embora pessoalmente discorde do amor plastificado, excepto em circunstâncias especiais) e pelo comentário do João Carvalho, que expressou o meu ponto de vista muito melhor do que eu seria capaz de o fazer.

  3. Parabéns pelo post, mostrando como oportuna e brilhante pode ser a resposta a uma insolência.
    Bonita de se ver, dá que pensar também.
    Como muito bem diz, é sempre mais fácil atacar os mais tolerantes.
    Outros credos, outras religiões, não são apenas mais agressivos, são verdadeiras ditaduras fanáticas, que ignoram totalmente os mais primários direitos humanos.
    Não é o caso da Igreja Católica, que lidera grande parte dos projectos de ajuda humanitária, independentemente de cor, raça, religião. Apesar de todos pensarmos ou desejarmos que fosse mais além nos seus dogmas.
    Ainda sobre o tema, gostei muito do comentário do João Carvalho, muito acertado e que complementa o seu. Trabalho em equipe, sem dúvida!

    Ao ver o vídeo com toda a atenção que merece, lembrei-me das palavras de Madre Teresa de Calcutá:
    “O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares?
    – Eu também não.
    Só por amor se pode dar banho a um leproso”.

    1. Obrigado, Macarvalho. Creio que é justo sublinhar que o Post só fica completo com os comentários a que deu origem. Só por isso já valeu a pena, embora eu pense que o do João bem valia um Post autónomo.

      1. Agradecido, Rui, mas o DO é o projecto de equipa que ambos escolhemos. Por isso é que gostamos de entrar nas caixas de comentários uns dos outros. Quando isso é útil também para os nossos leitores e comentadores, tanto melhor.

        Achei muito oportuna a referência final da nossa comentadora MACarvalho.

  4. Em Espanha luta-se por aquilo em que se acredita ao contrário do nosso pobre e esfarrapado país onde poucos lutam pelos seus ideais e onde somos confrontados a cada dia que passa com mais injustiças e ninguém sequer se manifesta!

    Estamos a ser engolidos por um sistema injusto e a igreja Católica que tem as mãos manchadas de sangue tal como as outras grandes religiões ainda tem este tipo de atitudes que comprometem a moral e a ética que os seus líderes religiosos tanto proclamam… Sim ao amor, sim à família mas sim à consciencialização e à prevenção relativamente a riscos inerentes que continuam a acontecer e a fazer milhões de vitimas!

    Está na hora de mudanças sérias no planeta, ontem revi um documentário, RELIGOLOUS ” que mostra claramente que a parte da população que não tem qualquer credo religioso é mais feliz!

    Cumprimentos e continuem o bom trabalho deste fantástico blogue! 😉

    1. «Em Espanha luta-se por aquilo em que se acredita ao contrário do nosso pobre e esfarrapado país»? Meu caro, aqui não foi preciso: há preservativos que até são gratuitos.

      Os países têm mais ou menos defeitos e o nosso não é seguramente um exemplo, mas não vejo a ligação disso com a Igreja «que tem as mãos manchadas de sangue». É uma referência histórica? Portugueses, espanhois e praticamente todos os povos do mundo mancharam as mãos de sangue, religiosos ou não.

      Se precisar de uma pilha de documentários que demonstrem exactamente o contrário daquele que o transtornou, é só dizer. Espero que nunca venha a precisar de apoio do nosso esfrangalhado “Estado social”, porque seria muito provável que fosse a Igreja a prestar-lho.

      1. Li com atenção a todos os comentários, e assim expresso a minha opinião que independentemente de qualquer crença ou religião.
        Acho que quando há confiança e certeza do AMOR, o “plastificado” não deveria ser usado.
        Mas em caso de dúvida, aceito para assim ser evitado a propagação dessas inúmeras doenças.

    2. Ou seja, para si os ideais só existem se praticados fora da esfera religiosa; e que quem não tem credos religiosos não tem as mãos manchadas de sangue (tivemos o século XX para o comprovar).

      Quanto à “felicidade” de que fala no útimo parágrafo, não serão meras compensações materiais? Tivemos uma conhecida experiência na albânia, e a população estava longe de ser feliz. Já ouvi exactamente o contrário, incluindo muitas pessoas que a uma dada altura das suas vidas, alcançaram a Fé.

  5. Pergunto-me quais seriam as repercussões se a Igreja espanhola (bastante intransigente, ao que sei) criasse um video a ridicularizar o PSOE; seria acusada de ingerência na vida política. É exactamente isso o que faz a jota do PSOE; no seu entendimento, a laicidade serve para que a igreja não interfira nos assuntos políticos, mas o contrário já não lhe é exigido. Depois perguntem como é que começou a guerra civil de Espanha…

  6. Muito Obrigada, João, pelo comentário e pela partilha do video que não conhecia.
    Como Católica nada me satisfaz mais do que ver os temas debatidos com a seriedade e a calma com que colocou toda a questão…
    É Raro.
    Grata,
    Teresa Miranda

    1. No suposto que se dirige a mim, cara Teresa, o post (vídeo incluído) é do Rui. A minha presença aqui foi (é) a de mero comentador. Mas agradeço as suas palavras na mesma.

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