O aeromorto de Beja vai crescer não sei quantos e tal por cento


Rui Rocha,
 

As estimativas elaboradas pelo governo de Sócrates pecaram sempre por defeito. No caso do aeromorto de Beja, o número de passageiros previsto para 2009 era de 178.000 (cento e setenta e oito mil). Imagino-os, aos irresponsáveis pelos estudo de viabilidade, a discutir, noite dentro, o modelo de previsão e os seus resultados. 100.000 (cem mil) terá dito um. 200.000 (duzentos mil) terá gritado outro. Nem pensar, são 180.000 (cento e oitenta mil) ter-se-á indignado um terceiro. E depois, a decisão política do próprio Sócrates, tomada entre colunas de fumo mal dormidas: Na, na, na, isso são números muito redondos, próprios de tecnocratas, ponham lá 178.000 (cento e setenta e oito mil). O número real, entre 22 de Maio e 31 de Julho deste ano, foi de 164 passageiros (cento e sessenta e quatro; uma centena, seis dezenas e quatro unidades). É um defeito de previsão do caraças. É um buraco onde cabem 10 milhões (dez milhões) de portugueses e ainda sobra espaço para o Jardim fazer um comício e dançar o bailinho. Mas, nem tudo são más notícias. É possível que entre Outubro e Novembro aterrem no aeroporto 1.200 (mil e duzentos) passageiros. Isto é, em média, 19,67 passageiros por dia, se incluirmos o feriado de 5 de Outubro e o dia de finados. Eu, que não sei fazer contas, digo que será um crescimento de não sei quantos e tal por cento face aos meses anteriores, o que é de facto extraordinário. Mas, nem tudo são rosas. Algo me diz que os números são de tal maneira impressionantes que é praticamente impossível manter este brutal ritmo de crescimento durante muito tempo. 

Tranströmer – Nobel da Literatura


Rui Rocha,

 

A Academia Sueca justifica a atribuição do Nobel da Literatura a Tomas Tranströmer com o facto de este nos dar, “através das suas imagens condensadas e translúcidas, uma nova abordagem da realidade”.

 

Tal como muitas outras vozes que se têm pronunciado com profundidade sobre a escrita do poeta sueco, também eu não conhecia a sua obra. Por isso, fui ver. Nada melhor para testar a tese da Academia Sueca do que dois textos inspirados em Portugal.

 

Num deles, uma pincelada sobre Alfama em que está tanto do nosso país. Duas prisões, uma das quais para gatunos que gritam para ser fotografados (a busca da notoriedade ou a necessidade de certificar a injustiça… fosse escrito hoje e não teria dúvidas em optar pela primeira). Um político, também ele preso a uns binóculos com que vê para além do mar. Enquanto ignora a realidade. Um  revisor malicioso de um eléctrico que sobe enquanto canta, mal sabendo que a malícia do seu comentário, proferido baixinho, e que é também uma forma de alheamento e desresponsabilização, lhe prepara a descida:

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas
subidas.
Havia
duas prisões. Uma delas era para os gatunos.
Eles acenavam através das grades.
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados!

“Mas aqui”, dizia o revisor e ria baixinho, maliciosamente,
“aqui sentam-se os políticos”. Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
e em cima, a uma janela, um homem,
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando
para além do mar.
 

No outro, sobre o Funchal, para além de uma descrição fabulosa do peixe fresco (“Cada dentada diz-nos que o oceano nos quer bem, um zunido das profundezas”) e de uma alusão comovente à vida e ao amor (“acontecimentos que nos poderiam ter separado se não nos tivessem unido“), uma frase com todo o peso de ser dita com a Madeira em fundo: um homem não é uma ilha.

 

Um poeta é, antes de mais, um visionário. Vê, no presente, como se sentisse. E sente o futuro como se o visse. Para além disso, acontece-lhe escrever em verso. Pouco li de Tranströmer. Mas, é bem possível que o Nobel esteja em boas mãos.

 

* encontrei os textos aqui.

Adélia


Rui Rocha,

 

Lembras-te, amor, daquele poente de verão? O mar tomava-te as mãos e logo as deixava. Eu não. Bebi nelas todo o sal que chorei nos invernos que vieram. E é nelas que encontro calor nas memórias de Novembro. Um poente de promessas, disseste-me. E só isso teria sido se não tivéssemos vivido mão na mão. Sabemos agora que nem todas se cumpriram. Umas amargaram. Algumas chegaram, se bem que tardias. Por cada uma das que nos falharam, outras se prometeram. Não há poente de verão que nos diga do frio das madrugadas. Mas, foi nas tuas mãos geladas que o senti, mão na mão. E, de todas as outras tardes de verão, as melhores foram, bem sabes, as que nada prometeram. Apareceram. Tal como eram. E assim as recebemos, mão na mão. Quantos Novembros que se farão memória nos estarão anunciados? Há, amor, outras formas de aquecer as mãos. Mas, se as apartássemos, não saberíamos quantas daquelas promessas se atrasaram e ainda serão. E é, amor, sempre esse sal que quero chorar em todos os invernos e nas madrugadas geladas. Mão na mão.

Não há Lama no cais


Rui Rocha,

 

O dinheiro chinês compra quem estiver disponível para ser comprado. Jacob Zuma vendeu-se. No país de Mandela, o actual Presidente deu cobertura a um oportuno calvário burocrático que impediu o Dalai Lama de entrar na África do Sul para participar na comemoração do 80º aniversário do Prémio Nobel da Paz, Desmond Tutu. O Arcebispo Emérito não calou a sua voz durante o apartheid. Desta vez, também falou claro: a atitude da África do Sul coloca-a em situação ainda mais condenável do que no tempo do apartheid.

Que sobreviva a República!


Rui Rocha,

No estado actual do país, existe uma única razão para assinalar o 5 de Outubro: o facto de não sermos uma monarquia. A república, esta que temos, exala um insuportável cheiro a bafio. Mas, não a trocava pelas lantejoulas e o néon de uma qualquer ideia de predestinação. Isto dito, neste preciso momento, não há nada mais a comemorar e há tudo para reflectir. O decoro imporia que o dia de amanhã se passasse em recolhimento e  meditação. E, sobre o ruído obsceno das fanfarras e o semblante soerguido dos altos dignitários, melhor seria que se impusesse o silêncio da contrição e um piscar de olho honesto ao futuro.  Há neste estertor que vivemos um contrato social em ruínas. Porque já não é deste tempo. E porque nunca foi cumprido. É urgente que nos aproximemos de um novo denominador mínimo e comum. Que reflicta exactamente o que somos, pobres e endividados como estamos. Mas, que não prescinda de uma dimensão aspiracional, que nos desafie a desbravar terreno. No momento actual, é óbvia a necessidade de temperar os direitos com obrigações. Devemos reconhecer que, no que diz respeito ao trabalho, à habitação, à educação,  à assistência médica e à segurança social, cabe ao Estado assegurar o contexto. Mas, é a cada um dos cidadãos que cabe a responsabilidade pelo seu percurso. Não nos bastaria já um sistema de educação perfeito ainda que o tivéssemos. Numa sociedade avançada, o dia seguinte da educação é o mérito. Falta-nos fazer muito em matéria de educação. Falta-nos fazer tudo em matéria de mérito. Aos políticos não podemos aceitar que nos queiram fazer felizes. Porque o direito de o sermos ou não é nosso e inalienável. Deles apenas se pretende responsabilidade pelos seus actos  Mas devemos exigir, por exemplo, que não sejam cúmplices de monopólios que repercutem nos preços cobrados aos consumidores as suas ineficiências. Precisamos muito de respeito pelos nossos impostos. E isso passa por uma criteriosa gestão de custos e benefícios. E também por não sermos taxados pelo sector privado, de forma explícita ou implícita, como tem acontecido no caso das parcerias impúdico-privadas. Não há nenhum rubor que se imponha por sermos pobres se, apesar de tudo, quisermos ainda ser justos e íntegros. A ética republicana, se existe, não é um ponto de partida e, por definição, nunca será um lugar de chegada. Mas, pode muito bem ser um caminho.

O que fazer com o eduquês?


Rui Rocha,

 

O Ramiro Marques propõe à discussão uma lista de 10 pecados mortais do eduquês, que aqui transcrevo com a devida vénia:

 

1. Concepção instrumental da educação: “aprender a aprender”, “aptidão para o pensamento crítico”, “aptidões metacognitivas”, “aprendizagem permanente”. 2. Desenvolvimentalismo romântico: “escola centrada na criança”, “diferenças individuais dos alunos”, “ensinar competências e não os conteúdos”. 3. Pedagogia naturalista: “construtivismo”, “aprendizagem por descoberta”, “aprendizagem holística”, “método de projecto”, “currículo em espiral”, “aprendizagem temática”. 4. Antipatia pelo ensino de conteúdos: “os factos não contam tanto como a compreensão”, “os factos ficam desactualizados”, “menos é mais”, “aprendizagem para a compreensão”. 5. A desvalorização dos padrões culturais tidos como relativos e subjectivos, portanto irrelevantes. 6. Crítica do uso da memória e recusa das actividades de repetição, tidas como não significativas, portanto inúteis. 7. Defesa da ideia falsa de que as crianças só compreendem o que lhes está próximo e o que é concreto e manipulável. 8. Primazia à componente lúdica e recreativa por oposição à valorização do esforço na aprendizagem. 9. Redução da aprendizagem a um processo construtivista que diminui a função de transmissão dos conteúdos. 10. Visão anti-intelectualista da cultura e da educação.

Partilho, em boa parte, da crítica implícita em cada um dos pontos apresentados. Mas considero que a avaliação essencial do eduquês não se deve fazer ponto por ponto. O aspecto realmente nocivo da proposta está no facto de ter sido erigida como pensamento único e de ser aplicada por fanáticos. Historicamente, o eduquês responde a um estado de coisas que era, também ele, inaceitável. O do ensino centrado no professor, de sentido único, em que os conteúdos eram despejados sobre o aluno e em que este era encarado como mero receptor, acrítico e abúlico. Nas ciências sociais, a uma tese sucede, mais das vezes, a sua antítese. A uma visão da sala de aula em que o professor era o protagonista principal, o eduquês respondeu com a sobrevalorização do papel do aluno. À visão da escola como ensino, veio contrapor uma abordagem centrada num certo conceito de aprendizagem. Estará talvez na altura de compreendermos que urge fazer a síntese. Aprender exige esforço, memorização e compreensão de conceitos abstractos. E o papel do professor é fundamental. Mas  não pode ser só isso. Na era da internet, da abundância da informação, os alunos não podem ser considerados como folhas de papel em branco ou baldes vazios para dentro dos quais o professor desepeja conteúdos (em rigor, nunca foi assim e agora é-o ainda menos, por maioria de razão). A participação e o envolvimento dos alunos na construção do conhecimento e o “manuseamento” dos conteúdos é também indispensável. Por isso, uma nova abordagem do ensino não pode prescindir das propostas úteis do eduquês e do pré-eduquês, organizando-as rumo a um novo equilíbrio na sala de aula.

Sim, o anúncio de Gisele Bündchen é ofensivo e discriminatório


Rui Rocha,

 

A polémica instalou-se no Brasil. Gisele Bündchen deu o corpo a uma campanha em que promove os novos modelos de roupa interior da Hope. O anúncio televisivo despertou a atenção de Iriny Lopes, Ministra das políticas públicas do governo de Dilma Rousseff. Ao que parece, o que irrita a brigada do politicamente correcto é a mensagem que acompanha o anúncio: quando uma mulher quer dar uma má notícia ao marido ou companheiro, deve fazê-lo vestindo lingerie para alcançar mais facilmente a absolvição. Iriny alega ter recebido muitas queixas que consideram o anúncio ofensivo para as mulheres e que o problema é o machismo implícito nos anúncios: a mulher seria ali retratada como um instrumento. Ora, parece-me tal visão uma acabada tontice. A campanha televisiva é de facto profundamente ofensiva e discriminatória. Mas, para os homens. Vejamos. Na hipótese de uma companheira destemperada rebentar o cartão de crédito na compra de produtos supérfluos, qual será o homem que desculpará a delapidação do património comum pelo simples facto de esta lho dizer em lingerie? Um parvalhão acabado, está bom de ver. Na verdade, o que a campanha retrata é o estereótipo do homem infantilizado, atoleimado e instrumentalizável, incapaz de agir racionalmente na presença de uma companheira em cuecas e soutien. E isso é uma agressão para os do meu género que não posso aceitar calado. Muitos outros se juntarão ao meu protesto. I Hope.

Não têm pão, bebam café


Rui Rocha,

 

Os sucessivos buracos nas contas públicas, o apertão orçamental que aí vem e o contexto internacional pouco favorável, traçam um quadro negro para os próximos anos. Há tempos, António José Seguro perguntava, a propósito da situação da Madeira, quem paga a irresponsabilidade? É uma pergunta pertinente que, todavia, deve ser feita com âmbito mais geral: quem paga anos e anos de gestão vergonhosa do país e das contas públicas? Na verdade, trata-se de uma questão retórica. Já sabemos que quem paga somos nós. Os do costume. Se tivermos em conta que a partir de hoje a electricidade passa a ter IVA a 23%, penso que é razoável dizer que estamos a apagão e água. Para pão, já não deve haver. Enfim, com um bocado de sorte, há-de sobrar qualquer coisa para um ou outro café.

Nuno Crato, os números e as pessoas lá dentro


Rui Rocha,

O Ministro Nuno Crato tem uma paixão pela matemática. Pois bem, vou dar-lhe alguns números: 349712xxxx; 743578xxxx; 161263xxxx; 408926xxxx. Números são, como quaisquer outros. A diferença é que estes têm dramas lá dentro. O primeiro designa o Ricardo, o segundo a Laura, o terceiro a Joana e o quarto o Paulo. Os números são os que lhe foram atribuídos nos concursos de contratação de professores para necessidades temporárias. O Ricardo deu aulas durante mais de dez anos com contratos precários. Se trabalhasse no sector privado, a empresa que o mantivesse nessa situação já teria sido obrigada a integrá-lo nos quadros. No Estado não é assim. Agora, está desempregado. A Laura deu aulas até 31 de Agosto. Não ficou ainda colocada porque alguns horários anuais foram classificados como temporários. Por isso, colegas com graduação inferior passaram-lhe à frente. Agora está desempregada. A Joana também deu aulas até 31 de Agosto. Ainda não ficou colocada porque a sua graduação não é grande coisa. A lei diz que tem direito a uma indemnização pela caducidade do contrato anterior. O Estado recusa-se a pagar-lhe as importâncias devidas. Agora está desempregada. E faz-lhe falta esse dinheiro. O Paulo concorreu a uma oferta de escola. Poderia ter sido em Almancil, mas foi um pouco mais ao lado. O problema, todavia, foi o mesmo. Critério de concurso martelado para favorecer alguém que, por acaso, era a única pessoa que poderia cumprir as condições exigidas. O Paulo, entretanto, continua desempregado. O Ricardo, a Laura, a Joana e o Ricardo têm famílias, sonhos, defeitos, depressões, angústias, amores, amigos, alegrias e solidão. Podia dar a Nuno Crato mais trinta e tal mil números com pessoas lá dentro que se encontram em situação idêntica. Dir-me-ão que nada do que refiro é novo. Que já acontecia em anos anteriores. E é provável que seja verdade. Todavia, alguma coisa mudou. Os horários disponíveis foram objecto de uma redução significativa. Nos últimos anos, todas as disfunções do sistema estavam esbatidas. Se o Paulo não conseguisse um horário em Quarteira, havia de ter mais sorte em Albufeira, uns dias depois. Agora não é assim. Quem não fica hoje, pode nunca mais ficar colocado. E a falta de esperança é a véspera da revolta. Não se pede a Nuno Crato que contrate um único professor que não se revele necessário. Mas, exige-se-lhe que, nas actuais circunstâncias, seja implacável no combate às perversões do sistema. As que referi ali mais acima e as outras que por aí andam. Que veja os números e as pessoas lá dentro. Que assegure aos números o rigor.  E às pessoas o tratamento digno e justo que merecem.

Sim, eu embirro com o Albino Almeida. E então?


Rui Rocha,

 

Tenho as minhas embirrações. Por definição, estas existem mesmo que os destinatários não tenham culpa nenhuma. Caso contrário, não seriam embirrações, mas acusações objectivas fundamentadas com factos. No futebol, por exemplo, tinha uma grande embirração com o Postigó, etiqueta  colectiva que utilizava para designar a soma nula do contributo futebolístico do Postiga e do Djaló. E seria sempre assim mesmo que, por alinhamentos improváveis dos astros, um dia viessem a transfigurar-se em utilizadores da bola com aceitável proficiência. O mesmo se passa, na música, com o Sérgio Godinho. Não adianta. Não é tanto o facto de eu não gostar das músicas dele. É que fico sempre com a impressão de que as músicas dele não gostam de mim. E ninguém me tira isto da cabeça. Aliás, devo confessar que um dos meus piores pesadelos foi aquele em que me vi a assistir a um concerto do Sérgio Godinho com a primeira parte assegurada por Vítor Gaspar. Em versão acústica. Para mim, as baladas do Sérgio assumem sempre forma verbal. No modo, fico abalado. No tempo, sinto que chegou a hora de abalar. Ora, este mesmo sentimento me desperta o Albino Almeida, o Presidente da CONFAP (na imagem, com óculos à John Lennon). Fez-me o homem algum mal? Que eu saiba, não (nunca fiando). Defende coisas que abomino? Pois, em rigor não sei porque nunca vejo o Prós & Contras, programa para o qual é convidado pelo menos quatro vezes por ano. Terá uma voz irritante? Enfim, é possível. Mas, o certo é que quando dá entrevistas na rádio aproveito para sintonizar a Emissora Foz do Neiva que tem sempre programas geniais em que é possível, com um bocado de sorte, escutar o grupo de cantares de Manhouce, quando não o agrupamento folclórico de Perre. Este último de uma bela localidade mesmo ali ao lado de Viana do Castelo. Não posso, em consciência, afirmar que use peúgos brancos de lã. Mas, se me perguntassem, responderia convictamente que sim. Embirro com ele e pronto. Não conheço os estatutos da CONFAP, mas admito que só possa ser seu presidente quem tiver filhos a estudar. Por isso, quase me envergonho de o reconhecer em público, dou comigo a desejar, não poucas vezes, que os filhos do Albino nunca reprovem. Eu sei, eu sei, a coisa assume uma certa gravidade. Mas, com franqueza! Querem agora os caríssimos convencer-me de que nunca pensaram no mesmo?