Quando eu era pequena, a mãe de umas amigas minhas ia muito a Londres, na altura uma raridade. Eu sabia que em Londres fazia muito frio, de maneira que num Natal em que recebi uma Nancy tratei logo de inventar as brincadeiras de ir a Londres. Como competia, vesti a minha filha Nancy com várias camadas de roupa, que era para ela não sofrer do frio do norte da Europa. A minha mãe, que apareceu quando estávamos em vias de entrar no Harrod’s, deu-me a descompostura do século. Que parecia impossível terem-me dado uma boneca nova e eu tê-la logo vestido toda trapalhona. Nunca mais me esqueci disto. Os adulto não percebem nada das nossas idas a Londres.
Dos Confins da Memória
tralhasdavida,

Eu fazia dos meus lápis de cor uma família muito grande com pai, que saía para trabalhar, mãe, que ficava a tomar conta dos vários filhos, dos quais o bébé que era o azul claro (sempre o lápis mais pequeno porque se gastava muito a pintar o céu, não é?). E os adultos mandavam-me ir brincar!
Adorei esta sua história, Isabel. Estou farta de a contar.
Obrigada por me ter contado.