Nas famílias, mais tarde ou mais cedo, chega o momento em que os filhos deixam de viver à custa dos pais. Nas democracias, os pais do regime nunca deixam de viver à custa dos filhos.
Famílias disfuncionais
Rui Rocha,
Nas famílias, mais tarde ou mais cedo, chega o momento em que os filhos deixam de viver à custa dos pais. Nas democracias, os pais do regime nunca deixam de viver à custa dos filhos.
Prognóstico para a manchete de amanhã do Jornal da Madeira: PND reúne candidatos no Jornal da Madeira e apela ao voto em Alberto João Jardim.
No Diário de Notícias– 270 toneladas de prata, no valor de 170 milhões de euros, num navio encontrado a 4700 metros de profundidade.
No Jornal de Notícias – 240 toneladas de prata, no valor de 150 milhões de euros, num navio encontrado a 4000 metros de profundidade.
No Diário Digital: 200 toneladas de prata, no valor de 170 milhões de euros, num navio encontrado a 4700 metros de profundidade.
No Sol – 240 toneladas de prata, no valor de 170 milhões de euros, num navio encontrado a quase 5000 metros de profundidade.
No Dinheiro Digital – 220 toneladas de prata, no valor de 160 milhões de euros, num navio encontrado a 4700 metros de profundidade.
No Público: 240 toneladas de prata, no valor de 170 milhões de euros, num navio encontrado a 4700 metros de profundidade.
E, last but not the least, a notícia choque no Correio da Manhã: Barco afundado poderá lucrar 34 milhões de euros. Bom proveito lhe faça, lá nas profundezas, que a mim dói-me muito a cabeça.
De acordo com o barómetro TSF / Diário Económico, os primeiros 100 dias de governo assinalam uma subida expressiva do PSD e um desastre para o PS e para o CDS. O estado de desgraça do país é o palco de um estado de graça de Passos Coelho que reforça junto dos eleitores o benefício da dívida. Apesar de vários erros de percurso e de já ter sido obrigado a quebrar promessas eleitorais, o Primeiro-Ministro tem conseguido passar a mensagem essencial. É diferente de Sócrates. E isso marca um aspecto fundamental que deve ser considerado pela oposição nos próximos tempos. Não adianta insistir na reabilitação daquele que agora se dedica a cursar filosofia em Paris. A alternativa a Passos Coelho, sempre indispensável em democracia, não pode ser o regresso a Sócrates ou aos seus métodos. Há-de fazer-se por caminho diferente. O caminho que Seguro ainda não encontrou.
Não é todos os dias que temos uma luta de Luíses. A coisa só fica esclarecida com uma prova de conceito. O Menezes Leitão traz o spray e o M. Jorge dá as paredes lá de casa dele.
A extinção da Fundação para as Comunicações Móveis e o fim da distribuição dos computadores Magalhães simboliza o ponto final na ilusão de que seria possível tornar Portugal um país mesmo muito evoluído. Com Sócrates, tinha a secreta esperança de que, embalado pelo sucesso dos programas E-escolas E-escolinhas, este viesse a lançar os programas Rodas e Rodinhas. Através dos quais seria possível aos pacatos e ordeiros cidadãos lusitanos adquirirem viaturas topo de gama ou compactos familiares por, respectivamente, 2000€ e 1000€ a unidade, ficando a seu cargo, apenas, as revisões periódicas junto dos concessionários oficiais das marcas aderentes. E a substituição dos pneus. Com estes miserabilistas que lá estão agora, já vi que nada feito.
“Ofereci 500.000 contos pelo Pinto da Costa”.
Joe Berardo
“A farinheira é um produto que já me deu muitas alegrias.”
Júlia Pinheiro
Este é, hoje, o nome de código da operação de esperança e desespero de milhares de candidatos à contratação de professores. Nos primeiros meses do ano lectivo, a segunda-feira é, assim a mão incerta dos serviços do Ministério da Educação o permita, o dia de maior ansiedade. Hoje a BR 03, para a semana a BR 04. No fórum do Educare ou no chat dos Professores Lusos, o dia corre à velocidade do sonho, da solidariedade, da angústia, do boato, da maldade, da informação e da contra-informação. Ali está a amostra mais acabada do Portugal que temos. As vidas adiadas. O desemprego de licenciados. As consequências das apostas erradas em cursos sem qualquer futuro. O professor competentíssimo que vê, injustamente, a possibilidade de ter uma vida profissional útil tapada pelo bloqueio do quadro. O marmelo que nunca soube aprender, quanto mais ensinar (e muito menos escrever). O comissário político que faz da agitação de massas modo de vida. Os conformados que estando mal são incapazes de dar a volta por outro lado. Os que lutam, apesar de tudo. Os que desconhecem os seus direitos e os poucos que os exercem. Os que calam, os que comem e os que gostavam de comer tudo. E também, ou sobretudo, o papel pernicioso do Estado. Esse que não soube orientar a oferta do ensino superior público em função das necessidades do país. Que não quis ser garantia da qualidade dos cursos de formação de professores, aqui se incluindo a adopção de um critério de exigência na admissão e na certificação. Que se demite da função de regulador dos concursos, lançando a cada passo a confusão, interpretações erróneas, alterações de regras a meio do jogo e que se escuda em desculpas de algoritmo. Que assobia e vira a cabeça para o lado quando uma escola lança como critério de selecção a letra do alfabeto do nome próprio dos candidatos. E, pior do que isso, o do Estado que não é uma pessoa de bem pois arroga-se o poder de negar os mais elementares direitos dos cidadãos. Os comentários no Educare e nos Professores Lusos são um documento sociológico fundamental para a compreensão do Portugal contemporâneo e, tratando-se de educação, dos perigos que espreitam o país futuro. Mas, quem lá for que o faça com o respeito que merecem as pessoas que, independentemente do motivo, vivem vidas suspensas.

Em Pindobaçu, na Bahia, Maria Nilza amava Virlan Anastácio e contratou Carlos Roberto para matar Iranildes, a mulher do primeiro. Prevenida, Maria Nilza acordou o pagamento (400€, ao que se sabe) contra factura, digo, contra prova do crime. E esta apareceu: a fotografia de Iranildes, aparentemente ensanguentada e com uma faca espetada no corpo. Uns dias mais tarde, porém, veio a descobrir-se a tramóia quando Maria Nilza encontrou Iranildes na rua, jovial e cheia de saúde. Afinal, a roupa de Iranildes tinha apenas ketchup e a faca estava presa na axila. Por cá, também temos a nossa Pindobaçu. Por estes dias, chama-se Madeira e, não sendo na Bahia, fica ali no Oceano Atlântico. O protagonista principal da nossa novela é Alberto João Jardim. Para continuar com a torneira do orçamento aberta, ameaça-nos com a independência. Mas, não é sangue independentista que lhe mancha o fato de carnaval. É apenas ketchup. Comprado com os nossos impostos. Todos sabemos que Alberto João Jardim está tão mortinho pela independência como Iranildes tinha vontade de morrer. Falta apenas falar da faca na axila. Essa, foi Passos Coelho que a cravou.
Isto é, Ana: em 2015 as mulheres sauditas poderão votar, se os maridos deixarem, nos candidatos que os maridos escolherem.
No passado, fui um leitor assíduo de jornais. Se bem me lembro (já lá vai algum tempo), considerava aqueles que lia como interlocutores amáveis e respeitadores que eu próprio convidava para os meus espaços e para os meus momentos. Esperava deles, como espero dos amigos, o melhor comportamento. Isso inclui sensibilidade e sentido estético. Mesmo, ou sobretudo, quando se trata de transmitir as piores notícias. É exactamente isso que continuo a pensar a propósito da exibição de fotografias violentas ou de cadáveres em jornais, agora que sou um leitor ocasional. Como em tudo, a decisão de publicar violência apela a uma regra de equilíbrio e de bom senso jornalístico. Publicar sempre ou nunca publicar são, por natureza, atitudes desequilibradas. O bom senso diz ainda que não é a mesma coisa publicar na primeira página ou nas páginas interiores, a cores ou a preto e branco. Tratando-se de situações de fronteira, é evidente que qualquer meio de comunicação tem o seu próprio código de ética ou livro de estilo, nos quais estão definidas orientações para este tipo de situações. Deste modo, a publicação pelo Sol da imagem de um cadáver, em primeira página, na sua última edição, não pode ser considerada um acidente. Trata-se, pelo contrário, de uma atitude deliberada e consciente. Sem ter a pretensão de ser um especialista na matéria, não me parece arriscado supor que a generalidade dos livros de estilo jornalísticos devem adoptar como critério a relevância da publicação da imagem para a compreensão dos factos. E que esta deve ser entendida não apenas como a apropriação dos factos pelos sentidos mas, mais do que isso, como a possibilidade de construção de significados inteligentes. E será ainda assim (até será mais) no contexto dos jornalismos de causas ou de investigação. Isto é, se o critério puramente estético aconselharia que nunca se publicassem imagens de violência, este poderá ser afastado sempre que tal se imponha por um critério utilitário que, em todo o caso, estará ancorado em princípios éticos e deontológicos. Ora, no caso concreto do Sol, o que está em causa é a investigação jornalística sobre o assassinato de alguém e a eventual responsabilidade de um suspeito em tal desfecho. A publicação da imagem do cadáver na primeira página é absolutamente neutra desse ponto de vista. Não aquece, nem arrefece. Mas, já não o é do ponto de vista estético. A violação do critério estético sem nada que o justifique pelo ângulo da compreensão da notícia coloca esta decisão fora do domínio do deontologicamente aceitável. Não posso afirmar que deixarei de comprar o Sol porque, em geral, já não o compro. Mas, lamento que este esteja deliberadamente a eclipsar-se, numa vertigem de mau jornalismo. Coerente, aliás, com outros momentos recentes (veja-se este editorial de José António Saraiva). Por cada jornal que se degrada, há um espaço de cidadania que fica por ocupar. A mera tentação de vender não justifica tudo. Em rigor, não justifica nada. Dir-me-ão que exijo mais ao Sol do que ao Correio da Manhã. Contraponho que este último já não é, em rigor, um jornal e que ao Sol ainda o tinha nessa conta.
O clássico confirmou que nem o Porto nem o Benfica são as equipas do ano passado. O Porto tem menos ponta-de-lança e menos treinador. O Benfica está mais equilibrado. Apesar disso, o Porto entrou bem no jogo. No final da primeira parte ganhava por um golo e podia estar a ganhar por mais, perante um Benfica insuficiente. Na segunda parte, mais Benfica e menos Porto. Jorge Jesus organizou melhor a equipa e beneficiou de alguma desorientação de Vítor Pereira. Este tardou em ler o estouro de Varela e a substituição de Guarin por Belluschi tirou eficácia ao Porto. Entretanto, as melhores unidades do Benfica apareciam mais soltas. Num jogo sem roubos de igreja e sem excessos violentos (os portistas falam todavia de uma agressão de Cardozo), um empate com sabor a pouco para o Porto, razoavelmente saboroso para o Benfica e doce para o Sporting, que tem uma oportunidade única de se atravessar na luta por um título que parecia já perdido. Amargo, realmente, apenas o facto de ser preciso contratar um detective privado para descobrir um jogador português em qualquer uma das equipas.
É isto que somos. Um país em que todos temos opinião sobre tudo e coisa nenhuma. Em que qualquer um se sente com competência para aconselhar o Presidente da República sobre a poda das suas anonas. Desta vez foi um Leopoldo açoreano que teve o topete de afirmar que as anonas são pouco sensíveis à poda. Imagine-se. Mas, podia ter sido outro qualquer. Ora, quem percebe um bocadinho de anonas em geral, e as anonas do Presidente não hão-de ser muito diferentes, sabe bem que a poda é essencial em vários momentos e que se deve fazer como passo a explicar:
Esclarecido este ponto, espero que o Presidente da República preste a devida importância à poda das suas anonas e que não as ponha nas mãos de um habilidoso qualquer. Enfim, o que importa é que tudo corra pelo melhor. Mas, lá que não falta quem faça figuras ridículas por se pronunciar sobre assuntos que não domina, lá isso… Depois, admiram-se que as vacas passem os dias na galhofa!