O prémio para o melhor livro estrangeiro publicado em França foi atribuído há uns dias a Aprender a Rezar na Era da Técnica de Gonçalo M. Tavares (foto). No livro, a personagem principal, Lenz Buchmann (literalmente, “o homem do livro”) é um ser sem qualidades. Um homem que surge na capa de um cirurgião competente, mas desprovido das mais nobres características humanas (bondade ou compaixão). Buchmann é também o arauto de um projecto político que tem como objectivo afirmar a técnica enquanto única questão filosófica e social.
Quando li, recordei-me imediatamente de uns quantos que acreditam que é possível preparar uma geração para o futuro atirando para cima das mesas umas centenas de Magalhães resistentes ao choque. Isto, enquanto vão minando, pelo exemplo e pela incompetência, valores sociais básicos como a ética e a solidariedade.
Infelizmente, não podemos fazer como o Autor que não atribui “nomes comuns às suas personagens para melhor se distanciar delas”. Estamos condenados a conviver de perto com certos “Josés” e “Antónios”.
Parabéns Gonçalo, pela merecidíssima distinção!


Um grande autor, o que é bem mais do que um grande escritor. Associo-me a tão justa homenagem e só espero que os portugueses o leiam, como ele merece.
Nem mais, Sérgio.
Já está na minha lista para o Pai Natal. Gonçalo M Tavares já é um dos grandes da nossa literatura.
E que potencial de crescimento, Teresa.
Este é um grande senhor. Escreve para lá da sensibilidade e da lucidez. Encontram-se, em cada parágrafo, bocados de inteligência que reúne nas páginas que escreve e respira. Li-as todas e aguardo cada publicação na fila do contentamento por sabe-lo grande autor e grande pessoa. Parabéns, Gonçalo!
Público o comentário e subscrevo, Dobra.