Ontem, como estive para o outro lado, comprei o El Pais. Hoje comprei o Público. Leio ambos com a mesma satisfação.
O Público parece estar a querer voltar aos tempos que fizeram dele um bom jornal. Passada a fase mais radical, mais atabalhoada, mais “neo-con“, o jornal volta a ter um conteúdo equilibrado, com textos interessantes e, perdoem-me o palavrão, abrangentes.
É um excelente sinal quando são cada vez menos os jornais interessantes e com alguma coisa para ler, o que de certa forma também explicará a redução do número de leitores. Bem sei que Mário Crespo escreve na Penthouse, mas não me parece que a liberdade que a revista lhe dá – e ainda bem que assim é – a torne numa revista que dispense o “controlo parental”.
Para além das rubricas habituais e da atenção que confere ao que se passou no grupo parlamentar do PS, o Público continua a fazer o acompanhamento das presidenciais, traz um excelente texto sobre Ernâni Lopes, aliás com chamada à primeira página e com uma bela fotografia desse cidadão que nos deixou, um bom editorial, um artigo de José Manuel Fernandes, que merecia uma resposta (na parte relativa à Ordem dos Advogados, já que as coisas continuam a não ser tão simples quanto lhe possam parecer), a habitual coluna de Miguel Esteves Cardoso e o imprescindível artigo de Vasco Pulido Valente.
Quanto a este seria bom que todos aqueles que apareceram recentemente a falar e a escrever sobre Sá Carneiro o lessem.
Tenho pena que a política do Público não permita ter os seus textos de opinião em linha, pelo menos ao fim de alguns dias. É uma decisão compreensível sem deixar, todavia, de ser redutora e castradora da formação da opinião pública. Com a crise que atravessamos seria bom que quem não pode comprar um jornal todos os dias de alguma maneira tivesse acesso à informação. À informação que pode ajudar a formar. E digo isto porque felizmente, embora compre muitos jornais e revistas, continuo a poder ler os textos de opinião que são publicados na maioria dos jornais europeus e de algumas revistas, como a italiana L’Espresso, sem ter pagar qualquer quantia ou de me fazer assinante.
De qualquer modo, é óptimo poder voltar a contar com o Público.
