Eleições


tralhasdavida,

Uma trabalheira, isto de ir votar, que uma pessoa não pode vestir a primeira coisa que arrebanha do cadeirão do quarto. Não senhora, há mínimos para quem vota no liceu onde andou. Pelo menos um lip gloss, que não queremos que ninguém ande para aí a comentar que chegámos aos quarentas e que estamos uns coirões.

Alerta Gastronómico


tralhasdavida,

Jantarada com amigos, onde é que vamos, onde é que não vamos, fui parar ao Clube de Jornalistas. Não ia lá vai para uma data de anos, no tempo em que achava o espaço fenomenal, mas que a cozinha era só q.b.

De maneira que entrei saudosa, mas sem grande expectativa. Isto, claro, até me porem à frente uma beringela assada ou estufada ou lá o que era, que provinha directamente do céu. Seguiu-se um bacalhau com batata doce e espinafres que meu Deus. O pendor para exclamações religiosas prosseguiu à medida que o Zé, um dos membros do simpaticíssimo staff, foi escolhendo vinhos improváveis, mas todos de excelência, para acompanhar o repasto.

A dada altura, o Chef empoleirou-se na nossa mesa e meteu-se à conversa. Ivan Fernandes de seu nome, brasileiro de nascença. Descontraído e desempoeirado, quando alguém mencionou estrelas Michelin, respondeu prontamente que a vida não é feita de estrelas Michelin, é feita de arroz com feijão.

Achei logo que se tratava de uma metáfora deliciosa para o tipo de restaurante que reiventaram. Um sítio sem peneiras, onde se come bem a sério mas que, vá-se lá saber porquê, tem uma clientela 90% estrangeira.

Foi por estas e por outras que achei que tinha de lançar o alerta. Gentes de Lisboa, apressem-se a compensar o desequilíbrio, tratem de desatar a gamar mesas aos alemães, ingleses e turcos que por lá andavam. O Clube de Jornalistas é nosso, caramba.

 

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Da Infância


tralhasdavida,

Nos Verões dos meus doze, treze anos, quando me dava o aborrecimento das tardes das férias compridas, às vezes ia buscar uma espingarda de pressão de ar que havia na garagem dos meus pais e vinha para o jardim fazer pontaria a pacotes de leite Mimosa.

Estou capaz de garantir que havia adultos em casa e que ninguém me dizia nada.

Raisparta ao Diabo


tralhasdavida,

Imagine que se voluntaria para abrir um negócio solidário. Reúne 50 voluntários, arranja maneira de conseguir doações permanentes de bens e até arranja um parceiro que lhe oferece o espaço. Tudo para que 100% dos lucros revertam para uma instituição.

Mas quer fazer tudo como manda a lei, que se é para ser voluntário não quer chatices com as finanças. De maneira que funda uma Associação, tão transparente como um copo de água, compra um software de facturação homologado, vê-se às aranhas para perceber como é que a geringonça funciona, mas lá regista todas as vendas, que é para ficar tudo certinho, certinho.

No primeiro ano a actividade corre sobre rodas. De maneira que é para continuar. Só que, para continuar, agora é preciso pagar IVA.

Ou seja, 50 pessoas trabalham de graça, gastam tempo, gasolina e estacionamento do seu bolso. Centenas de pessoas oferecem bens vendáveis. Uma entidade oferece espaço. Tudo para que seja possível reverter 100% da angariação para uma causa.

E, depois de um ano de benevolência por parte do Estado, agora só vai ser possível reverter 94% desse valor; há 6% que vão direitinhos para os cofres das finanças.

Da minha parte, fico com uma tremenda sensação de injustiça. Estão a obrigar-me a oferecer 6% do meu tempo e do meu esforço para o estado (reforço que ganho 0 euros e que trabalho praticamente a tempo inteiro para a Associação). Também deduzo que as pessoas que doam os bens com a intenção de que sejam convertidos em fundos de caridade, não achem piada nenhuma que uma percentagem siga para uma entidade que não a instituição que pretendem privilegiar.

Mas é assim que teremos de funcionar. Raismapartam.

Viva 2015, Venha daí 2016


tralhasdavida,

2014 tinha sido um ano horribilis, de maneira que me lancei a 2015 decidida a fazer uma pega de caras à vida, das que nos dão direito a duas voltas à arena no final do espectáculo e uma saída em ombros.

Não posso ter a pretensão de achar que cheguei efectivamente a sair pela porta grande, até porque vários acontecimentos menos felizes se foram sucedendo durante o ano que passou, mas foi um ano em que cumpri com brio um par de objectivos que estavam dentro da gaveta e que nunca pensei que viessem a ver a luz do dia.

Um deles foi a abertura de uma livraria solidária, que tem crescido a olhos vistos e que não só me dá todos os dias o prazer de estar a trabalhar para uma causa, como me fez conhecer dezenas de pessoas extraordinárias, desde os voluntários que fazem turnos, a pessoas que doam parte do seu espólio livreiro ou outros que não se importam de passar tardes a limpar o pó ou a carregar caixotes. De igual forma, adoro os clientes que já se tornaram amigos ou os que visitam pela primeira vez o espaço e que ficam maravilhados pela boa energia que dali emana. Sinto, por tudo isto, que foi um ano riquíssimo em termos de trabalho e de relacionamento humano.

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O outro grande sonho cumprido foi uma viagem ao Peru e à Bolívia, acompanhada por uma irmã e por um grupo de gente cheia de genica e de sentido de humor. Nem consigo explicar como pode ser divertido viajar com uma irmã adulta durante quase três semanas.

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É quase impossível que 2016 me traga dois acontecimentos com este nível de superlatividade. Mas se for um ano de consolidação, já me sinto muito grata. Venham então de lá esses ossos, seu 2016.

Lamechices Colesterólicas


tralhasdavida,

saltitavam de mão dada

melosos

que nem cubo de marmelada

beijinho aqui,

beijinho ali

miminho

saltinho

abracinho

segredinho

coceguinhas

repenicadas

e ele:

és uma boneca

das que se compram em Badajoz

 e ela envergonhada:

 não me fales em Badajoz

que me fazes lembrar caramelos

minha gema de rubi em ovo estrelado

meu molotoff almofadado

com fios de ovos enrodiscados

em cafuné de açucar pilé”

que bonito,

aletria da minha alegria

meu arroz adocicado

tigeladazinha coalhada

agora fiquei enjoada

senta-te ao meu colo

pronto, pronto, já passou

toma lá uns sais de frutos

 e mais

beijinho aqui,

beijinho ali

miminho

saltinho

abracinho

segredinho

e

coceguinhas

repenicadas.

 

Telemarketing


tralhasdavida,

Estás em plena época festiva. Em lugar dos guizos das renas, são os telemóveis que tilintam por toda a casa. No caso da miudagem, sabes que se trata de whatsapps com conversas infinitas que se transladam para imagens com muitos hashtags no instagram.

O teu telefone tilinta menos. Mas ainda assim, recebes votos de amigos que te são queridos, mais umas quantas mensagens a anunciar descontos. Nuns casos, provêm de lojas onde vais com alguma frequência, noutros casos são simplesmente absurdas e dão-te vontade de rir. Ficas a pensar no cuidado que algumas empresas deveriam ter em limpar as suas bases de dados.

A CHICCO oferece-te barrigadas de riso há um ror de tempo. Subscreveste o cartão vai para catorze anos quando estava para chegar o primeiro descendente. Pois não há data festiva em que não chegue um SMS a sugerir que compres um novo modelo de carrinho por um preço incrível. Nesta fase, começas a perguntar-te se vendem microcars.

Mas a cereja no topo do bolo vem da Depilclub, uma empresa que comercializa depilação definitiva. Foste lá a cinco sessões e, satisfeitíssima, verificaste que o que prometiam era verdade: Pêlos removidos para sempre.

Perguntas-te então porque é que continuas a receber com uma frequência alucinante, e já há vários anos, descontos para mais uma data de sessões.

Claro que à lista nem te atreves a acrescentar as vezes que te ligam para saber, de um a dez, quanto ficaste satisfeita com determinado serviço que te foi prestado. À sétima variável de pergunta que terás de cotar, dá-te uma vontade irreprimível de gritar que estavas satisfeitíssima com o serviço até te obrigarem a responder àquele questionário infindável.

Sabes que estamos nos tempos do Costumer Relashionship Managment, mas gostarias de ter uma relação bastante mais anónima com todas as marcas que utilizas. Especialmente com as que se foram tornando obsoletas no decorrer da tua vida.

Declaração Amigável


tralhasdavida,

as companhias de seguros

ao invés de nos impingirem papelada

com declarações amigáveis

deviam arranjar formulários

onde se pudessem escrever cartas de amor

 

de cada vez que (bummm)

dois carros chocassem de frente

os condutores em vez de reclamarem

podiam beijar-se ao relento

 

depois preenchiam os dados

com cuidado

nas perguntas indiscretas

em vez de cruzes

podiam escolher corações

e escreveriam palavras doces

nas notas adicionais

 

no verso, porque é verso,

deixariam poemas de amor

e no fim, só no fim,

escreveriam em letra miudinha

um número de telefone

não se fosse dar o caso

de terem provocado danos irreparáveis

Praia de Ipanema


tralhasdavida,

Na praia de Ipanema

Passa Luísa no embalo da brisa

Passa José queimando o pé

Lá vai Juracema com carga pequena

Segue serena como Milena.

O sol abrasa na beira da esteira

Uns carregam a vida

Outros vão de bobeira.

 

Canta-se o mate, empadinha ou pastel

Agora de queijo, depois de mel.

Rostos curtidos por vezes aflitos

Vendem biquinis ou panos bonitos

Tatuam imagens, vendem massagens

Praia imensa, festa de Babel.

 

Horácio pensou e logo inventou

Que sem mercadoria p’ra desfilar

E precisando de grana para o jantar

Lhe sobrava somente o violão.

Dedilhou três acordes, soltou vozeirão

Juntou três versos de afeição

E numa fome de poesia ou alento

Gritou sua alma p’ra ganhar seu sustento

 

Madame Olívia, granfina astuta

Mandou chamar o pobre trovador

Pediu que cantasse canções de amor

E Horácio coitado, rezou ao Senhor

P’ra camuflar seu dissabor.

Por qualquer inspiração divina

Abriu em nota cristalina

E em todo o posto se fez esplendor.

 

Para casa levou uns trocados

No bolso velho já em retalhos

Madame Olívia, por sua vez

Logo esqueceu a actuação

Pegou suas tralhas num saco dourado

Deixou pela areia aquela canção

 

É assim a praia de Ipanema

Uns vão levando a vida

Outros carregam problema

 

Bukowski


tralhasdavida,

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Andar à volta da poesia e ir de encontro a um poema de Bukowski que meu Deus.
(como é que o homem é tão javardo e contudo tão sensível, caramba)
 

Velório


tralhasdavida,

Vestida de anjo. Fato de baptizado onde não faltava uma primorosa touca alva a contrastar com a tez mulata. Deitada. Imóvel porque morrera na véspera. Uma boneca de porcelana que hesitávamos tocar pelo medo de admitir que de uma criança se tratava.

Pai e mãe angolanos, retornados, imigrados, sei lá. Conformados na inconformidade de ter tido uma filha que primeiro foi deficiente e que depois ficou doente. Felizes por ela ter existido, inconsoláveis por ter partido.

Perguntaram-me, da Associação de Trissomia 21, se podia dar um salto ao velório. Que os pais, que sabiam qual seria o desfecho da leucemia da filha, só precisavam de a sentir honrada.

Não sabia que podia fazer com que alguém que não conhecia se sentisse honrado mas, na dúvida, corri à margem sul para dar um abraço a esta família.

Apresentei-me e, mesmo sem me conhecerem, ficaram desconcertantemente gratos pela presença.

Saí eu a sentir-me honrada, depois de testemunhar aquilo que já sabia: que o desgosto da morte de um filho é o desgosto da morte de um filho. A ninguém importa se era considerado deficiente.

Gitanes


tralhasdavida,

Quem deu cabo do coração ao meu pai não foi a minha mãe. Foi uma mulher vestida de sevilhana que dançava de braço alçado com uma castanhola no ar, toda ela envolta em névoa misteriosa.

Despedaçou-lhe a aorta, o raio da mulher. A pontos de lhe provocar enfartes, fanicos, nós no peito, desmaios e palpitações,

Tinha ginete a senhora. Temperamento forte, aroma almiscarado. E era tão perigosa que um dia houve um médico que aconselhou o meu pai a mandá-la porta fora.

Depois disto, nunca mais vi o meu pai fumar.

Da Falta de Bom Senso


tralhasdavida,

Sempre que passo na rua do IPO fico fascinada com o facto de existir uma Servilusa (que anuncia contratos em vida) mesmo defronte do portão de entrada do hospital, e uma farmácia chamada Marie Curie. Isto é que é dar votos de esperança aos pacientes, caramba.

Episódios de uma Livreira Improvisada


tralhasdavida,

Estou de serviço na livraria quando me começo a aperceber de grandes movimentações no exterior. Vislumbro polícias nos quatro cantos da praça, seguranças com auriculares, viaturas de Estado e gente muito bem vestida a circular para cá e para lá.

Dizem-me que se trata de uma visita oficial do Presidente da Irlanda, que ficará instalado no Palácio da Presidência, mesmo ali na Cidadela de Cascais.

O alvoroço não afasta os clientes, que continuam a entrar na loja à procura de presentes de Natal.

A dada altura, entra um dos seguranças. Um homem corpulento, a rebentar de dentro do seu fato e gravata, com o cabelo à escovinha. Ocorre-me imediatamente recomendar-lhe o livro escrito por um Navy Seal americano que relata toda a operação de captura do Bin Laden. Mas antes de ter oportunidade de o fazer, o homem contorna a mesa de destaques e pára junto à secção infantil. É quando me pergunta: “Têm a Anita?”.

De Quem nos Deixa Saudades


tralhasdavida,

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A tia Mette sempre foi a nossa tia exótica. Dinamarquesa, casou com o meu tio Eduardo por duas vezes. Da primeira, de vestido branco, comprido, como manda a tradição. O cabelo curto e os dentes da frente ligeiramente encavalitados faziam adivinhar um espírito irreverente. Pelo menos nos anos sessenta de uma Lisboa onde as mulheres ainda andavam de saias e nem todas eram detentoras de carta de condução.

A tia Mette era para mim o cúmulo da sofisticação. Fumava longos cigarros SG gigante em pose de revista; à noite, na cozinha, segurava num copo de vinho de pé alto e brindava em dinamarquês com o meu tio e, sobretudo, conduzia o seu citroen com as mãos na parte de dentro do volante.

A sua casa combinava o melhor gosto das tradições portuguesas, com móveis de madeira nórdica, maciça, e algumas referências de pintura taitiana do seu bisavô – o pintor Paul Gauguin.

No Natal, ao contrário das árvores com bolas de todas as cores e fitas estridentes que povoavam as nossas casas, em casa da tia Mette havia sempre decorações de um bom gosto inédito. Claro que hoje sabemos que eram compradas no Ikea de Copenhaga, mas na altura sabíamos lá o que era o Ikea.

Como o aniversário de um dos meus primos é a 31 de Dezembro, passávamos sempre lá o ano em família. Os adultos à mesa, com talheres de um dourado baço a combinar com o serviço de loiça egípcio da minha avó, e nós, a miudagem, a correr pela casa, fazendo razias à árvore de Natal com velas verdadeiras acesas. Nem sei como nunca nos imolámos inadvertidamente.

Um dia, quando eu tinha uns doze anos, os meus tios desentenderam-se e a tia Mette pegou nos três filhos e em meia dúzia de malotes e rumou à Dinamarca.

Tive um desgosto tremendo e durante muitos anos lembrava-me desta tia com uma imensa saudade.

Passaram-se uma catrefada de anos e um dia fiquei a saber que o tio Eduardo e a tia Mette se iam casar outra vez. Parece que foram jantar fora um dia e que ela, arisca, lhe terá perguntado se ele queria ser seu amante. Reza a história que ele terá respondido que sim, mas só se ela se casasse com ele.

De maneira que foi assim que a tia voltou às nossas vidas. Um par de décadas mais velha, com mais meia dúzia de quilos, mas sempre com um sorriso e um piscar de olho que nos fazia saber o quanto gostava de nós.

Viveu em Portugal os últimos quinze ou vinte anos da sua vida, feliz, sempre de porta aberta para receber com pratos exóticos esta família que também era a sua.

Um dia, a dormir, chamaram-na do céu e lá foi ela, deixando-nos a nós outra vez cheios de saudades.

Lembrei-me disto tudo a propósito de uns enfeites de Natal que comprei no outro dia, iguaizinhos aos que ela costumava ter. Não sei se agora está no céu a evangelizar o Menino Jesus sobre a importância do sentido de humor, ou se só vive nos interstícios dos nossos corações mas, seja como for, desejo-lhe um Natal de arromba.

Dos Confins da Memória


tralhasdavida,

Quando eu era pequena, a mãe de umas amigas minhas ia muito a Londres, na altura uma raridade. Eu sabia que em Londres fazia muito frio, de maneira que num Natal em que recebi uma Nancy tratei logo de inventar as brincadeiras de ir a Londres. Como competia, vesti a minha filha Nancy com várias camadas de roupa, que era para ela não sofrer do frio do norte da Europa. A minha mãe, que apareceu quando estávamos em vias de entrar no Harrod’s, deu-me a descompostura do século. Que parecia impossível terem-me dado uma boneca nova e eu tê-la logo vestido toda trapalhona. Nunca mais me esqueci disto. Os adulto não percebem nada das nossas idas a Londres.

Trecho para um livro que nunca vou escrever


tralhasdavida,

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Decidi que só te espero um par de horas por dia. Se olhares com atenção para o lado esquerdo da imagem, facilmente darás comigo a ler um livro para fazer passar um tempo que teima em fazer-se prolongar.

Só te posso esperar um par de horas por dia, que se ali ficasse toda a jornada, os dias teriam de ter mais de vinte e quatro horas, de tanto que os minutos custam a passar. Parece que esticam, como um cordel enrodilhado dos que cabem na palma da mão e que, depois de desemaranhado, chega para lá dos vinte metros.

Espero-te duas horas por dia e depois vou à minha vida. Se não vieres hoje, amanhã certamente chegarás. Connosco não há desencontros definitivos. Pode haver atrasos, trocas de estações, uma perda num apeadeiro. Mas por mais voltas que dermos, havemos sempre de nos reencontrar.