É isto que somos. Um país em que todos temos opinião sobre tudo e coisa nenhuma. Em que qualquer um se sente com competência para aconselhar o Presidente da República sobre a poda das suas anonas. Desta vez foi um Leopoldo açoreano que teve o topete de afirmar que as anonas são pouco sensíveis à poda. Imagine-se. Mas, podia ter sido outro qualquer. Ora, quem percebe um bocadinho de anonas em geral, e as anonas do Presidente não hão-de ser muito diferentes, sabe bem que a poda é essencial em vários momentos e que se deve fazer como passo a explicar:
a) poda de formação – manter um tronco de 40 a 50cm, que proporciona maior aeração, próximo ao colo da planta para controle fitossanitário. Entre 50 a 70cm, formar três ou quatro pernadas bem distribuídas, deixando dois ramos de cada pernada, de 45 a 50cm; esses ramos podem emitir quatro brotos que deverão ser conduzidos de modo a proporcionar à copa a forma de taça. Nos ferimentos de corte, aplicar pasta cúprica contendo sal de cozinha;
b) poda de produção – durante o verão (maior desenvolvimento das plantas), fazer poda leve, despontando os ramos escolhidos, de modo a ficarem com 40 a 50cm de comprimento; desse modo, provoca-se a emissão de ramos de florescimento, visando às produções fora da época normal. Depois de 30 a 40 dias ocorre o florescimento;
c) poda de limpeza – abertura da copa e limitação de crescimento vertical: antes do novo período vegetativo eliminar ramos doentes, mal dispostos, em excesso e aqueles da parte superior da copa (se necessário).
Esclarecido este ponto, espero que o Presidente da República preste a devida importância à poda das suas anonas e que não as ponha nas mãos de um habilidoso qualquer. Enfim, o que importa é que tudo corra pelo melhor. Mas, lá que não falta quem faça figuras ridículas por se pronunciar sobre assuntos que não domina, lá isso… Depois, admiram-se que as vacas passem os dias na galhofa!
Mas “cagande”… poda…
Como diz Joaquim Letria no CM de hoje, ainda vamos ouvir o senhor PRepúbica a falar com um anti-ciclone!!
Estamos cozidos, Amendes. Numa furna.
E andaram tanto tempo a dizer que o homem é que sabe da poda…
Vejo o homem com a tesoura um bocado desgastada, não desfazendo, Eduardo.
Com ou sem poda, Rui, anona será sempre sinónimo de hino à alegria.
Campos de anonas, forever, Jaa.
Fiquei a saber como se dá uma poda celestial nas ditas-cujas. A crescer e a aprender.
Ah, e apreciei sobremaneira o tratamento do “colo” e das “pernadas” de molde a podermos ter “quatro brotos” (ena, ena…quatro?)e, bem assim, o uso aconselhável da “pasta cúprica” (nada como prevenir, não vá o nemátodo transferir-se para as anonas).
Completando o bucolismo da aprendizagem versus paisagem, deparamos com as vacas que riem.
Saberão elas que, entre outros derivados, serão proximamente triangulozinhos de queijo??Riem de quê?será que são da família da hiena?
Percebo o seu entusiasmo, Vincent. Também eu senti o mesmo. E faz muito bem em falar em queijo. Sua, salvo seja, Excelência também provou o de S. Jorge que os netos, ao que diz, muito apreciam. Bom proveito lhe faça, que mais podemos nós desejar?
Não acho de bom tom podar a avó, mesmo que ela seja da máfia.
Há algo que me perturba desde os tempos de menino, Ana. Tenho muita dificuldade em distinguir a avozinha do lobo.
E tens razões para isso: a avozinha está dentro do lobo, nunca se sabe qual deles está de serviço…
Estou aqui perdida de riso ante este post e respectivos comentários.
Eu e as vacas, claro.
Bem hajam!
Ainda bem, Gi
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A poda da anona fez-me lembrar, sei lá porquê, ‘A Tonga da Mironga do Kabuletê’. Faz-nos falta um Vinicius.
E muitos “morais”.
Daquela vez o Durão Barroso devia ter falado na ‘tonga’ em vez da tanga. A popularidade dele ainda hoje seria estratosférica.