Lembras-te, amor, daquele poente de verão? O mar tomava-te as mãos e logo as deixava. Eu não. Bebi nelas todo o sal que chorei nos invernos que vieram. E é nelas que encontro calor nas memórias de Novembro. Um poente de promessas, disseste-me. E só isso teria sido se não tivéssemos vivido mão na mão. Sabemos agora que nem todas se cumpriram. Umas amargaram. Algumas chegaram, se bem que tardias. Por cada uma das que nos falharam, outras se prometeram. Não há poente de verão que nos diga do frio das madrugadas. Mas, foi nas tuas mãos geladas que o senti, mão na mão. E, de todas as outras tardes de verão, as melhores foram, bem sabes, as que nada prometeram. Apareceram. Tal como eram. E assim as recebemos, mão na mão. Quantos Novembros que se farão memória nos estarão anunciados? Há, amor, outras formas de aquecer as mãos. Mas, se as apartássemos, não saberíamos quantas daquelas promessas se atrasaram e ainda serão. E é, amor, sempre esse sal que quero chorar em todos os invernos e nas madrugadas geladas. Mão na mão.


Excelente.
Obrigado, Sérgio. Um abraço.
Magnífica esta prosa poética
Não lhe chamaria tanto, CR. Mas, agradeço-lhe muito as suas palavras.
Muito bonito, Rui.
Ainda bem que gostaste, Teresa.
Que lindo!
Gostei de o rever por cá, José.
ah, que diálogo tão cordial…..
Há diálogos assim…
Muito bonito, Rui. E o nome dela é muito poético. 🙂
Obrigado, Ana
Um poente inesquecível sem dúvida, que ganha sentido quando se partilha, neste caso e com a sua gentileza, connosco leitores.
Partilhamos tanta coisa com os leitores, Cr. As nossas angústias, as nossas irritações, os nossos gatos. Não há nenhuma razão para escondermos o nosso amor.