Outros motivos para amar Portugal (4)
Ana Vidal,
Vamos bien, o que somos é uns excêntricos. Nos transportes, por exemplo, gostamos de ser originais: em terra só modelos vintage, no mar a mesma coisa… nada como a graça de um pneu ou de uma banheira antiga! E por falar em modelos, somos tão originais que temos um modelo de sociedade que já nem aqui funciona. Mas vamos bien, por supuesto. Muy bien.
(Nota: Com um beijo aos delituosos e comentadores habituais. E as minhas desculpas por não ter respondido ainda aos vossos comentários, mas a culpa é de uma net intermitente e pouco dada a modernices. Não, não estou em Cuba. Estou na Galiza e também muy bien, mas já quase de volta.)


Não sei se Carlos Cruz é culpado ou inocente dos crimes pelos quais foi condenado. Assim como não sei exactamente o mesmo em relação a todos os outros nomes envolvidos num processo penosamente interminável que me enoja e angustia até ao limite, tal como, suponho, a qualquer pessoa de mente e estômago minimamente saudáveis. Anos e anos de uma insuportável pirotecnia em volta deste caso contribuiram muito para lançar sobre todos nós graves dúvidas, desconfianças e descrenças na mais sagrada das nossas instituições. Talvez a mais perversa das marcas profundas que estes anos nos deixaram – e que perdurarão muito para além desta saga, cujo fim nem sequer se avizinha ainda – seja a de terem-nos transformado a todos na pior espécie de justiceiros: os que julgam, condenam ou absolvem com base no palpite, no feeling, nas simpatias e antipatias pessoais, no bom ou mau “ar” dos arguidos. Com base em tudo menos em fundamentos, que desconhecemos em absoluto e parecemos dispensar alegremente.
Tivemos finalmente uma sentença taxativa e clara, proferida por quem conhece o processo à exaustão, e recuso acreditar que crimes desta natureza e gravidade sejam julgados levianamente. Quero firmemente acreditar que a sentença é justa e que estas seis pessoas são, de facto, culpadas dos crimes de que eram acusadas. Não por uma mórbida sede de vingança ou outra razão qualquer, mas porque quero acreditar na seriedade da justiça portuguesa.
Voltando a Carlos Cruz, o nome mais insistentemente repetido por todos, digo de novo: não sei se é culpado ou inocente. Mesmo que lesse atentamente as duas mil páginas do processo – entretém que nem para uma reforma numa ilha deserta reservaria – eu não teria os meios nem a formação técnica para fazer uma avaliação isenta e válida. Mas há duas coisas que sei. A primeira é que Carlos Cruz tem a defendê-lo há oito anos – e a custo zero! – dois advogados de renome da nossa praça (e mais uma legião de pesquisadores e estagiários, com certeza), que já prometeram publicamente levá-lo em ombros até ao cadafalso, se preciso for. A segunda é que tem igualmente ao seu dispor uma arma poderosíssima, que domina como poucas pessoas neste país: a comunicação social. Se é verdade que os media o massacraram mais do que a qualquer outro arguido – e ele nunca perde uma oportunidade de se vitimizar por causa disso – não é menos verdade que os mesmos “carrascos” agora lhe dão igualmente visibilidade total para se defender e dizer de sua justiça. É quase um caso de omnipresença: está na abertura de todos os telejornais, está em conferências de imprensa, está em todos os debates sobre o assunto, está na net (com um site em que promete escândalos e revelações inauditas, e por isso regista diariamente um número de visitas astronómico), enfim, tem todo o tempo de antena que quiser. E, naturalmente, gere tudo isto com a mestria de quem trata as técnicas de comunicação por tu: o tom de voz, o jogo fisionómico, as palavras escolhidas a dedo e doseadas em teasers a preceito, etc., etc., etc. Pergunto: qual dos outros condenados do processo Casa Pia tem acesso a tantos privilégios? O mediatismo tem vantagens e desvantagens, porque os paus têm quase sempre dois bicos.
ARTE POÉTICA
Olhar o rio feito de tempo e água
E recordar que o tempo é outro rio,
Saber que nos perdemos como o rio
E que os rostos passam como a água.
Sentir que a vigília é outro sonho
Que sonha não sonhar e que a morte
Que a nossa carne teme é essa morte
De cada noite, que se chama sonho.
Ver em cada dia ou ano um símbolo
Dos dias do homem e dos seus anos,
Converter o ultraje dos anos
Em música, rumor e símbolo.
(…)
Às vezes pela tarde há uma cara
Que nos olha do fundo de um espelho
A arte deve ser como esse espelho
Que nos revela a nossa própria cara.
Contam que Ulisses, farto de prodígios
Chorou de amor ao avistar a sua Ítaca
Verde e humilde. A arte é essa Ítaca
De verde eternidade, não de prodígios.
(…)
Jorge Luís Borges, in Obra Poética
(Nota: tradução minha, com as devidas desculpas ao Mestre pela ousadia e pela liberdade de truncar um poema sublime)

Sardinhas assadas
Alguém me explica em que número de barris de petróleo este homem passou de louco fanático a “líder carismático“? Dêem-lhe muita corda e depois queixem-se.
“Para mim, polvo significa o mesmo que nuvem.”
Carlos Queiroz, sobre o castigo por injúrias
– Bom dia. Quero aqueles jeans da Diesel que estão no cartaz. Número 38, faxavor.
– Lamento, da Diesel já só temos do 46 para cima… mas não se preocupe, tenho outros iguaizinhos de outra marca. E por acaso até são de melhor qualidade, fica a ganhar. Vou buscar.
– Não quero. Têm de ser da Diesel. Pode ser o 46, não faz mal.
– Mas… vão-lhe ficar enooooormes! Olhe que não lhe vão ficar bem…
– Não interessa. E pare de criticar, sua… sua… esperta! Você não percebe nada disto. Não vê que quero ter ideias, ser criativa, enfim, ser ESTÚPIDA????
(Nota: Mais brilhantes elogios à estupidez aqui)
O psiquiatra de Sócrates diz que que o aumento do estado de alienação do seu paciente foi o dobro do previsto. Com esta evolução, acrescenta o médico, a esperança de cura desapareceu de vez. As más notícias fazem parte do presente.
Pronto, eu prometo que não falo mais de Itália. Mas também têm de me prometer ouvir – até ao fim! – esta canção da fogosa Dalida (Yolanda Gigliotti de sua graça). Quem se lembra ainda desta egípcia, filha de emigrantes italianos no Cairo, que cantava num francês macarrónico e encantou tudo e todos durante os anos de ouro da canção francesa? Mesmo assim, à fama sucedeu-se o esquecimento e ela acabou por suicidar-se, incapaz de suportar o anonimato. Vá lá, ouçam-na aqui a contar com muita graça a história de Giuseppe Frabrizio Luca Santini, um napolitano típico.
(Os vários “Toni Carrieri” italianos, reunidos num só cartaz e anunciados em Serre, uma terrinha do interior da Campania.)
(A imaginação delirante de um fotógrafo napolitano de casamentos, ou o que se pode fazer de artístico com uma noiva grávida)
(Ainda em Nápoles, o orgulho de uma tasca anunciando que o inglês que ali se fala não é “técnico”. Quem não acreditar, só tem de fazer uma pergunta para confirmar a nobreza do mais puro idioma de Shakespeare.)
(Sorrento: um “aviso à navegação” na porta do wc de um café com uma direzione sem papas na língua)
«À semelhança dos andamentos numa peça musical, a proposta de uma história encerra-se na sua epifania: tal como um quarteto de Haydn – moderado, lento, rápido, em fuga -, uma sinfonia de Brahms – alegro, mas não demasiado, lento, mas moderadamente, alegro e feliz, um pouco menos rápido, alegro energético e apaixonado, mais rápido -, ou uma peça de Dutilleux – encantatória, linear, obsessiva, trôpega e resplandecente.(…) Enunciar um acontecimento – uma viagem, mas não só – é classificá-lo e dispô-lo numa fórmula, recolher e conjurar a dispersão, matematizar o mundo e tornar a sua poetização possível. (…) Porque o poema do mundo convida a incessantes interpretações.»
Já deixou para trás a bela Capri? Bem, console-se com o pensamento de que, ao contrário do que dizia o Hervé Villard (que não percebia nada do assunto), “Capri, c’est jamais fini”. Mas há muito mais para ver nesta costa das delícias que foi declarada, por direito próprio, património da humanidade: com o omnipresente Vesúvio por cenário tem ainda Vico Equense, com o seu Antiquarium (arqueologia pré-romana) e uma das mais bonitas e coloridas cúpulas de majólica de toda a região: a de San Ciro e Giovanni. Ao dobrar a Punta della Campanella (assim chamada por ter existido ali um velho farol, onde uma campainha alertava para a aproximação de piratas) maravilhe-se com a vista dos dois golfos – o de Nápoles e o de Salerno – que só aí pode admirar em toda a sua extensão. Sant’Agata Sul Due Golfi é o nome da vilazinha situada quase no bico da península. Faça por passar por lá a horas de refeição e mergulhe num paraíso gastronómico que os gourmets de todo o mundo não dispensam: o restaurante Don Alfonso, uma lenda desde 1890. A partir daí, a falésia vai escarpando e subindo cada vez mais, no espectáculo imponente dos Monti Lattari. A estrada costeira obriga a voltas cada vez mais apertadas e estreitas, e terá de resistir à tentação de parar em todos os miradores para se embasbacar, a cada curva, com a paisagem. Mesmo assim, cada recanto possível da rocha a pique sobre o mar está salpicado de limoeiros e vinhas, parecendo impossível que alguém consiga plantar ali seja o que for. Não deixe de visitar Positano e Praiano, duas vilas cujas casas – pintadas em belíssimos tons pastel – parecem agarradas à rocha como lapas, “escorregando” até ao mar. Em Positano (onde Rudolf Nureyev, tal como outros nomes famosos, não resistiu a comprar uma casa típica) tome um café na terrazza do La Sirenuse. Diz a lenda que eram as rochas Li Galli, ali mesmo em baixo, o abrigo das sereias que com os seus cantos atraíam os marinheiros aos seus braços, depois de um mais que certo naufrágio.
Em Amalfi visite o Duomo, com a arcada imponente e o frontão de mosaicos de ouro que brilham ao sol, a Torre Sarracena do séc.XV (que agora tem dentro um restaurante romântico) e os túneis que conduziam aos banhos árabes do séc. XII. Para se refrescar, tome no Gran Caffe Tea Room a milésima granita do dia, de limão ou de melão. Depois siga a lungomare (a estrada costeira) até Salerno, para um passeio no centro histórico medieval e uma rápida visita ao Museo Diocesano para ver, pelo menos, os sumptuosos painéis de marfim esculpidos. Do porto de Salerno rume a Paestum, quanto mais não seja para ver de perto três imponentes templos gregos, mais bem conservados do que a maioria dos que encontrará na própria Grécia. Pode também visitar uma das fábricas onde é produzido o famoso “oro bianco” da Campania: o queijo mozzarela de búfala com que se faz, por exemplo, a salada “caprese”, uma das minhas saladas preferidas.
Num dia em que se sinta com coragem para sair da costa e enfrentar a “Itália profunda”, proponho-lhe uma viagem até Pertosa, nos montes Alburni, para uma visita às majestosas Grotte dell’Angelo. O esforço compensa, acredite: terá uma hora e meia de puro encantamento (primeiro de barco, pelo rio negro que corre dentro das grutas, e depois a pé) numa visita guiada entre cascatas, estalactites e estalagmites que formam figuras ao sabor da sua imaginação (verdade seja dita, muito influenciada pela alegoria que o guia/barqueiro vai fazendo, ao longo do passeio, à Divina Comédia, de Dante). Há “salas” em que as cavernas chegam a ter 40 metros de altura, e estão iluminadas de forma sugestiva para maximizar o efeito de cada recanto. Leve sapatos confortáveis e um casaco quente: a temperatura lá dentro é bastante baixa, e o frio pode impedi-lo(a) de apreciar devidamente o espectáculo. As Grotte dell’Angelo foram descobertas, segundo consta (embora Plínio, o Velho, já se lhes tivesse referido muitos séculos antes), por um monge benedictino do séc. XVI, que se aventurou ao longo de 3.000 metros de escuridão e silêncio – só interrompido pelo som da água – munido apenas de uma tocha e de muito fervor religioso. Não admira que tenha tido revelações místicas naquele cenário, e por isso lhes chamou Grutas do Anjo.
De volta à luz e ao calor do sol, ofereça a si próprio(a) um presente de luxo, ao fim da tarde: Ravello. É uma verdadeira jóia esta cidadezinha de influência mourisca, empoleirada na ponta da falésia a 400 metros de altura sobre o mar. É também a capital cultural de toda a Campania, com um importante e muito prestigiado Festival de Artes que vai de Julho a Setembro. Há diariamente concertos, peças de teatro, dança, etc. Tudo isto se passa no auditório mais bonito que já vi, nos jardins da Villa Rufolo, suspenso sobre o mar por uma estrutura metálica. Todos os espectáculos são de eleição (espreite o programa deste ano, para confirmar o que digo). Se tiver sorte, como eu tive, estará reservada para si uma qualquer surpresa de despedida de Itália: no meu caso, um encontro inesperado e uma conversa descontraída com o grande Toquinho, que nessa noite apresentava ali, em primeiríssima mão, o seu mais recente disco (comemorativo dos 30 anos – já! – da morte do Poetinha Vinicius). Um fim de tarde de alma cheia, que não esquecerei. Antes de deixar Ravello, tome um copo na terrazza do histórico Rossellini – o restaurante mais “in” da cidade, e com razões de sobra para isso – ao som de Mozart e Verdi.
E antes de deixar Sorrento, já de malas feitas, jante uma última vez no Café Latino – um pátio luxuriante de limoeiros, oliveiras e plantas aromáticas, onde respirará pela última vez o aroma único que há-de bailar-lhe na memória por muito tempo. Pelo menos até sentir de novo uma vontade irresistível de voltar ao sul de Itália.
Ainda tive um último presente, na manhã da viagem: este magnífico arco-íris duplo, depois de uma memorável tempestade sobre a baía que iluminou a noite durante mais de uma hora.
“Fico excitado com os aplausos”
(Marco Paulo, na revista Visão)
O novo wet look de Sócrates deve-se a:
1. Alívio pela conclusão do caso Fripór
2. Mudança drástica na qualidade dos fatos, por causa da crise (de Rodeo Drive para o Conde Barão)
3. Súbito e incontrolável ataque de andropausa
4. Primeiros sintomas da cicuta
5. Não sabe. Não responde. Tem medo de responder.
«Nós próprios, eis a grande questão da viagem. Nós próprios e nada mais; Pretextos, ocasiões, múltiplas justificações, sem dúvida, mas de facto fazemo-nos à estrada movidos unicamente pelo desejo de nos reencontrarmos, ou mesmo de nos encontrarmos. A volta ao mundo nem sempre basta para atingir este frente a frente. Por vezes nem sequer a vida inteira. Quantos desvios, e quantos lugares, antes de saber que estamos em presença daquilo que levanta levemente o véu do ser? Os trajectos dos viajantes coincidem sempre, secretamente, com as procuras iniciáticas que colocam a identidade em jogo. (…) O que posso descobrir acerca de mim se mudar de lugar, de orientação e modificar as minhas referências? O que subsiste no meu ser quando elimino os apêndices gregários?»
Pronto, chega de ruínas e de dramas. O programa que hoje lhe proponho é alegre e vai compensá-lo(a) de tanto peso histórico. De Nápoles ou de Sorrento, tanto faz, meta-se num barco de manhã cedo e rume à mítica ilha de Capri. Há inúmeras carreiras regulares que pode utilizar, ou então alugue um barco pequeno (não é muito caro, sobretudo se conseguir juntar mais quatro ou cinco amigos) e faça-se ao mar por sua própria conta. Pode visitar também Ischia ou Prócida (as outras duas ilhas habitadas da Riviera napolitana, que não têm grande interesse) mas ai de si que troque a visita a Capri por alguma delas… sete anos de azar, garantidos por uma praga que eu própria lhe rogarei!
Como já percebeu, Capri é, para mim, um dos mais deliciosos locais do mundo. A ilha vê-se num instante mas apetece ficar lá para sempre, como fez o médico-escritor-humanista-arquitecto-filantropo Axel Munthe, um sueco irremediavelmente rendido à sua magia em meados do século passado. Foi ele, com o seu encantatório “Livro de San Michele” – que povoou de sonhos perfumados de limão uma boa parte da minha adolescência – o principal responsável por esta eterna romaria, que cumpro com gosto quase sempre que vou a Itália. A belíssima Villa San Michele, uma casa construída e recheada de obras de arte, ao longo dos anos, por este médico que trocou uma clientela de luxo (a família real do seu país) pelos habitantes pobres de Capri, é de visita obrigatória. Todo este valioso património pertence hoje ao povo de Capri e está aberto ao público durante todo o ano, sendo os extraordinários jardins e a terrazza-pérgola, com uma esfinge olhando o mar (a vista é de cortar a respiração, 330 metros a pique sobre o mar, quase no topo da mais alta falésia da ilha) um palco privilegiado para uma infinidade de eventos culturais.
Depois visite a pequena igreja, divirta-se a fazer compras nas ruas pedonais de Anacapri, cheias de gente de todo o mundo, arrepie-se na subida do funicular (em cadeiras individuais suspensas sobre o vazio) que o levará até ao ponto mais alto da ilha, e espreite o velho castelo. Enfim, passeie muito a pé, até porque não poderá fazê-lo de outra maneira nas zonas mais movimentadas. Aliás, só os veículos com matrícula de cada ilha podem circular lá durante a época turística. Beba, sobretudo, o ar de Capri. Mas pode juntar-lhe um limoncello bem fresquinho, que não se arrependerá. Quanto a mim, comprei um avental com a receita. Quero fazer, eu própria, o meu licor preferido.
Guardei para o fim o maior tesouro da ilha: a Grotta Azzurra, de visita igualmente imperdível. Mas atenção: já estive em Capri um bom par de vezes e só uma vez – uma única – consegui ir à gruta. A “porta” é muito pequena e só com condições meteorológicas muito especiais os barqueiros arriscam a entrada, nos seus pequenos barcos a remos. Se o mar não estiver plano e houver vento, nada feito. Acrescento uma outra condição sine qua non, esta da minha lavra: não vá lá se não estiver um dia de sol. Tal como digo a quem me quiser ouvir que nunca entre (pelo menos na primeira vez) na Catedral de S. Marcos de Veneza a não ser quando o sol estiver a pôr-se, incendiando ao limite o ouro dos mosaicos bizantinos, também lhe faço esta recomendação quanto à Gruta Azul: sem sol, o glorioso espectáculo de um mar azul-cobalto-elécrtico como você nunca viu, parecendo iluminado por baixo, não terá jamais o mesmo impacto. Por tudo isto, escolha criteriosamente o dia da sua primeira visita (um conselho: telefone antes de ir e pergunte se nesse dia está “mar de gruta azul”), se quiser fazer desse momento uma verdadeira experiência iniciática. Habitualmente os barcos ficam poucos minutos lá dentro, mas às vezes, quando não há muitos à espera cá fora, os barqueiros permitem que a epifania se prolongue. Eu tive sorte: o meu deixou-me até dar um mergulho naquela água mágica, e quando voltei ao mundo real fiquei espantada por não ter ficado azul para o resto da vida. E tive pena.
Pode dar a volta à ilha de barco e visitar também as grutas Verde e Branca, mas o sortilégio não se repetirá. Diga adeus a Capri e prometa – jure! – que voltará. De regresso a terra, ao fim da tarde, saboreie uma levíssima insalatina caprese no bar flutuante da marina de Castellamare, enquanto escolhe mentalmente (ainda embalado(a) pelos modelos de sonho que viu na Marina Grande, em Capri) o iate que comprará quando lhe sair o euromilhões.
(cont.)
Substitui com enormes vantagens todos os outros cremes, tratamentos e cirurgias plásticas, é inócuo, universal e barato. Só tem um pequeno problema: depois de usá-lo, você não poderá nunca mais ser visto(a) no mundo real. Mas… who cares? Há sempre o facebook, os chats, o second life, etc… quem é que quer saber do mundo real, que dá uma trabalheira?